terça-feira, agosto 23, 2016

Quatro poemas de Jaci Maraschin



VII 3.16 

 o espírito cheio de plumas 
paira por sobre as sumas 
teológicas 

 e mancha com seu amarelo ouro 
o pseudo tesouro 
e o palavrório 
de são Ligório 

 o espírito cheio de fendas 
vem sobre as lendas 
como fumaça 
e com soluços revela 
no meio de uma favela 
o olhar e a mão 

 vem santo espírito pomba 
e arromba a nossa porta de ferro 
desce do céu como pomba 
sobre o meu berro 


 XVI 7.7 

 no fundo de tudo
no fundo de todos
só resta a resolução nunca tomada
de estender as mãos
e deixar
que elas se alonguem como palmeiras
até as praias


LXVIII 19.29

abandonemos as casas
para chegar à casa
e sejam bênçãos
os telhados e os jardins

não amamos os que amamos
transitórios e estranhos
quando os possuímos

a vida eterna
é transição
abre com sua argúcia
as portas da participação


LX 18.21

                    meu próximo começa no meu pé

ponte flutuante de transição
e da peregrinação

                    meu próximo começa no meu sorriso

reflexo necessário da alegria
na ambivalente melodia

                    meu próximo começa na minha boca

palavras comida e gosto
na floração do rosto

                    meu próximo começa na minha mão

carícia entre solidão e abismo
no companheirismo

                    meu próximo começa no meu corpo

solidariedade da carne e dos ossos atômicos
nos debruços anatômicos

                    meu próximo começa no meu sexo

direção vertiginosa do beijo e dos gens
num chafariz de bens

                    meu próximo começa no meu começo

Do livro Rastro de São Mateus (Sociedade Religiosa Edições Simpósio e UMESP, 1998).

sábado, agosto 13, 2016

Semeando na Passagem, poema de Jilton Moraes


Semeando na Passagem

Qual semeador,
vivemos a semear;
o tempo todo semeamos,
enquanto passamos:
o dia todo, todos os dias;
semeamos com um fim,
semearemos até o fim.

A semente da apatia
não se deve plantar,
porque quem se ocupa
em semear a indiferença,
afastará amigos,
dos amigos se afastará,
e amizade profunda
jamais cultivará.

Todo cuidado é pouco
com os inimigos da paz...
Eles estão no caminho,
disfarçados de amigos,
a semente da discórdia plantando.
O melhor é deles passar distante,
para seguir viagem,
sem se ferir nos espinhos.

Estejamos bem atentos
aos que semeiam rumores:
eles tornam amigos em inimigos,
disseminam a desordem
onde tudo antes era ordem.
Entretanto, apesar de agora abraçados,
findam tristes, sozinhos, isolados.

A semente do orgulho
é outra que atrapalha na passagem,
bloqueando o canal entre as pessoas,
impedindo a compreensão da mensagem.
Deixa pais e filhos sem comunicação,
torna o que antes era uma família
na mais terrível confusão.

Por isso, enquanto passamos,
jamais devemos ser indiferentes,
mas estar prontos para ajudar,
em nome de Jesus socorrer,
ao pobre que estende a mão
e ao agressor que carece perdão.

Porque quem, em sua passagem,
com alegria semeia o amor,
tem bons amigos toda vida,
encontra amigos seja onde for.

Aquele que a semente da paz
sai semeando em seu caminho,
ainda que não ande entre flores,
sabe se livrar dos espinhos.

Quanto mais maturidade temos,
mais ocasião para fazer vivemos.
Porque a mulher ou o homem maduro
tem aprendido a ter um coração puro,
sendo capaz de sementes altruístas lançar.

Vivendo a melhor idade,
compreendamos as demais idades,
vivamos para fazer sempre o bem,
sementes altruístas plantando,
e nos alegrando em ajudar alguém.

