quinta-feira, março 03, 2022

Poemas de John Donne - Artigo de Roberto Torres Hollanda



Roberto Torres Hollanda

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                   Por causa da medonha e cruel Pandemia (que parece ser impossível de chegar ao fim; se a vontade divina quiser, somente no dia certo acabará), fui levado para a Asa Norte de Brasília, onde sentimos igualmente sua ameaça.

                   Comentando o flagelo sanitário e social imposto pelo COVID-19, de alcance mundial, num sermão o pastor Francisco Carlos Soares de Menezes combateu a ansiedade, agora exarcebada, e resumiu o desfecho com a expressão “Deus não tem pressa”.

                   Tive, então, fazendo uma pausa, bastante tempo para ler alguns poemas, que entraram na hinodia, escritos por um dos mais importantes literatos da Inglaterra, talvez o poeta inglês mais original depois de Shakespeare.

                   John Donne (1572-1631) pelos críticos literários Ben Jonson (1572-1637) e John Dryden (1631-1700) foi associado ao movimento barroco denominado “poesia metafísica”.

                   T.S.Eliot (1888-1965) reavaliou o trabalho de Donne e de outros poetas “metafísicos”, assim definidos pejorativamente pelo crítico Dr. Samuel Johnson (1709-1784). Os ásperos ritmos do poeta Donne aborreceram os ouvidos do crítico.

                   Donne era admirado pelos intelectuais George Herbert (1593-1633) e John Milton (1608-1674).

                   No século 17, a literatura e a música da Inglaterra estavam no apogeu: as peças teatrais de Shakespeare, as críticas de Jonson e Dryden, os poemas de Donne, Herbert e Milton, a alegoria de Bunyan e a versão bíblica de James I.

                   Quando reinaram Stuarts, houve luta entre calvinistas e anglicanos, católicos romanos e católicos protegidos pela Coroa inglesa, entre políticos elizabetanos e jacobitas. Na Europa, ainda propagavam-se a Reforma (protestante) e a Contra-Reforma (católica).

                   Em breve período (1620-1630) Donne foi digno sucessor de William Shakespeare (1564-1616); não sei se Donne em sua poesia retrucava os versos do Bardo, porém a minha consciência introspectiva, por ele ter sido notório pecador, mas regenerado como poeta religioso, diz que Donne teve maiores oportunidades do que o seu modelo literário.

                   Donne também contribuiu para a renovação da poesia do seu tempo; substituiu as alusões mitológicas por conceitos originais; na poesia “metafísica” a conceituação tem muitaimportância. Na mentalidade da época, importava, e muito, o tema da morte, quase sempre tratado melancolicamente.

                   Por ser católico romano, foi discriminado em setores intelectuais (Oxford e Cambridge). Com efeito, abandonou o Catolicismo romano (era ilegal) e entrou numa terceira via.

                   Antes mesmo de tornar-se católico anglicano, entendia a morte de maneira diferente: “quem vier cavar nossa sepultura nos levará, a bispo ou a monarca, quais relíquias” (soneto “The Relic” – A relíquia). Donne adotou a ortodoxia anglicana para se habilitar à ordenação como sacerdote da Igreja oficial.

                   Em 1601 tinha sido demitido do cargo de secretário particular (advogado?) de lorde Egerton, por ter casado secretamente com Anne More; John e sua esposa tiveram 10 filhos.

                   Entretanto, James I (Jaime ou Tiago, rei, 1603-1625) ordenou que John se tornasse ministro anglicano. Em 1611 foi publicada a “King James Version”, obra de uma comissão de 50 eruditos.

                   John Dowland (1563-1626), o maior compositor inglês de música para alaúde, apadrinhou o ingresso de Donne nos círculos palacianos. Por isso, John foi nomeado, em 19 de novembro de 1621, capelão do rei e deão da catedral de São Paulo, em Londres; alí foi um notável orador sacro, talvez, modelo para os sermões do padre Antônio  Vieira (1608-1697).

