sábado, dezembro 30, 2006

Artigo sobre e-books, 'Biblioteca Evangélica Virtual', e alguns projetos

Escrevi um artigo onde falo sobre a importância dos e-books e a 'Biblioteca Evangélica Virtual' que paulatinamente está se formando na internet, e também sobre alguns projetos de e-books que tenho em mente, e nos quais VOCÊ, leitor(a), pode ajudar.
Resolvi não publicá-lo diretamente aqui, para não ocupar o espaço da poesia. Caso você queira ler o artigo, clique no link abaixo para baixá-lo.

http://www.4shared.com/file/8104082/7aeede96/Artigo_e-books_biblioteca.html

quinta-feira, dezembro 28, 2006

DOCUMENTO HISTÓRICO

Em 1974, foi publicado, pelos poetas Joanyr de Oliveira e João Tomaz Parreira, o manifesto “Por Uma Nova Poesia Evangélica”. Primeiro na revista ‘A Seara’ (Brasil), e após na revista ‘Novas da Alegria’ (Portugal, onde também assinou o manifesto o poeta Brissos Lino). O feito representou um verdadeiro marco em nossa poesia, numa época em que, se por um lado era fervilhante de experimentalismos e novidades o meio literário secular, onde a palavra vanguarda ainda tinha algum valor significante, era, por outro lado, de uma certa estagnação na poesia dita evangélica, com a maioria dos autores ainda presa às velhas correntes.
Publico abaixo, na íntegra, o texto do Manifesto, ciente de que suas proposições são válidas ainda hoje.


Por uma nova poesia evangélica

CONSIDERANDO que Arte pressupõe criatividade, pesquisa, crítica e auto-crítica, busca permanente de novas formas e fórmulas;
CONSIDERANDO que em Arte ou renovamos ou perecemos no marasmo do lugar-comum, na sensaboria do pasticho, no eco estéril;
CONSIDERANDO que o apego a escolas ou correntes estéticas ultrapassadas vem comprometendo de modo muita vez irremediável o nível da poesia, notadamente a de conteúdo religioso e particularmente a da mensagem evangélica;
CONSIDERANDO que uma linguagem renovada na expressão poética pode manter-nos em perfeita harmonia com idéias, figuras, símbolos, metáforas contidos nos textos bíblicos;
CONSIDERANDO que a pretensa “simplicidade”, defendida e praticada por muitos, é quase sempre um apelo ao fácil descategorizado, ao prosaico, ao comodismo que nada constrói nem coopera no aprimoramento a que todos devemos aspirar;
CONSIDERANDO que o pieguismo (muito próprio da alma latina, aliás), a adesão ao derramado sentimentalismo, não dignificam a Arte, já que reduzem, quando não suprimem, o exercício da serena reflexão;
CONSIDERANDO, por fim, não haver incompatibilidade entre as fontes seculares – enquanto tomadas como subsídios, pontos-de-referência, paralelos – e a religião, sendo válidos todos os dados culturais quando se realiza uma obra de Arte, importando, antes, o tratamento dispensado ao “material”, o “savoir faire” nos rumos da dignificação do não-digno, da desprofanização do profano, dentro do espírito paulino de examinar de tudo, retendo o que é bom;
DECLARAMO-NOS por uma Nova Poesia Evangélica, inconformada e irreconciliável com o decadente e o passadista em matéria de expressão (de linguagem) e de concepção; por uma Nova Poesia Evangélica dirigida no sentido de uma contínua renovação expressional, em que a glorificação a Deus e a aceitação dos valores espirituais (de ênfase bíblica e evangélica) se destaquem, de forma alta e nobre, sem hostilidades passionais ou indeferentismos ante aquilo que se aninhe no interior de cada criatura humana ou que gravite nas periferias do Homem.
Em Fevereiro de 1974
Ass.: Joanyr de Oliveira - Brasil (Brasília, DF)
Ass.: João Tomaz Parreira - Portugal (Aveiro)

domingo, dezembro 24, 2006

Um poema de Samuel Pinheiro

Em comemoração ao Natal, este belíssimo poema do irmão lusitano (da Assembléia de Deus) Samuel Pinheiro.

NASCER 1

(em
BELÉM
-ano primeiro da nossa Esperança-)

MENINO FOSTE
de carne e osso (e não de papelão ou de bolas de sabão
e não apenas de barro
como alguns ainda te querem).
Menino
nasceste para Matar
a Morte do homem-sobrevivente
a Morte aos nossos pés das nossas mãos dos nossos miolos, Estavas cansado de ver homens
a caminharem o caminho largo da Morte
a fabricarem a sua Morte
a pensarem a Morte.

Menino
acordaste para acordar
trazendo a geometria dessas estrelas de sermos novos
que batiam insistentemente à porta das nossas veias.
Quando tudo ao Teu redor
era sono era silêncio era pedra
Tu acordaste.
E os céus e a terra e o mar
bateram as palmas de contentamento.
Nasceste para Matar
acordaste para acordar
e as camas e os berços e as campas
dos negócios mesquinhos da feira da vaidade
não adormeceram nem Mataram
a Tua decisão de acordar os que dormiam resolutamente
embalados pela Morte.
Nasceste para Matar
acordaste para acordar
e eras o arado
que rasgaria o chão da noite
um caminho da Vida-que vale-a-pana-viver.
Menino
entre o Alfa e o Ómega
uma lágrima eras na frente da batalha
contra os monstros da mentira.
Uma lágrima de pé límpida transparente
a quebrar todos os seixos e todas as navalhas arrogantes
do orgulho.
Uma lágrima salgada. Uma lágrima de sol.
Uma lágrima a arder chorada das alturas.
Uma lágrima que beberia do nosso rosto
as nossas lágrimas plenas de sepulcros e grades.
Um sorriso eras sem o bolor que têm as palavras doentes
e os discursos siflíticos dos fariseus
e o olhar cheio de muros dos levitas.
Um sorriso emigrado das planícies macias do vento
que a nossa triste—tristeza
de não sabermos degolar a tristeza-de-tristes-estarmos
iria estrangular impiedosamente.
Foste Tu que vieste dizer-BASTA!
-BASTA
de homens escravos.
-BASTA
de homens secos.
-BASTA
de homens podres por dentro
e manequins
por fora.
Uma ave nascias para abrir as pedras.
Uma ave de puríssimos contornos (a subir)
o espanto dos fantasmas.
Uma ave de espessas madrugadas
de Vida de trabalho de bom combate!
A alegre-alegria que procurávamos!

Menino
eras a pólvora exacta de suor e sangue
contra o arame farpado das nossas antigas fronteiras
das nossas antigas chagas
o antigo abismo entre Deus e os homens
entre os homens e os homens
vinhas sepultar definitivamente.
Sendo ponte
ditando sangue
transitando pela luz
trazendo mão de sal
abrindo o habitáculo de todo o verde
transpondo os engenhos e os púlpitos tuberculosos
da tradição.
Vieste! Viveste! Em Veste de fogo!

Menino
eras um vulcão enorme de justiça e verdade que nascia
mesmo no meio da praça dos homens
investindo arrojadamente
contra os minuetes dos abutres
contra as nossas muralhas de estúpida jactância
e os cemitérios do irracional poder
contra as frias esculturas das falsas religiões
e os calhaus da vingança regados de muitas palavras.
Não te vendeste nunca
ao medo à mentira
ao poder dos frágeis senhor desta terra.
Nunca Te calaste
porque Tu és o grito que ninguém pode abafar.
Os Teus silêncios
eram punhais pelos ouvidos dos juizes vendidos.
Eram fogueiras ardendo nos olhos das discípulos.
As Tuas palavras
eram avalanches de luz pelo peito dos teus amigos.
Os Teus gestos gestos longos profundos
eram sóis que nenhumas nuvens se atreviam a cobrir.

Meninoo Teu combate era beber a nossa sede.
As Tuas lágrimas eram o Suicídio das nossas lágrimas.
Tu
eras o único preço de resgate
da nossa loucura.
Tinhas o coração
da forma de uma cruz!
Tinhas nos lábios
a espada bigúmea de seres a verdade!
Tinhas nas mãos
searas e searas de fogo.

MENINO FOSTE
sem mancha
E
AINDA HOJE NASCES!
E
ainda hoje
as montanhas de medo que temos nas veias
ficam arrepiadas e tremem ante o mar do Teu sangue
quando Tu entras de rompante na nossa vida!
E
ainda hoje
nos visitas na figura de consolo e paz guerreira
de uma pomba!
E
ainda hoje
despedaças as penhas do orgulho!
Agora
QUEM PRECISA NASCER
SOMOS NÓS!
EU.
NÓS.
ÉS MEU CRISTO O NOSSO NATAL
AINDA HOJE!
NASCESTE
PARA NÓS PODERMOS NASCER-DE-NOVO!


www.samuelpinheiro.com

quarta-feira, dezembro 20, 2006

E-book gratuito: Sermões e Devocionais de Charles Spurgeon


Amados amigos, está disponível gratuitamente um excelente e-book reunindo alguns sermões, e dezenas de estudos e devocionais do grande Charles H. Spurgeon, considerado o "príncipe dos pregadores".
Para fazer o download do livro, clique no link abaixo:
http://www.4shared.com/file/7690327/9b12c9bd/Sermes_e_Devocionais_Charles_Spurgeon.html

Para ler muitos outros textos de Spurgeon, e também de outros gigantes da fé como John Bunyan, Richard Baxter, J.C. Ryle, John Owen, John Knox, William Perkins, Arthur Pink, traduzidos para o português, acesse o site:
www.monergismo.com

domingo, dezembro 17, 2006

4 poemas do Pastor Ricardo Gondim

Sopro Divino

Sôpro, sibilar suave,
som sutil e silencioso.
És o Espírito que nos sustêm.
Substituto do Soberano ausente.
Sensível sentinela.
Semelhança do Salvador.



O pão do céu

João 6.53-58.

