sábado, janeiro 18, 2020

Dois poemas de Jesiel (Jese) Carlos Ferreira


QUANDO MATEI UM EVANGELISTA

Ele era uma boa pessoa
Mas era muito chato
Ele atrapalhava os meus negócios
Porém me avisava do perigo
Era um dia de domingo
Ao entardecer
Antes das 6 pm
Antes de bater o sino
Não sabia que eu era disto
Uma raiva entenebrecida
Nunca imaginei fazer aquilo
Era um dia de domingo
Ele era o meu amigo
Um irmão
Peguei-o pelo pescoço
e asfixiei-o,
num golpe mata-leão.
Foi perdendo as forças
até que caiu desvaído.
Os outros vinham
e lhe perguntavam,
mas ele nada respondia.
Estava caído ao chão
Com a mão gelada
E o coração parado
Sem reação
Sem nenhum respiro
Era minha culpa
…e não tinha desculpas.
Eu não imaginava ter feito aquilo
Era uma tarde de domingo
Ele era meu amigo
Um irmão
Agora sou culpado
Um fratricídio
(Acho que o nome é isso)
Que nem Caim
Sou um assassino
Eu queria correr
…mas para onde?
Em qualquer lugar
vão me reconhecer.
Com sangue nas mãos
Um sangue inocente
Agora estou marcado
Serei um fugitivo
De Deus,
do diabo
e da polícia.
Perdão, Senhor!
Perdão, Senhor!
Estou arrependido
Não era para matar
Não era minha intenção
Então vi um milagre acontecer...
O golpe não foi tão forte
E o coração voltou a bater
E ele se recobrando
aos pouquinhos,
e devagarinho
foi se levantando,
e me disse:
Eu te perdoo,
não faça mais isso!
Que alívio!!
Quase mato meu amigo
Quase viro um assassino
Nunca imaginei fazer aquilo
Era uma tarde fria de domingo
Antes da Catedral da Fé
badalar o seu sino.
Quase que mato o Evangelismo.



AOS QUE CHORAM...

"Hoje muitos choram, mas não desistem de viver
Hoje muitos choram sorrindo"
(Trecho da música "Muitos choram"
da banda Rosa de Saron)


Limpem as lágrimas por enquanto
Uma vez que já tem algo melhor preparado
Hoje são muitas coisas que nos fazem chorar
e poucas que vêm nos consolar.
Hoje são muitas decepções
Muitas traições
Feridas abertas
Corações amargurados
Muitos lutos
Mas animem-se!
Pois aquele que nos ajuda,
venceu o mundo.
Choramos…
porque esperávamos mais de nós.
Choramos…
porque esperávamos mais das pessoas.
Choramos…
porque esperávamos que elas ficassem um pouco mais.
A lágrima é cônjuge da dor
Não são todas aquelas aflições da vida?
Mas vejam!
Vem chegando o dia de sermos consolados
Essas águas, que caem pelo rosto
e que correm como um riacho fluente,
têm os dias contados.
A gota quente, dos olhos vermelhos,
não mais minará.
Já que no céu,
​​​ela não entrará.


Leia mais textos do autor em sua página no Recanto das Letras, AQUI.

quinta-feira, janeiro 09, 2020

Um poema de Francis Cirino



FORTALEZA

Você precisa aprender a não confiar nos homens
Desconfiar de si mesmo
Das intenções escondidas no próprio coração
Não acreditar em mentiras

Você precisa aprender a confiar em Deus
Mesmo em dias difíceis, nas noites escuras
Render-se, ser vencido, perder
Aprender a estender a mão a quem pedir
Ovelha muda no matadouro

Você precisa aprender a acreditar na Verdade
Que o Sol voltará triunfante para restaurar e governar o dia.

segunda-feira, dezembro 30, 2019

Três poemas de Sâmara Antero


Presença

Hoje não entendo minhas lágrimas
Disseste que estaria sempre aqui
até a consumação dos séculos
até o dia em que eu veria
o céu chorar sangue
os ventos encontrarem meu rosto
na confirmação
de que eu estaria contigo eternamente.

