sexta-feira, outubro 30, 2009

Dois poemas de Octávio Roggiero Neto

*
Paul Klee, Remembrance of a Garden


o Jardim


quero estar no Jardim,
onde um olhar de criança
num instante é percebido
no semblante mais franzido,
onde o verde é mais verde
que a esperança
e o dia não tem fim.

Jardim da nudez primeira,
sem folhas de figueira
que nos sirvam de tapume;
apenas o perfume colorido
da primavera em flor,
o som alegre das árvores
que cantam passarinhos
e a brisa que as acenam
pelos caminhos.

quero estar no Jardim,
correr ao encontro de Deus
ao ouvir os passos Seus.



cântico novo

“E aconselhou-se com o povo,
e ordenou cantores para o Senhor
que louvassem a Majestade santa,
saindo diante dos armados, e dizendo:
louvai ao Senhor,
porque a sua benignidade

dura para sempre.”

2Cr 20.21


um cântico novo
a plenos pulmões
na boca do povo
e nos corações

entoam nações
um cântico novo
nos lares, nas ruas
praças, vagões
em terras distantes
ninguém será mais
como antes


põe abaixo prisões
e nos edifica
alegria de festa
ao nosso semblante
empresta

um cântico novo
ressoa aos céus
agrada a Deus
na garganta
desata os nós

amedronta os algozes
um cântico novo
exército de vozes
numa única Voz


toma fôlego, exulta e canta
canta que no canto
ergue-se morada santa

o cântico novo
os males espanta

canta, irmão, canta!



Octávio é autor do livro Primícias Poéticas.

Visite o blog do autor: http://www.primiciaspoeticas.blogspot.com/

domingo, outubro 25, 2009

Um poema de cordel, de Roberto Celestino

*

Um encontro com um bêbado

01

Encontrei-me com um bêbado
E me pus a conversar
Aconselhando o sujeito
Para o álcool abandonar
Ele disse Que é que tem?
Se isso me faz mal ou bem
Sou eu quem vou me acabar

02
Expliquei aquele homem
Que aquela situação
De viver embriagado
Tornara-se uma prisão
Pois livre Deus o criou
Mas o homem rejeitou
Pra viver em opressão

03
Disse ele: Sou muito livre
Pra fazer o que quiser
Eu nunca fui dominado
Nem por cana nem por mulher
Só bebo porque gosto
Se quiser deixar eu posso
Para na hora que quiser

04
Você bebe todo dia
Porque já ta dominado
Já te chamam papudinho
E também de pé inchado
Você pode até negar
Mas se você não parar
Vai ser triste o resultado
(Provérbios 20.1)

05
Ele disse: Quem é tu,
Que me vem com esse sermão?
Parece até minha mulher
Com essa perturbação
É melhor tu te calar,
E se quiser me ajudar
Paga uma com limão

06
Respondi-lhe: Meu amigo
Eu quero lhe ajudar
Mas não é dando cachaça
Pra você se afundar
Vou mostrar-lhe a verdade
Para que a liberdade
Você possa conquistar
( Habacuque 2.15)

07
Olhou-me então no olho
E bem sério perguntou
Por que essa preocupação
Se nem parente teu eu sou?
Ninguém já me liga mais
Pra mim agora tanto faz
Minha vida se acabou

08
Já perdi tudo que tinha
Meu mundo desmoronou
O emprego também perdi
A família me largou
Os amigos também sumiram
Depois que liso me viram
Nenhum deles me acompanhou

09
Vou vivendo minha vida
Por ai de bar em bar
Procurando um companheiro
Pra uma pinga pagar
Mas você é pirangueiro
Ou então não tem dinheiro
Pois continua a me negar
( Isaías 5.11 )

10
Passei a lhe explicar
Que nem tudo está perdido
Vai depender somente dele
Ver o quadro revertido
Pois se quiser se libertar
Quem poderá lhe ajudar
É Jesus o grande amigo