Jilton Moraes. Ilustrações e poemas para diferentes ocasiões. São Paulo: Editora Vida.

domingo, agosto 07, 2016

Dois poemas de Wolô


Bem-aventurados os mansos
No encontro das Alianças
Com as bem-aventuranças
Falava o Mestre amado
Aos seus e pra multidão

No encontro da Lei com a Graça
Sem gritos nem ameaça
Seu gesto e seu recado
Tratavam de mansidão

E num país subjugado
Aprouve ao Mestre amado
Bem-aventurar os mansos
Porque a terra herdarão

Que terra seria essa?
Que preciosa promessa?
A pátria de seu descanso?
Espécie de céu no chão?

O manso sabe o segredo
De renunciar sem medo
Aos ícones deste mundo
Tão passageiro, tão vão

E nem mesmo o dedo em riste
De um mundo espantado e triste
Assusta por um segundo
O manso em adoração

Pois Cristo, o Senhor de tudo
Igual um Cordeiro mudo
Sem honra seguiu, sem nada,
Pra cruz, nossa salvação

Mas nem essa morte inglória
Barrou a sua vitória
E a Vida ressuscitada
Triunfou em ascenção

E assim o manso caminha
Na fé que o Mestre tinha
Que o amor do Pai tudo encerra
Sob sua perfeita mão

E mansamente se entrega
E a mansidão ele prega
Pois mesmo ao pisar a terra
Seu pé não se prende ao chão


TEUS

Teu preceito é tão amigo 
Teu abrigo tão sagrado
Teu chamado tão preciso 
Teu juízo tão perfeito;
Tua vontade
é que eu te aceite
O teu deleite
é que eu te agrade.
Teu ser
que desceu
menino
nos deu
o poder
divino
de conhecer
a fonte
o norte;
de renascer
de um ontem
morte
Pra tua VIDA,
Pra tua VIDA.

domingo, julho 24, 2016

A Palavra Não Escrita, livro de Jorge Fernandes Isah


A poesia de Jorge F. Isah nasce carregada de enlevo hermético. Como os mestres hermetistas italianos do século XX (Montale, Quasimodo, Ungaretti), a cada poema de Jorge somos confrontados pelo toque da Esfinge, “decifra-me ou te devoro”, e mais, “decifra-me e devora-me”: que maior convite pode fazer um poeta, pode propor um poema?

E Jorge avança, como alfarrabista de palavras que é, como artista ora cônscio, ora febril, a estabelecer seus mosaicos na tabula rasa do papel; sua arte nunca é superficial, nunca é simplória: ela não solicita, mas é uma onda densa que arrasta, desperta e conclama ao mergulho em suas torrentes verbais. Exige a atenção, engaja e transveste seus leitores no tensionado herói Teseu, cuja atenção freme ululante enquanto avança pelo labirinto - cujas bifurcações vão se adensando a cada quadra. O prêmio para aquele que perseverar está ao fim do labirinto, embora feito da soma de suas partes: o gozo silencioso da celebração poética, o graal misterioso e assaz buscado, o pequeno êxtase quase epifânico (pois a poesia tem e terá sempre - quem a furtará? - algo de religião, de religação com o divino) que só a verdadeira arte pode inocular nas veias da alma.

Este A Palavra Não Escrita é um manjar pleno para o verdadeiro apreciador de poesia, posto em salvas de prata onde o leitor sorverá a multiplicidade de percepções do autor, cujos versos transitam das elucubrações de sua alma às mazelas da sociedade, do fulgor metapoético, da poesia que se dobra sobre si mesma, à louvação dAquele que é a fonte matricial de toda poesia, justiça e beleza.

Uma jornada com poder de transformar percepções, cujo arco tensionado se estende do álacre ao pungente: esta é a proposta de Jorge Isah neste seu elaborado labirinto.

Sammis Reachers

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quinta-feira, julho 14, 2016

Três poemas de Maria Ignez Menegatte


No Hospital: Aos meus irmãos que se encontram enfermos

No silêncio da manhã,
Aquele coração descansa,
Forçosamente quieto
À espera de um milagre.
Nada a fazer, nada a reter,
Apenas confiar, crer e se entregar.
E nas asas da esperança
Se transportar, voar,
Permanecendo no mesmo lugar.
Ali está um ser sem vigor,
Enfermo, dependente
Mas, acima de tudo, um crente
No Salvador e Senhor Jesus.
Tendo a fé por companheira,
Entre o alívio e a agonia
A esperança como acompanhante fiel
E o consolo do Santo Espírito
O remédio que vem do Céu.



