quinta-feira, março 29, 2007

Um poema de J. T. Parreira

LAMENTAÇÃO SOBRE JERUSALÉM

Se cai Jerusalém, se cai
a pedra sobre a pedra
o templo, as
portas, todo o céu
abaixo das estrelas
o ruído da queda
será um
punho
apertando as vozes
Se Jerusalém cai, se cai
subirá às últimas
estrelas
a dor do reino animal, se cai
o muro dos lamentos
toda a
cidade ficará sem caminhos
sílabas, pranto e lágrimas
na noite
empedrada
Se cai Jerusalém, se cai
até à medula da terra, os
olhos
dos profetas ficarão apagados
que rápido é o ódio
a barricar
corações
se Jerusalém cai, se cai
como vai ficar o mundo sem
relógios.

www.papeisnagaveta.blogspot.com

terça-feira, março 27, 2007

Dois poemas de minha autoria

Amados leitores, publico aqui estes dois poemas, que integrarão o meu novo e-book de poesias, já quase pronto. Breve publicarei o livro aqui e em outros canais, para download gratuito. Graças a Deus por isso.


Cantiga de ninar

Há uma ciranda de crianças e luz;
E a luz é dessas crianças,
E as crianças são dessa luz.

Tudo em derredor tudo canta
E um Rei que é uma Rocha rege
O coro de todas as coisas.

Há provisão
De sorriso e perdão.

Não há precisão
Do sol ou das estrelas,
Dos planetas ou do luar:
Um que é a Rocha
Ilumina o lugar,
E o lugar que ilumina
Tem o nome de TUDO.

E o amor de Deus é aqui
Um tão grande estrondo
Que ensurdeceu para sempre
Tudo que era vazio.


Diretrizes

Importa
que as palavras lúgubres
fiquem no front, onde é feita
a morte,
do suor rubro das artérias e veias

Importa
que sejam despedaçadas as agruras
- os grilhões da timidez e do medo -

Importa
saber que o Deus que põe a rapina
no coração da águia
é o mesmo que põe o Amor
no coração do justo

Importa ainda
Suportar esta verdade:
Se há homens mais miseráveis do que nós,
Há miseráveis mais homens do que nós;
Vaidade das vaidades,
TUDO É VAIDADE.

Importa, urge
soterrar os precipícios
inaugurar a cada dia
mil novas pontes, mil
novas naves
entre Deus e os homens
- sempre a estreitar pela Única Porta -
e morrer por alcançar
aquele que ainda morre
fora de nosso raio de alcance.

No mais,
“de tudo o que se tem ouvido, o fim é:
Teme a Deus e guarda os seus mandamentos;
porque este é o dever de todo homem.
Porque Deus há de trazer a juízo
toda obra e até tudo o que está encoberto,
quer seja bom, quer seja mau.” *


* Eclesiastes 12.13-14

domingo, março 18, 2007

Um poema de Josileia Neves

Quando disseres sim ao Senhor

Quando disseres sim ao Senhor, lembra-te que terás de deixar pra trás sonhos e aspirações pessoais.
Quando disseres sim ao Senhor, lembra-te que terás de deixar pra trás conforto e tranqüilidades terrenas.
Quando disseres sim ao Senhor, lembra-te que terás de deixar pra trás apegos preciosos ao coração.
Quando disseres sim ao Senhor, lembra-te que terás um novo caminho a seguir, com renúncia, espinhos e dores.
Quando disseres sim ao Senhor, lembra-te que na próxima esquina pode te sorrir a perseguição, a perda, a solidão...
Quando disseres sim ao Senhor, lembra-te que poderás não entender tudo que a mão Dele fizer, tudo que o plano Dele operar.
Quando disseres sim ao Senhor, lembra-te que poderá ser preciso renunciar tanto, até o ponto de morrer.
Quando disseres sim ao Senhor, lembra-te que a glória humana deve perder o brilho, e que só a glória divina deve fascinar.
Quando disseres sim ao Senhor, lembra-te que inúmeras vezes tua face se molhará de pranto, e que prazeres efêmeros tantas vezes te será negado.
Quando disseres sim ao Senhor, lembra-te de tomar tua cruz e segui-lo pela senda marcada pelos divinos pés, que outrora por ti foram feridos.
Quando disseres sim, lembra-te que Ele possui o mais doce bálsamo, bálsamo que Ele não te negará.
Quando disseres sim ao Senhor, lembra-te de aguçares bem teus ouvidos, pois serás capaz de ouvir o som dos seus passos andando contigo.
Quando disseres sim ao Senhor, lembra-te que Ele te usará para edificação do seu eterno reino.
Quando disseres sim ao Senhor, lembra-te que a qualquer momento poderás ser surpreendido com um milagre das poderosas mãos.
Quando disseres sim ao Senhor, lembra-te que após a morte encontrarás a ressurreição!
Quando disseres sim ao Senhor, poderás tranqüilizar teu coração, pois tua vida está guardada nas mãos poderosas!


