quarta-feira, janeiro 20, 2021

E-BOOK GRATUITO: A Cadeia Alcoólica - Frases, Poemas e Reflexões e sobre o alcoolismo

O álcool é o que podemos chamar de droga “lícita”. Sua aceitação pela sociedade é disseminada, em muitas, mas não em todas as culturas. No entanto, apesar de sua tolerância social, ele é uma poderosíssima droga psicotrópica com poder de causar dependência e alteração de comportamento. A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que não há nível seguro de consumo de álcool. Fígado, coração, estômago e vasos sanguíneos são diretamente afetados e prejudicados pelo seu consumo excessivo.

Flagelo que não escolhe idade, gênero ou classe social, a armadilha representada pelo álcool, ao contrário do que muitos pensam, não aprisiona apenas os alcoólatras inveterados: Uma primeira ou única embriaguez pode causar brigas e a destruição de um relacionamento ou mesmo de vidas; um exagero durante a festa de formatura pode redundar num acidente grave por dirigir embriagado... E assim por diante.

O problema do álcool é muitas vezes socializado ou repartido com os demais: família, amigos, vizinhos, companheiros de trabalho e desconhecidos acabam afetados de alguma maneira pela rede de consequências ou a “cadeia” alcoólica. Sim, pois este fenômeno não configura apenas um cárcere ou prisão particular, mas uma rede, corrente ou cadeia que afeta a toda a sociedade – daí o título desta pequena obra.

O objetivo do que aqui vai exposto não é demonizar o álcool, mas apenas alertar para seus muitos riscos e para o preço caro que ele costuma cobrar – riscos e preço infelizmente cada vez mais relativizados.

Aqui estão reunidas 100 frases sobre o álcool e sua problemática, bem como alguns pequenos textos em alusão ao tema – artigos, ilustrações e histórias. E, concluindo a seleta, poemas diversos sobre o alcoolismo.

Que esta humilde coletânea forneça argumentos e esclarecimentos para sua reflexão, de sua família e grupo de amigos, e seja útil para ajudar seja na prevenção, seja na libertação deste problema que afeta a tantas vidas. 


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quarta-feira, janeiro 13, 2021

Dois poemas sobre o Alcoolismo

 


ACORDANDO NU

 

Estou em uma festa quando uma criança me pergunta:

"Ei, você quer beber, mano?"

Oh, não, obrigado, eu não bebo mais

Isso é uma porcaria

Otário, trouxa, fraco

Às vezes devo ser chato - então sou chato

As festas que geralmente vou consistem de café e sentimentos

Algumas vezes por semana, nós sentamos em um círculo

e tentamos reconstituir nossas vidas.

Não nos lembramos delas tão claramente.

 

Além disso, uma vez, quando pesava apenas 60 quilos,

matei uma garrafa de Jack Daniel's em trinta minutos.

Na manhã seguinte, acordei nu no banco de trás do meu carro

Com o gosto de vômito subindo até a garganta.

 

Sou alérgico ao álcool.

Toda vez que bebo eu acabo algemado

cago no carpete da sala e, em seguida, chuto uma porta.

Até hoje eu coloquei três gatos em uma mochila,

um cachorro em um armário

Não me chame de chato, senhor

 

Uma vez, eu esqueci onde era minha casa

Fui escoltado por estranhos

Estava com um pacote de biscoitos, um guarda-chuva 

e completamente nu

Mas uma vez eu soquei o meu melhor amigo

tão forte que quebrei o nariz dele

E uma vez eu tomei mais comprimidos que eu consigo lembrar

E aceitei que estaria morto em uma hora

 

Não se atreva a me chamar de fraco

Eu engoli mais litros de arrependimento

do que o sangue que você é capaz

de bombear no seu corpo.

 

Não diga ao meu pai que ele era ‘chato’

ao olhar o seu único filho nos olhos

e perguntar-lhe se ele bebeu mais uma vez.

Você não será bem-vindo nesta casa.

 

Não diga a minha mãe que eu sou fraco

Ela não vai conseguir conter as lágrimas

ao lembrar-se de quando ‘passeava’ pela ala psiquiátrica

Para ver seu próprio filho algemado

a uma cama na sala de emergência.

Ela passou quatro anos orando pela minha sobriedade,

E você não vai tirar isso dela.

 

Se for me dar uma dose (tiro), é melhor ter um gatilho envolvido

A vez que me senti mais forte foi quando 

eu disse “não” pra bebida pela primeira vez

Eu disse não, todas as manhãs desde 29 de setembro de 2008

Eu digo não dezoito vezes antes do café da manhã

Um para cada passo necessário para ir do meu quarto até a geladeira

Eu digo não dez vezes antes de trabalhar

Uma para cada outdoor que me diz que eu era mais forte quando bebia

Eu disse não mais vezes do que posso contar

Uma vez pra cada noite que minha família ficava acordada 

tentando não imaginar a minha lápide

Você me faz a pergunta

Eu não ouço as palavras que você está dizendo

Escuto você me perguntar: você quer morrer, Michael?

