quinta-feira, maio 23, 2013

Página no Facebook dedicada à obra de Joanyr de Oliveira


Foi criada, na rede social Facebook, uma página dedicada à publicação dos poemas do grande e saudoso poeta e pastor Joanyr de Oliveira (1933 - 2009). A belíssima página está a cargo de seu filho, o pastor Judson Oliveira. 
Além de suas múltiplas atividades e talentos, Joanyr foi desde sempre um grande incentivador da poesia e dos poetas evangélicos.

Curta a página e acompanhe as publicações: http://www.facebook.com/pages/Joanyr-de-Oliveira/350348548408399?fref=ts

Aproveitamos para publicar dois poemas de Joanyr:

MANIFESTO

Poetas de todos os sonhos, uni-vos!
Nas folhas do silêncio e do verbo
editai as fisionomias do amor,
entrelaçai vossas metáforas.
Dai e recebei vossas mãos
trêmulas sob o peso do universo,
das lágrimas gotejadas pelos milênios,
dos que mataram a vida
amoldada pelos dedos de Deus.

Dizei às flores o vosso segredo
quando no anverso das coisas caminhais.

Uni-vos contra as foices sorrateiras
e degoladoras do vento, contra os martelos
que pisam sobre a harmonia dos homens,
contra os cifrões obesos e hipócritas.

Poetas de todos os planos, uni-vos,
estendei vossos braços até o infinito:
trazei de volta a Eternidade
pelos condutos de vosso sangue.
Urge casar o Belo de vosso canto perfeito
e a perfeita canção do caminho de Deus.
Escolhei a palavra madura
e a beijai ritualmente.

Poetas de todos os sonos, erguei
Dos submundos doentios
As águas da morte e com um olhar
Transformai tudo em poesia!
Acariciai com o verso mais sereno
Os que não sabem sorrir,
Os meninos amarelos, nus e esquecidos,
Os preclaros donos das guerras do mundo,
Os promulgadores de injustiças.
A estes avisai, poetas,
que sobre a inocência de seus netos futuros
pisarão os implacáveis corcéis da morte.

Poetas, uni-vos nas alamedas do amor
e jorrai vossos soluços unânimes,
porque os relógios do pânico
não dormem – com as bombas, não dormem –
com os terremotos grávidos de ira.
As potestades subterrâneas
apontam agora a última noite.

Urge convocar, poetas, as margens dos oceanos,
os pilotos, os timoneiros, os chefes austeros,
os sepulcros, os golfos solitários,
os mendigos, as meretrizes,
os humilhados pelos fortes, os tripudiadores,
os loucos de todo o gênero, os bastardos,
os reis sem trono, os tímidos, os assassinos,
os leprosos que se casaram com as trevas,
os natimortos, os desesperados sem remédio,
os sonhadores incorrigíveis, os sem honra,
os avarentos, os santos do Senhor de todas as terras,
os calmos viventes e os moribundos.

Porque, poetas, bem perto se anuncia
a última noite. E o ranger de dentes
e o pranto pousarão sobre as coisas e as frontes.
O Dia Eterno abrirá puríssimas asas
sobre as vestes vestidas de branco.
Poetas, emigrai dos sonos e dos sonhos
e cantai como espada e trombeta
as cores iluminadas do Amanhã.
(11/07/1977)

Poema lido pelo autor durante o I Encontro Nacional de Poetas Evangélicos - Rio de Janeiro, 24 de Julho de 1977.




MÃOS CONTEMPLADAS

As mãos tecem o poema.
O roteiro ignoram
de sua tessitura.
As mãos sempre insones
em conchas misteriosas.

A humildade é a sua glória.
Podem os olhos rutilar
navegando no papel;
pode o sorriso vir
luminoso, à doçura
do cantante estribilho.

As mãos se limitam
ao silêncio e ao labor,
à mudez de um oficio.
Eis o seu ministério:
a penosa colheita.

As mãos transitam
entre as margens e a sede:
o papel as contempla.
Os conceitos e sonhos
seguirão os astros
e os caminhos da terra.
As mãos desconhecem
o sabor perenal
de suas muitas palavras.

(Lisboa / São Paulo, 13.7.98)

quinta-feira, maio 16, 2013

DEUS AMANHECER, novo livro de Sammis Reachers



Eis aqui meus amigos, meu novo livro (este não é e-book, é impresso), DEUS AMANHECER.