Talvez sejam sinais de saudade
mas esta aperta
comprime meus apertados olhos
paralisa aos poucos meus batimentos

Hoje quando eu olhar para o céu
não deixes de brilhar
não pauses o vento que
se esconde em meu rosto
Me permita crer que ainda posso te esperar


1 João 3.1


O mundo não nos conheceu
não viu nossas dores
não sentiu o seu amor
desde aqueles tempos
imemoriais.
O mundo não nos conheceu
não viu nossas lágrimas
não chorou pelos
seus filhos e irmãos
perdidos.
O mundo não nos conheceu
desprezou todos os seres
se achou mais capaz
não quis olhar
para os erros e acertos
ancestrais.
O mundo não nos conheceu
golpeou-nos na face
viu o sangue vertido
e riu de nossas vidas
escorridas nas ruas.
O mundo não nos conheceu
matou nossas mulheres
feriu nossas crianças
cauterizou nossos homens
esqueceu nossos
anciãos.
O mundo não nos conheceu
tapou os ouvidos
para a nossa mensagem
gritou mais alto
corrupções e mentiras.
O mundo não nos conheceu
porque não conheceu a Ele. 


Existe uma Luz

Existe uma luz,
eu sei que
nunca se apaga.
Uma luz no mais fundo abismo
de mim mesmo.
estes caminhos rotos
que segui
as janelas que atravesso
com o olhar
trados sobre os
mil caminhos do meu corpo
não extinguem esta luz.
As vezes ela brilha
como um fraco vaga-lume
na penumbra do vazio.
Mas sua vida
é mais eterna
que os pilares do universo
você me disse isso
uma vez
e eu nunca esquecerei.

quinta-feira, dezembro 19, 2019

A ORAÇÃO DE UM PAI - Douglas McArthur



A ORAÇÃO DE UM PAI

Dá-me, ó Senhor, um filho que seja forte o suficiente
para saber quando é fraco, e bastante corajoso  
para enfrentar a si mesmo quando sentir medo:
e humilde e magnânimo na vitória.

Dá-me um filho que nunca curve as costas
quando deva levantar o peito;
Um filho que saiba te conhecer ...
e conhecer-se a si mesmo,
o que é a pedra angular de todo conhecimento.

Conduza-o, te rogo,
não pelo caminho cômodo e fácil,
mas por um caminho áspero,
aguilhoado por dificuldades e desafios.
Lá, deixe-o aprender a permanecer firme na tempestade
e a sentir compaixão pelos que fracassam.

Dá-me um filho cujo coração seja puro,
cujos ideais sejam elevados;
um filho que se domine a si mesmo,
antes que pretenda dominar os outros;
um filho que aprenda a rir,
mas que também saiba chorar;
Um filho que se mova em direção ao futuro,
mas que nunca esqueça do passado.

E depois que o Senhor lhe der tudo isso,
acrescenta-lhe, eu te rogo,
bastante senso de bom humor,
para que ele possa ser sempre sério,
sem, contudo, levar a si mesmo muito a sério.

Dê-lhe humildade para que possa sempre lembrar
a simplicidade da verdadeira sabedoria
e a mansidão da verdadeira força.
Então eu, seu pai, ousarei murmurar:
Não vivi em vão!


Traduzido de uma versão em espanhol, por Sammis Reachers.

domingo, dezembro 08, 2019

INDIFERENÇA - Arma de ferir a Cristo



INDIFERENÇA

Não são os cravos frios,
nem o madeiro cruel, nem a coroa espinhada,
nem a lança aguda que o soldado ímpio
mergulha na carne em profunda ferida.

Não é o sol ardente
que abrasa o rosto e queima a pupila,
resseca o lábio doce e a cândida frente
qual terna flor que seu calor aniquila.

Não é a esponja amarga
Que da boca sedenta se aproxima,
a alegação angustiante da sede que lhe abrasa,
sede que nasce da alma e não é compreendida.