Tu és o pão que produz paz
Tu és a paz que provém do Pai
Tu és o Pai presente em Espírito
Tu és o Espírito que me preenche

Quero entrar no rio de Deus.
Quero beber da vida do Filho
Quero comer das palavras do Pai
Quero viver a vida do Espírito

Dá-me de ti – através do teu sangue
Dá-me da tua palavra – através do teu corpo
Dá-me de tua vida – através do teu Espírito
Dá-me mais do Senhor – através de Jesus.



Vozes.

“As minhas ovelhas ouvem a minha voz”. – Jesus de Nazaré.

Há muito meus ouvidos se fizeram surdos;
não distingo o imperceptível som de tua voz.
Peço-te que só mais uma vez fales “Efatá”
e se abrirão os meus ouvidos.

Quero ouvir teu chamado
para seguir a imponderável senda dos profetas
que mesmo debaixo de chuva de granizo,
defendem a viúva e o órfão.

Quero saber ouvir tua voz de dentro
das delegacias sujas,
dos manicômios de muros altos
das enfermarias esquecidas.

Quero ouvir teu lamento
sobre as nações
que rejeitam os pacificadores,
que apedrejam os esfomeados de justiça,
que se esquecem de abrigar o estrangeiro.

Quero ouvir teus conselhos
sobre os perigos da riqueza,
sobre os religiosos que guardam a letra
como ortodoxolatria,
sobre a estupidez de ganhar o mundo
e deixar a alma entrevada.

Quero ouvir tuas histórias
sobre aquele homem bondoso
com um desconhecido caído na calçada
sobre aquele Pai que esperava no alpendre
seu filho cansado da orgia,
sobre aquele anfitrião que catou
os menos nobres para seu banquete.

Quero ouvir tua advertência
de que teus filhos não são poupados
das inclemências do mundo,
não desceste para estar conosco numa redoma.

Quero ouvir tua promessa
de que estarás ao nosso lado
em toda circunstância até que tudo termine,
de que enviarás teu Espírito que será
um leal conselheiros na verdade.

Quero ouvir teu sussurro
me confortando de que falta muito pouco
para festejarmos numa grande festa
para dançar e beber vinho de qualidade.

Se tuas ovelhas percebem tua voz,
quero, mais do que tudo,
que fales e responderei:
Teu Servo ouve.

Soli Deo Gloria.



Prece por todas elas.

Senhor,

lembra-te das mães que amamentam suas crianças especiais, elas nos ensinam o amor mais verdadeiro;
lembra-te das mães que esperam, domingo pela madrugada, nas calçadas das penitenciárias, a oportunidade de beijar os filhos encarcerados, elas nos avisam que todo amor faz sofrer;
lembra-te das mães que, sem dormir, aguardam seus filhos chegar, elas demonstram que zelo nasce do querer bem;
lembra-te das mães viúvas, elas se fazem de pais e são elas que tiram da morte seu poder de matar;
lembra-te das mães abandonadas pelos maridos, nelas está o eliminar pelo ódio ou o curar pela doçura;
lembra-te das mães solteiras na hora em que estão parindo, delas jorra o antídoto que enfraquece a culpa;
lembra-te das mães enlouquecidas confinadas em hospícios públicos, nelas a litania do amor dispensa qualquer nexo;
lembra-te das mães que agasalham seus filhos com jornais em calçadas urbanas, nelas o amor se transforma em teimosia;
lembra-te das mães que amamentam em campos de exilados, nelas reside a esperança, a barbárie e a indiferença humanas não conseguem relaxar a força do abraço;
lembra-te das mães que acabaram de enterrar seus filhos, delas se ouve o lamento mais dolorido e com elas ninguém esquece que é pó;
lembra-te de todas, todas as mães e outros órfãos como eu, não se sentirão esquecidos.


Homem de sólida cultura, o pastor Ricardo Gondim é um dos melhores articulistas evangélicos do Brasil. Vale a pena conhecer a obra deste servo de Deus. No site há estudos, artigos, poesias e muitos outros recursos. Vá ao endereço:
www.ricardogondim.com.br

Dois poemas do amigo João Tomaz Parreira

UM SALMO 121

«Elevo os meus olhos para os
montes.
De onde me virá o
socorro?»



Não vou deixar que os montes

me tornem pequeno

para não ver as alturas acima deles


os pássaros pousados

no ar, as estrelas

no meio de um mar obscuro,

o fogo

penetrante do sol


não vou deixar que eles

me ceguem

para não ver o sol


que se abatam sobre mim

como paredes

não deixarei que os montes

resumam os meus olhos

a duas poças da alma.




CHAMO-OS

(Uma conversação sobre Hebreus
11, 4, ss )


Os ombros de Abel, de longe

voltam-se para mim

e um cordeiro emana

como nuvem de lã

E Enoque, que saía do chão, volúvel

transparente

para a alegria celeste

Era Noé no silêncio

da sua janela, no meio de escura água

e olhava para cima, movido

pelas fontes do céu

Abraão, quando chamado

viu ao longe, desafiou os olhos

para a luz suave das estrelas


Em algum sótão do sono

Jacob necessitava de um pouco

de sonho

E pelas pegadas do gado Moisés,

pelo deserto, regressa

até mim.

Chamo-os, enquanto

Raabe do corpo

desenlaça

um fio escarlate.

sexta-feira, dezembro 15, 2006

BIOGRAFIAS DE POETAS

Acesse, através dos links abaixo, as biografias de três de nossos maiores poetas evangélicos, redigidas pelo escritor, poeta e pesquisador Filemon F. Martins (que é um grande colaborador deste blog).

Gióia Júnior - http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.phtml?cod=3575&cat=Ensaios&vinda=S

Mário Barreto França - http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.phtml?cod=3503&cat=Ensaios&vinda=S

Jonathas Braga - www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.phtml?cod=4533&cat=Ensaios&vinda=S

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Palavras que inspiram e consolam (Pegadas na Areia)

Uma noite eu tive um sonho.
Sonhei que estava andando na praia com o Senhor e, através do céu,
passavam-se cenas de minha vida.
Para cada cena que se passava, percebi que eram deixados dois pares
de pegadas na areia; um era meu e o outro, do Senhor.

Quando a última cena de minha vida passou diante de nós, olhei para trás,
para as pegadas na areia, e notei que muitas vezes,
no caminho de minha vida, havia apenas um par de pegadas na areia.

Notei também que isso aconteceu nos momentos mais difíceis e
angustiosos do meu viver. Isso entristeceu-me deveras, e perguntei,
então, ao Senhor: "Senhor, tu me disseste que, uma vez que eu
resolvera te seguir, tu andarias sempre comigo em todo o caminho,
mais notei que, durante as maiores tribulações de meu viver, havia na areia
dos caminhos da vida apenas um par de pegadas. Não compreendo
por que, nas horas em que mais necessitava de ti, tu me deixaste".

O Senhor me respondeu:
"Meu precioso filho. Eu te amo e jamais te deixaria nas horas de tua
prova e de teu sofrimento: Quando viste na areia apenas um par de
pegadas, foi exatamente aí que eu, nos braços, te carreguei".

Nota: Muitos acham que o poema acima, mundialmente conhecido como 'Pegadas Na Areia', é de autoria anônima. Mas ele tem autor reconhecido, ou melhor, autora, a evangélica canadense Margaret Fishback Powers. Conheça um pouco da história dela (e do poema) clicando no link abaixo:
http://www.jesussite.com.br/acervo.asp?Id=1046

domingo, dezembro 10, 2006

3 Poemas do Pr. Airton Evangelista da Costa

A FONTE INESGOTÁVEL

Bela e indomável
Fulgurante e esplendorosa
Como és dadivosa, filha da Natureza!
És diáfana e vaporosa!
Não se fartam meus olhos
De ver tua dança álacre
Donde tiras tanto vigor?
Qual o segredo de tanta energia?
De qualquer ângulo, és bela!
Lindo ver-te cingida pelo arco-íris!
Que envolve teu corpo irrequieto!
Teu vestido longo é presente de Deus
Tua voz, voz de muitas águas
Como anseio subir nos teus braços!
Como desejo beijar tua fronte!
Como desejo adormecer no teu canto!
Mas quem te alimenta dia e noite?

- Não está em mim a minha realeza
- Vem, sobe, vou revelar meu segredo
- Veja! É esse o rio que me alimenta
- Ele me sustenta, me fortalece
- Vem dele a minha formosura
- Ele é a minha Vida

Ó doce cachoeira! Amiga minha!
Como são parecidos nossos caminhos!
Também tenho minha Fonte Inesgotável
Sacio minha sede em águas cristalinas
Rios de água viva fluem de mim...



Minha carne, minha alma

MINHA CARNE DE LAMA, BARRO E CHÃO
CANSADA, PÁLIDA, FÚTIL, VENCIDA
NA BATALHA DURA DO MUNDO CÃO
SEM NO AMOR NUNCA ENCONTRAR GUARIDA

ENFRAQUECIDO SANGUE, NERVOS TENSOS
ABATIDO ESQUELETO TENEBROSO
ARRASTANDO MEU CORAÇÃO, MEUS MEMBROS
AO MEU DERRADEIRO E EXTREMO ESFORÇO

PORÉM, MINH’ALMA, MINHA FORÇA IMENSA
DA CAVERNA DO MEU CORPO SE AGITA
TAL RAIO DE LUZ PERENE, FORTE, INTENSA

A ILUMINAR TRÔPEGOS PASSOS MEUS
A ENCHER DE FELICIDADE A VIDA
A LIGAR MEU CORPO AO SUPREMO DEUS



Vencendo barreiras

O que me enleva é a paisagem que vislumbro. O som vem
apenas do marulhar das ondas que teimosamente se comportam
indecisas : chegam barulhentas e se debruçam sobre a areia,
parecendo que ali farão morada; um segundo depois, retornam
e se desfazem.
A luz vem apenas da lua, uma luz doce e tênue, tênue e divina,
divina e bela. Luz que realça as brancas franjas das ondas faceiras...luz
que se reflete no manso mar, a começar da linha do horizonte longínquo
e escuro. De vez em quando a lua brinca de se esconder
por trás de nuvens solitárias.
Coqueiros, um pouco atrás, agitam suas bandeiras ao sabor de
uma brisa forte e constante.
Ao longe, perdido na escuridão, um farol pisca que pisca, orientando
os navegantes. Sentimos a presença de Deus
em cada centímetro daquele lugar.
Estamos ali sentados na praia contemplando esse pedaço da Natureza.
Somos cinco filhos de Deus. Estamos ali para falar com Deus.
Mas, como sempre acontece, Ele fala conosco.
Os demais irmãos estão acostumados. Estou ali pela primeira vez...e
apaixonado à primeira vista.
Não raro passamos anos e anos - ou até a vida inteira - desejando que algo
assim aconteça, mas somos vencidos pelo desânimo.
Ali estou vencendo uma barreira. Sinto-me um vencedor, apesar de morar
a quinze minutos desse lugar maravilhoso...
Não resisto. Começo a falar com Deus em voz alta. Esforço-me para não chorar.
Mas se as lágrimas não descem, o coração é só pranto. Nada pedi a Deus. Somente
glorifiquei o Seu nome e manifestei meu agradecimento por
tudo, porminha vida, minha salvação, minha família... e pelo esplendor daquela paisagem, reveladora da Sua existência.