11
Disse ele: olhe aqui,
Preste muita atenção
Eu não sou nenhum ateu
Tenho Jesus no coração
Confio nEle e tenho fé
Acredite se quiser
Tenho minha religião
( Lucas 21.34)

12
Religião você pode ter
Só não sei se tens Jesus
Pois andas em escuridão
E não queres vir pra luz
Tu falas de Jesus em vão
Pois se ele está em teu coração
Pra liberdade te conduz
( João 3.19-21)

13
Pra dizer que crer em Cristo
É preciso obedecer
O mandamento que ele deixou
Escrito pra todo mundo ler
Lendo, a verdade conhecerás
E a liberdade encontrarás
Pois Cristo a oferece a você.
( João 8.32; 14.21-24)

14
Pense agora na família
Pelo álcool destruída
Mulher e filhos sofrendo
Sua mãe vive abatida
Ainda é tempo de mudar
Jesus Cristo pode dar
Novo rumo a tua vida

15
Essa vida que você vive
Leva o homem até o chão
O faz comer com os porcos
Dormir na rua como cão
Embora eu nunca tenha achado,
Um porco ou um cão embriagado
Vivendo em tal humilhação
( Lucas 15. 15-16)

16
Ficou ele pensativo
Pude vê-lo até chorar
Reconhecendo que sua vida
Andava fora do lugar
Ele agora confessava
Que o vício o dominava
Já não tinha como parar

17
Já viu muitos colegas
Que como ele vivia
Lutarem contra o vício
Que pouco a pouco os consumia
Não conseguiam pois vencer
E assim os via morrer
Ao seu lado dia a dia

18
Disse-me que iria pensar
Sobre o que lhe falei
Em ter um compromisso com Cristo
Mas não iria mudar de “lei”
E quando ia retirar-se
Pedi ainda que esperasse
E então lhe expliquei

19
Não é lei nem religião
Que pode ao homem libertar
Pois somente O Filho de Deus
Pode essa obra realizar
É preciso nele crer
Sua palavra conhecer
Não só ouvir, mas praticar
( Tiago 1.22)

20
Retirando-se cabisbaixo
Aos poucos foi se afastando
Parecia pensativo
Não estava mais chorando
Foi embora então calado
Tive pena do coitado
Que aos poucos tava se acabando

21
Procurei sua família
Para que o ajudassem
Dando-lhe uma nova chance
Ainda que não acreditassem
Valia a pena tentar
E ver o pai de volta ao lar
Pra que todos se alegrassem

22
Me disseram:Várias vezes
Procuramos ajudar
Não adianta perder tempo
É melhor deixar pra lá
Pois em casa ele não pára
Não cria vergonha na cara
Logo, logo volta pro bar

23
Expliquei aquele povo
Que não era tão simples não
Libertar-se daquele mal
Que virara uma prisão
E que não adiantaria
Aliás, pioraria
Entregá-lo a solidão

24
Seria preciso bem mais
Do que vergonha criar
Há gente que se diz com vergonha
E também vive a se embriagar
Era preciso ajudá-lo
Se quisessem libertá-lo
E a família restaurar

25
Jesus disse que o ladrão
Destrói, rouba e mata
Esse ladrão é o diabo
Que a paz das famílias assalta
Pois vemos em todos os lugares
Vidas destruídas aos milhares
Que esse ladrão arrebata
( João 10.10 )

26
No entanto Jesus Cristo
Veio para desfazer
As obras sujas do diabo
E a paz aos lares devolver
Trazendo assim libertação
E oferecendo salvação
A quem dEle receber
(I João 3.8)

27
Concordaram naquele instante
Que o iriam procurar
Convencê-lo a vir pra casa
Nova chance iam lhe dar
De mãos dadas a Deus oramos
E aquela vida o entregamos
Para Deus o libertar

28
Passados já muitos dias
Pude vê-lo novamente
Fiquei muito surpreso
Ele estava sorridente
Vi um homem transformado
Com a família do seu lado
E fiquei muito contente

