sábado, novembro 28, 2020

Livro gratuito: CELEBRANDO AS ESCRITURAS - Uma coletânea de recursos para vivermos e celebrarmos a Bíblia Sagrada



Bíblia Sagrada: O livro amado e combatido que é o coração literário do cânon ocidental, a base de legislações e cosmovisões, cuja influência moral chega até mesmo a lugares em que o cristianismo não possui presença significativa. Sua leitura é atividade informativa e terapêutica, instigante e consoladora, sapiencial e inspirativa tanto para o cristão quanto para aqueles que não comungam da mesma fé.

O livro gratuito que o leitor agora tem diante de si é um verdadeiro baú de recursos para melhor pensarmos, vivermos e celebrarmos as Sagradas Escrituras. Reunimos aqui poemas, frases, peças teatrais e jograis, dinâmicas, esboços de pregações/estudos bíblicos, e ainda diversos planos de leitura para ajudar a você e sua família, igreja e comunidade na jornada por uma leitura e uma vivência proveitosas da Palavra de Deus.

Há diversas narrativas que ilustram a importância da leitura da Bíblia. Uma das que mais aprecio é esta, pela sua clareza e simplicidade:

 

Um velho que morava em uma fazenda no campo, com seu neto. Todas as manhãs, bem cedo, o vovô se encontrava sentado à mesa da cozinha, imerso na leitura de sua velha Bíblia desgastada.

Seu neto, que queria ser como ele, tentava imitá-lo da maneira que podia. Um dia, ele perguntou: "Vovô, eu tento ler a Bíblia como você, mas eu não entendo, e o que entendo eu esqueço assim que fecho o livro. De que adianta ler a Bíblia?"

O avô calmamente terminou de colocar o carvão no fogão, virou-se para o neto e disse: "Leve esta cesta de carvão até o rio e a traga de volta com água." O rapaz fez assim como lhe foi dito, mas, como a cesta tinha pequenos furos, muita água vazou antes que ele pudesse voltar para casa.

O avô riu e disse: "Você vai ter que se mover um pouco mais rápido da próxima vez", e o mandou de volta para o rio com a cesta, para tentar novamente.

Desta vez, o menino correu mais rápido, mas, mais uma vez a cesta estava quase vazia antes que ele pudesse alcançar a casa. Sem fôlego, disse ao avô que era "impossível carregar água em uma cesta", e foi buscar um balde novinho. O velho disse: "Eu não quero um balde de água, eu quero uma cesta de água. Você pode fazer isso, só não está se esforçando o suficiente", e saiu pela porta para ver o menino tentar novamente.

Neste ponto, o garoto sabia que era impossível cumprir a tarefa, mas queria mostrar ao seu avô que, mesmo que ele corresse o mais rápido que pudesse, a água vazaria antes de chegar em casa. O menino encheu o cesto de água e correu muito, muito, mas quando chegou onde seu avô estava, o cesto se encontrava quase vazio, novamente.

Sem fôlego, ele disse, "Veja, vovô, é inútil!"

"Então você acha que é inútil? Olhe para a cesta". O menino olhou para a cesta e pela primeira vez, percebeu que ela parecia diferente. Em vez de uma cesta de carvão suja pela idade, ela estava limpa.

"Meu neto, isto é o que acontece quando você lê a Bíblia. Você pode não entender ou lembrar de tudo, mas, quando lê-la, ela vai mudar você de dentro para fora."

 

É isto: A Bíblia, mais que uma biblioteca de narrativas, poemas e profecias, é um manual de instruções para a vida, cuja leitura constante deve ser praticada e incentivada, conforme ela mesma assevera, no livro de Josué 1.8: “Não deixe de falar as palavras deste Livro da Lei e de meditar nelas de dia e de noite, para que você cumpra fielmente tudo o que nele está escrito. Só então os seus caminhos prosperarão e você será bem-sucedido.”

Recursos para celebrarmos, das maneiras as mais criativas, esse livro fantástico: Esta é a razão de ser da presente coletânea. Vamos, pois, aos recursos aqui colecionados e seus números?