Visite o site do Pastor Airton. Lá, além de belas poesias e prosas poéticas, você encontrará dezenas de excelentes estudos bíblicos, textos apologéticos, testemunhos e muito mais. Vale a pena conferir: http://www.palavradaverdade.com/

quarta-feira, dezembro 06, 2006

De autor desconhecido

Jesus, Tu és diferente

Tu ficaste ao lado da mulher adúltera,
quando todos se afastavam dela.
Tu entraste na casa do publicano,
quando todos se revoltavam contra ele.
Tu chamaste as crianças para
junto de Ti,
quando todos queriam mandá-las embora.
Tu perdoaste a Pedro,
quando ele próprio se condenava.
Tu elogiaste a viúva pobre,
quando todos a ignoravam.
Tu resististe ao diabo,
quando todos teriam sucumbido à sua tentação.
Tu prometeste o paraíso ao malfeitor,
quando todos desejavam-lhe o inferno.
Tu chamaste Paulo para Te seguir,
quando todos temiam-no como perseguidor.
Tu fugiste do sucesso,
quando todos queriam fazer-te rei.
Tu amaste os pobres,
quando todos buscavam riquezas.
Tu curaste enfermos,
quando foram abandonados pelos outros.
Tu calaste,
quando todos Te acusavam, batiam em Ti e zombavam
de Ti.
Tu morreste na cruz,
quando todos festejavam a páscoa.
Tu assumiste a culpa,
quando todos lavavam suas
mãos na inocência.
Tu ressuscitaste da morte,
quando todos pensavam que estavas derrotado.
Jesus, eu te agradeço porque Tu és único!
(autor desconhecido)

Extraído do e-book “Conheça @ Jesus: Único, Incomparável, Maravilhoso”, de Robert Lieth, disponível gratuitamente no site do Ministério Chamada da Meia-Noite (www.chamada.com.br).

Eis o link para download direto:
http://www.ajesus.com.br/downloads/aJesus.pdf

Um excelente livro para evangelizar e edificar. Copie e distribua!

terça-feira, dezembro 05, 2006

Alguns poemas de Deusdedit Rocha

SE

Se tudo posso em Quem me fortalece
Se entre nós vive o nosso Redentor
Se poucos somos para a grande messe
Por que deixarmos o primeiro Amor?

Se se comove o Pai com nossa prece
Se o Filho temos como intercessor
Se o Espírito Divino nos aquece
Por que tardar em sermos do Senhor?

Se as pedras clamarão se eu me calar
Se Dele nada vai nos separar
Por que não segui-lo e ser feliz?

Se a volta de Jesus é coisa certa
Se prepare, irmão, vigie e fique alerta
Porque Ele é pai, mas é também juiz.



“Confiteor”

Aqui estou, ó Deus, arrependido
Suplicando perdão humildemente
Das inúmeras faltas que imprudente
Por ser tão fraco, tenho cometido.

Espero que me vejas comovido
Pois bem sabes o que meu “ego” sente
Sei que há tempos atrás já fui mais crente
Mas mesmo assim te faço este pedido.

Tal qual Davi os salmos seus cantando
E ao mesmo tempo o seu pesar chorando
Numa homenagem terna ao seu Senhor,

Também eu te louvando choro e canto
No íntimo do meu ser que está em pranto,
Para dar evasão à minha dor.



A TRINDADE
Lc 3.21,22

E
es-
tando
Ele a o
rar, acon
teceu que o
céu se abriu,
e, descendo so-
bre Ele, em forma
corpórea de pomba o
Divino Espírito Santo
uma voz do alto se ouvi
a: “Tu és o meu filho ama
do, em Ti eu me comprazo.”



Trovas

Sem arma alguma na mão
Josafá e seus cantores
destruiram um batalhão
só co’a força dos louvores
2 Cr 20.21-23

Quem com lágrimas semeia
com júbilo ceifará;
é partícipe da ceia
que o Deus Triúno dará.
Sl 126.5

Indulgências, água benta,
purgatório, limbo, terço...
ai de quem tudo isso inventa
porque vai pagar o preço.
Pv 30.5,6

Aconteça o que aconteça
com a figueira que plantei
mesmo que ela nem floresça
no Senhor me alegrarei.
Hc 3.17,18

O dia da ira está perto
examinai vossas faltas
porque ele vai do deserto
até as torres mais altas
Sf 1.16

A fé encontrou-me, acho,
quando eu mais dizia não
entrou-me de ouvido abaixo
e foi parar no coração.
Rm 10.17

Se queres contar teu tempo
Não contes com o de Deus;
Para Ele qualquer tempo
É tempo dos planos seus.
2 Pe 3.8
Do livro Maria Madalena e outros poemas bíblicos

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Um poema de João Tomaz Parreira

As virgens prudentes

As virgens prudentes não têm olhos
para si
próprias, olham
o firmamento
o brilho das suas lâmpadas
olham o
escuro e o dia
derramados -
o leite da aurora e o rosal do ocaso -
esperam o perfume
que é a suavidade
dos passos do noivo
que já
se aproxima.

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Antologia de Poesia Cristã em Língua Portuguesa




Após dois anos de diligente pesquisa, eis que está pronta e disponível a todos gratuitamente a Antologia de Poesia Cristã em Língua Portuguesa, reunindo poemas de caráter genuinamente cristão de grandes nomes da literatura lusófona, desde Camões até os dias atuais, passando por escritores e poetas como Machado de Assis, Fernando Pessoa, Alexandre Herculano e muitos outros. Poemas de mais de 80 autores, dentre brasileiros, portugueses e africanos. Textos belíssimos, selecionados a partir de uma perspectiva evangélica. Um verdadeiro presente aos leitores, sejam eles cristãos ou não.

Para baixar a Antologia no formato .doc (Word), clique no link abaixo:
http://www.4shared.com/file/6763561/ef5e3510/Antologia_de_Poesia_Crist_em_Portugues.html

Para baixar a Antologia no formato pdf, clique em:
http://www.4shared.com/file/6666818/2d99abb7/Antologia_de_Poesia_Crist_em_Lngua_Portuguesa.html

domingo, novembro 26, 2006

5 poemas de minha autoria

Pois os céus são os céus do Senhor

deito-me do alto da serpente,
como quem tange a cítara do sol
dedilho as sensações
da queda

entôo salmos, em alumbramento
finco minhas mãos
à Mão da Rocha

caio célere olhos destros centrados
nos sinistros e furibundos olhos da sErpeNtE
que os atém ao alto, amaldiçoando
em língua bífida
o milagre que me permite
à morte em seu dorso

d e b a n d a r

olha o céu que a esmigalha por dentro
odiosa desta sutil estranha maravilha
que me faz cair para cima

ao longe vejo O Calcanhar
ainda esmagar-lhe a cabeça,
eu municiado com o sorriso em
lâminas de luzes
que Cristo plantou em meu rosto,

rosa voltaica que a horroriza.




Porta do Peixe

“E, naquele dia, diz o SENHOR, far-se-á ouvir
uma voz de clamor desde a Porta do Peixe,
e um uivo desde a segunda parte, e grande
quebranto desde os outeiros.”
Sofonias 1.10

Nela havia uma inscrição que dizia
“ENTRAI AQUELE QUE PUDER”,
mas foi apagada,
pelo suor e pelo pranto
dos que se lhe aproximavam.

E sobre ela muito depois foi escrito
“ENTRAI AQUELE QUE FOI CONVIDADO”.
E nações de órfãos
ansiaram entrar e morreram,
à porta e à míngua.

Mas então algo
passou por ali, e de alguma forma
lançou sangue sobre o escrito
(um sangue nunca visto,
de inamissível pureza),
e este sangue o apagou.

Agora, e desde aquele dia até hoje,
está escrito, como que em sangue:
“ENTRE TODO AQUELE QUE QUISER.”



Porta do Cavalo

Eu sonhei com uma Porta
por onde, em eu passando,
Ela segurava (em suas malhas de amor)
todos os meus erros, cada
encarniçado pecado.

Eu sonhei uma Porta
- e Ela agora é –
que me cortasse as correntes
à todas as âncoras.



Porta da Fonte

Na porta junto ao poço
há um menino que olha
o fundo seco e clama,
clama ao Deus de seus pais
por água para seu bezerro
e depois para si

Olha em profundo pela porta e prepara um pranto
que
(des)escoará por todas as (t)er(r)as
um sedento menino levita
que herda e antecipa
o alforje, as cicatrizes
e o manto
de todos os poetas

Por estes também veio o REDENTOR
para apregoar que um dia não haverão
mais lágrimas
e nossa pequenina missão, ó poetas,
estará cumprida.


Porta do Vale

Além (na noite) da porta
avançam, em armaduras postos, chacais
a serviço da Grande Babilônia.
Tenho uma flauta e uma espada;
o Senhor manda que eu use a flauta,
me apegue à flauta e apele
à flauta e ao amor contra tudo:
Nossa guerra
não é contra carne ou sangue.