Tampouco é o esquecimento
do Pai, como parece que o Filho acredita,
deixando-o sozinho sofrer o martírio,
ausente de toda a misericórdia divina.

Não é o cravo frio,
não é o sol ardente,
nem o terrível esquecimento.
Não é o fel amargo
nem o espinho penetrante.
É a tua indiferença, é teu cruel desvio
quem o feriu inclemente com seu agudo fio.
E é a sede imensa de salvar tua alma,
que feroz queima suas ternas entranhas.

Autor desconhecido
Do livro 502 Ilustraciones Selectas, de José Luis Martínez
Tradução Sammis Reachers

terça-feira, novembro 26, 2019

Dois poemas de Inez Augusto Borges


Com Vocação

Sou guerreira!
Diante do Comandante eu estou.
Ele, para esta carreira,
Há muito, me convocou.
A batalha é dura e feroz
Ele, disso, já me avisou.
O inimigo é sujo e audaz
Mas, para a luta,
Cristo me habilitou.
A vitória está garantida
Na rude cruz, Ele a conquistou.
Por amor entregou sua vida
E, sobre a morte, Ele triunfou.
Meninos, abri os olhos e vede!
Meninas, é hora de despertar!
O inimigo voraz lança as redes
Ele quer vos aprisionar.
Mas, o Comandante vos chama:
“-Vem, vem comigo lutar”!
Ele, que muito vos ama,
A vossa vida, quer transformar.
Não desprezeis vossa infância!
Vinde! Vinde vos alistar
Para as trevas da ignorância
Com a luz de Cristo, derrotar.


O Autodidata em busca da Integridade

Integridade, inteireza,
Fonte de toda beleza
Como te quero e almejo
A ti aspiro e desejo.

Preceitos e liberdade
Fonte de felicidade
Quero te compreender
Para inteiro eu ser.

Como te posso alcançar
Ou tua grandeza tocar?
Em meio a coisas inúteis
Ou a ensinos tão fúteis?

Busco do conhecimento
O verdadeiro suprimento
Já suspeito não estar só
Mas, às vezes, sou como Jó.

Integridade e Verdade
Estás na Realidade
Existes e, com certeza
Te mostras na natureza.

Na História e na Geografia
Na Música e na Biologia
Te encontro por toda a parte
Até nas Línguas e na arte

Por isso, investigarei
Sobre tudo, refletirei
E todo conhecimento
Ser-me-á por alimento.

Com inteireza, vou viver,
E Influenciar outro ser
Para toda a humanidade
Marcar com integridade.

Conheça mais textos, e os livros da autora em: https://www.inezborges.com.br/inez/index.php/blog/ 

segunda-feira, novembro 18, 2019

Quatro poemas de Laura García de Lucas


Laura García de Lucas, com seu livro Vasija (Bilha) foi a grande vencedora do Primeiro Prêmio Rei David de Poesia Bíblica Iberoamericana, promovido na Espanha para autores de língua portuguesa e espanhola. O livro vencedor foi editado em edição bilíngue espanhol/português pela Sociedade Bíblica Espanhola. A tradução dos poemas ficou a cargo da portuguesa Leocádia Regalo.

Levítico 25: 8
Apenas tocas o ponto
em que a tarde se fragmenta
contarás sete semanas de anos
o áspero som
da pele com toque de peixe
sete vezes sete anos

2 Reis 4:13
O colostro deste amanhecer
a sua crueldade
encontra os olhos abertos
porque nada distingue
o sono da morte
eu habito no meio do meu povo
os lábios secam-se
varejam-se as camas
estão vazias
as bilhas da casa

Jeremias 19: 10
Racimo caído
do que apenas comem
os forasteiros
os frutos enlaçam-se
como letras em ordem
o som do não escrito
então quebrarás a bilha
a primeira colheita
o peso do que não se nomeia
diante dos homens