 

Estão aqui reunidas:

·     260 citações de grandes autores sobre o Livro dos livros;

·     um rico florilégio de 65 poemas sobre as Sagradas Escrituras;

·     100 pequenos esboços de sermões/estudos bíblicos que, além de guias para o pregador, servem como roteiro temático para que o leitor possa conhecer mais aspectos sobre este livro de saúde, consultando diretamente na fonte;

·     nada menos que 170 ilustrações sobre o tema das Sagradas Escrituras;

·     uma seleção de 60 dinâmicas, para serem utilizadas em seu momento devocional ou educativo em EBDs e EBFs, acampamentos, estudos bíblicos familiares ou comunitários;

·     Peças teatrais e jograis, de teor adulto ou infantil, em número de 30;

·     11 Planos de Leitura, para estimular a regularidade em seu momento devocional com a Palavra de Deus.

Perceba que cada um desses gêneros (peças, dinâmicas, poesias, frases etc.) poderia compor, por si só, um livro autônomo. A reunião de todos esses recursos num volume único e gratuito, representa um feito que, esperamos, traga grande proveito para toda a Igreja de Cristo de língua portuguesa. E esse aproveitamento depende também de você:  Compartilhe este recurso, sempre gratuitamente, com outros irmãos e igrejas ao seu alcance.

 

Sammis Reachers


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terça-feira, novembro 24, 2020

Dois poemas de Silvino Netto

 


QUERIA EU ESTAR NO LUGAR DELE!

 

Não pense que queria estar

No lugar de Jesus, em sua crucificação.

Não! Não! Aquele era o lugar dele se não

Eu não teria hoje a certeza de minha salvação.

Mas, queria eu e muito estar no lugar

Do homem chamado José de Arimateia

Membro do Sinédrio, o único que votou,

Com isenção, pela absolvição

De Jesus Cristo, por não julgar nos seus atos

Qualquer, qualquer motivo de condenação!

(Que os nossos membros dos sinédrios sejam assim: justos, éticos, corajosos, corretos).

Queria eu estar no lugar de José de Arimateia

Na simplicidade de um homem rico

Que não queria plateia,

Mas corajoso tomou a posição

De quem ama e em gratidão

Manteve-se de pé, com fé, ao pé da cruz

Tão diferente daqueles que fugiram de medo,

Negaram ou dormiam enquanto sofria

Cristo Jesus na noite fria.

José de Arimateia sentiu de perto a dor

Do Cristo, seu Senhor!

Após a sua morte pediu a Pilatos autorização

Para sepultar Jesus, seu Salvador.

Liberado, retirou o corpo ferido, machucado,

Com placas de sangue o lavou.

Abraçou o corpo frio, talvez sozinho,

Aqueceu-o com amor e carinho,

Envolveu-o em pano limpo, de linho,

E o levou lavado para seu túmulo de rico

Esculpido na rocha, seguro, guardado

E ali, em lágrimas, emocionado

Agradeceu a dádiva de Deus que amou o mundo

De tal maneira que o seu único filho deu!

Quisera eu, quisera eu, e muito estar no lugar

Deste homem sensível, corajoso,

Agradecido, destemido, amoroso,

Para também, naquele momento,

Prestar meus sentimentos ao Cristo morto

Untá-lo com bálsamo perfumoso

E declarar meu amor incondicional

Pelo que fez por mim e por todos afinal

Para salvar-nos para sempre de todo o mal!

Quisera! Queria! E como! Estar lá também

Para ver o Cristo ressurreto, vitorioso,

E que hoje vive para sempre em mim! Amém!

 

 

SENSIBILIDADE SOCIAL.  ACORDEMOS!

 

Num quarto de meu quarto de dormir,

Deitado, ainda na madrugada que se fez longe,

Meus olhos preguiçosos de acordar

Me levam a um quadro pelo quadrado da janela,

A uma pobre comunidade adormecida,

Iluminada por luz pálida, amarelada,

Acolhida no berço de uma montanha sem verde

Coberta de nuvens negras, cinzas e brancas

Esperando o alvorecer sem sol.

Não consegui dormir mais

Ao pensar no dia a dia daquela comunidade.

E despertei-me deitado em berço macio acolchoado.

Entrei com meus olhos de ver em suas casas humildes

E vi gente dormindo sonhando com a esperança

Do dia do amanhã ainda sem chegar.