Não, eu não quero mais morrer.

 

Michael Lee

Trad. Sammis Reachers e Erick Mendes



UMA COISA A DIZER

 

Só há uma coisa que eu poderia dizer

sobre como me senti naquele dia.

O dia em que nos sentamos com livros para colorir

e continuamos rindo de nossas pinturas engraçadas.

Uma memória para sempre impressa em minha alma,

a única que terei, desde que você perdeu o controle.

 

Só há uma coisa que eu poderia dizer

sobre como me senti naquele dia.

O dia em que você me machucou pela primeira vez

e me fez pensar que respirar era um crime punível.

Uma memória que eu daria qualquer coisa para trocar;

O dia em que minha mãe começou a desaparecer.

 

Só há uma coisa que eu poderia dizer,

para descrever como eu odiava todos os dias.

Os dias em que eu esperei a noite toda,

porque eu não conseguia dormir

até que você chegasse em casa bem

Uma memória minha que você nunca conheceu,

porque quando você chegava, eu me escondia e evitava você.

 

Só há uma coisa que eu poderia dizer,

para expressar como você me fez chorar naquele dia.

Os gritos e o ódio que vi em seus olhos

não era minha mãe, mas um efeito de sua embriaguez.

Uma memória que assombra e se recusa a decair.

e você nem se lembra disso, de qualquer maneira.

 

Não há nada que eu possa dizer,

para dizer como me sinto hoje.

A dor no meu coração a que nunca vou me acostumar,

porque é ilegal para mim falar com você.

Eu te amo, embora você nunca acredite nisso;

apesar de sua raiva, seu ódio, e ataques temperamentais.

 

Não há nada que você possa dizer,

para fazer toda a dor ir embora.

Vou lembrar de você por quem você era,

das primeiras memórias de um borrão confuso.

Tenho saudades da minha mãe e de tudo o que ela poderia ter sido,

se ela não tivesse deixado o álcool fazer sua vida desabar.

 

Nota do autor: Eu tenho 17 anos. Este poema obviamente foi escrito sobre minha mãe, que tem um terrível problema com drogas e álcool. Ela costumava me deixar em casa sozinha para jogar por horas; às vezes, por dias. Sempre que ela voltava, ela voltava bêbada e abusiva.

Lembro-me de noites em que fiquei acordada e esperei que ela voltasse para casa. Metade de mim queria que ela voltasse em segurança, e metade de mim desejava nunca mais vê-la.

Ela quase me matou há cerca de um mês. Eu preenchi uma ordem de restrição e não posso mais vê-la.

 

Anônimo


Do livro GRATUITO A Cadeia Alcoólica - Frases, Poemas e pequenas narrativas sobre o alcoolismo. 

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quinta-feira, dezembro 31, 2020

Retrospectiva Editorial 2020 - Sammis Reachers

 


Olá meus amados leitores e leitoras. Como já é tradicional desde 2012 (com um e outro hiato), a cada final de ano costumo fazer uma "retrospectiva editorial", na qual elenco as publicações e projetos realizados durante o ano.

É uma forma de manter um memorial do trabalho (duro, acredite. Quanto ao solitário, isso não é bem um problema) realizado, e divulgar aos leitores materiais que eles possam ter 'perdido'. Vamos lá?

Atenção: Clicando sobre os títulos você será remetido diretamente ao arquivo para download, ou à visualização do material/texto em questão.

Ilustrações Missionárias – 777 Ilustrações sobre mordomia cristã e as obras de evangelização e missõesIlustrações de incentivo ao serviço dos santos: Em torno deste eixo principal se desenvolve esta seleta cujo trabalho se iniciou ainda em 2019 ou mesmo antes, e que, em suas quase 500 páginas, reúne uma imensidão de textos edificantes e úteis. Foi publicada em fins de janeiro.



Em abril meio que inovei ao preparar um jogo virtual de quiz (perguntas e respostas) bastante divertido, instrutivo, e que me deu também muito trabalho. O Quiz Missionário História de Missões (clique no título e jogue agora!) foi disponibilizado na plataforma Kahoot!, reunindo nada menos que cinquenta questões sobre a história do movimento missionário brasileiro e mundial. Algum tempo depois, aproveitei o material redigido para o quiz e preparei mais uma edição (a sétima) da revista Passatempos Missionáriostrazendo (ou democratizando) o recurso para o nível do impresso.