Ouçam, chacais amados,
chacais vós os últimos,
o som de águas vivas.

Um poema de Stela Câmara Dubois

A POESIA DA VOLTA I

Eu vos conclamo, poetas do evangelho!
Tocai vossos clarins, que este orbe velho
Em ruínas se esvai...
A miséria campeia, e toda sorte
De impurezas expõe a terra à morte
Que, num resvalo, cai...

Eu vos conclamo, em nome de Jesus,
Que levanteis mais alto a Sua Luz,
Em prontidão e pressa!
Bateu a meia-noite...e vem chegando,
Com as asas da esperança, além, voando,
O Dia da Promessa.

Eu vos conclamo a ouvirdes essa Voz!
Se não na ouvirmos? Que faremos nós?
“As pedras clamarão!”
- IDE! É a ordem. E vem do Salvador.
A todo custo, pois, e onde for,
Dizei que há salvação.

Eu vos conclamo a serdes consagrados,
Que a inspiração de Deus vos fez ousados
Do seu Livro através.
A enorme luta que a enfrentar tereis,
Já foi triunfada pelo Rei dos reis!
Prostrai-vos a Seus pés.

Cantai das Boas-novas a excelência!
Ocultai-vos em Deus, Pai de clemência,
E combatei o mal.
Jesus virá! A glória e a majestade
Serão vossa coroa, mocidade,
NO DIA UNIVERSAL!

Um poema de José Britto Barros

PRELÚDIO

Memórias...
Será que acaso não cantei-as nunca?
Será que acaso as olvidei, e só?
Pois bem,
Irei fazê-las ressurgir do pó!

Memórias...
Quem deve ser o herói dos versos meus?
Quem decantar eu devo, à viva voz?
São tantos...sim, há nobres e plebeus...

Memórias...de que vulto hei de ocupar-me?
Mulheres há que foram valorosas,
E outras há que foram lindas rosas...

Mas, afinal, que devo eu decantar?
Será um império de infernal poder?
Será um povo, uma nação, um ser?
Qual o tema em que devo me ocupar?

Memórias...sim, já escolhi ao certo!
Não um reino qualquer, de longe ou perto,
Mas um reino que nunca findará!
Ou melhor,
Aquele Rei supremo e poderoso,
O Nazareno terno e generoso,
Cuja influência nunca passará!

Memórias tuas, desde a estrebaria
Até tua volta em fulgurante dia!
Nazareno Jesus, teus feitos digo
Porque o mundo sem ti sofre perigo!

Nazareno Jesus, eu te decanto
Porque do peito meu tiraste o pranto!
Nazareno Jesus, eu te enalteço
Porque da Redenção pagaste o preço!

Nazareno Jesus, oh! eu quisera
Cantar neste poema a primavera
Que a luz do teu amor veio trazer!
Primavera de flores eternais,
Primavera de encantos divinais,
Que findam desta vida o vil sofrer!

Nazareno Jesus, tu és doçura,
Nazareno Jesus, tu és ternura
Para um qualquer que venha a te aceitar!
Tua vida inteira foi um benefício
E mesmo em dores do mortal suplício
Teu perdão nos quiseste oferendar!

Aceita o meu rimar, são teus meus cantos,
Os versos declamados mesmo em prantos
Escritos para ti com devoção,
São vibrações desta alma agradecida,
Por ter em ti a exuberante vida.

sexta-feira, novembro 24, 2006

6 Poemas de Mário Barreto França (1909 - 1983)

Sobre as Ondas

Era noite. O alto mar se enfurecia...
Para o barco veloz que à morte avança,
Não restava uma simples esperança
De incólume rever a luz do dia...

Entre as brumas, porém, da noite fria
Aparece uma sombra, calma e mansa...
Era um fantasma? – Não! – era a bonança
Que em Jesus, como bênção, se anuncia.

Inda hoje o mar do mundo se encapela;
E, no barco da vida, já sem vela,
Não nos resta sequer uma ilusão...

Mas – Senhor! – sobre as ondas revoltadas,
Volta a trazer às almas torturadas
O consolo da tua salvação!




O Paralítico de Bethesda

De manhã quando o sol surgiu atrás de monte,
Beijando o céu azul, matizando o horizonte,
Aquecendo o aconchego esplêndido dos ninhos,
Despertando em canções os ternos passarinhos
E ungindo com o frescor dos lírios orvalhados
O tapete virente e mágico dos prados,
O vulto senhorial do Mestre Nazareno
Ia a Jerusalém, resoluto e sereno,
Ver os tradicionais festejos dos judeus
E, no templo, exaltar a grandeza de Deus.
Mas, levantando o olhar de fulgidas centelhas
O Mestre viu bem perto, à “Porta-das-Ovelhas”
O tanque de Bethesda – o tanque legendário –
Que de muitos curava o trágico fadário
De ser cego, aleijado ou mísero leproso...
Enorme multidão, em silêncio angustioso,
Desejosa, febril e crédula, aguardava
O anjo que por ali, de vez em vez, passava
Para movimentar as águas cristalinas,
As quais tinham, então, emanações divinas,
Que curavam a quem primeiro ali entrasse,
Qualquer que fosse a dor que lhe martirizasse...
Estava lá também um desses infelizes,
Cuja dor deixa n’alma as fundas cicatrizes
Do desespero atroz, dos grandes desenganos
De esperar, sempre em vão, por tanto e tantos anos...
O Mestre, conhecendo a grande persistência
Daquele coração, moveu-se de clemência
E, olhando-o, perguntou: - “Queres tu ficar são?” –
Numa voz que traduz grande desilusão
Respondeu-lhe: - “Senhor, eu não tenho ninguém
Que queira me ajudar ou que me faça o bem
De lançar-me no tanque ao serem agitadas
As águas de Bethesda, as águas abençoadas,
Pois quando eu vou, já desce alguém antes de mim
E retorna curado... e eu continuo assim...
Na esperança de que a cura desta doença
Um dia me trará a eterna recompensa...
Aquela confissão ouvindo-a como prece,
Daquele pecador Jesus se compadece,
Dizendo-lhe: - “Levanta! E toma a tua cama
E anda!... corre!..., proclama a tua fé!... – proclama
Ao povo de Judá que Deus ouviu teu grito,
E consolou enfim teu coração aflito!
E ele vai na explosão de uma alegria santa:
Sendo feliz, sorri e, estando salvo, canta;
Deixando extravasar a gratidão profunda
Que todo o coração, toda a sua alma inunda...
Porém se alguém lhe indaga, em natural anseio:
- “Quem foi que te curou? De qual lugar te veio
o dom que te livrou daquela enfermidade?
E quem te dispensou tão grande caridade?”
Ele apenas responde: - “Eu só sei que estou são,
Que sinto a alma remida e alegre o coração,
Pois Aquele a quem devo a salvação e a paz
Somente me ordenou que não pecasse mais!...”




Louvai ao Senhor
(Salmo 150)


Louvai a Deus no eterno santuário!
Louvai-O no esplendor do Seu poder!
Louvai o Seu amor extraordinário,
na excelência do dom de oferecer.

Louvai-O com saltério e harpa, hinário
para o culto ideal da cada ser;
louvai-O com adufe, flauta e o vário
sistema de tocar pra agradecer.

Ó, louvai-O com símbalos sonoros,
com instrumentos de sopro, corda e em coros,
ao órgão altissonante e com tambor.

Tudo quanto tem fôlego erga hinos;
e o que tem voz, em cânticos divinos,
exalte e louve o nome do Senhor!




É sempre justo o que Deus faz

Ao ler as Sagradas Escrituras
de Deus, de Suas crenças puras,
sinto que algo de bom nos satisfaz,
porquanto tudo o que é celeste
de uma beleza sã se veste:
- É sempre justo o que Deus faz.

Nos meus instantes de tristeza,
quando minha alma à dor é presa,
suplico aos céus paciência e paz,
eu sinto então que o Pai me escuta
e dá-me alívio nessa luta:
- É sempre justo o que Deus faz.

Quando o desânimo me alcança,
arrebatando-me a esperança
e me obrigando a olhar atrás,
eu clamo aos céus, de porta aberta
que do fracasso me liberta:
- É sempre justo o que Deus faz.

Quando parece que a derrota
meu ser em crise logo nota
e ao meu redor nada me apraz,
eu ouço logo nesse instante
a voz do céu dizer-me: - Avante!
Que é sempre justo o que Deus faz.

Quando o pecado atroz insiste
que eu faça o mal, o mal conquiste,
ao Pai Celeste eu clamo mais
e Ele me dá novo incentivo
em cujo bem desperto e vivo:
- É sempre justo o que Deus faz.

Se tu estás enfraquecido
porquanto aos erros dás ouvido
e às faltas vis, ouvido dás,
apela ao Pai com fé e zelo
que Ele ouvirá o teu apelo:
- É sempre justo o que Deus faz.