Vi outros, acordados, na angústia

Do ontem que não aconteceu.

Vi outros sonados que pareciam mortos

Sem ânimo para despertar.

Outros guerreiros dormiam de pé

Em cochilos espasmados

Porque sabiam que o dia de amanhã seria sempre noite

Se não acordassem antes do despertar do sol.

E naquele cenário ainda na escuridão

Ajoelhei-me com a sensibilidade

De ver com o coração

Aquele perto dos meus olhos

Mas longe do meu ver do dia...

Enquanto durmo preciso ver o irmão

Em vigília, em insônia, que não dorme.

Que tem o direito de um amanhecer de luz.

Por mais que ache que me vejo vendo o outro

É apenas um pisca pisca de olhos que não veem

De ouvidos que não ouvem

De bocas que não falam,

De braços que não abraçam.

SANTO DE PAU OCO!

Ainda sou um gigante adormecido

Que não posso permanecer

Em berço esplêndido

Eternamente deitado

Vendo o outro paisagem. Natureza morta!

Que não possa eu dormir

Enquanto o outro cansado

Nem consiga deitar um pouco

No seu direito, pelo menos, de repousar

E num cochilo sonhar com o amanhã!

 

sábado, novembro 14, 2020

VERDADEIRA VIDA, um poema de Iracema Netta

 


Verdadeira vida

Descortine a ti mesmo revolvendo no âmago tuas ânsias e temores tua fé é teus amores Para amar o outro é preciso amar-te primeiro já dizia nosso Senhor Jesus o Mestre e Salvador carpinteiro Purifica-te de manchas que outrem tenha feito ser honesto contigo mesmo é caminho a brilhar inteiro Respeite a Deus e sua criação semeando amor e perdão salutar legado deixará à geração vindoura que raiar Do livro Sarau Brasil 2020 (Ed. Vivara). Para adquirir a antologia, escreva para a autora: iracema.netta@hotmail.com - Assunto: Compra Sarau 2020

quinta-feira, novembro 05, 2020

Dois poemas anônimos, traduzidos do espanhol



CHAMADA

Ouvi a Tua voz, Senhor, ouvi-a!
E ela me fez doer o coração.
-É tão fácil ficar... – eu me dizia,
Frente ao dilema vivo: sim ou não.

Mas, de repente... Era tão claro o dia,
Tão ofuscante o vívido clarão,
Que a sua luz, na face, eu refletia,
Já sem temor nenhum da escuridão.

- Estou pronta, Senhor. Aonde irei?
Aqui, além, mais longe, nada sei,
Mas sei que ao Teu serviço me chamaste.

Olho o horizonte... Que tarefa imensa!...
E pergunto, a chorar, a alma suspensa:
- Que fiz, Senhor, do quanto me mandaste?!
 Autor desconhecido


COTOVIA

Tu és o meu louvor, Tu és, ó Deus, somente,
Pois nenhum outro, Pai, eu poderei cantar.
Com as asas de minh’alma redimida e crente,
Faze este bravo tema as bênçãos espalhar.

Ó missão de candura, ó mensagem querida,
Vai, com ligeiros pés, falar aos corações.
Segreda uma esperança, oh sim, em cada vida,
E a coragem que afasta o medo e as tentações.

Voa, canto de amor, voa, descerra o véu:
Novas para os perdidos, paz nas amarguras.
É Rocha Secular e Estrela do meu céu,
O Divino pastor que vê, lá das alturas!
Autor desconhecido

*** Poemas traduzidos do espanhol ***


segunda-feira, outubro 26, 2020

CARTA AOS FARISEUS, um poema de Sammis Reachers

 


Carta aos Fariseus

 

aquele que bem mata a palavra

é soldado a mando de quem?

seu soldo, concretudes sem

batismo, qual seu sabor

no palato, qual seu peso

na sacola?

 

vós néscios sob quem

a frágil ponte fraqueja,

vós os assassinos de profetas poetas,

quem vos pariu assim, suicidas?