Cântico dos Cânticos 1: 3; 4:12; 4: 14; 2: 16
Água estancada és
fonte selada, fonte fechada
no grito dos corpos
és toda um ermo poço
no peso das sílabas
um óleo perfumado e derramado
porque habitam em ti seres imundos
porque habitam em ti seres infames
e em ti se aninha a lama
e é o nome
um vazio sem veias
entre os filhos do pai
e é o nome
uma fissura no barro
e todas as árvores de incenso
a secar ao fundo do pátio
és toda um ermo poço
és água estancada
jardim fechado, fonte selada
e nunca chega a pele nova
porque vivem em ti seres selados
a fria distância do não
o silêncio do caminho
que leva a mão à têmpora
sessenta vezes sete
a chamada do cordeiro
contra o céu da boca
porque habitam em ti águas sujas
porque se aninham em ti águas imundas
fonte fechada, fonte selada
ele apascenta entre os lírios
debaixo do quício da casa
a última dor antes da chuva

sábado, novembro 09, 2019

Dois textos de Simônica Nottar



O que é maturidade espiritual? 

1. É quando você para de tentar mudar os outros e se concentra em mudar a si mesmo.
2. É quando você aceita as pessoas como elas são.
3. É quando você entende que todos estão certos em sua própria perspectiva.
4. É quando você aprende a "deixar ir".
5. É quando você é capaz de não ter "expectativas" em um relacionamento, e se doa pelo bem de se doar.
6. É quando você entende que o que você faz, você faz para a sua própria paz.
7. É quando você para de provar para o mundo, o quão inteligente você é.
8. É quando você não busca aprovação dos outros.
9. É quando você para de se comparar com os outros.
10. É quando você está em paz consigo mesmo.
11. Maturidade espiritual é quando você é capaz de distinguir entre "precisar" e "querer" e é capaz de deixar ir o seu querer.
E por último, e mais significativo:
12. Você ganha maturidade espiritual quando você para de anexar "felicidade" em coisas materiais!



Verdadeiro significado do Amor 

Você surgiu como suave melodia trazida pela brisa; dilatou-se no Silêncio de minha alma e fez-se moldura em meu viver.
Isso chama-se Ventura...
Há algo em você que transparece num olhar, como estrela no Céu, atapetado de Astros e exterioriza-se num sorriso como canção tocada na harpa dos ventos.
Isso chama-se Ternura...
Sem olhar, você me percebe, sem falar você me diz, sem me tocar você me abraça...
Isso chama-se sensibilidade...
Quando me perco em labirintos escuros você me mostra o caminho de volta. Quando exponho meus tantos defeitos você faz de conta que não nota.
Se enlouqueço , você me devolve a razão.
Isso chama-se Compaixão.
Nos dias em as horas passam lentas , sem graça e sem luz, nos seus braços eu encontro alento.
Quando os dias alegres de verão partem e em seu lugar chegar o outono , cobrindo o chão com folhas secas e o verde exuberante cede lugar ao cinza, nos seus braços encontro Harmonia.
Isso chama-se Aconchego...
Quando você esta longe, no espelho da saudade eu vejo refletida a certeza do reencontro.
Nas noites sem estrelas quando a escuridão envolve tudo em seu manto negro, você me aponta a carruagem da madrugada, que vem despertar o dia com suas carícias de Luz...
Isso chama-se Esperança... 


Quando as marés dos problemas parecem tragar em suas ondas as minhas forças, em seus braços encontro reconforto.Se as amarguras pairam sobre os meus dias, trazendo desgosto e dor, sua Presença me traz tranquilidade.
Você é um Raio de Sol nos dias escuros...
É um falcão e águia que enfeita a amplidão azul...
Você é alma e é coração.
Um poema e uma canção...
É Ternura e Dedicação...
Nada impõe, tudo compreende,tudo perdoa...
Sua companhia é doce melodia,é convite de viver... ...
E,tudo isso chama-se Amor!
Surge depois que as nuvens ilusórias da paixão se desvanecem.
Que a alma se mostra nua,sem enfeites,sem fantasias,sem máscaras...
O amor e esse sentimento que brota todos os dias, como uma rosa que explode de um botão ao mais sutil beijo do sol...
Isso,sim, chama-se Amor!.