Pela Fé


Ao Monte Moriá
Subia o Pai Abraão
Levando Isaque ao altar
Oferta de maior valor.
Silencioso, pensativo,
Sem entender o porquê
De Iavé requerer
Isaque como sacrifício.
Abraão obedece
E caminha monte acima
Pois a obediência ao Pai do Céu
Não conhece interrogação
Ela é sempre uma resposta
A uma determinação
De alguém que pode tudo
Tudo vê e exige fé.
Abraão sabia disso,
Vivia a esfera dos céus,
Caminhava ao encontro de Deus
Com um filho que já não era seu.
Levando um “riso” como sacrifício
Pra alegrar o próprio Deus.
Deus honrou tamanha fé
E Isaque devolveu a seu pai,
Um homem que obedeceu.
E do Monte Moriá,
Um novo Abraão desceu.



Uma Chave Mestra

Perdão...
Preciosa palavra
Que conforta, anima,
Abre portas, aproxima
Desfaz o mal-entendido
E liberta o sorriso represado.
Perdão
É uma decisão
Que conduz braços a um abraço
Destranca punhos cerrados
Encurta distâncias,
Preenche vazios.
O perdão
Faz o pródigo voltar
O lugar à mesa ser preenchido
O pão voltar a ser repartido
E a felicidade inundar corações.
 
O perdão
é uma chave mestra
Que pode abrir salas diversas
E fechar muitos porões.


Via Prazer da Palavra

sexta-feira, julho 08, 2016

Três poemas de Israel Belo de Azevedo



FAMÍLIAS QUE VENCEM

Benditas são as famílias que apreciam das horas o movimento,
o tempo que juntos passam no sorriso do contentamento
Ou à espera de uma longamente desejada libertação.
 
Grandes são as famílias que aprenderam a arte de juntos sonhar,
Sabendo que o melhor que podem pelo outro fazer
é diante do medo o seu progresso estimular.

Santas são as famílias que cultivam acreditar
Que Deus em seu alto pensamento quer
De cada um e de todos (e)ternamente cuidar.
 
Felizes são as famílias que vencem no padrão
De Jesus Cristo, onde não há nenhuma competição,
Porque o sucesso de um é do outro complemento.
 
Seus laços de sangue a história de vez não corta
E a geografia, mesmo sinuosa, não é distância que importa.
São heranças vivas mantidas pela paixão.
São desejos perenes protegidos pela oração.
 
Vencedoras são as famílias que se portam assim:
Se chega a doença, o desvelo permanece à porta.
Não desistem se o desvio a algum  tristemente toca.
Acompanharão, cuidarão e amarão até o fim.


O PERFUME DA CRUZ

Do pomar das muitas frutas plantadas
para conhecimento e nutrição
escolheu o homem a única indevida
para selar sua partida
e deixar clara sua rejeição
à palavra divina que traz plena vida.
 
Seu pecado não foi escolher a liberdade:
livre já o era no nascimento.
Seu crime foi escolher a prisão,
seduzido por um sorriso de fingimento
deixado depois da tentação
na senda solitária do sofrimento.
 
Mas Deus, que o verbo da desistência
não conhece e não conjuga em seu coração,
fez nascer no pomar da primeira existência
a planta pequena da paz,
a que desabrocha em forma de reconciliação
e de inimigos amigos fieis faz.
 
Ao longo dos milênios dos dias havidos
uma semente germinava aqui
para ser morta ali
e não dar o fruto da restauração,
o único que, comido, vida faz produzir
e transforma o desencontro em comunhão.
 
Na plenitude dos milênios tristes transcorridos,
do alto de um monte fora da cidade
arrebenta sobre as pedras uma flor.
Tem a forma de uma cruz.
Tem a força de uma cruz.
Tem o peso de uma cruz.
 