A Coleção 100 Frases é uma coleção especialíssima formada por e-books breves, cujo formato é otimizado para a leitura por celular, e que compila a cada volume 100 frases de grandes nomes do cristianismo. Cada livro conta, ao seu final, com um texto evangelístico - pois mais do que edificar e informar, este é o objetivo maior da coleção. Em 2020, a coleção (iniciada em 2018 com três volumes) ganhou mais quatro membros, em publicação sucessiva a partir de maio: Blaise Pascal, G. K. ChestertonAgostinho de Hipona e ainda o volume As 100 Mais Belas Frases sobre o Perdão. A coleção não se esgotou, e talvez em 2021 ela ganhe um ou dois novos volumes, embora eu evite este tipo de previsão.


Ao Anjo da Igreja, Declama: Poemas aos Pastores de DeusEsta pequenina seleta publicada em junho reúne poemas que falam sobre ele, o guardião dos rebanhos. A maioria dos textos, por sinal, foi escrita por pastores-poetas (como o foi Davi), outros por membros vários do Corpo de Cristo. Eles prestam-se à leitura particular e também a celebrações, tais como o Dia do Pastor, efeméride em que honramos aqueles que à honra fazem jus (Rm 13.7).


Separatas a Esmo - Em junho, ganhou vida uma nova publicação, composta de volumes pequeníssimos, até simplórios em seu minimalismo, tratando com insuspeita profundidade (ou, vá lá, alguma desavergonhada pop-superficialidade) de um tema específico a cada edição, repercutindo as vozes de celebrados ou desconhecidos interlocutores. Mais que um projeto, é uma desculpa editorial para as libertinagens de seu editor.  Os volumes publicados são: Para que serve a imprensa, afinal?, e Piadas e Anedotas Geográficas.


Poesia Evangélica em Literatura de Cordel – Uma antologiaMais que um simples estilo literário popular, o cordel é uma riqueza cultural ímpar de nossa nação. E digo nação e não apenas Nordeste, pois a sagacidade, a criatividade, a alegria e o humor do cordel têm atingido todas as regiões do Brasil, levado num primeiro momento pela mão de bravos migrantes, e depois ganhando vida própria em contextos e pelas mãos de atores não nordestinos.  Dentro desta perspectiva, finalmente veio à luz (em julho) esta antologia que eu estava 'devendo' já há alguns anos. O resultado foi fabuloso, com o livro contemplando grandes nomes e obtendo uma significativa repercussão.


Na Mesa Entre Irmãos – Receitas culinárias para uso emeventos missionários. Em algumas igrejas é comum a realização de feirinhas missionárias, com barraquinhas de comida cuja renda é revertida para missões. Outras igrejas realizam festivais de sorvete ou pizza, e almoços ou jantares missionários, apresentando por vezes comidas típicas de diversos países. Para auxiliar esses irmãos, aqui buscamos coligir 15 receitas típicas de diversos países “especiais”. Tomamos por base os respectivamente 15 países onde é maior a perseguição aos cristãos, conforme apurado anualmente pela Missão Portas Abertas (que lista os 50 países onde é maior a perseguição). O e-book foi publicado em outubro.

Assim como o livro abaixo (Frases de Lutero), este era um projeto antigo, que poderia ter saído em anos anteriores, mas foi colocado em outra posição na lista de prioridades. Neste ano, chegou finalmente a sua vez. 


365 Frases de Martinho Lutero + As 95 TesesEste breve e-book, em sua humildade, simplicidade e gratuidade, veio somar-se (em outubro) ao volume de realizações em comemoração ao 503º aniversário da Reforma Protestante. E proporcionar a todos um singelo aprofundamento no pensamento daquele que, apoiado nos ombros de gigantes, verdadeiramente deflagrou a Reforma ensaiada por muitos, dos quais diversos pagaram a ousadia com sua própria vida. 


Celebrando as Escrituras - Uma coletânea de recursos paravivermos e celebrarmos a Bíblia SagradaEste livro gratuito é um verdadeiro baú de recursos para melhor pensarmos, vivermos e celebrarmos as Sagradas Escrituras. Reunimos aqui poemas, frases, peças teatrais e jograis, dinâmicas, esboços de pregações/estudos bíblicos, e ainda diversos planos de leitura para ajudar a você e sua família, igreja e comunidade na jornada por uma leitura e uma vivência proveitosas da Palavra de Deus.

Este último livro do ano (publicado em fins de novembro) foi também o maior, e não apenas de 2020, mas a maior antologia (510 páginas) que já organizei até aqui.