29
Quando nos aproximamos
Começou a me falar
Que estava largando o álcool
E já retornara para o lar
A família o ajudava
E ele muito lutava
Para enfim se libertar

30
Depois de alguns dias
Por seu filho fui informado
Que o pai se libertara
E estava transformado
A Deus agora ele louvava
E na Palavra se firmava
Abandonando o pecado

31
Passou a ajudar a muitos
Que como ele vivia
Mostrando-lhe a saída
Embora poucos ouviam
Mas aqueles que escutavam
Também se libertavam
Da escravidão que viviam

32
Quem começa a beber
Sempre o faz por diversão
Aos poucos doses não bastam
Só contentam-se com o litrão
Alegam estar se divertindo
Na verdade estão caindo
Em uma grande prisão
( I Coríntios 6.9-11)

33
Pouco a pouco chega ao ponto
Que não consegue mais voltar
Por mais que diga que possa
Ele sabe que não dá
Sozinho não vai conseguir
E precisa então pedir
Ajuda pra se levantar
34
Sabendo disso não entre
Neste barco furado
Certo ou tarde ele afunda
E você morre afogado
Foge disso enquanto pode
Evita o primeiro gole
Deixa essa droga de lado
(Romanos 13.13)

35
Não vos embriagueis
É o conselho do Senhor
Enche-te do Espírito Santo
Que é O Consolador
O Espírito de vida e poder
Pra recebê-lo é preciso crer
Em Jesus Cristo O Salvador.
(Efésios 5.18)

Destino Final – um site cristão de conteúdo evangelístico, compartilhado gratuitamente

*


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A filosofia do site, pertencente ao ministério Chamada da Meia-Noite, é facilitar aos cristãos a propagação do Evangelho de todas as formas, fazer a mensagem de Cristo chegar ao maior número de almas possíveis. Uma excelente iniciativa evangelística!

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E.A.G. - Via Blog da UBE

quarta-feira, outubro 21, 2009

Gesto Heróico - Poema de Mário Barreto França

*

Gesto Heróico*

A sineta bateu, convocando o colégio.
A sala estava cheia... O diretor – egrégio
E antigo mestre – entrou.
Ninguém o reparara;
Falavam de uma falta enorme: alguém roubara
Da bolsa de um aluno a clássica merenda.
E o castigo era grande: - uma surra tremenda,
Vinte varadas!... Qual seria o desgraçado
Que iria suportar o braço desalmado
Do velho diretor, aplicando o castigo?
Talvez fosse um colega ou um bedel antigo...

Havia tanta gente ali, humilde e pobre...
E a aparência, afinal, muita miséria encobre...
Enorme burburinho enchia toda a sala...
- Silêncio! – brada o mestre – Aqui ninguém mais fala.
Houve uma falta grave – um roubo. E é oportuno
Que eu fale claramente: esse tão mau aluno,
Que cometeu tal erro, há de pagar bem caro.
Bem caro, estão ouvindo?
E o que mais eu reparo
É ver que foi debalde o esforço de ensinar-vos
O caminho do bem, da retidão... Mostrar-vos
Que se deve vencer por força de vontade;
Que acima de qualquer febril necessidade
Se coloca o dever!... E eu vejo que as virtudes
Não orientam mais as vossas atitudes!...

O murmúrio aumentou; todos se entreolharam;
E numa singular atitude calaram,
Como para mostrar a força que os fazia
Solidários na dor, na culpa ou rebeldia...

Mas, num canto da sala, humilde, magro e pálido,
Levantou-se um menino. O seu aspecto esquálido
Bem claro demonstrava a miséria sem nome
Que lhe vidrava o olhar nas convulsões da fome.
E, num gesto de quem se vota a um sacrifício
- Como um santo a sorrir no instante do suplício –
Confessa: - Diretor, tinha uma fome cega
E por isso roubei o lanche do colega!
Fiz mal; ninguém tem culpa; é verdade o que digo!
Estou pronto, portanto, a sofrer o castigo...