Nessas funções continuou a ser discriminado por alguns confrades; ele, Dowland, outros poetas e músicos, foram “cancelados” por terem sido “papistas” (católicos ingleses subordinados ao papa). Dowland tinha conseguido, em 1612, ser empregado pela corte inglesa como lutenista de James I. Ele tinha lutado por oportunidades de trabalho na França, Alemanha e Dinamarca. Na Itália, envolveu-se, o que era natural acontecer, com católicos romanos. Sua visão de mundo era profunda e trágica (pecado, pranto e morte); sua obra é melancólica.

                   O jovem Pelham Humfrey (1647-1688), em seu estilo patético, musicou o poema religioso “To God, the Father”. 

                   No século 20, Donne não foi citado por Alphonso Gerald Newcomer em sua “History of English Poetry”.

                   A obra póstuma de Donne (publicada em 1633) compõe-se de: I – poesia profana: a) canções; b) sonetos; c) elegias: d) sátiras. II – poesia religiosa: a) poemas (sonetos); b) hinos. III – prosa: a) devocionais: b) sermões.

                   Donne influenciou Ernest Hemingway (1899-1961) com a meditação devocional XVII “never send to know for whom the bell tolls; it tolls for thee” – nunca mandes indagar por quem o sino dobra; ele dobra por ti.

                   John Dowland (1563-1626) foi dos primeiros compositores a aproveitar peças literárias de Donne, com a canção profana “Go and catch a falling star” – Apanha a estrela cadente; trata-se de peça de cunho misógino; além dessa, compôs “Sweet stay a while” e “To ask for all thy love”.

                   A obra de Donne expressa o realismo e a objetividade de sua vida; nela a Morte é lugar-comum em seus sermões, como nas cantatas sacras de J.S.Bach (1685-1750).

                   Tanto em prosa quanto em verso, Donne se preocupa com a morte e o conflito entre corpo e alma.

                   Num verso de caráter político, manifesta sua submissão ao rei Jaime I: “O my America! My new-found land, my kingdom, safeliest when will one man manned – Oh, minha América!

Oh, meu novo continente, meu reino (a Inglaterra), a salvo porque um homem, e não uma mulher, tens à frente. Além de machista, é imperialista: “My mine of precious stones, my empire, how blest am I in this discovering thee!” – Minhas minas de pedras preciosas, meu império; que abençoado sou por descobrir a ti!. James I recitava, com muita satisfação, estes versos.

                   Para dar uma noção a respeito da poesia religiosa (hinos) de Donne, transcrevo e traduzo:

a)   “Hymn to God, my God, in my sickness”:

 

1.   Since I coming to that holy room where with Thy choir of saints, for evermore, I shall be made Thy music; as I come, I tune the instrument here at the door, and what I must do then, think here before. 

– Oh, Deus, meu Deus, em minha enfermidade: Como ao sacro aposento estou para chegar, onde sempre estarei, afino aqui, antes de entrar, meu instrumento, meditando sobre o que devo fazer ao passar por Teus umbrais.

                   4. Is the Pacific Sea my home? Or are the eastern riches? Is Jerusalem? Anyan, and Magellan, and Gibraltar, all straits, and none but Straits, are ways to them, whether where Japhet dwell, or Cham, or Shem 

– Será verdade que o Oceano Pacífico é meu lar? As riquezas do Oriente? Ou é Jerusalém?

Seja por Anyan (estreito de Bering), Magalhães, ou Gibraltar, somente estreitos, não mais do que estreitos (Donne, irônicamente, diz que esses lugares só foram importantes depois de conquistados pela Inglaterra), são caminhos para a terra de Jáfé, ou a de Cam, ou a de Sem (não sou um “ressentido”, como explicado por Harold Bloom, mas creio que Donne, nestes versos, põe na boca do Império Britânico os seus projetos expansionistas; faz referência aos três filhos de Noé, cujos descendentes repovoaram a Europa, a África e a Ásia, e ao “estreito da febre”, para significar que deveria passar apertadamente pelo sofrimento durante a enfermidade.

                   5. We think that Paradise and Calvary, Christ’s cross, and Adam’s tree, stood in one place. Look, Lord, and find both Adams met in me; as the first Adam’s sweat surrounds my face; may the last Adam’s blood my soul embrace. 

– Pensamos que o Paraíso e o Calvário, a cruz de Cristo e a árvore de Adão, ficam em um lugar. Oh, Senhor, procura e acha (aqui Donne está petulante) os dois em mim; o suor do primeiro estará na minha face; que o sangue do último Adão minha alma abrace.