PRODUÇÃO AUTORAL

Neste ano em que todos fomos surpreendidos e golpeados, em maior ou menor grau, pela pandemia, me vi na condição de trabalhador em home office. O processo, por um lado, foi desgastante, mas a possibilidade de economizar tempo, principalmente na locomoção aos locais de trabalho, me ajudou a produzir mais, e também a dedicar-me a algo que fazia tempo não dava atenção: Minha própria produção literária. Explico: Neste ano voltei a me corresponder com editores e publicações literárias as mais variadas. O resultado foi bastante positivo, tendo textos publicados em diversos periódicos e sites.


No Jornal Daki, um jornal emergente justamente daqui de São Gonçalo (saiba: somos o 16º mais populoso município pátrio), dei prosseguimento no trabalho em minha coluna, veiculando artigos, crônicas e contos. Iniciei como colunista em fins de 2019, a convite do editor, o combativo Helcio Albano, a quem agradeço a confiança e a oportunidade de falar para um público que me era um pouco alheio, qual seja, o meu próprio povo. E também por poder, mesmo que aos trancos e barrancos, exercitar a escrita regular, algo de que sempre me acreditei incapaz...


Falando em artigos, muito por experimentalismo resolvi me aventurar num mundo diferente: Escrevi alguns artigos/resenhas sobre jogos de videogame antigos, os chamados retrogames. Publicados em meu blog pessoal e de descontrações, o Azul Caudal, um deles acabou numa revista (impressa e virtual): Muito Além dos Videogames, editada pelo pastor e entusiasta retrogamer Luis Miguel Gianelli.


Alguns poemas que comporão meu novo livro acabaram publicados por aí. O poema Carta ao Café foi publicado no significativo Jornal RelevO, em sua edição de abril.

Outro veículo magnífico, a Revista D'Arte Londrina (# 08), publicou minha Carta ao Livro de Bolso.

O site Escrita Cafeína também nos honrou com a publicação dos poemas Carta à Árvore e... um outro texto de que agora não me recordo. 

A revista/fanzine Suplemento Acre (#19) publicou uma outra das cartas, desta vez a Carta ao Amigo.

O poema Retorno à Praia de Itaipu ou ao Monte Meru foi publicado numa revista acadêmica, a Ensaios de Geografia (v. 6, n.11), editada pela UFF (Universidade Federal Fluminense).

A crônica Cinemateca de Quarentena, uma ácida e diferenciada resenha de filmes (outro gênero em que fui me imiscuir, mas confesso que a contragosto), originalmente veiculada em minha coluna no Jornal Daki, foi publicada também pelo site Poeira Literária.

A revista Ligeiro Guarani (v. 03, n. 03) deu espaço a um conto breve e mais antigo, Sahhir, o Perscrutador, encontra-se com Deus (que já havia sido publicado antes na renomada revista Philos, se não me engano).

A Revista LiteraLivre (v. 04, n. 21) também publicou um texto mais antigo (de que gosto muito) e já publicado na mesma e excelente revista Philos: A segunda vida de Gregor Samsa.

A revista Brasil Nikkei Bungaku (n# 64), focada em cultura nipo-brasileira, publicou meu conto A Solução Final, cuja trama transcorre no Japão de alguns dias no futuro.

Espero não ter me esquecido de ninguém. De toda forma, com todo esse intercâmbio relembrei meus inícios nas letras, já aos 17, 18 anos me correspondendo com revistas e fanzines, e logo me tornando também um fanzineiro. Foi neste meio que aprendi o ofício de editor, dentre tantas outras coisas.


E 2021?

Não gosto de fazer previsões editoriais: Ao longo dos anos, percebi que os caminhos sempre se bifurcam e tendem à outra direção do que o antes planejado. Este ano mesmo, acreditei que teria menos tempo e seriam muito poucos os livros, mas me enganei redonda - ou quadradamente.

De toda forma, muitas das grandes antologias cristãs que eu poderia conceber já foram, pela graça de Deus, trabalhadas e publicadas. São missões concluídas, flechas disparadas e cada qual seguirá seu caminho instrumental, em mãos que só Deus conhece. Assim, é provável que o número de GRANDES antologias de interesse especificamente cristão decaia ou entre num hiato - embora uma pequena antologia sobre o problema do alcoolismo deva sair já em janeiro. Há antologias menores em gestação, de interesse geral, poéticas e de frases, e nas quais trabalho sem nenhuma pressa. Não sei se alguma delas verá a luz ainda em 2021.