E seguiu cabisbaixo em direção do estrado
Em que todo faltoso era sentenciado.

E o velho diretor lê o código interno:
“O aluno que roubar um lanche ou um caderno,
Nas costas, levará vinte fortes varadas.”
E, isso dizendo, despe as costas maceradas
Do pequeno réu...

Vibra o primeiro açoite...
Um gemido se ouviu como um grito na noite...
Outra pancada estala... As pernas do garoto
Começavam a tremer dentro do calção roto...
E o seu olhar voltado ao azul da imensidade
Parecia implorar um pouco de piedade...

E uma onda de horror, de revolta e protesto,
Brilhava em cada olhar, vibrava em cada gesto...
Nisto, um jovem robusto e com porte de rico
Ergueu-se resoluto e disse: - Eu vos suplico
Que permitais, senhor, que eu sofra o seu castigo!...
A merenda era minha e ele foi sempre amigo!...
Mas, se é lei, que se cumpra a lei!...
E, sobranceiro,
Seguiu para o lugar do pobre companheiro;
Tirou o paletó, curvou-se resignado
E deixou que o castigo em si fosse aplicado.
Quando soturnamente a última vergastada
Estalou, com um ai, na costa ensangüentada
Do inesperado herói, o pequeno poupado,
Soluçando, abraçou seu protetor amado;
Beijou-o humildemente e disse-lhe baixinho,
Num gesto fraternal e cheio de carinho:

- Foste o meu salvador, meu nobre e bom amigo,
Pois sofreste por mim as dores do castigo
Que mereci, bem sei, mas não o agüentaria,
Dada a minha profunda e crítica anemia...
Fui culpado de tudo e nunca o desejara...
Suplico-te: perdoa a minha ação ignara!...
Eu saberei ser grato ao bem que me fizeste,
Implorando ao Senhor a proteção celeste
Sobre ti e o teu lar, na certeza que o mundo
Será em tua vida um roseiral fecundo,
Pois onde eu me encontrar, exaltarei, estóico,
O sublime esplendor desse teu gesto heróico!...

***

Nós somos neste mundo uns míseros culpados:
Criminosos, infiéis e cheios de pecados...
Roubamos nosso irmão, o próximo enganamos,
Perseguimos o justo, o trânsfuga exaltamos,
E tudo o que é de mal fazemos sem piedade,
Para satisfazer nossa perversidade...

E quando a mão de Deus aplica, certo dia,
A justa punição à nossa rebeldia,
Jesus volta de novo ao cimo do Calvário
Para, por seu amor divino, extraordinário,
Receber em seu corpo os látegos e os cravos,
Destinados a nós, miseráveis escravos
Do pecado e do mal!

Por isso, ó Mestre amigo,
Que sofreste, perdoando, a dor do meu castigo,
Recebe o meu afeto humilde, mas sincero,
E a minha gratidão profunda, pois Te quero
Exaltar em meu ser e em toda a minha vida,
Nessa consagração de uma alma agradecida,
Que vê, no teu amor e em teu suplício estóico,
A glorificação de um sacrifício heróico!


*Este poema já havia sido publicado por aqui, mas com uma formatação totalmente equivocada. Desta vez pude transcrevê-lo corretamente, diretamente do livro onde se encontra.

sexta-feira, outubro 16, 2009

Dois poemas de Adelino Alves Bonfim

*

Davi

Sete filhos de Jessé
desfilam perante o sacerdote
Sete candidatos; nenhum é o Eleito.

Procura-se um rei!
Acabaram-se os mancebos?
Falta um!

Buscai-o no campo
o último filho de Jessé
desprezado, quase um servo

Trazem-no esperançoso
Tem cheiro de coragem e cheiro de ovelha

É pastor
tocador de harpa
e fazedor de salmos

É ele o escolhido, ungido rei
E volta aos campos, humilde
cheirando a ovelha, coragem e unção.