Ela suporta a forma de um homem.
Ela guarda a força de um homem.
Ela resiste ao peso de um homem.
 
Nela, o homem justo vindo do céu é cravado
por homens que não sabiam o que faziam.
Não lhes importa que o seu sangue jorre.
(Não passa ele de um dócil animal de sacrifício.)
Não lhe interessa que o sol forte torre
o seu corpo, com uma luz firme e um pesado calor.
Melhor será quanto maior for a sua dor.
 
A cruz, não parece, mas é Deus em ação.
Cheia quando espoucava a luz do dia, 
mas, quando a noite se punha, vazia,
a cruz tem raízes fundas no chão,
que se espalham até o túmulo da ressurreição,
Tem raízes que atravessam a nuvem sombria
diante das testemunhas tantas da ascensão.
 
Como os homens que olharam, no deserto,
para a haste de metal e foram perdoados,
podemos olhar para ela e receber o abraço
em que Deus nos mostra quem somos: filhos amados.
A cruz, com a ressurreição, é o Pai perto.
A cruz é a cesta de aromas sobre nós lançados
para da culpa nos livrar até o último traço.


O CONVITE DE JESUS

Não quero crianças silenciosas na igreja;
que corram, desde que conosco estejam;
sua presença é brisa saltitante que bafeja
a renovação da vida que o Pai sempre dá.

Não quero caras feias diante do choro
dos bebês, que não é escandaloso
como a melodia que estala do dedo raivoso
de quem, crescido, só quer "disciplinar".

Quero uma igreja que seja amplo lar
para as que, não tendo em quem se apoiar,
amadas, se sintam livres para desejar,
amando como eu gosto: até o fim.

Não quero uma igreja em que o martelo
esteja na mão para quebrar.

Quero uma igreja que seja castelo
onde todo garoto possa se abrigar.

Quero uma igreja que, se tiver labirinto,
seja só de brincadeira para a menina brincar.

Deixem vir os que não têm pressa.
Que a religião não os impeça
de participar felizes na festa
do Reino que vim inaugurar.

Venham, pequenos, vou lhes contar uma história
do jeito que minha mãe me contava:
"Era uma vez um pai que ao seu filho amava.
Assim mesmo o menino decidir ir embora.
Pensam que o Pai deixou de aguardar sua volta?
Depois de muitas noites, em que o Pai o esperava,
o rapaz chegou. Cheio de medo, mal andava.
E o Pai o recebeu tão gostoso com um banquete
que não durou só um dia, mas toda a madrugada".


terça-feira, julho 05, 2016

Resultado da Promoção


Amados irmãos e amigos do blog Poesia Evangélica, graça e paz!
É com felicidade que anunciamos os nomes dos três ganhadores dos kits de livros, sorteados por ocasião do aniversário de dez anos de nosso blog. São eles:


  • Raitler Matos
  • Andréa Nathelly
  • Jarbas Aragão


Aos ganhadores e a todos os que participaram, nosso muito obrigado por sua participação, carinho e presença.

*Lembrando que o nosso método de sorteio é o de sempre: cada nome escrito num pedaço de papel, todos colocados num saco, de onde retiramos aleatoriamente três papéis.

terça-feira, junho 14, 2016

10 Anos do blog Poesia Evangélica - E que ganha é você, em nosso sorteio de livros. Participe!


Queridos irmãos, em 2006 iniciamos, de forma humilde, um blog cujo objetivo, naquele momento, tinha certa urgência: disponibilizar um canal (até então inexistente) de resgate, divulgação e promoção da poesia evangélica/cristã, abarcando tanto os autores de ontem quanto os atuais, tanto medalhões quanto jovens ou bissextos iniciantes nos meandros da poesia.
De lá para cá, foram centenas de autores divulgados. E ainda diversos livros e e-books, individuais e coletivos (antologias) que surgiram direta ou indiretamente devido ao trabalho do blog. Mas nossa principal conquista é que construímos uma rede de fraternidade, de amigos poetas e leitores de poesia, que gerou e gera os mais agradáveis frutos de comunhão. E ainda muito está por vir!