                   6. So, in His purple wrapped, receive me, Lord; by these His thorns give me His other crown; and, as to others’ souls I preached Thy word, be this my text, my sermon to mine own; therefore that he may raise the Lord throws down. 

– Em Sua púrpura envolto, Senhor, dá-me a Sua outra coroa, em vez da do sofrer (Donne diz que a coroa de glória substituirá a coroa de espinhos). Como a outros, preguei a Tua palavra. Continua a ser meu texto e meu sermão, para eu mesmo ler, pois o Senhor derruba, a fim de soerguer”.

b)   “Hymn to God, the Father”

“1. Will Thou forgive that sin, when I begun, which was my sin, though it were done before? Wilt Thou forgive that sin, though which I run and do run still, though still I do deplore? When Thou hast done, though hast not done, for I have more.

O poeta, subliminarmente, põe o nome de sua família (Donne) neste verso.

          - Esquecerás o pecado quando eu começar a praticá-lo; que era o meu pecado, embora o tenha praticado anteriormente?

            Esquecerás o pecado, quando cometo e volto a praticálo, embora eu o deplore? Quando Tu o tenhas perdoado, ou isto não o tenhas feito, porque eu tenho mais pecado.

                   Agora, um exemplo de poesia profana (canção):

                   “Go and catch a falling star”

                   “If thou beest born to strange sights, things invisible go see, ride ten thousands days and nights, till age snow white hairs on thee; thou, when thou return’st, wilt tell me all strange wonders that befell thee, and swear nowhere lives a woman true and fair” 

– Se tens atração por visões estranhas, queres ver coisas invisíveis, precisarás de dez mil noites e dias (27 anos), até que a idade faça a neve cobrir tua cabeça com cabelos brancos; então, quando retornares, narrarás todas as estranhas maravilhas que te surpreenderam, e jurarás que em algum lugar vive uma mulher bela e pura.

                   Em 1945, Benjamim Britten (1913-1976) ao visitar um campo nazista para extermínio dos Judeus, teve a inspiração de compor nove músicas (opus 35) para sonetos religiosos de Donne para o VII escrevendo: “All whom the flood did, and fire shall overthrown, all whom war, dearth, age, agues, tyrannies, despair, law,

chance, hath slain, and you whose eyes shall behold God, and ne-

ver taste death’s woe” 

– Todos os que no dilúvio foram, e no fogo irão; todos que a guerra, a peste, a idade, o crime, os acasos, as tiranias, o desespero, a lei e a oportunidade mataram, e você, cujos olhos verão a Deus, nunca experimentarão o amargor -da morte.

                   No soneto religioso X, corajoso, Donne afirma:

“Death, be not proud” – Morte, não te orgulhes. ‘One short sleep past, we wake eternally, and death shall be no more. Death, thou shalt die”. – Morte, um breve sono a vida eterna traz, e vai-se a morte. Morte, morrerás.

                   A poesia de Donne foi descurada durante quase 400 anos; em sua juventude produziu os poemas profanos, ou excitantes; na velhice, os religiosos, ou calmantes.

                   Seu dualismo prenunciou a fragmentação cultural e espiritual dos tempos modernos. Pensamos, com Anniia Jokinen, que ainda enfrentaremos novos desafios e pressões, culturais e sociais.

                   Até a MPB (Música Popular Brasileira) garimpou na poesia profana de Donne (elegia XIX: “all rest my powers defy” - Meu corpo desafia todos os ócios – 1620): a versão de Augusto de Campos, musicada por Péricles Cavalcanti, deu (em 2020, depois de 400 anos) a chancela à linguagem malemolente, na voz de Caetano Veloso.

                   Se o prezado leitor tiver conhecimento de algo escrito por John Donne que possa ser aproveitado na hinodia evangélica, sua contribuição será muito bem recebida por mim.


                   Referências bibliográficas

Edições impressas

CARPEAUX, Otto Maria. História da Literatura Universal,

                                           Vol.3, 2ª. Ed. Rio de Janeiro:

                                           Alhambra, 1980.

GEORGE, Timothy. Lendo as Escrituras com os Reformadores.

                                 São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2016.