Salmo da ovelha perdida

O Senhor já não é mais o meu pastor
e de tudo tenho falta
A angústia é a minha companheira
o medo, meu amigo
e o desespero sempre bate a minha porta
Estou em completa solidão
Choro quase todas as noites
e não há quem me console e enxugue minhas lágrimas!
Minha alma tem feridas profundas
preciso do óleo da unção
e não encontro mais
Tenho fome e sede e não há quem me sacie!
Caminho sozinho no vale das sombras
e a cada passo espero encontrar minha morte
Vem Senhor!
Preciso urgente de Ti!
volte a ser o meu Pastor!


Visite o blog do autor: http://opoetabonfim.blogspot.com/

quarta-feira, outubro 14, 2009

3 GIRASSÓIS

3 poemas inspirados na obra missionária


a








SUDÃO


Abrem-se de par em par
as portas da Igreja-Casa-Coração:
Descalços sobre os seixos,
os 22 sudaneses adentram
ao porto de Cristo,
que é seu e é aquecido.

Ao Gracioso Trono
suas orações evolam-se,
mística circunvolução
que ao fim de seu circuito
lhes concede corações e ossos
encouraçados contra o vil falseio
da heresia e da fome,
das perseguições e mandigas
dos marabus¹...

Fora das portas,
contradizente, estático e célere
o deserto lhes circunda:

Morra doravante o deserto,
deles (hoje, para S E M P R E)
fluem "rios de águas vivas"


¹Lider religioso comum na África islâmica, espécie de 'pai-de-santo'
local, expoente do sincretismo entre o Islã e crenças animistas.

² João 7:38




JAPÃO

Nada de espadas. A Tokarev¹
_____________________________ _ _Sim sim sim ainda atira
ela há de atirar
___________________________ _ _As crianças a dívida
e ele já a empunhava, alisava
________________________ _ SUSPEITO DE ALTA TRAIÇÃO ____________________________ _cabeçalho dos jornais as crianças
o dedo bicava o gatilho ele já vencia o medo
_______________________ _ Morrer morrer só me resta morrer a ___________________________ discussão os gritos de Yukio o stress
mas então uma lembrança (de onde vinda?),
________ _os acionistas o ministro todos esperam que eu me mate
uma equação: O bolso + a mão + o toque = um reles(?)
papel


o folheto que aquele canadense lhe dera:

"Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida.
Quem crê em mim, ainda que esteja morto,

Viverá; e todo aquele que vive e crê em mim

Nunca morrerá. Crês tu isto?"
²

(Um insight, uma arma deposta um libertar)

Pois ele creu.


¹ Pistola russa
²João 11:25,26




aaaaa








AFEGANISTÃO


O injil¹
(tão raro por aqui, tão impossível) o injil
seu pai queimou o injil
na sexta seus parentes se reuniram
seu irmão lhe denunciou
o livro, o livro, ele tinha o livro!
O muezim² decidiu pelo castigo a vila o povo
o povo cego surdo mudo o muezim
decidiu o muezim decide o muezim cego guiando
cego

O cortejo cego segue, dá à porta da casa
preparam-se para linchá-lo.
E você se angustia e eu me angustio mas ele...
Com um sorriso de ave e de anjo
(tão raro por aqui, tão impossível),
Mohammad ibn Ali lança-se para fora:

"Eu venci o mundo." ³

¹ O Novo Testamento
²Chefe religioso local, no Islã
³João 16:33


segunda-feira, outubro 12, 2009

Livros de Poesia Evangélica - Imagens

*




Fiz estas imagens a partir de alguns livros de poesia evangélica que possuo. São imagens difíceis de encontrar na internet, e por isso resolvi criá-las e torná-las disponíveis. São de uso liberado para qualquer fim.

quinta-feira, outubro 08, 2009

Três poemas de Rui Duarte

*

MEDITAÇÃO SOBRE O SALMO 133

Ah querido irmão
Nada é mais doce
Do que as tépidas manhãs
Que amaciam as gotas do orvalho
Sim do orvalho de Hermon