As 150 páginas deste livro reúnem uma seleção de textos escritos desde minha conversão, em 2005, até aqui. São diversos textos inéditos, somados a outros publicados apenas em blogs e redes sociais, e que configuram o corpo principal deste Deus Amanhecer, acrescidos de uma antologia poética, com textos selecionados de meus quatro livros anteriores (livros que circularam apenas como e-books): Uma Abertura na Noite (2006), A Blindagem Azul (2007) CONTÉM: ARMAS PESADAS (2012) e Poemas da Guerra de Inverno (2012), além de poemas publicados na Antologia Águas Vivas I (2009). 
O livro conta com prefácio do querido poeta lusitano João Tomaz Parreira.
O livro foi impresso em pequena tiragem, para distribuição entre amigos e casas de leitura. Mas caso você queira adquirir um exemplar, escreva-me para assegurar que ainda há exemplares para venda.


Promoção


E mais: para quem desejar, já está rolando uma promoção, através da página do blog Arsenal do Crente no Facebook. Você pode ganhar este e mais um outro livro, Quando a Teologia Faz Diferença (Ed. Hagnos), lançamento organizado por Lourenco Stelio Rega. Para saber como participar, confira neste link: 
https://www.sorteiefb.com.br/tab/promocao/195836


sábado, maio 11, 2013

Três poemas de Myrtes Mathias


Enquanto És Jovem

Quando na cidadela de tua alma
se digladiam a voz da consciência
e a atração do mundo,
nessa batalha tão mais terrível
porque travada no silêncio e na solidão,
Alguém participa de tuas lutas,
compreende tua limitação.

Quando estendes a tua mão direita
para fazer alguma coisa boa,
sem que o saiba tua mão esquerda,
Alguém vê teu gesto e abençoa.

Ainda é o mesmo, Aquele que no templo
olvidou ruídos e sábios fariseus,
para abençoar duas moedas
que caiam no gazofilácio,
como um hino no coração de Deus.

Não te preocupes a opinião do mundo,
à tua própria opinião;
entrega teus bens e tua vida,
duas pobres moedas diante dos homens,
preciosas para Aquele que vê o coração.

Acende tua chama e parte a iluminar o mundo,
enquanto és jovem,
enquanto tua luz tem mais fulgor.
Deus te deu a salvação e a liberdade;
distribui esses bens com a humanidade:
Amor se paga com amor.

Se a ordem for gastar os teus talentos
entre gente estranha que nunca te agradecerá,
para enxugar teu suor e tuas lágrimas
os teus passos Alguém precederá.

Se lá vieres a morrer incompreendido,
em nome desse ideal, sem um adeus,
Aquele que te viu e guiou em cada passo,
trocará tua renuncia e teu cansaço
por um lugar de honra entre os heróis de Deus.





Quando se perde um grande se perde amor.



O que é que a gente faz 
quando perde um grande amor?
Primeiro, 
queira ou não queira, 
a gente chora.
Depois, então, 
a gente ora e louva ao Senhor 
pelo tempo que durou.
Mas se a gente realmente crê, 
sabe que depois do choro
vem a alegria.
É só esperar por mais um dia: 
o amanhã de Deus.
Quantas vezes esse dia se repetirá?
Não sei.
Só sei que coloquei meu coração 
nas mãos de Deus:
meu presente, 
meu futuro, 
e até o passado que é,
principalmente, 
o que mais faz sofrer, 
faz chorar,
porque a gente fica a se perguntar:
- Por que comigo? 
O que foi que eu fiz?
Onde foi que errei?
Eu não sabia que era tão feliz...
Por que não previ e evitei?
Por que? 
Por que?
Não sei.
Sou apenas um ser humano 
preso aos limites do tempo,
do espaço, 
das formas de expressão.
Mas, aleluia! 
O meu Deus, não!
É eterno, 
numa dimensão de tempo 
tão abrangente que,
de repente, 
em Suas mãos, 
sinto passado, 
presente, 
futuro,
numa unidade, 
que é bondade, 
felicidade, 
beleza, 
riqueza,
companhia, 
paz, 
alegria.
Essa alegria que a vida não tira 
porque está além dela.
E agora, talvez, 
já esteja delirando, 
não mais sentindo,
não mais sofrendo,
não mais chorando, 
não mais me culpando
pelo que aconteceu.
Antes cantando: 
“Pela graça do Senhor,
sou o que sou”,
és o que és: 
nem superior,
nem inferior.
E assim, 
mais uma vez, 
tomo minha vida, 
tomo tua vida
e as coloco unidas 
nas mãos de Deus que nos fez.
Que é que a gente faz 
quando perde um grande amor?
Primeiro, 
queira ou não queira, 
a gente chora.
Depois, então, 
a gente ora
e escreve uma canção
que outros cantarão, também, 
quando seu amor for embora...



