segunda-feira, março 30, 2026

A Ressurreição, poema de Jonathan Brooks

 


A Ressurreição

(Jo 20)

 

Seus amigos se foram e o deixaram morto

No leito subterrâneo de José.

Embalsamado em mirra e perfumado com aloés,

e envolto em mortalha branca como a neve.

 

Então homens astutos vieram e selaram seu túmulo,

para que ladrões não levassem

embora sua forma sem vida, e reclamassem

para Ele uma fama sem merecimento.

 

“Não há por que”, os soldados disseram,

“colocar sentinelas para os mortos”

Por isso eles se enrolaram nos mantos

E então caíram pelo chão

E dormiram como mortos a noite toda

Sob o pálido luar e o orvalho gelado.

 

O sopro de um alento repentino

Agitou o ar passivo da morte.

 

Ele acordou e ergueu-se no leito;

Lembrou-se como fora crucificado;

Tocou com os dedos a cabeça

E de leve o lado recém-curado.

 

E com um suspiro profundo, triunfante,

calmamente pôs de lado as roupas de morte —

dobrou o fragrante lençol branco,

a toalha, as faixas de linho,

O lenço, todos com mãos cuidadosas —

E deixou arrumado o quarto emprestado.

 

Seus passos eram com o raiar do dia;

Tão levemente pela guarda passou,

Nenhuma alma do sono despertada,

Nenhuma gota de orvalho derramada.

 

O Calvário agora era adorável;

Os lírios que nele floresciam

trocavam a veste pálida de lua

pelas roupas da manhã.

 

“Por que buscais o vivente entre os mortos?

Não está aqui, mas ressuscitou”, o anjo disse.

 

Os primeiros ventos tomaram as palavras

E as levaram aos pássaros cantores,

Aos brotos das árvores, a tudo

que respira o alento vivo da primavera.


Jonathan Henderson Brooks (1904 - 1945) foi um pastor e poeta estadunidense, uma das mais importantes vozes poéticas negras do primeira metade do século XX.


Do livro Comentário Devocional da Bíblia, de Lawrence Richards (CPAD).


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