GRIERSON, HERBERT. Donne: Poetical Works. Oxford: 1933.

HILL, Christopher. O século das revoluções (1603-1714).

                                  São Paulo: Editora UNESP, 2012.

HUNT, C. Donne’s Poetry. New Haven, USA: 1955.

INSTITUTE OF HISTORICAL RESEARCH. Fausti Ecclesiae

                                 Anglicanae, Vol. 1. London: St.Paul’s, 1969.

JOKINNEN, Aniina. Donne Songs and Sonnets.

                                  Helsinki: 2000.

JOKINNEN, Aniina. Poems of John Donne, Vol.I.

                                  London: E.K.Chambers, 2014.

KUHN, Anne W. Early English Hymns of the Pre-Wesleyan Period.

                             Asbury Seminary, 1949.

LE HURAY, Peter. Music and the Reformation in England – 1549-

                                1660. New York, NY, USA: 1967.

PARKS, Edna D. English Hymns and their tunes in the 16th and

                            17th Centuries.

                            Yale University, 1935.

PARKS, Edna D. Early English Hymns: an Index.

                            Metuchen, New Jersey, USA: Scarecrow, 1972.

VIZIOLI, Paulo. John Donne, o poeta do amor e da morte.

                            São Paulo: Ismael Editora, 1985.

WEBER, V. Contrary Music. The Prose Style of John Donne.

                            Madison, 1964.

EVANGELICAL LUTHERAN HYMNARY, no. 498.

THE HYMNAL (1982), nos. 140, 141 e 322.

 

Edições eletrônicas

Canção “To ask for all thy love” – Nicholas Murray/Elizabeth

                                                            Kenny

Canção “Weep you no more” – Anne Sofie von Otter

Canção “Go and catch a falling star” – John Renbourn

Canção “I fear no more” – Anton Batagov

Coral “On the death of the righteous” – Jennifer Higdon

Elegia XIX – Caetano Veloso.

Hino “Hymn to God, the Father” – Pelham Humfrey

Hino – “To God, the Father” – Michael Tippet

Hino “Hymn to God, the Father” – The White Brothers

Soneto X – Charles Szabo.

                                      - x –

Brasília, DF, 27 de fevereiro de 2022. Roberto Torres Hollanda

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quarta-feira, fevereiro 23, 2022

Três poemas de Adelino Alves Bonfim



UM CHORO NO CARNAVAL

 Uma lágrima escorre

do rosto pintado

da dançarina havaiana.
Quem esperava, não veio.
Será que se perdeu
nas nuances do caminho?
ou não quis vir
pois encontrou
dançarinas mais belas?
O choro quase contido
se mistura a música alegre
mas ninguém nota
cada um vive seu mundo
e o dela 
está quase caindo.
Ensaia alguns passos da dança
mas não sabe que passos
dará na sua vida
se vida tiver ainda
se ele não aparecer.
Volta para casa chorando
e por entre as lágrimas
vê a mãe no portão
esperando!
Um sorriso

um abraço
e uma frase:
-Jesus te ama!


RARIDADES

“Olhos que olham são comuns, olhos que veem são raros!”
J. Oswaldo Sanders 1902-1992
Escritor e Missionário Neozelandês

São raros, os olhos que enxergam
os demais olhos apenas...
olham!
São raros, os ouvidos que escutam
os demais ouvidos apenas...
ouvem!
São raras, as mãos que ajudam
As demais mãos apenas...
apertam!
São raros, os abraços que confortam
Os demais abraços apenas...
abraçam!
São raras, as vozes que dizem verdades
As demais vozes apenas...
dizem o que queremos ouvir!



PÁSCOA, UM PÃO PARTIDO AO MEIO

Um pão
partido ao meio
repousa esquecido
na mesa agora
vazia!

Quem o partiu
partiu de repente
deixando dois corações
crédulos,
fiéis
e ardentes!

O partidor de pães
companheiro do caminho
ensinou,
confortou
abençoou
e agora foi embora.


Cleófas e o amigo
voltam correndo
o caminho já palmilhado
em busca do Messias
que estava com eles
e eles não sabiam!
Ah... como seus corações ardiam!


Seu coração ainda arde?