Para comemorar os 10 anos de nosso espaço, realizaremos um sorteio de livros. Serão nove livros sorteados, compondo kits de três livros cada; assim, serão três os leitores ganhadores, e cada qual receberá um kit contendo três livros.
Para participar é fácil: deixe um comentário neste post, com seu nome e e-mail para contato. No dia 05 de Julho realizaremos o sorteio. Participe e convide outros irmãos e amigos!

Os kits constarão de:

  • Kit 1: Inventor de Poesia (poesia), de Margarete Solange Moraes; O Pequeno Livro dos Mortos (contos), de Sammis Reachers; e Uma Teoria do Poema (teoria da literatura), de Domingos Carvalho da Silva.
  • Kit 2: 22 Contistas em Campo (antologia de contos), org. de Flávio Moreira da Costa; Contos Reunidos (contos), de Margarete Solange Moraes; O Pequeno Livro dos Mortos (contos), de Sammis Reachers.
  • Kit 3: O Agente Infiltrado e Outros Poemas (poesia), Jorge Wanderley; O Velho e a Menina (novela), de Margarete Solange Mores, e O Pequeno Livro dos Mortos (contos), de Sammis Reachers.

Sobre os livros:

Uma Teoria do Poema (Civilização Brasileira, 200 págs.) - Cultores da poesia ou não, estudantes ou não, todos os leitores qualificados encontrarão aqui, escolhidos com rigoroso critério seletivo e dispostos na melhor forma, os mais preciosos conceitos sobre a arte poética em geral - e o poema, em particular de sorte que terão sempre à mão um precioso manancial de informações sobre a técnica, a estética e, particularmente, o sentido e a forma da arte poética. 
22 Contistas em Campo (Ediouro, 176 págs.) - '22 contistas em campo', mais uma antologia de Flávio Moreira da Costa, reúne os melhores contos brasileiros sobre futebol, incluindo ainda um inglês (Patrick Kennedy) e dois uruguaios (Horacio Quiroga e Mario Benedetti). Rachel de Queiros, Plínio Marcos, Rubem Fonseca, Luís Vilela, Moacyr Scliar e Ignácio de Loyola são alguns dos brasileiros escalados. 
O Agente Infiltrado (Bertrand Brasil, 112 págs.) - Dividido em duas partes, O Agente Infiltrado e outros poemas revela ao leitor a marca registrada do poeta Jorge Wanderley. Em O Agente Infiltrado o artista é alguém que veio cumprir uma missão. Aquele que vê o mundo de uma maneira peculiar, com uma visão criativa e nova. Na segunda parte do livro, Jorge Wanderley reúne uma coletânea de poemas variados, ora líricos, ora irônicos. Com a pluralidade de tons e temas que caracterizam a nossa condição pós-moderna, o autor transcreve para o papel as vicissitudes da alma e a perplexidade do ser diante do acaso. 
O Pequeno Livro dos Mortos (Letras e Versos, 96 págs.) - Neste pequeno volume (19 contos em 96 págs.) a mente de Sammis Reachers dá azo à sua inusual criatividade para expressar-se em contos cujo tema norteador é ela, a indesejada das gentes, a Morte. Transitando por gêneros, tempos e lugares diversos, temos nossa atenção sequestrada para situações, momentos dramáticos (com certa - e boa - dose de estranhamento, que segundo o autor é item capital para qualquer boa arte), em que, em meio à ação dramática, somos inoculados por (in)discretas perturbações filosóficas e teológicas, para nossa alegria mental (sorrisos). Leitura que deixa marcas, e que melhor elogio se faria à uma obra literária? 