segunda-feira, outubro 28, 2019

A LUTA PELA LITERATURA EVANGÉLICA


O blog Poesia Evangélica completará em novembro 13 anos de atividade. Ao longo desse tempo, tivemos o prazer de publicar mais de 470 autores. Isso mesmo, quatrocentos e setenta, pode contar (e conhecê-los) aí na barra lateral do blog. Com pequeno esforço, é possível imaginar o tempo gasto em pesquisas, contatos, aquisição de publicações - enfim e principalmente: o tempo gasto em trabalho por esta nobre causa. Isso foi e é feito com muito prazer; ao nos convertermos, grande foi nosso espanto ao percebermos a quase inexistência de um movimento pela/para a poesia evangélica; no mundo secular estávamos envolvidos num circuito de poetas que possuía centenas de publicações periódicas, jornais, revistas, fanzines, informativos, e ainda eventos, encontros, academias de Letras - tudo isso indo do mais gabaritado profissionalismo ao mais tosco amadorismo - mas, perceba, HAVIA um movimento, VIVO, PUJANTE. Já na nossa seara, tudo que percebíamos eram vozes solitárias, pois o momento maior de movimentação desta área entre nós já havia passado, com a morte de poetas tradicionais como Mário Barreto França e Myrthes Matias, o fim das divulgações promovidas por Joanyr de Oliveira e o próprio decréscimo do gosto pela poesia que estava e ainda está em curso em nossa cultura. Assim, nos lançamos imediatamente ao trabalho. Hoje, além do já publicado nos blogs, são já mais de 12 antologias poéticas variadas abarcando o trabalho de autores cristãos/evangélicos, e algo em torno de 18 livros poéticos individuais, de autores diversos, que editamos ou nos quais de alguma forma colaboramos, e publicamos graciosamente.
Se há algo que lamentamos, é que outros mobilizadores não tenham surgido com maior força ao longo deste tempo. Publicações, grupos e eventos poderiam ter sido criados - E AINDA PODEM. Eu gostaria de ter forças, ou outros oito corpos, para desdobrar-me e tentar fazer mais; mas, "se não se pode fazer o ideal, faça o possível", é um lema que sempre prezei e vivi. Se você tem ideias neste sentido, desengavete-as e ponha em prática! Dê um pouco de suor pela causa da literatura evangélica, que é sempre a causa de Deus. No que eu puder lhe ajudar e somar contigo, estou aqui.
Com o passar do tempo, notamos que uma outra área da literatura evangélica jazia às moscas: a literatura ficcional, notadamente a contística. Eram poucos os contistas entre nós, pouca a divulgação de textos, e menor ainda o incentivo a que novos autores desbravassem tal seara. Assim, buscamos entabular alguns esforços no sentido de promover o gênero conto entre nós. A primeira delas foi a criação da revista Amplitude, que cognominamos Revista Cristã de Literatura e Artes, abarcando grande gama de assuntos e gêneros, mas cujo foco principal sempre foi a publicação de contos. Foram três edições, 20 contistas protestantes de Brasil e Portugal contemplados. Tomamos sobre nós ainda a responsabilidade de editar e divulgar e-books de bons autores na área. Assim surgiram os livros Como Quem Ia Para Longe, do lusitano J. T. Parreira; Contos Reunidos, do pastor Joed Venturini, e mais recentemente Histórias Que Não Se Esquecem, do também pastor Wagner Antonio de Araújo. Literatura de primeira linha, divertida, instrutiva e edificante, graciosamente disponibilizada para o público brasileiro e lusófono. 
Este pequeno balanço é ainda para agradecer a todos os que, de há muito ou pouco tempo, têm acompanhado, interagido e usufruído de nosso humilde trabalho. Recebam nosso muito obrigado. Esperamos poder continuar a servir e publicar sempre boa e edificante literatura. Junte-se a nós e melhor: junte-se ao esforço pelas nossas letras. Divulgue, crie canais, prestigie os autores; adquira livros, compartilhe os e-books nossos e de outros autores. E escreva, acredite em você, busque a excelência. Vamos juntos!