Fonte:www.semipa.org.br

terça-feira, março 13, 2007

Dois poemas de Mário Machado

Mefibosete

Eu cheguei até aqui, mas sei foi graças a Deus,
Que exalta o oprimido e cuida do povo seu,
Com tanta fidelidade, tanto amor e tanto zelo,
Que de mim nunca se esqueceu!

Nasci condenado à morte, debaixo de maldição,
E ainda muito cedinho, ela cruzou meu caminho com uma baita infecção.
Mamãe ouviu do doutor: - Sinto muito, acabou, leve ele e seja forte,
Esse menino é defunto, pra cidade dos pés juntos, não terá ele outra sorte!

Fui crescendo aqui e ali, depois que Deus me curou,
E o doutor disse sorrindo: - O bichinho ressuscitou!
Comia o dia que dava, do que o meu pai ganhava ou do que mamãe arrumou!
Bebi de todas as águas e afogando minhas mágoas, tornei-me o homem que sou!

O sofrimento fez parte da minha vida inteira,
E pra aprender a ser homem desconheço outra maneira!
Apanhei de pai e mãe, da vida e até de Deus,
Que ama e disciplina aquele que é filho seu.
Mas que não descuida nunca do pardal ou dum cão morto e imprestável como eu!

Hoje estou bem casado, e julgo ter enricado com o tanto que sou e tenho!
Felicidade na vida para refrescar a lida é rara de onde venho!
Mas Deus me deu abundância, e o riso das crianças me faz voltar ao passado!
Com certeza hoje eu seria, ossos numa tumba fria não fosse Deus do meu lado!

Essa é a minha história, até aqui seu doutor!
Mas se estou vivo e lhe conto é porque não acabou.
Ainda espero o dia em que enfim minha alegria irá se concretizar!
E com os olhos abertos, eu verei Jesus de perto e irei com ele morar!

E assentado com seus filhos, na santa ceia do céu,
Vou me gloriar pra sempre na graça do nosso Deus
Que ama e disciplina aquele que é filho seu.
Mas que não descuida nunca do pardal ou dum cão morto e imprestável como eu!


Missionário III: Até o fim

De tudo o que posso ser,
Ser missionário, é minha escolha e vocação.
É o sentido da minha existência, minha alegria e paixão.
Não existe ocupação mais nobre em todo o universo!
Os anjos me invejam e eu sei disso!
A obra missionária é a obra de Cristo,
Que deixou o céu e veio dar a vida, por gente como você e eu.
Ser missionário pra mim é isso, dar a vida fugaz, que jamais pude reter,
Pra uma vida eterna, plena e poderosa, dele receber.

Dei meu tempo ao SENHOR, e ele me retribuiu com a eternidade.
Dei meus braços e pernas e Ele me deu asas como águias.
Dei minha casa e ele me providenciou mansões celestiais.
Dei a Ele o meu coração vazio, e ele encheu de amor, alegria, paz...