O Velho e a Menina (8 Editora, 144 págs.) - O amor pela menina o fez o velho aprender a sonhar novamente. O sonhar impulsiona o homem a sentir-se capaz. A vida precisa dos sonhos para ser melhor vivida. Não importa se esses sonhos são possíveis ou impossíveis: é preciso ousar! O desesperançado é somente um fantasma sem voz, sem alma, sem rumo. É natural do ser humano querer ser admirado por seus feitos, e ser considerado grande mesmo na sua pequenez. E para ser grande é preciso perseguir os ideais até alcançá-los, ou morrer lutando sem desistir jamais da batalha.O amor pela menina o fez o velho aprender a sonhar novamente. O sonhar impulsiona o homem a sentir-se capaz. A vida precisa dos sonhos para ser melhor vivida. Não importa se esses sonhos são possíveis ou impossíveis: é preciso ousar! O desesperançado é somente um fantasma sem voz, sem alma, sem rumo. É natural do ser humano querer ser admirado por seus feitos, e ser considerado grande mesmo na sua pequenez. E para ser grande é preciso perseguir os ideais até alcançá-los, ou morrer lutando sem desistir jamais da batalha. 
Contos Reunidos (Sarau das Letras, 314 págs.) - “Contos Reunidos” traz uma seleção de histórias já publicadas em obras anteriores, além de outras inéditas. Os contos, em sua diversidade temática, formam um mosaico da vida, repletos de múltiplos olhares, textos e intertextos, discursos e contradiscursos. Cada narrativa está repleta de casos que vão do trágico ao cômico num piscar de olhos. Margarete Solange é uma mulher de posicionamento crítico, por isso, em determinados momentos, será possível que o riso dê lugar ao pranto, ou, quem sabe, à indignação. A autora produz textos com conhecimento de causa, sabe elaborá-los com maestria, pelo que surpreende, demonstrando uma maturidade peculiar ao abordar temas diversos com criatividade, sensibilidade, drama e humor, o que torna a leitura de seus contos aprazível, até mesmo para aqueles ainda pouco afeitos à leitura. 
Inventor de Poesia (8 Editora, 238 págs.) - Reúne poemas com multiplicidade de temas, para leitores de preferências diversas em qualquer idade. A autora, que não se declara poeta, mas se diz escritora de versos, é dona de um estilo bem próprio: criativo, divertido e inteligente; fortemente caracterizado pela intertextualidade e metalinguagem. Surpreende com o talento que tem vindo da alma para criar e com a arte que possui para lapidar, aparar e montar seus versos. Num mergulho à literatura universal, a autora conversa com o escritor Allan Poe nos poemas “Pra Sempre” e “Nunca Mais”, e com Elizabeth Bishop, respondendo ao seu poema “One Art”, com o poema “A Arte de Perder”. Leva o leitor a visualizar cenas que ela pinta com palavras, conseguindo deslocar o leitor para dentro de sua obra. Enfim, são poesias para todos os momentos, que provocam no leitor as mais variadas reações, desde simples descontração a profundas emoções e deleite espiritual.

domingo, junho 05, 2016

Três poemas de Ana D'Araújo


Prece
Hoje pedi ao Pai por ti.
Pedi que te desse a calma de um riacho que corre
Rumo ao destino de desaguar
E que lavasse a tua alma com unguentos perfumados.
Pedi que o sol que brilha para mim,
Ilumine amanhã novamente o teu caminhar
E que a Lua que dorme para ti, brilhe aqui,
Como esperança do amor não vivido, mas desejado.
Pedi que o frio não gele a tua alma,
E não te leve os sonhos de um futuro de paz,
Onde deitarás em colo seguro
A embalar os teus sonhos em versos.
Pedi que os teus pés cansados,
Judiados pelas marcas da lida diária
Se tornem leves e andem ágeis
Ao encontro do descanso merecido.
Pedi também que o silêncio não te emudeça o coração,
Mas que acolha a emoção e a armazene
Pois um dia ouvirás os sinos
E lembrarás que toda a esperança perdida
foi só um vento que passou.
Hoje eu pedi ao Pai que a semente em ti plantada,
Não feneça com a madrugada
Mas que a esperança seja o adubo
A florescer em ti o amor viçoso e deslumbrante,
Que te levará seguro ao encontro do infinito
Hoje…pedi ao Pai por ti!