Abaixo, confira e baixe as publicações citadas, no tocante ao gênero conto.

Contos Reunidos - Joed Venturini - Se o escritor colombiano Vargas Vila diz que "um escritor não revela nada em seus livros se não se revela a si mesmo”, é certo que deste mal não padece o médico, pastor, missionário e escritor Joed Venturini: em seus contos, ambientados em três continentes, o autor revela toda a sua mundivivência e dá notícia de sua grande humanidade.
      A força do ótimo narrador em Joed mostra-se no amalgama entre o singular e o prosaico, no uso desassombrado do tom coloquial e na profusão de histórias e estórias bem urdidas, que transitam do mistério ao humor, do drama ao tragicômico, em relatos sempre com base em alguma lição/passagem bíblica. Outra peculiaridade desta seleta é que aqui contos bíblicos (que utilizam personagens bíblicas como protagonistas) somam-se a outros ambientados em Portugal, Brasil e Guiné Bissau, formando um pitoresco passeio pela lusofonia, redigidos por quem a viveu e vive na pele – algo ao alcance de muito poucos autores.
      Assim, este e-book surge com a proposta de reunir numa única plataforma os ótimos contos já publicados pelo autor, que encontravam-se disseminados em seus blogs. Como promotores da boa literatura evangélica e sabedores da carência de bons títulos ficcionais em nossa seara, é com grande prazer que apresentamos este livro aos leitores.
Para baixar o e-book pelo site Google Drive, CLIQUE AQUI.


Como quem ia para longe - Contos - Este Como quem ia para longe é um livro sobre a Bíblia. Ou, fundamentalmente, sobre seus atores. Sob a pena do poeta, aqui as personagens bíblicas saltam para diante do leitor, vívidas – ganham em tessitura, têm como que expandida sua humanidade. A força da descrição faz a elas irmanarmo-nos de imediato. Caminhamos curiosos junto aos três que avançam para Emaús, no conto que dá nome ao livro. Em O poeta do Salmo exilado, onde o autor revisita um tema caro à sua literatura, o Salmo 137, sentamo-nos ao lado do exilado poeta-ancião que cisma, e suas dores, a existencial e a criativa, são nossas dores. Somos ora o irmão do pródigo filho, ora o cego Bartimeu - ou Pedro debatendo-se em suas contradições; revisitamos o angustioso Judas, de quem o autor, como Giovanni Papini em seu clássico Testemunhas da Paixão, decompõe os passos sombrios.
      Ao longo dos dezenove contos que compõem o livro, o dito e o não dito interpenetram-se, como é de praxe na grande literatura. A eficácia da expressão concisa, do hábil buril que extrai o máximo da palavra, e que o poeta alcança em sua produção poética, temos aqui fidedignamente reproduzida em prosa: contos curtos, que sustentam com segurança e maestria a tensão narrativa, envolvendo o leitor em seu jogo de construção/desconstrução das personagens bíblicas.
      Um pequeno volume de formidável literatura, tão superior a muito do que se vê hoje sendo comercializado nas livrarias, e aqui graciosamente ofertado pelo autor, neste e-book gratuito. Livro que já nasce imprescindível, dentro da infelizmente paupérrima seara da ficção evangélica, em seu gênero conto.
Para baixar pelo site Google Drive, CLIQUE AQUI.