MÃOS DE OPERÁRIO

Cruzadas,
inertes,
brancas,
cansadas,
maltratadas,
cheias de calos,
repousam tranquilas,
na imobilidade absoluta da morte.

Mãos que construíram casas humildes,
edifícios luxuosos,
templos de Deus.
Cansaram-se de construir edifícios tão grandes
que prontos,
sequer ousaram tocá-los.

Humildes mãos de operários,
irão para sempre
deixando suas marcas
nas paredes dos barracos,
das casas ricas,
dos templos,
onde o povo buscará seu Deus.

Tão ocupadas estiveram,
que nada ajuntaram.
Voltam ao Criador
leves como chegaram,
levando apenas as marcas que abençoam,
dignificam.
Lembram outras mãos
que vieram ao mundo para construir.
Mãos de um outro operário,
que se entregaram por mim.
Tingiram-se de vermelho,
nos braços da cruz,
para se destacarem no azul,
para o qual apontam:
Mãos de outro operário,
mãos de Jesus.


Muitos outros poemas da autora na página a ela dedicada, no Facebook: http://www.facebook.com/MyrtesMathias?hc_location=stream

segunda-feira, maio 06, 2013

Oração, poema de John H. Wheelock



Oração

Tradução de Oscar Corrêa

Tende piedade, Poder severo e justo,
Da avidez, do ódio e da lascívia impura,
Da ânsia intérmina e desse medo augusto.
Daí, ó Saber Infinito, ao pó, cordura!

Tende paciência conosco, se injusto
Trai um ao outro, e a Humanidade dura
O manto inconsútil do homem, augusto
E uno parte; e divide a veste pura.

Infinita Piedade, tende-a redobrada,
Que precisamos dela, inalcançável
À nossa pobre pequenez irada,
Amor sem Remorso, Piedade Inexorável!

no livro Poemas – Geraldo Vidigal e Outros.
São Paulo: Editora LTr, 1995

terça-feira, abril 30, 2013

FAGULHAS, novo livro de Filemon F. Martins


Nosso amigo e colaborador, o escritor, poeta, contista e cronista Filemon Francisco Martins, acaba de publicar seu mais novo livro, Fagulhas, pela Editora Scortecci. O livro é uma primorosa reunião de suas crônicas e artigos de diversa temática, além das notas biográficas abordando diversos poetas, escritores e intelectuais brasileiros, muitos deles autores evangélicos, como Mário Barreto França, Gióia Júnior, Jonathas Braga e outros. São mais de duzentas páginas de cultura literária e muito boa prosa.

O livro encontra-se à venda no site da Livraria Martins Fontes, AQUI.

quinta-feira, abril 25, 2013

Alguns Poemas de Um Velho Pescador - Ebook de Elio Roldan Anderson para download gratuito


O poeta Elio Roldan Anderson acaba de nos brindar com a publicação de seu e-book Alguns Poemas de Um Velho Pescador. Nas 77 páginas deste e-book, Elio leva-nos a uma viagem por sua preciosa poesia, discorrendo com a maestria de poeta experimentado sobre os mais diversos temas, do poema de amor ao poema evangélico, passando pelo humor e pelo social. 
É pois com prazer que compartilhamos com nossos leitores esta obra, de livre leitura.

Para baixar o livro pelo site 4Shared, CLIQUE AQUI.
Para ler o livro online, ou baixar pelo site Scribd, CLIQUE AQUI.



sábado, abril 20, 2013

Três poemas de Levi B. Santos


O CORDEL DA BLOGOSFERA CRISTÃ ─ N° 2

Na igreja é proibido 
De certos temas falar 
Mas aqui é permitido 
Tudo pode-se perguntar 
Num modo bem divertido 
Do que se assiste por lá. 

Só se fala de pecado 
Na igreja e seu espaço 
Mas o Deus humanizado 
Está aqui no cyberespaço 
Por todos muito estudado 
Sem cai-cai, e estardalhaço. 