De tudo o que quero ser,
Quero ser um missionário, até meu último segundo!
Quero adentrar a eternidade com as mãos cheias, ganhar o mundo!
Quero que Ele veja o fruto do seu penoso trabalho e sorria!
E o seu sorriso será minha recompensa, por todas as privações, provações, agonias...
Quando Ele olhar para mim e sorrir, tudo terá valida a pena!
Quando Ele me disser: - Entra servo bom e fiel! Saberei enfim que estou no céu!
Quando Cristo que é a minha vida se manifestar, Serei enfim manifestado com Ele em glória!
A presente humilhação não vai me confundir, me fazer desesperar...
Ser missionário é investir a vida em outro reino, é outro papo, outra História.
É uma grande honra SENHOR, estar entre as suas fileiras!
Combater o bom combate, ao lado dos seus valentes:
Eduardo, Donaldo, Eliel, Marcos, Casemiro, Jairo Gonçalves, Salomão Vieira, Éder, Joe, Gilcemar, Davi Jane, Edílson, Daniel Ambrósio, Ramon J. Amil, Da Hacy, Helga, Manoel, Sr José Raimundo, Jabesmar, Jaime Crawford, Osvaldo Rosa, Da Magery Lipsi, Maria Sebastiana, Tio Evaldo, Rogerinho, Rubens, Sergio, Walter Alexander, Warren, Graeme, Davi Nicholson, Gavin e Gavin ...
E alguns que já foram promovidos: Sr Luiz Soares, Gary, Sr, Henrique King, Sr Guilherme Maxwell, Sr Roberto Glasgow...
Permita-me SENHOR, ser contado entre os seus valentes!
Homens e mulheres, feitos de virtudes e defeitos, mas servos de Deus,
Combatentes que terão mais que um punhado de desculpas para apresentar naquele Dia!
Guerreiros vigorosos, incansáveis, gente que muda o mundo, verdadeiros crentes!
Entre esses,há dezessete anos que lancei minha sorte.
Permita-me SENHOR, se achei mercê diante de ti, ser fiel até o fim, até a morte!

Para ler muitos outros poemas de Mário Machado (que é um atuante Missionário do Evangelho), acesse o site www.irmaos.com, onde ele mantém a coluna Licença Poética.

domingo, março 11, 2007

Um poema de J. T. Parreira

TALMUDE

Os leitores do Talmude
desenrolam seus longos braços

Seus olhos usados repetem portas
palavras fechadas
cada silêncio alude
a um mistério

Os leitores do Talmude
param o Sábado
nas suas tarefas, param
o livro, a sua língua
pousa cansada.

quinta-feira, março 08, 2007

3 SONETOS TRADUZIDOS

Amados leitores, há algum tempo publiquei a Antologia de Poesia Cristã (em língua portuguesa). Foi uma ‘obra de fôlego’, não pelo tamanho, mas pela quantidade de livros que li, sites de literatura que devorei, visitas à Biblioteca Nacional, etc, etc, etc.
Durante a pesquisa, Deus pôs em meu coração o propósito de realizar uma outra seleta, desta vez somente com a poesia cristã de autores estrangeiros (não-lusófonos). Mais uma trabalheira... Mas que me proporciona um grande prazer.
Pois bem, enquanto não ‘tomo coragem’ de mergulhar a fundo nesta nova pesquisa, publico aqui três sonetos, três pequenas obras-primas da literatura cristã e universal, que já encontrei:

A Cristo Crucificado
Autor espanhol desconhecido
Tradução de Manoel Bandeira


Não me move, meu Deus, para querer-te
O céu que me hás um dia prometido:
E nem me move o inferno tão temido
Para deixar por isso de ofender-te.

Tu me moves, Senhor, move-me o ver-te
Cravado nessa cruz e escarnecido.
Move-me no teu corpo tão ferido
Ver o suor de agonia que ele verte.

Moves-me ao teu amor de tal maneira,
Que a não haver o céu ainda te amara
E a não haver o inferno te temera.

Nada me tens que dar porque te queira;
Que se o que ouso esperar não esperara,
O mesmo que te quero te quisera.



Do pastor cego que abriu seus olhos a nova vida
Luís Rosales (espanhol)
tradução de Odylo Costa, filho


Senti dizer Belém! e um inseguro
empurrão me arrastou; por um momento
não pude respirar; pálido e lento
palpei de novo o muro, e atrás do muro

por um chifre rocei súbito e duro
e fiquei pasmo; após senti violento
tremor de carne e lábios, movimento
alegre das pessoas e obscuro

doce medo a voltar; fui avançando
e resvalei na palha; já caído
um menino toquei, a quem queria

lhe pedir para ver; me achei olhando,
sentindo-me nascer, recém-nascido
junto ao rosto de Deus que me sorria.



Soneto
Vittoria Colonna (poetisa medieval italiana)
Tradução de Pedro Garcez Ghirardi


Quando me oprime o peso do pecado,
o olhar não ergo ao Criador;
Levanto o coração fiel, Senhor,
A Vós, por nosso amor crucificado.

Escudo em Vossas chagas tenho achado
Contra a ira divina e seu rigor;
Segura estou em Vós de que o temor
Em esperança e paz será mudado.

Em Vossa última noite suplicastes:
"Une, ó Pai, lá nos céus, quem em mim crê".
Foi por nós Vossa prece derradeira.