Mais poemas nos blogs do autor: http://opoetabonfim.blogspot.com/



terça-feira, fevereiro 15, 2022

Retrospectiva editorial de 2021

Tenho o costume de realizar, a cada final de ano, uma retrospectiva bibliográfica, elencando tudo o que foi publicado no ano que finda, em termos de livros, revistas e recursos similares. 

Bem, neste ano foram poucos os lançamentos. Vamos lá (clique sobre os títulos para baixar gratuitamente): 

Logo em janeiro, lancei o livro A Cadeia Alcoólica, que é na verdade uma antologia de textos (reflexões, frases, poemas) sobre a questão do alcoolismo.

Em seguida foi a vez do livrinho Combatendo o Estresse em 150 Citações.

Lancei mais um volume gratuito da Coleção 100 Frases (de grandes pensadores, ora pois): 100 Frases de Albert Schweitzer.

O ano também recebeu uma pequena antologia poética, o Pequeno Compêndio de Poemas Luminosos, reunindo alguns dos mais motivacionais poemas de sempre.

Os três últimos livros possuem mensagens evangelísticas em seu final.


No tocante á produção pessoal, foram diversos itens, afinal eu resolvi dedicar o ano de 2021 principalmente à minha produção autoral, após anos focando fundamentalmente na produção como antologista. Uma lista completa em relação a isso pode ser vista AQUI.

Vejamos algo do produzido:

O livro Cartas e Retornos foi lançado no início de 2021.

O livro obteve ótima recepção, e alguns de seus poemas estão publicados em diversos canais de literatura, como as revistas MallarmargensPixéTraçosD-Arte Londrina, LiteraLivre e até a Revista Ensaios de Geografia da UFF, bem como no jornal RelevO.

Para aqueles que não abrem mão do prazer odorotáctil (e visual, como não?) de um livro impresso, ele continua disponível, basta entrar em contato comigo.

Para baixar o arquivo (pdf) do livro, CLIQUE AQUI.


Nesta obra, memória e humor se entrelaçam para narrar divertidíssimas histórias da infância de dois jovens criados num subúrbio de São Gonçalo (município da região metropolitana do Rio de Janeiro), nos duros anos da década de 80. Relatos de perrengues e peripécias, marcados pela humanidade, o bom-humor e a irreverência da prosa de Sammis Reachers, dão conta de duas pequenas vidas que poderiam ser as vidas de quaisquer moleques daquele tempo, dada sua universalidade. 

O livro em pdf pode ser baixado GRATUITAMENTE, clicando AQUI.


Um conto um pouco maior (ao menos para meus 'padrões' contísticos) acabou recebendo um acabamento de e-book. Trata-se de A Concha Azul - Mistério e Pirataria na Baía de Guanabara.

Na Amazon, surgiu uma nova coleção, "O Que É", e assim vieram à luz: O que é Música em 100 Citações;  O que é Humor em 100 Citações  e  O que são Gatos em 100 Citações.

 Por fim e ainda na Amazon, uma outra antologia de frases rompeu no front: 300 Frases para o Dia da Batalha.

Não poderia deixar de citar o meu humílimo-mas-nunca-anacrônico fanzine, que nasceu neste 2021, o SAMIZDAT. Foram três edições aleatórias de literaturagens (poemas/visuais/contos/frases) que alcançaram algumas centenas de exemplares circulados. Confira (e baixe o que desejar) AQUI.


segunda-feira, fevereiro 07, 2022

Oração do Amor, um texto de Soren Kierkegaard



ORAÇÃO

 

Como se poderia falar corretamente do amor, se Tu fosses esquecido,

Deus do Amor,

de quem provém todo o amor no céu e na terra;

Tu, que nada poupaste, mas tudo entregaste em amor;

Tu que és amor, de modo que o que ama s6 é aquilo que é por permanecer em Ti!

Como se poderia falar corretamente do amor, se Tu fosses esquecido,

Tu que revelaste o que é o amor;

Tu, nosso salvador e reconciliador,

que deste a Ti mesmo para libertar a todos!

Como se poderia falar corretamente do amor, se Tu fosses esquecido,

Espírito de Amor,

que não reclamas nada do que é próprio Teu,

mas recordas aquele sacrifício do Amor,

recordas ao crente que deve amar como ele é amado,

e amar ao próximo como a si mesmo!