Boa Noite

Foi numa noite triste - uma noite chuvosa -
Que a notícia chegou, soturna e dolorosa,
À casa do Pastor:
- "No centro da cidade,
Houve um grande desastre: uma fatalidade!
Um ônibus checou-se a um bonde e desse choque
Saiu muito ferido o Reverendo Roque...
E de lá do hospital lhes mandava um apelo:
Para irem visitá-lo, irem depressa vê-lo,
Pois talvez não tornasse a ver a luz do dia...
" Que notícia infeliz! Que noite amarga e fria!...
Quatro filhos e a esposa ergueram-se da mesa,
Movidos pela dor da trágica surpresa,
E saíram correndo em busca do hospital.
Entraram no seu quarto; o pastor fez sinal
Para chegarem perto; e a cada qual falava
Com o terno olhar de quem a todos venerava.
Dirigiu-se primeiro à esposa muito querida:
- "Companheira fiel de toda minha vida,
Juntos temos andado e pela mesma causa
Trabalhamos com fé, sem um dia de pausa...
Hoje, como no dia em que te desposei,
És a mesma mulher e amiga a quem amei
E amo com o mesmo ardor dos meus vinte e dois anos,
Como haverei de amar nos celestes arcanos...
Boa noite, esposa amada! Outra vez nos veremos
Quando juntos, no céu, ao Senhor louvaremos."
- "E a ti, Maria, que és minha primeira filha
E foste o meu prazer, seguindo a mesma trilha,
Boa noite, filha! Agora em paz com Cristo vai;
E não te esqueças mais do meu amor de pai!"...
- Boa noite, meu Guilherme! Ó filho dedicado,
Tua vida de fé em nosso lar sagrado
Foi o mais belo exemplo, a melhor recompensa
Que Deus me concedeu à luz de minha crença;
Continua a crescer nas virtudes cristãs
E sê o protetor de tua mãe e irmãs!"
- "Célia, filha extremosa e cândida, boa noite!
Foste uma luz na treva, um bálsamo no açoite
Da ingratidão do mundo... Ah! me recordo agora
Daquele instante bom, daquela ótima hora
Em que rendeste a Deus tua alma arrependida,
Deixando-a ao Seu dispor pelo resto da vida...
Mais uma vez: boa noite, ó filha dedicada!
Que o Senhor te conserve em sua obra sagrada!"
... Carlos - terceiro filho - olhou o pai, sentido,
Porquanto à irmã mais moça o havia preferido...
E o motivo lhe vinha inexoravelmente
Ao triste coração, à alma convalescente:
Fora, há tempo passado, um bom servo da Seara
E ao lado de seu pai ativo trabalhara...
Mas, companheiros maus e a péssima influência
De colegas sem brio, arparam-lhe a consciência,
Fazendo-o recuar, a batalha do amor
E apostatar da fé em Deus, nosso Senhor.
Chegou mais perto e ouviu o pai, triste, dizer:
- "Adeus, Carlos! Adeus! Fugiste ao teu dever!...
Eu quisera poder falar-te as mesmas cousas
Que disse à tua mãe e irmãos... Porém, nem ousas
Encarar-me... Esquecestes os bons conselhos meus...
Porém eu te amo ainda!.. Adeus, Carlos! Adeus!"
... Carlos, caindo aos pés do leitos, soluçando,
Perguntou: - "Pai, por que aos outros, osculando,
Você disse: 'Boa noite'! e a mim só disse: 'Adeus'?
- "É que aos outros, meu filho, espero-os lá nos céus,
Para entoarmos a Deus, por nossa salvação,
O cântico eternal da nossa gratidão!"
- "Meu pai! (Carlos confessa em lágrimas de joelhos)
Eu prometo a Jesus seguir os seus conselhos!
Eu já me arrependi! Eu lhe falo a verdade!
Vou dedicar a Deus a minha mocidade,
Servi-lO para sempre!..."
- "Assim sendo, meu filho,
Posso agora dizer, sem nenhum empecilho:
- "Boa noite, filho meu!"...E, tendo dito isto,
Suavemente expirou... e descansou em Cristo.
Ó tu que andas gastando a tua mocidade
Nas orgias do mundo ou na incredulidade;
Tu que buscas na Ciência ou na Filosofia
Explicação para alma ou pra matéria fria;
Tu que não crês em Deus ou na vida futura;
Tu que vives sofrendo ao peso da amargura;
Ou tu que já seguiste o caminho da cruz
E hoje negas, sem fé, o nome de Jesus;
Pára! Volta! Que a morte horrenda e traiçoeira
Pode cortar-te ao meio a alígera carreira
Para o desconhecido!... Então, o Eterno Deus
Apenas te dirá: - "Ó filho ingrato, adeus!"
Porém se, arrependido e em lágrimas, voltares
Ao aprisco de Deus, ao regaço dos lares,
Ele então te dirá, cheio de paz e amor:
- "Boa noite! Entra, afinal, no gozo do Senhor!"




Invocação

Meu Jesus, Te invoco
para o meu louvor,
dá para minha alma
Tua paz, Senhor!

Teu convívio santo
faz-me tanto bem;
sê meu guia ó Mestre
neste mundo e além!...

Nada tenho puro
no meu coração;
eu só posso dar-Te
minha gratidão.

De que serve a vida
na afeição do lar
se não vives nele
pra se crer e amar.

Põe nos meus anseios
a visão da cruz,
para que eu Te possa
bem servir, Jesus!

Meu consolo eu acho
no Calvário atroz;
e no meu silêncio
eu Te escuto a voz.

Pela Tua causa
neste mundo ruim
possa eu dar-Te, ó Cristo,
o melhor de mim.

Que eu deseje sempre
nos caminhos meus:
- Paz na terra aos homens
- Honra e glória a Deus!

quarta-feira, novembro 22, 2006

Um poema do português Brissos Lino

IGREJA VIVA COM UM REPARO

1
suponho em Ti
corpo ataviado
essa renúncia absoluta
perfeita

a espera paciente do Amado

2
desvendo assim
a palavra Amor
que Te enforma as mãos
que Te aviva a boca
que Te anima os pés
castigados da jornada

e por ela
o espanto da Tua imagem
fustiga o mundo

e a janela

3
estes adornos bastantes

este rosto altissonante
que conhece toda a Terra

este arado declarado
rasgando a palmos o chão
de Oriente a Ocidente

este viver o presente
a cavalgar o passado
com a alma, com os braços
e a fé
amealhando o porvir

4
Importa uma luz acesa na noite
despida e alta

e azeite que baste

5
noiva milenar
noiva boreal
guardando nas malas
um enxoval de manhãs

tricotando a custo
o prestígio do céu

6
quem procura confundir
os claros limites da formosa silhueta
com a penumbra do entardecer?

7
casca de noz navegante
mastro feito de fé e beleza
velas brancas
de esperança remendadas

a alegria é uma mesa
arredondada
onde se come o pão da incerteza

no limiar cinzento das águas
neste anseio p’las nuvens
o mar corrupto e revolto
o mar adulto blasfema
oceano de medos e solidão
em que um barquinho dormita
à sombra de Deus

8
a alegria é uma cama
onde se acolhem os sonhos mais maduros

9
e contudo saltas os muros
para ir ver o pôr-do-sol

10
contra Ti apenas
um reparo do Senhor

-oh Éfeso
eleita e amada
que fizeste Tu do primeiro amor?

Brissos Lino (1954 - ) in Antologia da Nova Poesia Evangélica

quarta-feira, novembro 15, 2006

Um artigo de Filemon F. Martins

Poetas Evangélicos - INFLUÊNCIA POSITIVA

Filemon F. Martins

Nascido em Ipupiara, interior da Bahia, filho de pais Batistas, não seria necessário afirmar que recebi forte influência evangélica que norteia a minha vida até hoje e o meu modesto trabalho. Escritores e poetas do EVANGELISMO NACIONAL, especialmente de poetas que tinham e têm suas poesias declamadas todos os domingos nas inúmeras Igrejas Evangélicas do País.
Contudo, devo reconhecer que a primeira grande influência veio de meu pai, ADÃO FRANCISCO MARTINS, que, embora vivendo no interior da Bahia, sem quaisquer recursos, era autodidata, tornando-se excelente pregador evangélico, escrevendo sermões, discursos políticos e redigindo documentos em sua velha máquina de escrever. Mário Ribeiro Martins, em seu livro CORONELISMO NO ANTIGO FUNDÃO DE BROTAS informa que “Adão Francisco Martins foi nomeado Prefeito de Brotas de Macaúbas, em 1946, pelo Interventor Federal na Bahia (1946 – 1947), General Cândido Caldas e permaneceu no cargo de Prefeito, até abril de 1947.” Era assinante de revistas da época, como, por exemplo, a revista “O CRUZEIRO”, que ele colecionou por muitos anos. Comprou, colecionou e leu obras famosas, entre outras, “A HISTÓRIA UNIVERSAL” de César Cantu, com 32 volumes.
Mais tarde grandes nomes da literatura evangélica viriam influenciar meu trabalho, entre os quais, MÁRIO BARRETO FRANÇA, do Recife, autor de dezenas de livros, como: “SOB OS CÉUS DA PALESTINA”, “COMO AS ONDAS DO MAR”, “RIOS NO ERMO”, “VEJO A GLÓRIA DE DEUS”, “PRIMÍCIAS DA MINHA SEARA”, etc. Outro gênio da poesia evangélica foi GIÓIA JÚNIOR, de Campinas – SP, político e poeta, autor de “CANTO MAIOR”, “CÂNTICO NOVO”, “BEM-ME-QUER”, “ESTÁTUAS DE SAL”, “APARECEM AS FLORES NA TERRA”, com sua poesia social e humana.
Formando a tríade de poetas evangélicos, vem JÔNATAS BRAGA, de Sucupira, no Recife. O ilustre poeta pernambucano é autor de “O MILAGRE DO AMOR”, “O CÂNTARO JUNTO À FONTE”, “O SUAVE CONVITE”, etc. Além destes, cite-se também CARLOS RIBEIRO ROCHA, da Bahia, com sua poesia simples, mas profunda, autor de “SERTÃO FLORIDO”, “PINGOS DE MIM”, “RASTROS DE UMA VIDA”, “MEDITAÇÕES, LIÇÕES”, “PORTA ABERTA”, etc.
Outros nomes merecem citação, como JOANYR FERREIRA DE OLIVEIRA, mineiro, autor de “ANTOLOGIA DA NOVA POESIA EVANGÉLICA”, “CANTARES”, entre outros. EUDALDO SILVA LIMA, baiano, de Mundo Novo, Presbiteriano, autor de “CANTIGAS DE FIM DE SAFRA”, “ROMEIROS DO MEU CAMINHO”, “ESCRAVOS DA SERRA”, etc. As professoras MYRTES MATHIAS, autora de “ENCONTRO MARCADO”, “O PRESENTE PARA O MENINO”; STELA CÂMARA DUBOIS, autora e tradutora de vários livros, com o seu excelente “RAMALHETE DE MIRRA”; JOSÉ BRITTO BARROS, autor de “CRIANÇADA, VAMOS RECITAR” e o seu imortal livro “MEMÓRIAS DO NAZARENO”, etc.
Como se vê, a lista de poetas evangélicos é extensa e a influência exercida sobre o meu trabalho não há como negar. Estes são apenas alguns que estiveram mais próximos, mas existem outros não mencionados aqui. Aliás, os evangélicos têm contribuído de forma exemplar para o desenvolvimento da sociedade brasileira, com trabalhos importantes, tanto na educação, saúde, política e literatura, seja através de médicos, hospitais, educadores, jornalistas, professores, escritores, poetas, cientistas, pensadores, colégios e faculdades. Essa influência não pode ser negada e tão pouco esquecida.