O principal em relação a 2021 será a minha retomada da publicação de livros autorais. Um livro de poemas quase todos inéditos, bem como um livro de crônicas de humor baseadas em minha movimentada infância (uma divertida e parcial autobiografia, digamos assim) estão praticamente prontos e serão publicados, espero que antes de meados do ano. Para além disso, planejo fazer novas (pequenas) impressões de meus livros Poemas da Guerra de Inverno (2012) e RODORISOS - Histórias hilariantes do dia-a-dia dos rodoviários (2017). São livros profundamente díspares, mas que obtiveram uma ótima aceitação e dos quais eu não possuo mais exemplares. 

Ah, já ia me esquecendo: Em tempos em que se lançam discos de vinil e jogos para videogames de 30 anos atrás, voltarei a editar um fanzine, mesmo que em ritmo de brincadeira.

Talvez algo mais se apresente, em termos autorais, ainda em 2021. Tudo está nas mãos do timoneiro de tudo, Jesus-o-Amigo. Sigamos em frente!

Encerro repetindo o trecho final da retrospectiva de 2019:

Rogo a você que nos ofereça o que sempre roguei desde o início: suas orações. São elas que nos mantém em pé e trabalhando. Ore por minha família: nossas vidas materiais e espirituais, ministério, profissão, e os novos projetos em serviço e para a edificação da Igreja, e pela conquista de almas.

Ao Senhor seja dada toda a glória.

Sammis Reachers


segunda-feira, dezembro 21, 2020

Cinco poemas de Luiz Renato de Oliveira Périco

 


Quem não duvidaria de Maria?

Quanto precisaria ter de fé

Pra crer que do Espírito daria

À luz o Cristo? Quem como José,

 

Diante disso, não duvidaria?

Quem ia acreditar que o filho é

De Deus? Quem de nós não desconfiaria

Mesmo sendo mais crente que Tomé?

 

Mas, José creu, porquanto Gabriel

Em sonho revelou-lhe que o menino

No ventre de Maria era do Céu.

 

E desde então, só crê na Encarnação

Quem já topou um anjo em seu destino,

Quem recebeu do Céu revelação.

 

 

 

NUNC DIMITTIS

 

A idade já agravara a miopia

Dos seus olhos idosos. Simeão,

Contudo, ainda mantinha fresca a pia

Promessa que veria a salvação.

 

Pois eis que vê entrando pelo Templo

José, Maria e um recém-nascido.

Lacrimejando, diz: "Senhor, contemplo

Aquele que me tinhas prometido!"

 

Se aproximando, então, toma a criança

Nos braços: "Teus desígnios se cumpriram;

Não foi, Senhor, em vão minha esperança.

 

Já posso em paz morrer, pois és fiel;

Já Tua salvação meus olhos viram,

Luz para os povos, Glória de Israel".

 

 

 

Essa criança, sabes tu quem é?

O Filho de Davi, Rei dos Judeus,

O Filho de Abraão, o Pai da fé,

O Filho de Maria e de José,

Essa criança é o Filho de Deus.

 

O Messias da Tribo de Judá,

A bendida semente da Aliança,

O Emanuel, o Servo de Jeová,

O Logos encarnado agora está

Dormindo. Não acordes a criança.

 

 

 

No tempo em que Otávio fez-se Augusto,

Tornando obrigatório o culto ao Império

E a si, como se fora um deus vetusto

De Roma, em si fundindo o magistério

Civil e o pontifício rito, justo 

Nos seus dias nos deu-se o grão mistério:

Enquanto o Imperador se fez divino,

Deus mesmo nos nasceu como um menino.

 

 

 

Com medo de ser morto, Abraão

Mentiu; Isaque fez igual; Jacó

Trapaceou o pai e o próprio irmão;

Judá dormiu com a nora; em Jericó,

Raabe se vendia, prostituta;

Rute foi moabita; adulterou

Davi e conspirou para que em luta

Urias fosse morto (e assim, matou).

Salomão onerou muito os hebreus,

A ponto de causar a dissidência

E a divisão do povo. Porém, Deus,

Pela Sua insondável providência,

  Quis que, dessa linhagem, em verdade,

  O Cristo redimisse a humanidade.


Leia muitos outros textos do autor em seu perfil no Instagram: https://www.instagram.com/lroperico/



segunda-feira, dezembro 14, 2020

Três poemas de Renê Lourenço

 


 Igreja perseguida

Um cantar poético a despeito do sofrimento

Aos irmãos perseguidos

 

Regam a semente da palavra

As lágrimas que descem pela face marcada

Pelo sol, pelas dores e aflições da jornada

E pela fé, que por nada disso é abalada

 

Marcam pegadas os pés missionários

Entre os desertos, montanhas e outeiros

Calejados e cobertos de poeira

Como são belos os pés do mensageiro

 

Em meio a hostil afronta da perseguição

Com desrespeito, e ameaças e com exclusão

À semelhança de Cristo, o mártir não esmorece

Regado com seu sangue o evangelho floresce

 