Sem medo, pois, e (glória a Vós) com fé
Minh' alma louva o zelo em que abrasastes
Com Vossa vida, minha culpa inteira.


Nota: Se você conhece algum poema (de temática cristã) de autor estrangeiro (traduzido, é claro), envie para cá. Se for possível, envie o nome do tradutor e também a referência bibliográfica (o lugar – site, livro, jornal, revista, etc. – onde você encontrou o texto).
Colabore na confecção de mais um e-book gratuito!

terça-feira, março 06, 2007

Um poema de Samuel Pinheiro

Canção Salgada

As mãos de Deus não se cansam
de temperar as chuvas
e de aguçar o Sol.
De lavar os nossos olhos no Fogo.
De lavar as nossas lágrimas com Sal.
As mãos de Deus não se cansam
de despregar os desertos das nossas mãos.
As mãos de Deus não se cansam
de alumiar os nossos pés

Ele põe uma enxada de Luz
no nosso sangue
e bate na nossa Fome
com espigas

Deus está preocupado com o homem.
Doem-Lhe muito as minas de carvão
que temos nas nossas veias.
Amor rima com
dor.
Amar rima com
dar.
Ele nunca se esquece de nós!
Nem mesmo quando nós nos esquecemos
Dele
ouve a nossa voz
apesar do barulho rombudo
que fazem as pedras
a cair dos lábios da noite.
Usa um chicote de Lume
para nos acordar.
E há homens que pensam
um sepulcro para O enterrar.
Quem pode fuzilar um raio de Sol?
Ninguém. Ninguém.
Ninguém O pode colar a um muro!
E somos nós que Morremos
quando conspiramos a Sua Morte
!
Importa ouvir o Seu suor
na terra.
Importa ouvir as suas lágrimas.
E aprender as Suas armas de Amor.
As Suas mãos
são um aguçado poema de luta e tranqüilidade
para ouvirmos e decorarmos e vivermos
e atirarmos contra os cemitérios

É preciso
traduzir o azul
mas com gestos.
Dizer o Seu suor aos homens na rua.
Aos homens que todos os dias passam
no tempo que passa
para o Tempo que não passa.
Atirar-lhes ao rosto cavernoso
o Seu suor.
Dizer inteiro o Seu mar de Amor
com poucos lábios.
Soletrar o Seu suor
como se eu fosse um lampião
pendurado na janela.
Escrever o Seu nome com o meu sangue
aqui mesmo no chão.
Com as veias escancaradas ao vento
gritar os seus pomares

Deus não está longe de nós!
(Está aqui).
Nós é que nem sempre estamos perto Dele
!

In Antologia da Nova Poesia Evangélica

quinta-feira, março 01, 2007

Dois poemas de Ederson Peka

Amor Real

- Foi em busca de Ti
Que bebi de outras fontes.
- Foi por trás de outros montes
Que de Ti me escondi.
Lutei pra me encontrar
Mas, enfim, me perdi.

Errava por amar
Impossíveis amores:
Senti todas as dores
E não quis me curar...
Naufragando, afundando,
Escolhi me afogar.

Persistia no engano
E na desilusão;
Buscava (sempre em vão)
Em outro ser humano
O amor que de Deus
Eu vinha recusando...

Mas quando me envolveu
A pior solidão,
A Sua forte mão
Nosso Pai me estendeu;
E com paciência
Me ensinou: tu és Meu!

- Por Tua providência
Eu quero agradecer.
O vazio do meu ser,
A minha inexistência,
O infinito Senhor
Conseguiu preencher.

- Por mostrar Teu amor
E estar sempre ao meu lado
Hoje digo: Obrigado!
E Te rendo louvor.


Pródigo

O filho caído, num lamaçal prostrado,
Chora o seu passado de escolhas impensadas...
O seu presente é triste, o seu futuro é nada,
Que envolto está nas armadilhas do pecado.

Na humilhação opresso é que ele se dá conta
Que em nome do que achava que era a liberdade
Foi que sacrificou sua felicidade.
Em culpa desvairada o ego se desmonta

E lágrimas denotam o arrependimento:
- Pequei! Me volto agora para o antigo lar
A fim de ser um servo, se meu Pai permite...

É então que o filho, na magia de um momento,
Vai aprender que, quando o assunto é perdoar,
O amor do Pai jamais conhecerá limites.

www.sitedepoesias.com.br
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