Ó, Amor Eterno,

Tu que estás presente em toda parte

e nunca deixas sem testemunho quando Te invocam,

não deixa sem testemunho aquilo que aqui deve ser dito sobre o amor,

ou sobre as obras do amor.

Pois decerto há poucas obras que a linguagem humana,

específica e mesquinhamente, denomina obras de amor;

mas no Céu é diferente,

aí nenhuma obra pode agradar se não for uma obra de amor:

sincera na abnegação,

uma necessidade do amor,

e justamente por isso sem a pretensão de ser meritória!


Do livro As Obras do Amor.


sexta-feira, janeiro 28, 2022

SORTEIO: Livros dos missionários William Carey e C. T. Studd

 É difícil dimensionar a importância do inglês William Carey para a obra missionária cristã. Em resumo, todo o movimento missionário dos últimos dois séculos, o maior da história da igreja, pode ser creditado em boa parte ao seu exemplo e seus esforços.

Um dos livros fundamentais nos quais Carey expressou suas ideias é Mobilização Missionária. O livrinho, pequeno em tamanho mas poderosíssimo em consequências, está publicado em português pela Editora Pro Nobis.

Já no século XX, um exemplo dentre muitos se destaca entre os missionários forjados do mesmo metal que Carey: Um outro inglês, Charles Tomas Studd. Se a maioria dos grandes missionários surgiU de meios de carestia ou ao menos de recursos limitados, Studd era rico - e seu dinheiro foi queimado em holocausto pela causa missionária, bem como sua vida. Aqui também, o exemplo de vida deste homem tem arrastado outros para a dedicação ao serviço missionário em todo o mundo.

E o espírito que o movia pode ser apreendido em outro pequeno livro, O Soldado de Chocolate, cujas repreensões e exortações, podemos dizer, são leitura obrigatória para todos os vocacionados à obra entre os povos - ou seja, todos nós, pois enviar é também ir de certa forma. O livro está publicado em português pela Editora Defesa do Evangelho.

Pois bem: O ministério Veredas Missionárias sorteará, entre seus leitores, esses dois livros fundamentais.

Serão TRÊS os premiados: O primeiro sorteado receberá o livro Mobilização Missionária, de William Carey; o livro Soldado de Chocolate, de C. T. Studd e um livro poético de Sammis Reachers, Cartas e Retornos; o segundo e o terceiro sorteados receberão cada um os livros Mobilização Missionária e Cartas e Retornos.

Mas, como participar? É simples: Basta curtir a página Veredas Missionárias no Instagram (https://www.instagram.com/veredasmissionarias/), e marcar nos comentários do post desta promoção, dois amigos cristãos. Somente será computada uma participação por pessoa, mas você pode marcar quantos amigos quiser.

O sorteio acontecerá no dia 06/02/2022, e os premiados serão contatados e receberão pelo Correio os livros.

quinta-feira, janeiro 20, 2022

Baixe e imprima: Marcadores de página coloridos com temas missionários

Modelos de Marcadores de Página coloridos, com temas missionários ou de utilidade, elaborados pelo Ministério Veredas Missionárias. 

Gratuitos para você baixar, imprimir (em casa ou numa gráfica) e compartilhar.

NÃO PODEM SER VENDIDOS.

Para baixar o arquivo em PDF pelo Google Drive, CLIQUE AQUI.


quarta-feira, janeiro 05, 2022

Concursos literários, editais e chamadas para publicação: Saiba onde se informar

Apesar dos pesares, o Brasil possui uma cena literária efervescente. São dezenas de concursos literários acontecendo o ano inteiro, além de revistas literárias pipocando aqui e ali. 

Em meu dia-a-dia, tenho percebido que muitos autores evangélicos são alheios a todo este cenário, e deixam de participar, de comunicar sua arte e sua fé, por puro e simples desconhecimento. Assim, preparei este pequeno post onde listo sites e blogs voltados para a divulgação de concursos, chamadas de publicação e correlatos. Visite regularmente esses endereços, informe-se, ocupe os espaços. 