Igreja perseguida por nada será vencida

Pra lhe fazer vitoriosa Jesus deu-lhe a própria vida

Marcada pelas dores e por um amor profundo

Maior é o que está em vós que o que está no mundo

 

Dores, cadeias e um espírito compassivo

No rosto desce a lágrima, na alma reina o sorriso

Estou seguro que as tuas aflições de agora

Não podem ser comparadas com tua recompensa na glória

 

Homens e mulheres de vida redimida

Caminham por desertos fazendo-os gerar vida

Não sei se nessas estradas nós nos encontremos

Mas no dia glorioso, juntos, regozijaremos

 

Na pureza de tuas lágrimas é lavada a tua força

E renovada a esperança na paz do teu sorriso

Em ti a glória de Cristo é revelada na terra

A tua vida alimenta uma semente eterna

 

Igreja perseguida por nada será vencida

Pra lhe fazer vitoriosa Jesus deu-lhe sua vida

Marcada pelas dores e por um amor profundo

Maior é o que está em vós que o que está no mundo

 

 

Tudo está consumado

 

Pelo sangue derramado tudo está consumado

O arrependido é perdoado no cordeiro imolado

Expressão da justiça no evangelho revelado

No sangue deste cordeiro o pecado é condenado

 

Pelo amor revelado no sangue da redenção

O pecador arrependido é conduzido à salvação

O amor expressa justiça, do cordeiro a perfeição

O impenitente rebelde traz pra si condenação

 

Pois este foi o caminho que o homem escolheu trilhar

E da cruz de Jesus Cristo ninguém poderá escapar

E se viveres fora dele em ti já há condenação

Mas, se com ele morreres encontrarás salvação

 

Pois a justiça de Deus no evangelho se revela

A graça da santidade que a sua justiça atesta

Seja vida ou seja morte, nada será ocultado

Pelo sangue derramado, tudo está consumado


COMO CHUVA NO SERTÃO

 

Meu sertão de terra seca

Gente simples e valente

Nessa terra de pobreza

Um amor veio veemente

Uma história verdadeira

E emociona muita gente

 

Pois eu cresci nesse lugar

Bem em meio a pobreza

Onde homens e mulheres

Oram sempre com firmeza

Pedindo a Deus a chuva

Pra acabar com a forte seca

 

Eu andava pelas veredas

Com tristeza no meu peito

Reparando a terra seca

E coração do mesmo jeito

Mas o vazio que eu sentia

Não era pela seca ou pelo seu efeito

 

Eu olhava pra mim mesmo

E eu me via sem alegria

Queria algo que preenchesse

Um vazio que eu sentia

Eu queria o amor verdadeiro

Que dá um sentido pra vida

 

E então eu clamei a Deus

Com a última força que tinha

Ele me acudiu, era o que eu queria

E então ele falou comigo

Como já sendo meu amigo

Me deu mais do que eu queria

 

E assim como a chuva

Deixa verde o meu sertão

A chuva do seu Espírito

Inundou o   meu   coração

Me trazendo para a vida

Sarou as feridas e deu salvação

 

E meu coração sertanejo

Que numa seca padecia

Virou manancial de águas

E uma fonte de alegria

Água que refresca a alma

E que jorra para a vida

 

Me fez poeta adorador

E com caneta e papel

Eu declaro o seu amor

Tão mais alto que o céu

Hoje adoro ao meu Senhor

Seu amor é o meu troféu

 

Com versos de rima doce

Vou louvando ao meu Senhor

Que grandemente me amou

Antes mesmo que eu fosse

Pois do céu ele me espiou

E a água da viva me trouxe

 

Mais humilde que criança

E mais glorioso que o sol

A tempestade ele amansa

E me guia como um farol

E a sua voz é mais linda

Que o cantar do rouxinol

 

A sua luz me alumia

O seu brilho me conduz

Se tudo é noite ele é dia

Sua glória em mim reluz

Sua palavra me alimenta

E é melhor que cuscuz

 

E eu dedico o meu cordel

Ao Senhor que se fez servo

Justiça doce feito mel

Um amor que puro e eterno

Perdão que nos leva ao céu

Pra nos salvar do inferno

 

Sua palavra é um candeeiro

Que no escuro nos conduz

Quem carece achar um amigo

Vá seguindo a sua luz

E ele vai estar contigo

Seu bom nome é Jesus


sábado, novembro 28, 2020

Livro gratuito: CELEBRANDO AS ESCRITURAS - Uma coletânea de recursos para vivermos e celebrarmos a Bíblia Sagrada



Bíblia Sagrada: O livro amado e combatido que é o coração literário do cânon ocidental, a base de legislações e cosmovisões, cuja influência moral chega até mesmo a lugares em que o cristianismo não possui presença significativa. Sua leitura é atividade informativa e terapêutica, instigante e consoladora, sapiencial e inspirativa tanto para o cristão quanto para aqueles que não comungam da mesma fé.