filemonmartins@bol.com.br filemon.martins@uol.com.br www.usinadeletras.com.br

3 Poemas do português Samuel Pinheiro

Até quando
as mãos terão o sabor das urzes
e os pés
desconhecerão
o Caminho
que passo a passo
se descobre
e nos renova
Até quando
as mãos se trancarão
e os lábios
não terão mais do que palavras
Até quando
a carne se alimentará de couraças
e os dedos serão espinhos
nas esquinas das ruas
e nas costas dos vizinhos
Até quando
os braços amarão o abismo
e o sangue se colará
ao chão
Até quando
se rejeitará
a Pomba ancorada
acima da tempestade






não se arrependem
não se arrependerão
os que investem as suas mãos
na Luz






as mãos não são mudas
(quem não sabe?)
quando penteiam as tranças da Esperança

algumas estão mirradas
é certo

não têm movimento
são de granito
de silêncio e gelo

outras são armas enferrujadas
de há tanto tempo não serem utilizadas
é verdade

não têm azeite
são peças de museu
penduradas na noite do peito
são adornos
de trazer na lapela do casaco

precisamos reencontrar
as mãos
as mãos
reencontradas na Luz

precisamos de frutos

precisamos ser frutos

precisamos dar fruto

com frutos se protesta

ser cristão é isto

ser cristão
não é pendurar o sangue ou as mãos
no bengaleiro da igreja

terça-feira, novembro 14, 2006

4 Poemas de Myrtes Matias

Levantai os olhos... e vede o campo

Lá fora, além das paredes que te cercam
e protegem, longe do calor que te aquece
o corpo e o coração,está a grande vinha do Senhor;
crianças que perderam os pais,
mil mulheres que vendem o corpo,
milhões de jovens que procuram uma razão de ser;
povo, que é teu povo, caminhando
irremediavelmente para o abismo...
Pára. Olha. Pensa. E ouve teu desafio
na própria voz do Mestre:
“Levantai os olhos e vede...
Vai hoje trabalhar na vinha...”
Ainda é tempo de obedecer,
alcançar a vinha aqui, ali, além;
sustentando aqueles que vão,
onde estiver um deles pregando a salvação,
tu estarás, também.



Caminhos de Deus

“Somos caminhos que Deus usa.”

Senhor, do alto sei que vês melhor,
quanto mais se sobe, maior a visão;
Teus olhos abrangem a eternidade:
contemplam o sol em sua imensidade,
vêem o verme a se arrastar no chão.

Para que então ficar gritando ao mundo:
olha o que tenho, o que sei, que sou?
Se lá do alto vês o mundo todo,
Tu sabes, Senhor, onde eu estou.

Tu sabes por que vim ao mundo,
tens uma missão pra mim.
Nada mais falta que submissão,
dizer – Ordena. Abrir o coração.
Ouvir a ordem e obedecer assim:

Sem importar a obra que a mim couber,
ou o lugar em que meu campo esteja.
Pode ser obscura minha atuação,
o que me importa é Tua aprovação,
ser tudo aquilo que queres que eu seja.

Talvez não tenha a sorte das estrelas
que belas cintilam, dando inspiração.
Talvez meu campo seja o mais mesquinho;
que me importa, se me tornar caminho
por onde passe a Tua compaixão?

Foram caminhos os servos do passado,
através de História um traço de luz:
Abraão, Moisés, José, Rute, Davi,
Jonas, Ester foram no tempo aqui
apenas caminhos em direção da cruz.

Os que vieram depois também são caminhos
por onde a graça de Jesus passou
em busca do oprimido e do aflito,
caminhos que se fundem no infinito
no Único Caminho que um dia me salvou.

Agora, Senhor, a minha prece:
eu quero a graça de participar,
se não posso ser um caminho brilhante,
faze-me atalho na serra distante
mas onde o mundo veja Teu amor passar.

Usa-me, Senhor, durante todo o tempo,
para que no dia em que voltar ao céu,
possa dizer-Te, com um sorriso doce:
- Nada fiz, nada ajuntei, eu nada trouxe,
na terra fui apenas um caminho Teu.



Adoração

Voltar no tempo e no espaço,
viver na Galiléia,
rever, cena por cena, a vida de um Deus.

Acompanhar a estrela
para presenciar o estranho Milagre
de Deus aprisionando Sua onipotência
num corpo de Criança.

Acompanhar este “Senhor de quanto existe”
fugindo para a terra da servidão.

Vê-lO, bem mais tarde,
levantar do vício e do crime
o publicano e a meretriz.

Ouvir a voz suave:
“Vinde e aprendei de Mim,
que sou manso e humilde...”
Manso e humilde...
Tão humilde que se ajoelha no Getsêmane
para chorar a degradação da própria imagem.
Tão manso que caminha para o Gólgota,
sob a cruz, sem uma queixa.

Emudecer de espanto ao ver este Deus-sem-lugar
ser suspenso entre o céu e a terra,
que não teve um berço para nascer,
“uma pedra para reclinar a cabeça”,
maldito sobre uma cruz.

Ouvir este Deus,
coberto de dor e vergonha,
prometer o paraíso e oferecer perdão.
Perdão...

Seu evangelho, Seu ensino,
Sua última palavra
até que o “Tudo está consumado”
alcançasse o céu
e as trevas cobrissem a terra.

Caminhar até o sepulcro
e encontrá-lo vazio.
Deixar Jerusalém e subir ao monte
para ver abrirem-se os céus e
cair de joelhos.
Porque todos os joelhos se curvam,
todos os lábios se calam,
para ouvir em prece:
“Este JESUS há de voltar um dia...”



Há um Deus em Tua Vida

Quando te vejo tão acomodado ao mundo
que te cerca,
como a água tomando a forma do vaso
que a contém,
eu me lembro de um Rei coroado de espinhos,
arrastando uma cruz pelos caminhos,
pelas ruas de Jerusalém.

Quando te vejo tão preocupado com rótulos
e comodidades,
tão desejoso de aparecer,
eu me lembro de um jovem-Deus perdido no deserto,
onde só feras e anjos O podiam ver.

Um jovem-Deus que te entregou um dia
o privilégio da Grande Comissão,
o Qual negas com tua covardia,
sucumbindo a promessas
que te falam à carne e ao coração.

Quando te vejo tão ocupado em construir
celeiros,
ajuntando fortunas que o ladrão pode roubar,
eu me lembro de um Deus caído sob tuas culpas
sem o conforto de uma pedra para repousar.

Quando te vejo conivente com aquilo
que Ele aborrece,
ao ponto de ocultar a Herança que Ele te legou,
pergunto: Seria falsa a promessa que fizeste
ou o amor que tu Lhe tinhas era pouco
e se acabou?

Onde está teu grito de protesto,
que já não escuto?
Tua atitude de inconformação?
Será que te esqueceste do santo compromisso
ou te parece pouco o privilégio da tua missão?

Por que tremes diante do mundo,
temendo por valores que só servem aqui?
Será que Cristo te escolheu em vão
ou será que já não existe um Deus
dentro de ti?

Tu estás no mundo, mas não és do mundo.
Não escolheste – foste escolhido.
Por que te encolhes ao ponto
de seres grande pelo padrão dos homens,
comprometendo tua autoridade
de condenar um mundo corrompido?

Foste escolhido para uma missão tão grande
que nem a anjos foi dada a executar:
não te assustem ameaças,
não te seduzam promessas,
numa obra eterna, é melhor morrer do que negar.

Lembra-te que há um Deus em tua vida
que os teus atos devem glorificar

quinta-feira, novembro 09, 2006

5 Poemas de Gióia Júnior (1931 1996)

Não negues nunca o pão

Não negues nunca o pão ao que te bate à porta,
nem o trates jamais de maneira violenta.
Amar é o sumo bem e, se o pão alimenta,
o gesto vivifica e a palavra conforta.

Vê no desconhecido a velha folha morta
que, às tontas, voluteia agarrada à tormenta;
ama-o como a ti mesmo. O amor constrói, sustenta,
encoraja, encaminha, ensina, instrui e exorta.

Não o faças, porém, visando recompensa:
o interesse amesquinha e desvirtua a crença.
Ama pelo prazer que o próprio amor produz.

Ao que te pede o pão não o negues jamais,
nem queiras ver, depois, teu nome nos jornais;
faze-o, com humildade, em nome de Jesus!



Nada era dEle
Inspirado em Stanley Jones

Disse um poeta um dia,
fazendo referência ao Mestre amado:
"O berço que Ele usou na estrebaria,
por acaso era dEle?

- Era emprestado!

E o manso jumentinho,
em que, em Jerusalém, chegou montado
e palmas recebeu pelo caminho,
por acaso era dEle?

- Era emprestado!

E o pão - o suave pão
que foi por seu amor multiplicado,
alimentando toda a multidão -,
por acaso era dEle?

- Era emprestado!

E os peixes que comeu junto ao lago
e ficou alimentado,
esse prato era seu?

- Era emprestado!

E o famoso barquinho?
aquele barco em ficou sentado,
mostrando à multidão qual o caminho,
por acaso era dEle?

- Era emprestado!

E o quarto em que ceou
ao lado dos discípulos, ao lado
de Judas, que o traiu, de Pedro, que o negou,
por acaso era dEle?

- Era emprestado!

E o berço tumular,
que, depois do Calvário, foi usado
e de onde havia de ressuscitar,
o túmulo era dEle?

- Era emprestado!