 

domingo, outubro 11, 2020

365 Frases de Martinho Lutero + As 95 Teses em LIVRO GRATUITO

 


        Há poucos anos comemoramos nada menos que quinhentos anos de Reforma Protestante. Assim, redondos, perfeitos. Quinhentos anos depois, devemos ter e manter por mote capital o lema proposto pelo reformador holandês Gisbertus Voetius (1589-1676): “Ecclesia Reformata et Semper Reformanda Est” (“A Igreja é reformada e está sempre se reformando”). A frase significa que a obra da Reforma não está concluída, mas persevera ou deve perseverar em seu avanço em direção à verdade e à vivência de um cristianismo a cada dia mais bíblico (há quem utilize o termo apostólico, perfeitamente válido) e equilibrado.

        Se a Reforma representou um retorno ou reaproximação à verdade, tal verdade deve ser comunicada com urgência e ímpeto; ímpeto maior do que o daqueles que comunicam o engano, cada vez maior, em cada vez mais variadas formas. Cremos que a Reforma é um movimento engendrado em Deus, peça de perfeito encaixe dentro de seu Kairós, seu tempo; movimento que aponta para conserto dos agentes e engajamento na ação, ou seja, reerguimento da Igreja e/para o cumprimento da Grande Comissão. Assim, a Reforma é um prenúncio da volta do Rei, e um movimento fundamental de seu glorioso retorno.

      No Brasil atual, as mais diversas instituições, sejam eclesiásticas, para-eclesiásticas ou seculares, realizam eventos e  publicações em celebração e memória à vida e obra de Lutero. Digno de nota são os esforços da Igreja de Confissão Luterana do Brasil, de cujo site coligimos mais de metade das frases aqui veiculadas, bem como o texto das 95 Teses.

      Este breve e-book, em sua humildade, simplicidade e gratuidade, vem somar-se ao volume de realizações em comemoração ao 503º aniversário da Reforma Protestante. E proporcionar a todos um singelo aprofundamento no pensamento daquele que, apoiado nos ombros de gigantes, verdadeiramente deflagrou a Reforma ensaiada por muitos, dos quais diversos pagaram a ousadia com sua própria vida.

Sammis Reachers, editor

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sexta-feira, outubro 02, 2020

Uma oração puritana

Nicolaes Maes - Old Woman Saying Grace

Quando tu me guias, eu controlo a mim mesmo, Quando tu és soberano, eu governo a mim mesmo. Quando tu cuidas de mim, eu me basto. Quando eu dependo de tuas provisões, eu me abasteço, Quando devo submeter-me à tua providência, sigo a minha vontade, Quando devo estudar, amar, honrar, confiar em ti, sirvo a mim mesmo; Eu culpo e corrijo tuas leis para adequá-las a mim mesmo, Ao invés de ti, olho para a aprovação do homem, e sou, por natureza, um idólatra. Senhor, meu principal projeto é trazer meu coração de volta para ti. Convence-me de que não posso ser meu próprio deus, ou fazer feliz a mim mesmo, nem ser meu próprio Cristo para restaurar minha alegria, nem meu próprio Espírito para me ensinar, guiar e governar. Ajuda-me a ver que a graça faz isso por aflição oportuna, pois quando meu crédito está bom, tu me levas mais para baixo, Quando as riquezas são o meu ídolo, tu as afastas, quando o prazer é meu tudo, tu o transformas em amargura. Retira meu olho cobiçoso, ouvido curioso, apetite ganancioso, coração lascivo; Mostra-me que nenhuma dessas coisas pode curar uma consciência ferida, ou apoiar um corpo cambaleante ou sustentar um espírito de partida. Então leva-me à cruz e deixa-me lá.

Do livro O Vale da Visão: Uma Coletânea de Orações Puritanas.
Algumas dessas orações podem ser lidas também no e-book gratuito Orações Puritanas.

domingo, setembro 20, 2020

Três poemas de Hélder Duarte

 


O Anticristo

E disse-me ele: O quarto animal,
será  o quarto reino de toda  a terra!
E de todos os reinos será diferente afinal,
pois a toda a terra, fará ele muita guerra.

A pisará com os pés e a fará em pedaços.
Mas daquele reino, nascerão dez reis!
Um outro se levantará depois destes reinos,
e será pior que os primeiros, com as suas leis.

Ele abaterá a três  dos reis primeiros,
e blasfemará do Deus do céu.
E matará os santos do Senhor, todos.
E porá as leis de acordo com o seu eu.