O livro gratuito que o leitor agora tem diante de si é um verdadeiro baú de recursos para melhor pensarmos, vivermos e celebrarmos as Sagradas Escrituras. Reunimos aqui poemas, frases, peças teatrais e jograis, dinâmicas, esboços de pregações/estudos bíblicos, e ainda diversos planos de leitura para ajudar a você e sua família, igreja e comunidade na jornada por uma leitura e uma vivência proveitosas da Palavra de Deus.

Há diversas narrativas que ilustram a importância da leitura da Bíblia. Uma das que mais aprecio é esta, pela sua clareza e simplicidade:

 

Um velho que morava em uma fazenda no campo, com seu neto. Todas as manhãs, bem cedo, o vovô se encontrava sentado à mesa da cozinha, imerso na leitura de sua velha Bíblia desgastada.

Seu neto, que queria ser como ele, tentava imitá-lo da maneira que podia. Um dia, ele perguntou: "Vovô, eu tento ler a Bíblia como você, mas eu não entendo, e o que entendo eu esqueço assim que fecho o livro. De que adianta ler a Bíblia?"

O avô calmamente terminou de colocar o carvão no fogão, virou-se para o neto e disse: "Leve esta cesta de carvão até o rio e a traga de volta com água." O rapaz fez assim como lhe foi dito, mas, como a cesta tinha pequenos furos, muita água vazou antes que ele pudesse voltar para casa.

O avô riu e disse: "Você vai ter que se mover um pouco mais rápido da próxima vez", e o mandou de volta para o rio com a cesta, para tentar novamente.

Desta vez, o menino correu mais rápido, mas, mais uma vez a cesta estava quase vazia antes que ele pudesse alcançar a casa. Sem fôlego, disse ao avô que era "impossível carregar água em uma cesta", e foi buscar um balde novinho. O velho disse: "Eu não quero um balde de água, eu quero uma cesta de água. Você pode fazer isso, só não está se esforçando o suficiente", e saiu pela porta para ver o menino tentar novamente.

Neste ponto, o garoto sabia que era impossível cumprir a tarefa, mas queria mostrar ao seu avô que, mesmo que ele corresse o mais rápido que pudesse, a água vazaria antes de chegar em casa. O menino encheu o cesto de água e correu muito, muito, mas quando chegou onde seu avô estava, o cesto se encontrava quase vazio, novamente.

Sem fôlego, ele disse, "Veja, vovô, é inútil!"

"Então você acha que é inútil? Olhe para a cesta". O menino olhou para a cesta e pela primeira vez, percebeu que ela parecia diferente. Em vez de uma cesta de carvão suja pela idade, ela estava limpa.

"Meu neto, isto é o que acontece quando você lê a Bíblia. Você pode não entender ou lembrar de tudo, mas, quando lê-la, ela vai mudar você de dentro para fora."

 

É isto: A Bíblia, mais que uma biblioteca de narrativas, poemas e profecias, é um manual de instruções para a vida, cuja leitura constante deve ser praticada e incentivada, conforme ela mesma assevera, no livro de Josué 1.8: “Não deixe de falar as palavras deste Livro da Lei e de meditar nelas de dia e de noite, para que você cumpra fielmente tudo o que nele está escrito. Só então os seus caminhos prosperarão e você será bem-sucedido.”

Recursos para celebrarmos, das maneiras as mais criativas, esse livro fantástico: Esta é a razão de ser da presente coletânea. Vamos, pois, aos recursos aqui colecionados e seus números?

 

Estão aqui reunidas:

·     260 citações de grandes autores sobre o Livro dos livros;

·     um rico florilégio de 65 poemas sobre as Sagradas Escrituras;

·     100 pequenos esboços de sermões/estudos bíblicos que, além de guias para o pregador, servem como roteiro temático para que o leitor possa conhecer mais aspectos sobre este livro de saúde, consultando diretamente na fonte;

·     nada menos que 170 ilustrações sobre o tema das Sagradas Escrituras;

·     uma seleção de 60 dinâmicas, para serem utilizadas em seu momento devocional ou educativo em EBDs e EBFs, acampamentos, estudos bíblicos familiares ou comunitários;

·     Peças teatrais e jograis, de teor adulto ou infantil, em número de 30;

·     11 Planos de Leitura, para estimular a regularidade em seu momento devocional com a Palavra de Deus.