Estórias que não se esquecem - Contos - Wagner Antonio de Araújo - A literatura de ficção levada a cabo por cristãos nacionais possui excelentes cultores, mas é pouquíssimo divulgada e conhecida; notadamente, aquela produzida pelos praticantes do relato de concisão e precisão que é o conto. Assim, o surgimento de um livro como este, reunindo grande parte da produção de um autor gabaritado, é motivo de celebração.
A pena do pastor Wagner Antonio de Araújo é abençoada como a botija da viúva: de sua lucidez brotam textos em quantidade e qualidade ímpares para combustível (de almas e lâmpadas) dos leitores que têm a felicidade de travar com eles contato.
Aqui o conto, o relato real, a crônica e o texto devocional entrelaçam-se compondo um estilo rico e característico do autor. Contos com a reverberação do ensino ético, no que ecoam o melhor da contística universal; muitos deles, como referido, deambulando na sutil e criativa fronteira entre conto e crônica. Histórias reais de anos de vivência e pastoreio de diversas igrejas são aqui filtradas e remixadas para gerar uma agradável e pungente literatura.
Desassombradamente asseveramos que o leitor deste volume sairá dele (sempre) maior; maior em entendimento dos processos dos homens e das coisas de Deus. Maior em empatia com seu próximo e comunhão com Aquele de onde todo o bem emana. E isso sem descuidar do entretenimento, causa maior talvez da faina ficcional humana; pois aqueles momentos de relaxamento e alumbramento, advindos do simples prazer da leitura, estão garantidos, do primeiro ao último relato.
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quarta-feira, outubro 16, 2019

Três poemas de Isaac Costa de Souza



Aborto do Aborto

O único aborto permitido
Deveria ser o aborto do aborto

A dor do parto
É menor do que a dor da morte

O parto convida à luz
O aborto conduz às trevas

O parto é uma dádiva divina
O aborto, um castigo demoníaco

O parto traz choro de alegria
O aborto derrama lágrimas de miséria

O parto constrói um doce lar
O aborto cava uma amarga sepultura

O parto é um caminho que leva à casa
O aborto é a trilha que empurra para o féretro

O parto produz comunidade
O aborto confina ao isolamemto

Parto e aborto
Derramam sangue humano em seus atos

Mas o parto é sentença de vida
O aborto é sentença de morte

A palavra de ordem é abortar o aborto
Ele elimina a vida desde os seus primórdios

Navegar é preciso
Viver também é preciso
Pois o aborto é a grande tragédia da curta vida
De um indefeso feto
Que um dia foi desafeto de alguém
Mesmo antes de ter tido a oportunidade
De se defender do erro ou do acerto
Que de fato, sendo feto
Nunca chegou a cometer


Alicerce de Vida

Você pode habilmente enganar-me
Mas não pode tirar-me a verdade
Ela não depende das desinformações
Imputadas por polifonias em meu dia-a-dia

Você pode armar-me ciladas
Mas não pode reter-me em armadilhas
Elas tornam-se frágeis tecidos de seda
Apenas para ornar a minha liberdade

Você pode alienar-me de todas as minhas posses
Mas não pode atirar-me no lixo podre da sociedade
A minha dignidade vem do ser que me criou
E não dos bens que tenho ou não tenho

Você pode destruir os meus argumentos
Mas não pode anular a minha fé
Ela é “certeza de coisas que se esperam
E a convicção de fatos que se não veem”

Você pode executar o meu corpo físico
Mas não pode aniquilar a minha alma
Mesmo o corpo morto ressuscita
Em um viver para sempre na imensidão da eternidade

Você pode ser um rei todo poderoso
Porém jamais será minha majestade
Sou da pasárgada mais sui generis que existe
Onde os súditos são servidos pelo seu supremo líder

Você pode possuir um poder inquestionável
Mas não vai me condenar à servidão voluntária
Embora ainda passível a confinamentos
Sou liberto para servir com prazer a alguém que é eterno


Aliança Correta

Certos tipos de pensamento, com seus tentáculos
Agarram braços, pernas, pescoço
Intestinos, coração e emoção – o corpo todo

Derrubam no chão os mais bravos lutadores
Que, imobilizados, perdem todo e qualquer combate

Os mais fracos desses pensamentos
São mais aguerridos do que o mais forte dos adversários

Têm a potência de um maremoto
Que com imedida brutalidade
Abala todo sangue no interior da malha de veias e artérias