Ele dominará no mundo por sete anos,
E também por três anos e meio...
Mas o tribunal, não lhe  permitirá mais enganos,
E lhe tirará, o que para isso ele veio.

Ele será desfeito totalmente até ao fim.
Não reinará mais o iníquo, não! Não!
Na terra não se achou lugar para ele, enfim,
O reino lhe foi tirado assim então.

 Mas quer no céu quer na terra,
os "Santos" do altíssimo reinarão, para sempre!
Com Deus, não havendo mais nenhuma guerra!
E não  haverá  mais nenhum tempo!

Baseado em Daniel 7:23-28

Por Cá

Canto o meu cântico, qu'em minha alma está,
como sempre sai lindo, santo, puro e perfeito,
o meu ser, nesse acto tem para isso efeito,
Pois nisso, vim eu para cantar por cá.

Cantai comigo povo, este cântico, qu'eu sinto.
Então  sentireis, alma vossa voando, vivendo,
e aos outros, vida esta sempre estendendo.
Sim! A isso eu no tempo, muito insisto.

E faço isto até que em vós haja, a música,
que a alma nossa, muito e sempre, educa,
e juntos deiamos as nossas unidas mãos.

Até que entre os homens, para sempre,
se cante este, sem que haja mau vento,
E os homens, sejam, de facto irmãos!

Musas

Tentei calar a minha boca, a qual  me disse,
Cala-te alma imunda  e perecível  tanto.
Sim, faz mesmo só e sempre isso!
Então me calei e isso realizei, portanto.

Mas dentro de mim as entranhas se revolveram,
e dando um grande  clamor, calado, não  fiquei,
e um novo  cântico,  de fresco eu entoei.
E dos poemas minhas musas não se calaram.

Ainda com mais força eu tanto gritei,
sou poeta de cânticos do além,
Isso eu já  há  muito que o sei!

Portanto  não mais  me calarei,
mas com a força que meu ser tem,
do bem eu muito e ainda falarei!
Leia outros poemas do autor, em sua página no Recanto das Letras:  https://www.recantodasletras.com.br/autor_textos.php?id=217093 

quarta-feira, setembro 09, 2020

QUE É A ORAÇÃO?, poema de James Montgomery



QUE É A ORAÇÃO?

A oração é o desejo sincero da alma,
Que fica mudo ou é expresso.
É o movimento de uma chama oculta,
Que tremula no peito.

A oração é o anunciado de um suspiro,
O cair de uma lágrima,
O volver os olhos úmidos para cima,
Quando ninguém, senão Deus, está perto.

A oração é a linguagem mais simples
Que lábios infantis podem experimentar.
A oração é o clamor mais sublime que atinge
A Majestade nas alturas.

A oração é o hábito vital do crente,
E a sua atmosfera nativa.
É o seu lema às portas da morte,
Pois ele entra no céu pela oração.

A oração é a voz contrita do pecador,
Que retorna de seus maus caminhos,
Quando anjos se regozijam em cânticos,
E dizem: Eis que ele ora!

Os santos, na oração, aparecem como um só,
Na palavra, nos feitos, na mente,
Quando, com o Pai e o Filho,
Encontram seu companheirismo.

Nenhuma oração é feita apenas no mundo;
Pois o Espírito Santo intercede
E Jesus, no trono eterno,
Intercede pelos pecadores.

E tu, por meio de que, chegaste a Deus!
Vida, Verdade e Caminho,
Tu mesmo palmilhaste o caminho da oração,
Senhor, ensina-nos como orar.

Do livro Dinâmicas Criativas para o ensino bíblico, de Débora Ferreira da Costa (CPAD).

domingo, agosto 30, 2020

Dois poemas de Ezequias Dias de Oliveira


MONTE MORIÁ

1

Abraão pela manhã de madrugada,
Albarda seu jumento,
Toma seus moços e seu filho Isaque amado;
Fende lenha para o sacrifício, e caminha pela estrada,
Caminha em direção ao monte Moriá,
No coração o sentimento que igual não há;
Talvez a razão no coração calado por momento,
Mas, com a fé de um homem determinado,
Confiava que Deus iria deparar o cordeiro;
Guardou de Isaque o segredo sobre o cordeiro.