Mentira, aqui se desfaz 
Trapaças que todo tempo 
São pregadas em Catedrais. 
Que tristeza ver um templo 
Virar chão de Satanás 
No seu maior passatempo. 

Crente aqui não tem cartão 
Pra ser membro virtual 
Comenta com o coração 
De uma maneira natural 
Sem ter medo de pressão 
De igreja e o seu curral. 

Deus aqui humanizado 
Faz-se irar o legalista 
Que em tudo vê pecado. 
Quem é esse moralista 
De um Jesus falsificado 
Que tem pose de artista? 

Carregando o seu andor 
E bradando o seu bordão 
Esse artista com ardor 
Quer matar o seu irmão 
Maltratando o pecador 
Por não querer sua unção. 

Vi aqui na blogosfera 
Debate muito inflamado 
Fera engolindo fera 
Por causa de um pecado 
Um de muitos, amigo era 
Foi por fim crucificado. 

Vi pastor pedir vingança 
Com arrogância, sem amor 
Vi outros com pujança 
Defendendo o pecador 
Que por ser uma criança 
Briga e brinca sem rancor. 

Vi maldade e aberração 
Em nome de Jesus Cristo 
Vi reteté e vi unção 
Como nunca tinha visto 
Pastor caindo no chão 
Gritando: “poder é isto!” 

Dentro do “cristianismo” 
Vi tanta macumbaria 
Vi circo e vi cinismo 
Vi foi muita zombaria 
Que até o ateísmo 
Dele se envergonharia. 

Se tu dizes que és crente 
E queres a volta da Lei 
Deixa essa fala indecente 
Que só tem Teologuês 
Recebe a graça urgente 
Sem medo e com lucidez. 

Na blogosfera a Pandora 
Deu saída aos seus bobos 
Que de forma impostora 
Difamaram com arroubo 
O defensor da pecadora: 
A “ovelha em pele de lobo”. 

Na blogosfera tem gente 
Que quer trazer a censura 
Numa febre efervescente 
Pela tal da ditadura 
Não é crente, é descrente 
Viciado em linha dura.



A Suprema Estratégia

Se o mundo está repleto de inimigos 
Três estratégias, três caminhos eu tenho:
 “Combatê-los, fugir, ou amá-los”. 
Caim matou Abel 
Mas ficou-lhe da alma do irmão, a marca 
Jacó fugiu de Esaú 
Mas errante vagou com seu fantasma

Desejo — esse adesivo fluido e flexível. 
Revela-me a excelente e suprema estratégia: 
“De na estranheza do outro, me ver”. 
Parar de odiar o estrangeiro?! 
“Só se o meu desejo for também o dele...” 
Se o amar for isso reconhecer 
No “alto céu” de minha mente surgirá 
Ao invés de um confronto uma síntese.hostel albergue


NÃO FAÇAS IMAGEM DE MIM?!

Ah, entendi! 
Disseste lá atrás: 
“Não faças imagem de Mim!” 
Entendi que a imagem que eu faria de Ti, 
O outro, nunca iria entender que era igual a dele. 

Deveria então guardá-la só pra mim, 
Para que o outro pudesse compreender 
Que a imagem que de Ti eu faço 
É a mesma que ele faz de Ti, que eu desconheço. 

Se as imagens não Te prejudicam, 
Antes, esclarecem o ritmo de Tua marcha, 
Por que não devo me empenhar 
Em tornar Teu sopro, visível 
Encerrando-Te em palavras, pensamentos e alegorias?! 

Vejo que não cabes em nenhum desenho, 
Nem nas vinte e quatro letras do nosso alfabeto. 
Mas ainda assim, teimo em colocar-Te máscaras, 
Como quisesse delimitar o ilimitado?! 

Perdoa-me por Te imaginar...hostel albergue

Visite o blog do autor: http://levibronze.blogspot.com.br

terça-feira, abril 16, 2013

Três poemas de Sammis Reachers


Da conversão de Samuel Ricardo, cangaceiro de Lampião, no sertão da Bahia, em 1931 

Por Ti cancelo meus planos de vingança
por Ti
uma dúzia de vidas
cujos horários e rotas
eu já demarquei
não serão interrompidas

Por Ti
Deus que embaralha minha língua com fogo
e refreia a minha peixeira no peito do ar

Quantas velhotas livraste de carpir
pela morte certa dos trastes que pariram?

Mas além requeres, manda-me
amar o lixo, verter murro em abraço.