Blog Concursos Literários - http://concursos-literarios.blogspot.com/

Seleções Literárias - https://selecoesliterarias.com.br/

Escrita Criativa - https://www.escritacriativa.com.br/index.php?pg=2528

Escrita Selvagem - https://escritaselvagem.com.br/concursos-literarios/

Publishnews - https://www.publishnews.com.br/editorias/noticias/premios-e-concursos

Casa das Rosas - http://www.casadasrosas.org.br/centro-de-apoio-ao-escritor/concursos-literarios

quinta-feira, dezembro 23, 2021

A poesia de Daniel Ben Elyon disponível em e-books para download

 


Daniel Ben Elyon é um escritor de Cascavel, no Paraná. Atualmente com 40 anos, Daniel muito jovem iniciou sua trajetória literária. Além de transcorrer por temas como estudos bíblicos, biografia e até literatura infantil, o autor possui uma vasta e diversificada produção poética, cuja riqueza está enfeixada na forma de diversos livros. Livros esses que o autor generosamente disponibilizou, como e-books gratuitos.

Clique sobre os títulos desejados, para ler as obras online ou baixá-las pelo site Google Drive:

A EPOPEIA DE CRISTO  

O MENINO QUE DESCOBRIU A POESIA

OS CÉUS MANIFESTAM A GLÓRIA DE DEUS 

AS SETE TROMBETAS DO APOCALIPSE!  

A MAIS BELA CANÇÃO DE AMOR DE TODOS OS TEMPOS - CANTARES

A POESIA A SERVIÇO DE DEUS  

UM POETA DE 16 ANOS

POEMAS DO HOLOCAUSTO 

A REVOLTA DOS MACACOS  

UM PROFETA PARA ESTA GERAÇÃO

A LIRA DE CASTRO ALVES AGORA É MINHA

UMA VIAGEM ÉPICA PELOS SÉCULOS - V

O CAPITALISMO


domingo, dezembro 12, 2021

AS SANDÁLIAS DE CRISTO, poema do pastor João Alves Feitosa

 


AS SANDÁLIAS DE CRISTO

 

Vejo umas sandálias de couro,

de correias fortes...

No quadro, parecem se mexer,

sugerindo passos,

convidando a andar

por onde Cristo andou...

Falam que ele anda por aí,

peregrino do amor,

forte como o herói,

suave como a flor...

Vejo-as saindo, a semear amor.

Sandálias do Mestre Cristo,

que "andou por toda parte,

fazendo o bem..."

Sandálias dos passos do Senhor...

Cheio da unção do coração de Deus

ligada a consciência interior,

no vínculo invisível,

ao poder distante e presente,

era ele o grande missionando.

Seus santos pês andaram caminhos.

Andaram montes,

valados,

no apostolado de quem vem

com o amor maior —

"por toda parte, fazendo o bem..."

Passos passados do Mestre de Nazaré —

para ensinar,

perdoar,

libertar,

curar,

salvar...

Passos na areia do mar,

contemplativos,

da comunhão do grande iniciado.

Passos dados no deserto

da esvaziação.

Passos no jardim da interiorização.

Passos sagrados das montanhas de Engedi...

Sandálias do Senhor doa Passos...

Começou fugindo,

por santa revelação,

deixando atrás o triste grito

da matança doa inocentes

pelo rei tirano...

Passos para o Egito:

pés fofinhos,

forradinhos,

do Menino do Céu invelado.

Depois voltou para Nazaré

nos passos de sua missão,

que eram passos para amar,

amar até a paixão...

E foi semeando passos:

para o templo,

para o monte,

para as águas do Jordão,

no deserto do jejum

e na grande tentação...

 

Passos no coração

passos no chão,

passos no monte da transfiguração...

Passos para o gólgota,

para a cruz,

para a morte que dá vida,

e depois passadas vivas,

do Cristo feito de luz,

na grande ressurreição...

O Senhor dos Passos é vivo...

Pudessem as pessoas darem os seus passos.

Passarem por onde o Cristo passou

e passa...

A terra passaria

pela maior transfiguração.

 

As sandálias de Cristo deixaram o quadro

e saíram andando,

deixando os sinais dos passos...

Elas vão por aí

nas passadas de amor,

no convite a cada um

para andar no mesmo bem,

para amar no mesmo amor,

e andar por onde o Filho de Deus

andou...


No livro Programas Especiais: Entrega e Consagração (UFMBB).

 

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