Enfim, NADA era dEle!
Mas a coroa que ele usou na cruz
e a cruz que carregou e onde morreu,
essas eram, de fato, de Jesus!"

Isso disse um poeta, certo dia,
numa hora de busca da verdade;
mas não aceito essa filosofia
que contraria a própria realidade...
O berço, o jumentinho e o suave pão,
os peixes, o barquinho, o quarto e a sepultura,
eram dEle a partir da criação,
"Ele os criou" - assim diz a Escritura...

Mas a cruz que Ele usou
- a rude cruz, a cruz negra e mesquinha
onde meus crimes todos expiou,
essa não era Sua,
ESSA CRUZ ERA MINHA!



A mulher adúltera

Manhã, clara manhã de sol rompendo as brumas,
como um barco vermelho a singrar entre espumas...
Campo de Luta. O sol é um gladiador selvagem
e tinge com seu sangue a sombra da paisagem...

...Jesus, depois de orar a noite inteira, envolto
em manto singelo, o cabelo revolto,
a barba em desalinho, as sandálias manchadas
pelo vermelho pó das longas caminhadas,
ensinava no templo apresentando ao povo
a larga nitidez de um horizonte novo...
A estrada do porvir, imensa, inatingida,
a nova Canaã, a Terra Prometida,
que Moisés procurou no meio do deserto,
parecia tão longe e estava ali tão perto!
Ele era a porta aberta, o ensinamento, o exemplo...
Nisto um bando sinistro avança pelo Templo,
escribas, fariseus, num cínico mister:
- Prendamos a Jesus, matemos a mulher! ...

Em meio ao burburinho uma jovem bonita,
pálida, maltratada, atirada e maldita
pela lei de Moisés, esperava a sentença,
"o prêmio do pecado", a negra recompensa
de um ilícito amor. Envergonhada e muda,
aguardava o suplício, a pedra pontiaguda
que em seu corpo moreno, em ferida medonha
selaria a desgraça, o martírio, a vergonha...
Depois, a treva imensa e um corpo ensangüentado
expostos para exemplo: "o prêmio do pecado".
Fora presa em seu leito imundo e deletério
no instante em que a paixão se fizera adultério.

No intenso vozerio, uma voz se levanta:
- Jesus de Nazaré, que dizes desta santa?!
Merece a maldição que nossa lei ensina,
ou merece o perdão que é da tua doutrina?...

Jesus indiferente, alheio à multidão,
abaixa-se a escrever com o dedo no chão.
Depois, ergue-se altivo, os olhos vivos, a alma
profundamente clara, imensamente calma,
e destrói a pergunta em um único brado:
- Lance a primeira pedra o que não tem pecado!
Abaixa-se de novo o Pai dos Evangelhos
e o povo se dispersa, a partir dos mais velhos.
Só Jesus e a mulher. O perdão e o pecado,
a negra escuridão e o dia iluminado...
A humilde pecadora aguarda comovida
o fim que lhe daria o que lhe dera a vida...
- Ninguém te condenou? - pergunta o Nazareno.
- Ninguém, Senhor, ninguém.
- Pois nem eu te condeno.

E, erguendo meigamente os olhos paternais,
falou: - Podes partir. Mulher, não peques mais!!!



Meditação no templo

Eu sei que estás aqui e as Tuas mãos me outorgam
a procurada paz e a desejada calma
- escuto a Tua voz nos acordes do órgão
que nutre a minha vida e alimenta minh'alma.

Estás aqui bem perto, em tudo o que se faz
sincera e humildemente em nome de Jesus.
Para o mundo em conflito és a hora de paz
e para a vida escura - és o raio de luz!

Eu sei que estás aqui e Tuas mãos espantam
a solidão, a angústia, a inquietação e a dor,
Tu estás entre nós nos hinos que se cantam,
no silêncio da igreja e na voz do pastor.

Estás aqui pertinho e as Tuas mãos outorgam
a bênção eficaz que paira sobre nós
- e nos hinos do coro e nas notas do órgão
Tu nos fazes ouvir a Tua excelsa voz!



ORAÇÃO PARA QUE EU SEJA UM BOM SAMARITANO

... A nossa vida é um caminhar também
do pó primeiro ao derradeiro pó...
Partimos de qualquer Jerusalém
Para alcançar alguma Jericó.

Vamos assim despreocupados, sem
Pensar... e vemos, atirado e só,
Um pobre peregrino, sobre quem
Socos e pontapés deram sem dó...

Seja eu que caminhe de alma aflita
E veja o réu da fúria do chicote
Para que num esforço sobre-humano,

Mate a minha tendência de Levita,
Dobre o meu coração de sacerdote,
E surja como um Bom Samaritano!

Para nunca esquecer - Salmo 126

Salmo 126

1 QUANDO o SENHOR trouxe do cativeiro os que voltaram a Sião, estávamos como os que sonham.
2 Então a nossa boca se encheu de riso e a nossa língua de cântico; então se dizia entre os gentios: Grandes coisas fez o SENHOR a estes.
3 Grandes coisas fez o SENHOR por nós, pelas quais estamos alegres.
4 Traze-nos outra vez, ó SENHOR, do cativeiro, como as correntes das águas no sul.
5 Os que semeiam em lágrimas segarão com alegria.
6 Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos.
ACF

A Urgência de Missões - Agências Missionárias

A obra mais importante da Igreja é Missões. Alguém já disse que a igreja que não é evangelística, brevemente deixará de ser evangélica. Irmão, informe-se, interceda em oração, ajude com recursos, fale sobre a urgência obra missionária entre teus irmãos. Abaixo alguns sites de agências missionárias idôneas, que desenvolvem projetos de grande relevância, com ênfase na famosa janela 10/40, onde é mínima ou nenhuma a presença do Evangelho. Visite:

Missão Horizonteswww.mhorizontes.org.br
Missão Antioquiawww.missaoantioquia.org.br
Missão Portas Abertaswww.portasabertas.org.br
P. M. Internacionalwww.pminternacional.org.br
Fazedores de Tendaswww.fazedoresdetendas.org.br
Missão Alemwww.missaoalem.org.br
Missão A Voz dos Mártireswww.vozmartir.org
ACMI www.acmi.org.br

3 Poemas de Rosa Jurandir Braz

Sarça Ardente

“Em Jesus Cristo, temos ousadia e acessocom confiança pela nossa fé nele.” Efésios 3.12

Tira as alparcas dos pés
quando entrares na Presença.
Os calçados aqui aceitos
são os do Evangelho da Paz
somente.

Descalça também as luvas
na tua chegada, sempre.
As mãos que aqui levantes
sejam mãos bem consagradas,
mãos santas.

Extirpa os olhos, se maus,
quando vieres, Hoje.
Os olhos admissíveis
são os do corpo luminoso,
os puros.

Pede a brasa para os lábios
quando ao sopé deste Monte.
A boca que aqui se expresse
será a realmente brunida
com o Fogo.

Desata o teu coração
quando no Santo dos Santos.
A alma que aqui se atreva
Será tão-só, a abluída
com o Sangue!




Redenção

É a luz descendo,
Deslizando suave,
Pousando num ventre,
Aninhando-se doce.

É a luz em dois olhos
Límpidos e mansos
A clarear a Noite,
Sono de milênios.

É a luz sobre as águas,
Ouro sobre azul,
Sinfonia dos Passos,
Deslumbrando os homens.

É a luz se esvaindo.
Um caudal de dores
Abalando o Cosmo
Embebendo o mundo.

É a luz incidindo
Coração da rocha,
Confrangendo-se ao toque
Transmudando-se líquido.

É a luz retomando
Sua antiga glória,
E levando à Essência
Uma prova: as feridas...




Noite Sublime, Noite de Mistérios

“...Vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou
seu filho, nascido de mulher...”
Gálatas 4.4

Engalanam-se os anjos e descem
buquê de flores celestes,
formando no ar uma coroa de luz;
vêm rivalizar com os astros
fulgor e magnificência
que horizontais
e verticais
no céu descrevem uma cruz.

Depois, dão-se as mãos:
um anjo, uma estrela,
aos milhares de mil
e cantam em responso
a antiga ciranda
doce alegria infantil
que Deus ensinou a Jó.

Então, passam às profecias
as do profeta Isaías
que só as ovelhas ouvem:
“ ...um menino nos nasceu,
um Filho se nos deu... ”

Na amplidão da campina
que o céu inunda de luz
pastores de joelhos trêmulos
atendem à voz da estrela
e até esquecem as ovelhas.

Címbalos e harpas divinos
clarins, órgãos e violinos
se ouvem na imensidão.
Cada átomo segreda,
mistérios correm em rios:
é o cumprimento da Lei,
é o nascimento da Graça,
é a redenção dos gentios.

A plenitude dos tempos
na noite eflúvia chegou
no feno da estrebaria,
na friagem dos telhados,
na glória dos céus a flux,
na alegria de José,
no êxtase de Maria,
no doce olhar de Jesus.

VEJA QUEM É O VENCEDOR

Um poema de que desconheço o autor, belíssimo em (e pela) sua grande simplicidade, e pela verdade poderosa expressa em seus versos:

VEJA QUEM É O VENCEDOR

Dizem que o ferro é forte
Mas o fogo derrete o ferro

Dizem que o fogo é forte
Mas a água apaga o fogo

Dizem que a água é forte
Mas o vento espalha a água

Dizem que o vento é forte
Mas a montanha espalha o vento

Dizem que a montanha é forte
Mas o homem derruba a montanha

Dizem que o homem é forte
Mas a morte derruba o homem

Dizem que a morte é forte
Mas JESUS venceu a morte!

Um poema de Eliúde Marques

Transcendência

Amor transcendental:
Verbo que se fez carne
e desceu ao âmago do inferno,
rompendo a pretidão do abismo.

A carne rasgada
e o sangue que ainda escorre
das veias do Verbo
fazem o rio da vida eterna.

in Antologia da Nova Poesia Evangélica (Org. Joanyr de Oliveira)

quarta-feira, novembro 08, 2006

3 Poemas de Joanyr de Oliveira

O Sacrifício

O excelso Deus, o eterno e celestial
timoneiro e senhor de sóis e mundos,
não desceria a estes parcéis profundos
em que governa o Príncipe do Mal.