Nada mais delicioso
Do que o nacarado óleo
Que desliza pela barba
O óleo da constrição do fruto da oliveira

Nos nossos conclaves, irmão
Há o mel dos abraços
E o sal dos risos
O veludo dos cantos
Entoados em conjunto
E o sol pleno das nossas danças

Ah somos Aarão de barba luzente
E irmãos do orvalho

Eia! Que nestes conclaves
Está o Irmão mais velho
Ele próprio do seu frasco
Derrama sobre nós o perfume
O mesmo que lhe ungiu os pés



OFICINA

Os reis vêm a ti
Trazem as suas espadas e os ceptros e as coroas
As espadas estão embotadas
Os ceptros quebrados
E as coroas de aço pesam nas cabeças
Ouro em vez de bronze
E muitas perguntas

Os sábios trazem ouro incenso e mirra
Cadernos em vez de livros

As mãos e bocas são de barro
Os corações e entendimento de pedra
Sobre a tua mesa as depositam

Ó mais nobre dos artesãos
Quem se atreve a questionar a tua arte?



CONTRADIÇÕES DO CORRUPTO

Por trinta moedas
E um beijo
Vendi o meu irmão
O meu coração de prata

O preço de um terreno

Ambição?
Não
O preço da minha decepção
Simplesmente
A possibilidade de um pouco de lucro
E de comprar um outro Messias

Visite o blog do autor: http://neaktisis.blogspot.com

domingo, outubro 04, 2009

Dois poemas de J. F. Aguiar

*

Bem Perto

Os desejos dos homens:
Saber o que há por detrás das galáxias
Vamos, nossos olhos precisam desvendar os mistérios
Haverá um novo Éden?
Frutos de um doce bom?
Perfumes de flores inigualáveis
Viagens rumo ao abissal
Para ver e tocar em outros corais
Bem lá fundo no mar do nosso mundo
Haverá outros tesouros?
Energias renováveis
Que aquecem e transformam?
Qual a intenção ?...
O fogo para clarear o abismo escuro?
Ou o fogo que destrói a tudo?
Vamos rumo ao infinito
A ciência do bem e do mal
Porque não tocar no fruto da árvore
Que está no meio do jardim?...
O conforto e o conflito...a guerra interna...
A luz dos homens nos trouxe
Um solo tão cansado, um homem tão duro
Um ser tão pequeno, distante...
Um Deus tão grande bem perto
Como nascer esta ideia entre pedras e espinhos?...
A semente: a cem, a sessenta, a trinta por um?...
Os homens rumo ao infinito
Deus aqui, como também lá estará
Os homens e seus telescópios, buscam os mistérios
O Deus criador não precisa de uma nanotecnologia
Ele nos vê no maximo do mínimo
Os homens e luxos, os mesmos e lixos
O trigo e o joio...

As naves corruptíveis não estarão lá
Para ver o novo céu e a nova terra
Lá só entrarão os viajantes
Que observaram os lírios do campo
E como eles se vestiram para a viagem.



Solitário X Solidário

O que vale como virtude
Solitário ou Solidário?
Não pense que há um erro na ortografia
São parônimas: parecidas mas diferentes

O Solitário vive em uma atmosfera de
Construir um templo de si mesmo
Caminha sozinho, não reage aos outros
Não participa de um conjunto
Toca a canção de um silêncio doentio
Não ouve e nem atende os outros

Já o solidário constrói junto
Crê na força, na união
Não é o dono da verdade
Sofre junto, sabe dividir
Se alegra na inclusão
Com a mão sempre aberta
Para colher, afagar aos que tanto sofrem

Cantemos juntos no ritmo e no compasso
Dos SOLIDÁRIOS
Para vivermos: a confraternização
Um mundo sem cadeados
Aberto a todos,... aos que são SOLIDÁRIOS.


Visite o blog do autor: http://virtudemaior.blogspot.com/

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