sábado, maio 30, 2015

Três poemas de Júnior Fernandes


NO VALE DA SOMBRA DA MORTE

No vale da sombra da morte,
Espreitaram-me meus inimigos.
Mas me refugiei em Ti,
e descansei das lanças atiradas.
Em meio aos lobos, 
tua vara e teu cajado me protegem.
Diante deles me alimento de um banquete,
e minha taça transborda
enquanto sou ungido com teu óleo.
No vale da sombra da morte,
bondade e misericórdia serão meu broquel.             


O AÇO DOS CRAVOS

Os nervos rompidos e a carne rasgada
da palma das mãos...
O sangue pascal cintila no aço dos cravos,
percorrendo o madeiro em gotas de agonia e Salvação.


A ANGÚSTIA MAIS ANGUSTIANTE

Todos, solenemente, ceavam.
O espírito de comunhão e alegria,
envolvia o ambiente fraterno,
até saltar do peito do Mestre a possibilidade do vir a ser.
Não se segurando, revela: “o que hás de fazer, faze-o logo”.
Começa o calvário da aflição,
e daquilo que Kierkegaard o definiu como a angústia mais angustiante,
sacramentada com um beijo no rosto.


sexta-feira, maio 22, 2015

Sete Poemas Bíblicos Imperfeitos, novo e-book de J.T.Parreira


O poeta português J.T.Parreira acaba de lançar mais um trabalho em formato e-book. O pequeno opúsculo Sete Poemas Bíblicos Imperfeitos traz, como o título denuncia, sete pequenas gemas preciosas, garimpadas da pulsante jazida poética de que Parreira é o fiel depositário.

Para ler o livro online, ou realizar o download pelo site Scribd, CLIQUE AQUI.
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sábado, maio 16, 2015

O RUÍDO DA RESSURREIÇÃO, poema de Carlos Nejar


O RUÍDO DA RESSURREIÇÃO

Ele não está aqui, porque já ressuscitou.
Mt 28.6

Era o fogo
que impelia
a alma
ao céu aberto.

Com a velocidade
de uma pedra 
que sobe.

2.
Não é possível
ressuscitar
sem o grão
descer
ao cogitar
denso
da terra.
O século
de uma semente.

3.
A pedra tinha um ruído
de eternidade.
E não se confundia
com o anjo
que a empurrava
para deixar entrar
o sol.

4.
E entrou.

Aquela pedra
desposara
o monjolo
das manhãs.

Queimava
queimava.
Separava o corpo
da alma. Era
o corpo que se
desprendia
para que
a morte
fosse uma pedra
de vento.

5.
A luz descia
subia, enxame
de celestes vinhas.

E a colmeia, pedra
harmoniosa, zumbia.

Era a ressurreição.


Do livro Os Viventes (Ed. Record).

sábado, maio 09, 2015

EU SÓ QUERO AGRADECER, poema de Myrtes Mathias


EU SÓ QUERO AGRADECER 
Constrangem-me, Senhor, 
estas homenagens e festas, 
quando eu é que tenho 
tanto para agradecer. 
Por que presentes e flores 
quando tenho apenas cumprido 
o dever, se é que o tenho? 
Estarei dando a este ser que trouxe 
ao mundo, sem lhe consultar 
a vontade, tudo quanto precisa? 
Sim, Senhor. 
Eu é que tenho muito para agradecer. 
Não se desesperavam as mulheres 
do passado por não serem mães 
e Raquel não bradou a Jacó: 
- Dá-me filhos se não eu morro? 
Sim, neste dia, 
eu só quero agradecer: 
não me senti eu infinitamente 
importante na sala de espera 
do obstetra com o meu largo 
vestido de futura mamãe? 
Não foi com justo orgulho 
que me juntei às outras mães, 
na porta do Jardim da Infância, 
segurando pela mão minha 
pequenina de aventalzinho 
xadrez azul e branco? 
Não tenho me sentido reviver 
em cada realização sua? 
Nas bonecas que veste, 
nas panelinhas de plástico que ajudo 
a arrumar mil vezes por dia; 
na sua maravilhosa felicidade 
quando contempla o “telefante” 
e a “cocota” no jardim zoológico...? 
Por que então, Pai do céu, 
estes elogios e flores? 
Neste dia, Senhor, 
em todos os dias do ano, 
eu só quero agradecer: 
cantar ao mundo minha 
felicidade de artista que se 
realiza, mulher que se completa. 
Além disso, só um pedido 
nesse dia tão especial: 
- Ajuda-me a fazer da 
criaturinha que me entregaste, 
alguém que abençoe o mundo 
e glorifique a Ti. 
Ela não é argila para modelar, 
nem mármore para esculpir. 
Se tenho que compará-la 
a algo da terra, digo que me 
entregaste uma planta rara 
para ajudá-la a crescer. 
Que o faça, pois, com sabedoria 
e humildade, sem senso de prosperidade, 
como um jardineiro que há de prestar 
contas, mas nem por isto ama 
menos o que pertence a seu Senhor. 
Portanto, neste dia de festa, 
nada de elogios e de receber: 
apenas, com gratidão e humildade, 
para fazer mais feliz minha felicidade, 
eu só quero te louvar e te agradecer!

Do Livro Ainda Canta O Coração


terça-feira, maio 05, 2015

Dois poemas de Margarete Solange Moraes


Um Nome

Há um nome que é sobre todo nome,
E é maior que a imensidão do céu,
É um nome capaz de acalmar o furioso mar,
É um nome doce, doce de pronunciar.

Há um nome lindo como a beleza do céu
Estrelado, iluminado pela luz do luar,
Terno e suave, cheio de graça e paz,
Que nos conforta e satisfaz.

Pastor divino, cheio de graça e luz,
Nos traz ao abrigo e ao pasto nos conduz...
Nos revigora e nos consola,
Nada nos falta, quando Ele cuida de nós.

Há um nome que é sem medida de amor,
"Torre forte é o nome do Senhor".
"Deitar-nos faz em verdes pastos",
E mais e mais faz-nos gratos.

Ao passar por vales tormentosos,
Tribulações nos sobrevêm.
Ele, então, estende a sua mão,
E com alma leve prosseguimos além,
Entregues aos seus cuidados para todo sempre...
Amém!

É Espinhoso Amar

Deus meu, Senhor meu,
Por que amar nos é tão custoso?
Há tantos espinhos entre as sementes,
Perfumes e flores.
Passar de largo, por vezes,
Custa-nos menos transtorno,
Ao passo que amar, por vezes,
Nos multiplica as dores grandemente.
Queres que amemos mesmo assim, eu sei.
Dá-nos, então, condição
Para fazer a tua vontade.
Ajuda-nos a ser mais semelhantes a Ti.

Do livro Inventor de Poesia (Oito Editora, 2014)
Solange é autora de nove livros, abarcando poesia, crônicas, contos e romances. Visite os blogs da autora:
http://escritoravidaeobra.blogspot.com.br/
http://nossoliterariobloguinho.blogspot.com.br/
http://soucontigo.blogspot.com.br/


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