Nessas aguerridas ofensivas
Barricadas, barreiras, trincheiras
Verdadeiras fortalezas são em vão erguidas
Qualquer vitória se inscreve inacessível às indefesas vítimas
A menos que vigorosa aliança seja celebrada
Com um supremo ser sagrado
Onisciente
Onipresente
E onipotente
Cujo monossilábico nome é Deus

Isaac Souza é missionário da Agência Presbiteriana de Missões Transculturais. Formado em Letras e com mestrado em Linguística, Isaac é autor do livro De Todas as Tribos, pela Ultimato, em 1996 (segunda edição: 2003). Organizou ainda, com Ronaldo Lidório, o livro Questão Indígena - Uma Luta Desigual, pela Ultimato, em 2008.

segunda-feira, outubro 07, 2019

Todas minhas fontes estão em ti, Poema de Rosalee Mils Appleby


Todas minhas fontes estão em ti

E pelo Espírito,
       Que o culto deixe de ser uma formalidade exterior e torne-se uma experiência íntima
E pelo Espírito,
       Que o cristianismo deixe de ser dogma e torne-se vida e realidade
E pelo Espírito,
       Que a religião deixe de ser uma tradição do passado e se torne uma prática do presente.
E  pelo Espírito,
       Que Jesus cesse de ser histórico e seja uma presença verdadeira em nosso coração.
E pelo Espírito,
       Que a bíblia deixe de ser uma literatura semanal obrigatória para os crentes e seja um prazer diário.
E pelo Espírito,
       Que a oração, deixe de ser uma humana repetição de palavras e torne-se a voz do Grande Intercessor que intercede com gemidos inexprimíveis.
E pelo Espírito,
       Que a igreja deixe de ser uma reunião social e se transforme em manancial de vida, fonte inesgotável onde as ovelhas  possam ir beber águas limpas e se alimentar de pastagens verdejantes.
E pelo Espírito,
       Que a pregação deixe de ser ética e oratória, tornando-se recado divino e instrumento profético de chamada missionária.
E pelo Espírito,
       Que os crentes queiram ser mais do que simples membros de uma denominação, que eles queiram ser cidadãos do Reino
E pelo Espírito,
       Que o serviço cristão deixe de ser dever obrigatório e se transforme em cooperação voluntária e alegre.
E pelo Espírito,
       Que a vida diária deixe de ser existência monótona e se transforme em uma aventura gloriosa em união com o Segredo deste Universo.
E pelo Espírito,
       Que o nosso andar não seja mais só pelo que vemos, e o nosso desejo só pelo que podemos tocar, mas  que pela fé, possamos andar nos lugares altos,  como que vendo o invisível e almejando o impossível.  
E pelo Espírito,
       Que o fluir do Senhor através de nós seja como foi prometido, com rios de água viva fluindo de nosso interior e não apenas algumas poucas gotas.
E pelo Espírito,
       Que obras iguais e até maiores das  que Jesus fez, sejam também feitas por nossas mãos, diariamente.
E pelo Espírito,
       Que Deus nos mostre  coisas que nenhum olho viu e nos fale coisas que nenhum ouvido ouviu e nos revele coisas que jamais subiram a nenhum coração humano.
E pelo Espírito,
       Que tenhamos comunhão com o Filho de Deus, e nos tornemos participantes de sua natureza divina.
E pelo Espírito,
       Que possamos abandonar toda imitação falsa do amor e começar a amar de verdade, deitando  por terra toda nossa hipocrisia.
E pelo Espírito,
       Que os nossos olhos vejam muito mais do que a letra e os ouvidos ouçam algo mais além do que os ruídos deste mundo caído e que se tornem possíveis as coisas que antes não eram.
E pelo Espírito,
       Que todos os que creem possam ser transformados de glória em glória, na imagem de nosso Salvador, Cristo Jesus,
Nem por força, nem por violência,
       Nem por formalidade, nem por atividade,
             Nem por legalismo, nem por lógica,
                    Nem por eloquência, nem por organização
                           Nem por dogmas, nem por discussão,
MAS,
PELO MEU ESPÍRITO,diz o Senhor dos Exércitos.


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