A Gentileza
Enche os olhos ver a gentileza assim
É de carne e osso e tem cor
Se eu te contar que a gentileza riu pra mim
Carimbou o seu carinho e foi
Foi pra lá do distrito do amor
Braço dado com a paixão e a flor
A razão logo se esconde e some
Ela já não pode mais sozinha
Se essa tal da gentileza a cultivou
Quero ouvir da gentileza uma canção
Que seu sopro ameno acalme a nação
Que ela junte as mãos - guie nossos pés
Seja respeitada qual bandeira
Que ela adube o solo com amor
Que ao invés da erva seca só produza flor
Que ela ensine a humanidade a cantar
Com voz de criança pra poder vibrar
Que ela afogue a mágoa e salve o perdão
E que a gentileza seja uma oração
Na voz tão  sofrida desse povo
Que só precisa andar com a gentileza.

Sonho de Poeta
Mesmo que a fonte seque
e a inspiração se esconda
ou vá passear na esquina...
Quero o som da musica na alma
e a canção no coração.
Mesmo que o poema seja curto e seco
e o verso aluda a dor... A aridez...
Quero ter no peito a rima
que remete para cima
e retorna em energia de inspiração.
Quero olhar o horizonte
e enxergar de novo a fonte
que me fez deitar primeiro
em rede de paixão...
Derramar alivio nos escritos tantos
que fazem do poeta ilusionista,
em mágicas de um mundo encantador!
Quero ao ver o declinar do sol da vida,
o despejar de versos em expressões tão surreais...
Que seja para muito colo certo, desabafo, sintonia,
expressão, canção e mutação.

domingo, maio 29, 2016

Um poema de Ana Dolzane


NO TEU JARDIM SECRETO


ENCONTREI O LUGAR ONDE POSSO TE ENCONTRAR!

ALI, NO TEU JARDIM SECRETO.

OUÇO PASSOS! O AMADO DA MINHA ALMA SE APROXIMA, POSSO SENTIR SEU PERFUME SUAVE COMO UMA BRISA REFRESCANTE.

MEU CORAÇÃO PULSA FORTE!

TODO O MEU SER ESTREMECE DIANTE DA TUA DOCE PRESENÇA...ENTÃO OUÇO UMA VOZ SUAVE SUSSURRANDO O MEU NOME:

ONDE ESTAIS AMADA MINHA? ENTÃO EU RESPONDO: EIS-ME AQUI MEU SENHOR!

PERMITA-ME CONTEMPLAR A TUA PRESENÇA!

DE REPENTE TOMA EM TEUS BRAÇOS, ME ENVOLVENDO COM SEU AMOR INFINITO.

JÁ NÃO HÁ MAIS DOR, NEM TRISTEZA, MEDO NENHUM EXISTE, E ENTÃO ME ENSINAS A VERDADE, O CAMINHO QUE DEVO SEGUIR...

ME CONTA SEGREDOS, ME REVELAS O TEU AMOR, OS TEUS CUIDADOS.

DANÇAREI, CANTAREI EM TUA PRESENÇA OH REI!

TOCA-ME COM PODER! MOSTRA-ME A TUA GLÓRIA!

ANSEIO POR MAIS DE TI, MINHA ALMA ANELA PELA TUA PRESENÇA.

A CADA ENCONTRO CONTIGO MEU AMADO, MAIS DESEJO ESTAR EM TUA PRESENÇA;

TODOS OS DIAS, O AMADO DA MINHA ALMA AGUARDA POR MIM EM NOSSO JARDIM SECRETO.

MAS QUERO SURPREENDER O MEU AMADO, ME APRESSAREI EM IR AO SEU ENCONTRO, E 
QUANDO ELE CHEGAR JÁ ESTAREI AGUARDANDO ANSIOSAMENTE PELA SUA PRESENÇA.