A criatura de Deus (má, desleal)
aliou-se aos espíritos imundos.
e seus lábios rebeldes e iracundos
transmudaram-se em templos de Baal.

Por isto – humanizado – ele por nós
à terra trouxe o céu, e esparge a voz
na mensagem de amor levada à cruz.

E quebrantado aqui, débil e terno,
pôde sofrer as mãos do próprio inferno
no cravejado corpo de Jesus.


A Hora de Deus

Estará sempre o homem
longe da hora de Deus?
O Céu dispensa calendários
e ponteiros, a colher o infinito.
O homem se perde a cada instante
na imensidão do tempo.
A hora do homem se cansa
entre luzes e noites.

A hora de Deus flutua,
intocada, acima de todas as galáxias.

Se acaso me aflijo ou me aproximo
dos impérios da morte,
Deus acaricia o tremor do meu rosto
com a mais doce palavra.
Assim, me ergue e me restaura.
Canções de vida me visitam.

A hora de Deus não conhece
as amarras do tempo:
traz firmíssimo fulgor
a quantos se estendem
em seus ombros eternos.

A hora do homem: instável e escura.
Sempre e sempre um perigo.

-- ensina-me, ó Deus, a acertar
os rumos de meus passos
pelo esplendor de Tua hora.



O Deus que está em mim

Ósseo templo, adubado em sangue
e ar – tenho Deus em mim.
Os ícones estão fora, mui longe,
nos nichos da idolatria.
Não me curvo a Baal e similares.
Não adentra este espaço
amado pelo Espírito
o incenso dos demônios.
As espadas do Alto me ajudam.
O Deus que está em mim
para louvá-lo me adestra.
E a músculos e medulas unge:
deposita em minha sede
melodias inéditas.
E em minhas retinas felizes
abre densos milagres.
Meus olhos se alargam nas madrugadas
ao arrulhar de pombos branquíssimos.
As clarinadas de Deus me embalam.
Amanheço para a eternidade
quando célicos mundos
enlaçam-me o espírito.
O odor da Palavra bendiz
meus braços, frontes e narinas.
É quando, subitamente,
os mais sórdidos e impuros
merecem o meu beijo.
(O Criador, com um sopro
nos dedos santíssimos,
germinou os ventos
– sem mácula ou torpeza – ,
as coisas e seres...)
O Deus que está em mim
é o mais benigno, sim – e o único
efetivamente Deus.
Nem a escuridade do mundo
nem as falsas luzes
das catedrais da hipocrisia
logram enganá-lo.
Nem as caridades com trombetas
ousam comovê-lo.
Posso com os lábios tocar as bemaventuranças.
Em mim, Deus ergue o seu reinado
e – solenemente – deifica-me:
sua verdade prevalece.
O Deus que está em mim
– generoso e infinito –
me salva e eterniza.

in Canção ao Filho do Homem, Rio de Janeiro: CPAD,1998

3 Poemas do amigo J. T. Parreira

A CALIGRAFIA

Com o dedo escrevia as linhas
que desenharam as estrelas
no chão escrevia com elas
um inigma, um retrato, uma declaração
de amor que faltava inventar
a paixão de perdoar.
Como o céu de verão que arde
sem perder do azul a compostura
escrevia no chão, a luz na treva
um salmo, uma jaula aberta
para no ar a ave se alongar
uma velha estrofe da lei do coração.
Foi tudo o que escreveu na vida
um verso do Amor à sua altura.
18.01.2004



A ovelha perdida

Pastor, onde está a ovelha tresmalhada
ferida como um pássaro
que caiu do ninho, que se ergue
num balido apertado entre os espinhos
a confusa ovelha que segue o luar
espargido no chão
na ilusão da água

Que pode fazer uma ovelha sem rebanho
que perdeu o norte ao céu
senão errar, que pode a simples
fazer sob as nuvens
que cruzam o sol, senão baixar
os seus olhos para a tristeza
sob o infinito breu
Envia o coração com os teus ombros
prontos a romperem com firmeza
pelos vales oblíquos, que esperas, Pastor,
o fim da noite larga? Não deixes
que a próxima manhã que espelha o sol
desça e acorde sequer uma janela
e sem rebanho encontre a tua ovelha.
12-04-2003



NO JARDIM DO GETSÊMANI

Não foi sozinho para o Jardim
acompanhavam-nO as sombras
dormentes dos discípulos
Ele andava e parava
a cada rosa pontiaguda
como um espinho no chão
andava e parava
até recostar os seus joelhos
para uma oração que feriu
de morte os abismos da noite
«Pai, se queres, passa
de mim este cálice
»
Espera-O uma coroa de espinhos
para secar o sangue
sobre a fronte, espera-o
a fome de um chicote
que as costas lhe há-de devorar
Aí, nunca os homens amaram
tão pouco
a própria vida.

Um poema do teólogo Karl Barth

Durante minha vida, tenho lido centenas de milhares de textos. Sempre tive a mania de ler tudo o que me vinha às mãos, principalmente quando mais jovem. Mas foram pouquíssimos, com certeza, os textos que sequer se aproximaram, em beleza e luminosidade, a este que transcrevo abaixo, escrito pelo teólogo protestante Karl Barth. Julgue você mesmo, leitor:


O AMOR AO PRÓXIMO

O amor não é Eros, que sempre cobiça, mas Ágape, que jamais acabará.
A novidade, a originalidade do amor é ele não participar do círculo vicioso
que vai do mal ao mal e da reação à revolução.

O amor é "justiça equalizadora eterna" (Kierkegaard),
porque a ninguém justifica segundo o próprio desejo;
O amor edifica a comunidade porque unicamente procura comunhão;
O amor nada espera porque já atingiu o alvo;
nada procura, porque já encontrou;nada quer porquanto já realizou;
nada pergunta, pois já sabe;
não luta porque já venceu.
O amor não contradiz e, por isso, não pode ser refutado;
não concorre e, portanto, não é vencido;
não busca decisão e, conseqüentemente, ele próprio é a decisão.

O amor destrói os ídolos
porque não cria outros.

Karl Barth


Texto extraído do site da União Missionária Brasileira (Visite: www.umbet.org.br)

segunda-feira, novembro 06, 2006

3 Irmãos Antologia - Baixe o e-book gratuitamente:


Antologia poética reunindo textos de três dos maiores poetas evangélicos em nossa língua: Os brasileiros Gióia Júnior e Joanyr de Oliveira, e o português J. T. Parreira. E-book gratuito, em pdf.

5 Poemas de Jônathas Braga (1908 - 1978)

Não te deixarei

Eu não te deixarei ainda que aconteça
que fiquem os meus pés a sangrar pela estrada,
e eu tenha que chorar através da jornada,
ou sinta o sol arder sobre minha cabeça.

Eu não te deixarei ainda que feneça
a flor da juventude, airosa e perfumada,
e eu fique a olhar o céu, em noite constelada,
antes que a nuvem negra a atmosfera escureça.

Eu não te deixarei de modo algum, ainda
que tudo aqui me falte: o riso, o encanto e a calma,
com que as róseas manhãs tornam a vida linda...

Pois foi o teu amor que veio assegurar-me
essa grandiosa paz que vive em minha alma,
certo eu de que ninguém de ti pode arrancar-me.
Jônathas Braga



O Rei dos Reis

Depois de andar por todos os caminhos,
Aos homens ensinando a boa senda,
Jesus teve por trono a cruz tremenda,
E por diadema uns ásperos espinhos.

Todos lhe foram fúteis e mesquinhos,
Porém ele se deu em oferenda,
Para que o pecador assim aprenda
A segui-lo através desses caminhos.

Porque na sua voz havia o encanto
Das melodias de um saltério santo,
Vibrando junto ao nosso coração...

E, Rei dos reis, morreu como um cordeiro,
A fim de assegurar ao mundo inteiro
Um reino de perpétua duração.
Jônathas Braga




O Messias

Da raiz de Jessé subiu a vara
que havia de dar sombra ao mundo inteiro,
e desfraldar o lábaro altaneiro
da verdade que o mundo rejeitara.

Em igualdade numa vida rara,
o lobo andará junto ao cordeiro
e, em fraternal convívio verdadeiro,
a ursa e a vaca estarão na mesma seara.

Pois o renovo que subiu da terra
todo o poder nas suas mãos encerra
e há de mudar as coisas de uma vez.

Porque ele há de ser grande entre os maiores,
sendo o Senhor de todos os senhores,
e entre os reis do universo, o Rei dos reis.
Jônathas Braga




JOÃO 3.16

Por que Deus amou o mundo não entendo.
Os homens são tão maus e tão perversos
Que sua iniqüidade é um mal tremendo
E longe do Senhor vivem dispersos.

Porém sei que este amor de tal maneira
Aos homens fez sentir o seu poder
Que deu ao Unigênito a primeira
E mais preciosa dádiva a saber.

E Jesus sofreu tanto para que todo
Aquele que aceitar com fé intensa
E Nele crê levante-se do lodo
E viva para Deus em pura crença.

E todo aquele que Nele houver crido
Não pereça nas dúvidas fatais
Mas tenha Vida Eterna recebido
E permaneça sempre mais e mais.
Jônathas Braga




EU TE AGRADEÇO

Senhor, eu te agradeço a vida que me deste,
o ar que respiro, o sol e o céu cheio de estrelas,
os pássaros que estão cantando, alegres, pelas
campinas a florir, no mundo que fizeste.

Eu te agradeço a luz que os píncaros reveste
de cores que ninguém pudera concebê-las,
e as fontes de cristal que sempre sonho vê-las
sussurrando canções que tu lhes compuseste.

Eu te agradeço o riso inocente das crianças,
que semeiam na terra alegres esperanças,
enchendo os corações de cânticos de amor...

Eu te agradeço a paz que me consola e anima,
e tudo quanto é bom e que me vem de cima,
de onde me vês aqui, por onde quer que eu for.
Jônathas Braga
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