sábado, maio 08, 2021

Vestígios de Azul, livro de poemas de José Brissos-Lino

Publicado em 2019, Vestígios de Azul é uma das mais recentes coletâneas de poemas do lusitano José Brissos-Lino, pastor, escritor, professor e articulista presente em diversos veículos de informação, seja em Portugal ou no Brasil.

Com prefácio do saudoso poeta J. T. Parreira, de quem Brissos foi sempre amigo próximo, a obra verseja as vivências e percepções do autor por um suave prisma que as decompõe  em diversas tonalidades, seja do azul que dá nome ao livro, seja de cores outras, feitas de ternura e saudade, de calma celebração e rica fruição poiétika.

Aqui, três dos poemas do livro:


ESTE AZUL

 

Este azul mata-me de prazer

com todos os sorrisos de que for capaz

sem sombras escuras nem recantos húmidos

invade os olhos claros do dia assombroso e limpo

 

abre todas as portas toscas e pesadas

artilhadas com velhos ferrolhos medievais

de castelos imaginários

dos senhores e cavaleiros ruidosos que se insinuam

na arte da lenda

concedendo o inefável

o prazer supremo

de um culto sagrado sem cálice de prata

nem salvas de ouro

 

e sou atalaia entre ameias

já moribundo de azul.

 

 

FOI ASSIM A SALVAÇÃO

 

Foi assim a Salvação. Um Menino

desceu aos homens

com a paz na algibeira

e estrelas na boca

enquanto uns olhos de sol e de lua

lhes aqueceram os dias

e os sonhos

para sempre.

 

 

A OLIVEIRA VERDE

"Sou como a oliveira verde na casa de Deus" (Livro dos Salmos)

 

sou como a oliveira verde

saudável, frutífera

acendo o dia dentro de casa

tempero a mesa

unjo reis e sacerdotes

e tiro o medo das portas que gemem

no silêncio da noite escura

 

na casa do meu Deus

estou firmemente plantado

em chão de misericórdia

o orvalho da confiança escorre-me

pelas folhas.


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