NÃO SERÁ NECESSÁRIO CHAMAR PELO MEU NOME, POIS JÁ ESTAREI AGUARDANDO NO LUGAR ONDE PREPARASTES PARA ENCONTRAR-TE COMIGO, TODOS OS DIAS, E CORREREI EM TUA DIREÇÃO, ASSIM COMO UMA CRIANÇA QUE AVISTA O PAI E DIREI:

EIS-ME AQUI! EIS-ME AQUI!
PERMITA-ME CONTEMPLAR A TUA PRESENÇA, DEIXA-ME FICAR AQUI AO TEU LADO, POIS É AQUI O MEU LUGAR, BEM JUNTO A TI.

terça-feira, maio 24, 2016

Três poemas de Judson Malta


Mãe terna: Castelo, ofício e mistério.

Força incontida da natureza
Brilha tua luz na destreza
Das mãos de mil tarefas
Renúncia e beleza

Oficio laborioso esse, de ser mãe terna
Férias, não há
Descanso, não há
Salário, não há
Mas há trabalho... amor, prazer, força.
Deus sustenta você, mãe terna

Mistério profundo
Quando receptáculo da vida
Em teu ventre, mãe terna
Guardas o poder da criação

Ès mãe, senhora da vida
Guardas em ti,
O rebento de toda nação

Querida mãe terna
De lábios e canções de ninar
De beijos e doce falar
Sua cama, seu manto, seu cheiro
São descanso e segurança
São abrigo, consolo e renovo
Colo de mãe é castelo de criança.

Deus acolhe através de você
Deus usa o seu proceder
Deus te abençoa com sabedoria
Deus a faz leoa defensora
Sobrevivente lutadora
Obrigado Senhor, pelo castelo, ofício e mistério.

Obrigado, por nossas mães e por seu amor sobrenatural.


Salmo de Livramento

Como não viria eu à Tua Presença, Rei meu e Deus meu.
Como não derramaria meu coração em teu altar.
Como não cantaria louvores e não sopraria trombetas.
Se Deus é bom, e tem sustentado os meus passos
Se Ele tira do seu baú coisas velhas e novas
Se Ele nos desterritorializa do espaço pecaminoso
e nos chama ao altar de vida sacrificial.

Deus nos chama a vida nova, em novidade de vida.
Agora não vivo eu, mas Cristo vive em mim.
Como não abriria mão de meus ideais?
de minhas escolhas egoístas?
de minhas paixões mesquinhas?
Se maior é o Amor... ora, se maior é o Amor,
mais busco Ele,
mais me entrego por Ele,
mais me renuncio para Ele.

O Senhor renunciou toda a Sua Glória por amor de mim, 
ele se esvaziou de si mesmo para demonstrar o seu Amor. 

Obrigado Senhor pelo que nos une, por tua vida, morte  e ressurreição. 
Obrigado Senhor, por Jesus, a encarnação da Palavra libertadora. 
Que nos ensinou a servir e entregar as nossas vidas em resgate de muitos.

Obrigado Senhor que tens feito nossos pés passarem por um vale enxuto,
Que tem nos livrado da mão de Faraó, 
que tem aberto milagrosos caminhos onde saída não havia.

Obrigado Senhor, que unges o teu ungido e o adornas com pedras de sabedoria dos Céus 
a fim de guiar o Teu povo. Livra Israel do mau caminho, ó Pai.
  
Tem misericórdia de mim,
Tem misericórdia de nós, 
Ajuda-nos, Senhor.


Poesia Pastoral

No silêncio do meu canto
Ouço a voz do medo
Medo oculto em mantos

Inseguranças pressas no tempo
Levam-me por ocultos espaços
Fraco, rendo-me à espera

Nas voltas da vida
Revoltas perdidas
Lançadas pela criança

Ouvir o farfalhar dos Teus cantos
Ver as dores do rebanho

Vir a ser restaurador de sonhos

Ouvir, ver e vir a ser
Restaurar-a-dor
Cantos do rebanho sonhador

Declaro a falência de mim
Rendo-me à dependência
Suplico-Lhe por vida
E vitória
Sobre as dores na marcha

(Dedicado à Pra. Ana Isaura, minha querida Mãestora.)

Leia mais textos no blog do autor: http://judsonmalta.blogspot.com.br/


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