Tento, mas como isso??

Senhor, essa Arma Viva,
essa Carabina de Três Bocas, a arma
Teu Espírito:
Atravessa-me com isso,
fura-me o bucho com amor.

Aqui. Mira meu coração de pedra, Coronel.
Manda bala, Deus Grande.


Ontologia P(r)o(f)ética

Entre Jonas e Jeremias:
A baleia e o poço,
o enfado e as lágrimas.


Eu, Eliphas Levi, bruxo, nigromante

A noite vem rolando do ocidente, e presto chegará:
a Escuridão prepara o salão para o grande baile.
Ela me capta a um canto, sorri nefasta,
roga minha ajuda para colocar as guirlandas
e estender a faixa do príncipe aniversariante.
Por que eu?, pergunto, amedrontado
por ter sido visto, mesmo sob minha capa
de invisibilidade. Porque você está disponível,
ela responde.
Porque você busca saber o que está por trás do pó,
e cisma, e escava o solo e o seu coração.
Porque você me observa de cima a baixo.
E acha que talvez eu possa lhe dar as respostas
que Ele guardou de ti.
Posso te dar todas as respostas,
e saciar tua sede de Fausto; posso revelar-te
todos os segredos do Universo
e minhas respostas perfeitas
serão mentiras como o Universo é uma mentira,
tecida em partículas e ondas.

Então eu entendo tudo; ela tinha desde sempre
 meu coração em sua caixa.
Fujo correndo e choro e não quero parar de correr,
não quero acreditar que ela media-me enquanto eu a media,
não quero suportar que ela possuía-me.

O galo canta uma terceira vez.


terça-feira, abril 09, 2013

Quatro poemas de Isabel Gonçalves



II

Longe de ti,
Levo a morte achando que estou vivendo.
E a festa é um velório,
Onde não percebo que eu é que estou indo embora.

Longe de ti,
Tento organizar as coisas,
E não me deito em paz para dormir,
E acredito que conseguirei construir uma vida leve.

E esta dor continuo a carregar...

Até que como o vaso nas mãos do oleiro sou moldado de novo.
Assim tudo o que sou não tem mais razão de ser.
Há um novo caminho que eu nunca consegui prever,
Revelado por meu Pai,
Vida eterna improvável a mim,
Sacrifício de amor, vida a jorrar da cruz.


IV

Estar a correr com pressa de encontrar um abrigo,
E os meus pés estão cansados,
E sempre estou muito longe...

E há tanto a fazer para o meu Senhor,
Há tanto amor n'ele para eu me entregar,
Há tanto amor para levar aos que estão distantes,
Há um olhar de pureza, há um abraço sincero,
Para eu levar...

Semear chorando e voltar sorrindo,
Para isto, estou ainda aqui!


V

Vivo agora!
O que estava aqui era a morte.
Levanto-me e abandono,
Viver é deixar para trás...

E o caminho que quero
É único,
Sempre reto!
O adeus...

Um fio de linha,
Uma estrada que brilha.
Contra-mão de todos que passam.


VII

A disputa das verdades,
Verdades de cada um.
A disputa pelo lugar.
E o silêncio convida-me à sabedoria que vem do céu...
Amar, entregar minha vida àqueles que ainda brigam.

Em meu olhar o brilho de já ter muito chorado,
É meu lugar...
Sem nada nas mãos,
Um maltrapilho,
Mas, inabalável!

Verdade!
É!
Foi!
Será sempre!
Fez-me viver!
Cristo!




terça-feira, abril 02, 2013

Águas Vivas Volume 3 - Antologia de Poesia Evangélica - Um livro gratuito para você



O Projeto Águas Vivas teve início em 2009. Ele nasceu com a ideia de divulgar a boa produção de poetas evangélicos contemporâneos, do Brasil e de Portugal, estreitando os laços entre autores e leitores, através da democratização do conhecimento que o livro eletrônico e gratuito proporciona. E ainda incentivar a produção, a um tempo insuflando conteúdo e ampliando o espaço de publicação, tão escasso na seara literária evangélica, notadamente em sua vertente dedicada à ars poetica.

Uma das estratégias aqui adotadas é consorciar a participação de autores já de alguma maneira consagrados, ao lado de iniciantes que representam desde já boas promessas literárias. E mais que uma antologia de poesia evangélica, esta é uma antologia de poetas, pois, embora a poesia francamente cristã seja o carro chefe desta seleta, damos destaque também a textos de temática diversa, conforme a livre expressão dos autores.