2
Ao terceiro dia da caminhada,
Levantou Abraão os olhos, e viu o monte Moriá de longe.
O silêncio do coração acorda ao olhar o monte;
Deixou seus moços com o jumento, e foi com Isaque mais adiante;
E disse Abraão: “...,e havendo adorado, voltaremos”.
Ia com a certeza da provisão pela estrada,
Na alma o amor fervilhante!
Pôs a lenha sobre os ombros de Isaque, tomou o fogo e o cutelo na mão,
E juntos caminharam para a adoração.
No coração os sentimentos que muitos de nós remoemos.


3
No coração de Isaque a pergunta soava:
A lenha e o fogo estão aqui, e o cordeiro?!
Pelo caminho de Moriá o silêncio que na alma bradava,
Parece que ninguém perguntava nada,
Só o tropel dos pés pela estrada.
O coração de Isaque e dos moços: apreensivo;
O coração de Abraão inexpressivo,
Mas, um coração fiel e verdadeiro.
E a pergunta bradava: a lenha e fogo estão aqui, e o cordeiro?!
E Abraão guardava o segredo com o coração calado.


4
De repente Isaque acorda as palavras no coração:
Meu pai! Abraão diz – eis me aqui. Talvez, com olhar de carinho,
E sem palavras de explicação.
Eis aqui o fogo e a lenha, onde está o cordeiro para o holocausto?
Deus proverá para si a vítima para o sacrifício.
Iam juntos caminhando pelo caminho;
Isaque porventura exausto,
Mas, juntos no dever do ofício;
Seguem para o lugar da adoração,
E Abraão com a fé na provisão.


5
Chegaram ao lugar onde Deus determinara,
E Abraão determinado edifica um altar,
Coloca em ordem a lenha, e amarra Isaque seu filho amado;
Deita-o sobre o altar em cima da lenha.
Abraão estende a mão,
E pega o cutelo para imolar seu filho.
E eis que o anjo do Senhor do céu grita:
Abraão, Abraão! E ele responde: Aqui estou.
E diz o anjo: Não estendas a tua mão sobre o moço,
E não lhe faças nada; agora sei que temes a Deus, e não negaste teu filho.


6
Agora, Abraão depois do brado,
Levanta os olhos e eis detrás de si um carneiro,
Travado pelas pontas num mato;
Ele toma o carneiro e oferece em sacrifício a Deus no lugar de seu filho.
Na alma de Abraão bradava a providência do cordeiro;
Aperto na alma, mas destemido em atender de Deus, o ultimato.
Abraão dissera aos seus moços antes: ...”e havendo adorado voltaremos”.
O provimento de Deus celebrado,
Da alma de todos irradia o brilho,
Com a fé Abraão chega aos extremos.


7
Pelo caminho agora os corações em celebração,
Quebra o silêncio da alma, e explode a alegria.
Monte Moriá, o Senhor providencia.
Pela trilha de Moriá agora ágeis tropéis dos pés,
A alma fervilhando a adoração,
Rendendo a Deus os lauréis.
O carneiro amarrado entre os espinhos apareceu,
Abraão largou do cutelo e ao anjo obedeceu;
O coração recompensado,
E Isaque seu filho amado do seu lado.