Perceba que cada um desses gêneros (peças, dinâmicas, poesias, frases etc.) poderia compor, por si só, um livro autônomo. A reunião de todos esses recursos num volume único e gratuito, representa um feito que, esperamos, traga grande proveito para toda a Igreja de Cristo de língua portuguesa. E esse aproveitamento depende também de você:  Compartilhe este recurso, sempre gratuitamente, com outros irmãos e igrejas ao seu alcance.

 

Sammis Reachers


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terça-feira, novembro 24, 2020

Dois poemas de Silvino Netto

 


QUERIA EU ESTAR NO LUGAR DELE!

 

Não pense que queria estar

No lugar de Jesus, em sua crucificação.

Não! Não! Aquele era o lugar dele se não

Eu não teria hoje a certeza de minha salvação.

Mas, queria eu e muito estar no lugar

Do homem chamado José de Arimateia

Membro do Sinédrio, o único que votou,

Com isenção, pela absolvição

De Jesus Cristo, por não julgar nos seus atos

Qualquer, qualquer motivo de condenação!

(Que os nossos membros dos sinédrios sejam assim: justos, éticos, corajosos, corretos).

Queria eu estar no lugar de José de Arimateia

Na simplicidade de um homem rico

Que não queria plateia,

Mas corajoso tomou a posição

De quem ama e em gratidão

Manteve-se de pé, com fé, ao pé da cruz

Tão diferente daqueles que fugiram de medo,

Negaram ou dormiam enquanto sofria

Cristo Jesus na noite fria.

José de Arimateia sentiu de perto a dor

Do Cristo, seu Senhor!

Após a sua morte pediu a Pilatos autorização

Para sepultar Jesus, seu Salvador.

Liberado, retirou o corpo ferido, machucado,

Com placas de sangue o lavou.

Abraçou o corpo frio, talvez sozinho,

Aqueceu-o com amor e carinho,

Envolveu-o em pano limpo, de linho,

E o levou lavado para seu túmulo de rico

Esculpido na rocha, seguro, guardado

E ali, em lágrimas, emocionado

Agradeceu a dádiva de Deus que amou o mundo

De tal maneira que o seu único filho deu!

Quisera eu, quisera eu, e muito estar no lugar

Deste homem sensível, corajoso,

Agradecido, destemido, amoroso,

Para também, naquele momento,

Prestar meus sentimentos ao Cristo morto

Untá-lo com bálsamo perfumoso

E declarar meu amor incondicional

Pelo que fez por mim e por todos afinal

Para salvar-nos para sempre de todo o mal!

Quisera! Queria! E como! Estar lá também

Para ver o Cristo ressurreto, vitorioso,

E que hoje vive para sempre em mim! Amém!

 

 

SENSIBILIDADE SOCIAL.  ACORDEMOS!

 

Num quarto de meu quarto de dormir,

Deitado, ainda na madrugada que se fez longe,

Meus olhos preguiçosos de acordar

Me levam a um quadro pelo quadrado da janela,

A uma pobre comunidade adormecida,

Iluminada por luz pálida, amarelada,

Acolhida no berço de uma montanha sem verde

Coberta de nuvens negras, cinzas e brancas

Esperando o alvorecer sem sol.

Não consegui dormir mais

Ao pensar no dia a dia daquela comunidade.

E despertei-me deitado em berço macio acolchoado.

Entrei com meus olhos de ver em suas casas humildes

E vi gente dormindo sonhando com a esperança

Do dia do amanhã ainda sem chegar.

Vi outros, acordados, na angústia

Do ontem que não aconteceu.

Vi outros sonados que pareciam mortos

Sem ânimo para despertar.

Outros guerreiros dormiam de pé

Em cochilos espasmados

Porque sabiam que o dia de amanhã seria sempre noite

Se não acordassem antes do despertar do sol.

E naquele cenário ainda na escuridão

Ajoelhei-me com a sensibilidade

De ver com o coração

Aquele perto dos meus olhos

Mas longe do meu ver do dia...

Enquanto durmo preciso ver o irmão

Em vigília, em insônia, que não dorme.

Que tem o direito de um amanhecer de luz.

Por mais que ache que me vejo vendo o outro

É apenas um pisca pisca de olhos que não veem

De ouvidos que não ouvem

De bocas que não falam,

De braços que não abraçam.

SANTO DE PAU OCO!

Ainda sou um gigante adormecido

Que não posso permanecer

Em berço esplêndido

Eternamente deitado

Vendo o outro paisagem. Natureza morta!

Que não possa eu dormir

Enquanto o outro cansado

Nem consiga deitar um pouco

No seu direito, pelo menos, de repousar

E num cochilo sonhar com o amanhã!

 

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