E agora, dando voz e continuidade à doce fruição de águas vivas que é a poesia, reunimos a literatura de oito autores: os brasileiros Francisco Carlos Machado, George Gonsalves, Heloísa Zachello, John Lennon da Silva, Julia Lemos, Silvino Netto e Sol Andreazza, e o lusitano Manuel Adriano Rodrigues.

Que os versos de nossos irmãos, irmãos esses oriundos das mais diversas cores denominacionais do Protestantismo, e usuários de variados estilos de escrita, possam tocar as cordas do coração de cada leitor, entoando juntos a música (a um só tempo) devocional/sentimental/intelectual/estética, que, dentre todas as ditas Nove Artes, só a Poesia pode orquestrar.

Para leitura online ou download no site Scribd, CLIQUE AQUI.
Para download pelo site 4Shared, CLIQUE AQUI.

*Caso tenha dificuldades em fazer o download, por favor, solicite-me o envio por e-mail: sammisreachers@ig.com.br

**Você pode redistribuir (sempre gratuitamente) este e-book entre seus amigos e contatos, bem como reproduzir este post em seu site, blog ou outra mídia, sem necessidade de prévia autorização.


Sammis Reachers, organizador.


sexta-feira, março 29, 2013

A Despedida de Cristo, poema de Thiago Rocha



A Despedida de Cristo

Na noite silente e fria,
naquela sala vazia,
a fraterna companhia
alegre se congregou.
O dia tinha passado
de trabalho carregado.
O grupo estava cansado,
e, assim, logo, se assentou.

Disposta a mesa para a pátria festa,
O Mestre, estando ali, sentou-se à testa.

Sabendo perto a batalha
que o levaria à mortalha,
o Senhor toma a toalha
e água deita na bacia.
E, pelos servos passando,
seus pés cansados lavando,
um a um vai enxugando
com o pano que o cingia.

Quer o Senhor deixar-lhes, neste gesto,
o ensino claro do viver modesto.

“Compreendeis o que vos fiz?
Mestre e Senhor, cada um diz
que eu sou – expressão feliz,
pois correta e verdadeira.
Se os vossos pés eu lavei,
assim vós também fazei,
pois exemplo vos deixei,
servindo dessa maneira.”

Voltando à mesa, disse o Salvador:
“Um de vós há de ser meu traidor”.

Como lança ao coração,
a triste revelação
de que havia traição
a todos surpreendeu.
E os servos que se espantaram,
perplexos, se entreolharam
e ao Salvador perguntaram:
“Porventura serei eu?”

Mas o Mestre querido os sossegou,
pois o malvado logo revelou.

Então, naquele momento,
trazendo o seu grupo atento,
deu-lhe novo mandamento,
o mandamento do amor:
“Deveis sempre vos amar
uns aos outros, e mostrar
o sentimento sem par
que por vós teve o Senhor”.

“Amai-vos uns aos outros, eis a lei,
amai-vos como sempre eu vos amei”.

Depois, o tempo correu,
e o grupo se entristeceu
co’a nova que recebeu
de Cristo e sua paixão.
E Jesus, compadecido
do seu colégio querido,
p’ra vê-lo fortalecido,
levou-lhe a consolação:

“Não fique o vosso coração assim,
credes em Deus, crede também em mim”.

“Na casa do Pai de Amor,
onde não há mal nem dor,
há moradas de valor,
que ninguém pode contar.
É verdade, eu vos repito,
se não fora tão bonito,
eu vo-lo teria dito.
Vou preparar-vos lugar”.

“Depois de o preparar, eu voltarei,
e para o eterno lar vos levarei”.

Na hora negra que passa,
quando se vê a desgraça,
envolvendo qual fumaça
o nosso mundo pequeno,
nada de melhor existe,
para o ser aflito e triste,
que saber que Deus o assiste,
e que Cristo diz, sereno:

“Não fique o vosso coração assim,
credes em Deus, crede também em mim”.

“Na casa do Pai de Amor,
onde não há mal nem dor,
há moradas de valor,
que ninguém pode contar.
É verdade, eu vos repito,
se não fora tão bonito,
eu vo-lo teria dito.
Vou preparar-vos lugar”.

“Depois de o preparar, eu voltarei,
e para o eterno lar vos levarei”.

Do livro Águas de Descanso (1969)
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