FORASTEIRO DO CÉU nº 102

1
Propriedade das mansões celestiais perdida,
Forasteiro pela terra numa árdua jornada;
Pelos solos pedregosos que esfoliam pés cansados,
De cidade em cidade falando da minha naturalidade;
Regaço do sofrer, eu não tenho,
Escondo-me em tenda nos desertos da tempestade,
Pela graça divina minh’alma erguida.
Os espinhos da terra deixam a alma machucada,
Subo os montes e a visão do céu me deixa os sentimentos elevados,
Na alma a seiva da vida que escorreu do lenho.
2
No meu alforje pedras preciosas da graça;
Daquilo que não edifica a alma, e que passa,
Procuro desvencilhar o coração,
Não atenho pra meus olhos não sentirem a escuridão,
Não revelo os segredos dos sacrifícios pelas montanhas,
Guardo a convicção da herança nas minhas entranhas;
Na consciência do meu espírito identifico as riquezas divinas,
Ardem no peito os segredos revelados que sinto a beira-mar.
Ruas de ouro, pedras preciosas os meus olhos avistar!
Destila minh’alma as visões dessas riquezas finas.
3
Fundada nas promessas do céu minh’alma verte a esperança,
Forro o chão da terra com tecidos que a vida me oferece,
E descanso pensando o que o coração tece;
A alma se cala para o íntimo refrigerar,
Os olhos avistam o céu,
As cortinas abertas mostram a glória a destilar sem véu,
Pulsantes ondas no coração dessa herança;
Olho os lírios nos campos com vestes a encantar,
Gritante glória no peito,
Neste sonho sublime eu deleito.
4
Caminho no silêncio da madrugada,
E nos momentos nesta terra aplico os preceitos do céu.
Ancoro-me no porto divino da redenção,
Do farol que me guia na estrada,
Deixo os raios penetrarem no coração,
E tirar das nuvens o negro véu,
Que porventura deixar nos olhos a turva visão.
No amanhecer do dia,
Meu coração novamente pulsar pela estrada que me guia,
E ainda a alma estrelada.
5
Quando olho a terra vejo a escuridão,
Na minh’alma os céus em ação;
Percorro entre os montes e colinas,
Cordilheiras e campinas,
E vou trilhando a terra com as pedras preciosas no coração;
Paro a beira do lago pra alma refrescar,
Ver a imagem dos meus sentimentos como está;
Procuro levar somente as grandezas celestes pra alma brilhar,
E sentir a glória que verá;
Quando a noite chega durmo pra sonhar.
6
Por trás das montanhas o Sol despeja os raios marcantes,
Vou vertendo gotas de esperança para chegar,
Chegar à mansão eterna a me esperar.
Forasteiro pelas vias da terra,
Não leva armas de guerra,
Só a esperança e a paz pelos vilarejos,
Onde ficam as marcas penetrantes;
A floresta alivia sua alma com seus gracejos,
Dos espinhos que furam o peito,
Sente-se dos céus um eleito.

terça-feira, agosto 18, 2020

ORAÇÃO, poema do pastor João Falcão Sobrinho


Oração

Senhor,
faze de mim
a voz, não a palavra,
o papel, não o texto,
o pavio, não o lume,
a seta, não o caminho,
a bica, não a água,
a esponja, não o bálsamo,
o chaveiro, não a chave,
a sandália, não o pé,
a vela, não o vento.
Senhor, desejo ser
devedor, não credor
da tua graça!
Agente, não paciente
do teu perdão;
portador, não proprietário
de tua verdade;
instrumento, não usuário
da tua paz;
canal, não barragem
do teu amor.
Senhor,
dize-me o que tu queres que eu veja,
não o que eu quero que me mostres;
envia-me aonde queres que eu vá,
não aonde eu quero ficar.
Para que eu tenha
fé, não crença,
ânimo, não entusiasmo;
alegria, não prazer;
perseverança, não teimosia;
paciência, não conformação.

Do livro Pastor, Igreja e Bíblia: Programas para Dias Especiais (UFMBB)

terça-feira, agosto 04, 2020

ESTA LÃ DE SAL: Livro do poeta Luiz Guilherme Libório


Desde algum tempo tenho acompanhado a "eclosão" de um jovem autor, senhor de uma poesia de grande potência, bem acima da média num meio em que, infelizmente, a mediocridade (ainda) opera suas obras. Foi um refrescante e benfazejo encontro com uma poesia singular, de um apurado operador da palavra - e o surgimento de um poeta assim (embora já em seu quarto livro) é sempre de uma felicidade abençoada e abençoadora. 
O advento do livro ESTA LÃ DE SAL vem confirmar, com rigor, toda a riqueza expressiva deste poeta que, com criatividade e domínio de sua arte, emprega a pena em devoção e afirmação de fidelidade ao Senhor - Poeta primeiro, inspiração e fonte donde todo bem emana. 
O livro, de 110 páginas e publicado pela editora Penalux, é todo ele uma celebração da VIDA, assim, em capitulares, da VIDA maiúscula que rasga véus e rompe as muitas sombras que cerceiam a alma humana.
A obra pode ser adquirida diretamente com o autor. Escreva para seu e-mail: luizliborioalves@hotmail.com

O autor também mantém uma conta no Twitter:
https://twitter.com/librorum_luiz 

Três poemas do livro:

Senhor, Senhor, não enxugai

Essa esperança é para nós como âncora
da alma, firme e segura, a qual tem pleno
acesso ao santuário interior, por trás do véu.
– Hebreus 6:19

Senhor, Senhor, não enxugai
todas as minhas lágrimas
deixai que algumas evaporem
no hálito de existirem dias
e na garoa de haver noites
se esta for
a Vossa Vontade, Senhor
pois há um choro
que guardo para o Teu dia
e aquele de glória lapida-se
nestes de serena alegria
um choro
que só ousa chorar
o pequeno barco
que se tivesse âncora
afundaria
e por isso é ancorado
por Deus
e que ainda chora
em pensar na maior beleza
com a mágoa de não sê-la
ainda, esse choro suave
em haver Beleza
e não sê-la
ainda.



Esta lã de sal

Ide; eis que vos envio como cordeiros para o
meio de lobos.
– Lucas 10:3

O sal da terra, este selo
fluindo de olhos rasos
às margens do peito

sela de coragem o hiato
que engendrava cansaço
nos tímidos cordeiros.

Cada gota então brilha
como uma flor de suor
novíssima maravilha

mesmo se a pele soa
o som do açoite, noite
e masmorra adentro.



Oração Manhã

Ninguém tem maior amor do que este, de
dar alguém a sua vida pelos seus amigos.
– João 15:13

Deus, que vê minha fraqueza opaca
como se fosse de luz a coragem maior
e reluzente: não permita que eu parta
e seja minha morte um partir indiferente.
Permita que eu entregue o meu melhor
em holocausto aos que amo, de repente,
e na morte minha alma escorra feito suor
– carta contida no envelope da pele quente.
Ainda quente mas em breve fria. Permita,
Pai, tal alforria! Invadir o curso do projétil
que rumava ao peito da musa, solar ferida,
e, morrendo, salvá-la. Que torne-se fértil
a óssea dor! Faça, Senhor, útil meu último dia:
após ser duro viver, ser doce ver seguir a vida.

terça-feira, julho 21, 2020

Poesia Evangélica em Literatura de Cordel - Uma antologia para download gratuito



Mais que um simples estilo literário popular, o cordel é uma riqueza cultural ímpar de nossa nação. E digo nação e não apenas Nordeste, pois a sagacidade, a criatividade, a alegria e o humor do cordel têm atingido todas as regiões do Brasil, levado num primeiro momento pela mão de bravos migrantes, e depois ganhando vida própria em contextos e pelas mãos de atores não nordestinos. Não em vão o cordel foi reconhecido no ano de 2018 como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro. A miríade de temas que o gracioso cordel abarca com inaudita liberdade faz dele um veículo de comunicação poderosíssimo, e uma ferramenta pedagógica de primeira ordem.
Esta seleta vem antologiar os versos de um panteão de autores cuja criatividade é insuflada pela sua fé – fé naquele nazareno cabra arretado que, com sua vida e seu sacrifício, proporcionou salvação gratuita para qualquer pessoa que nEle crer.
Em nosso país cristão, é natural que a fé atinja e repercuta por todas as artes, notadamente as populares. A fé protestante/evangélica, que representa um retorno aos valores bíblicos e apostólicos de inícios do cristianismo, é abraçada por cada vez mais pessoas por este Brasil de Deus, pessoas ávidas por um relacionamento mais próximo ao Redentor, e uma fé mais atuante e vívida. Foi o que aconteceu, em algum momento, com cada um dos poetas aqui antologiados. Se sua excelência artística permite a todos eles transitarem com desembaraço por qualquer tema a que se proponham, sendo tal característica um dos fundamentos de um verdadeiro cordelista, eles também falam com idêntica ou quiçá maior galhardia de temas da fé cristã que os move e sustenta. Compartilhar alguns desses verdadeiros tesouros do cordel é o singelo objetivo desta obra.
Este é um livro gratuito – um presente a você, leitor – e desde já lhe convidamos a compartilhá-lo de todas as maneiras ao seu alcance.

PARA BAIXAR O LIVRO PELO SITE GOOGLE DRIVE, CLIQUE AQUI.

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