domingo, janeiro 22, 2017

Dois poemas de Marion Martins

Juan Gris
Foge o Tempo

Coisa estranha me acontece
Fico aqui a meditar
Porque o relógio das horas
Gira horas num piscar

Do jeito que a coisa anda
Você não se espante não
Se de manhã você planta
E a noite já colhe o grão.

Sem ritmo, sem pausa
Num louco pulsar
O tempo, sem contratempo
Parece não vai parar

Dia nasce, dia morre
E eu mal posso acompanhar
O correr alucinado
Do calendário lunar

Na virada da semana
Não dá nem pra reparar
Se é sexta ou segunda-feira
Só vejo o domingo passar.

Já é hora de dormir
Hora de dormir já?
Mal me deito, já levanto
Pra de novo me deitar.

Chego a ficar mesmo tonta
Com tanta abreviação
E já não mais faço conta
Se é inverno ou verão

Ao fazer assim, poesia
Posso por força parar
E o disparar louco do tempo
Não pode me atropelar

Não posso compreender
Toda essa alteração
Ou mudou o seu compasso
Ou será só impressão?

De toda coisa que faço
Tenho mesmo a sensação
Que muito do tempo gasto
Já passou de antemão

Talvez porque sem sentido,
Não vejo a hora passar,
E tenho então por perdido
O tempo que não vai voltar

Quem sabe se a cada marca
Do ponteiro eu conquistar
Algo de novo na vida
Tudo ao normal voltará

No girar vertiginoso
Horas e minutos se vão
Meu coração bate ligeiro
Apressado em aflição

Se não é o meu amado
Que me espera logo mais
Com certeza eu queixaria
Deste tempo tão fugaz

Tudo sentido alcança
E as horas não contam não
Quando fico meditando
Nas obras de tuas mãos

Dias, semanas e meses
Anos e anos também
Vão passando sem descanço
E nenhum sentido tem

Apenas pra mim que te amo
E vejo este tempo passar
Anseio ver neste ano
Um outro depressa chegar

Cada dia é um a menos
E chega a dar aflição
De encerrar logo esse tempo
Esperando a salvação

Minha ansiedade, se vê
É o tempo depressa passar
Pra logo bem depressinha
Com Jesus poder ficar

E aí, na eternidade
Não importa o tempo não
Que felizes para sempre
Alegria gozarão!

Por falar agora em tempo,
vou por aqui encerrar
Essa prosa tão comprida
De nunca mais acabar

Logo acima o derradeiro verso
Pra dizer assim adeus
A você que gastou tempo
Mas nada comigo aprendeu!


Fogo e Água

Fogo que lambe
Fogo que incendeia
Fogo que rastreia
Por todo o meu ser

Águas claras
Águas cristalinas
Fogo que ilumina
E que me faz arder

Chama viva
Que queima e não consome
Eu sei qual é Teu nome
 E agora vou dizer

Fogo e água
Chama e ardor
Teu nome é Deus vivo
Teu nome á amor

Aquele que diz amar Deus e não ama a Seu irmão é mentiroso.

Um comentário:

Yas Araújo disse...

Que belo trabalho, um reflexivo poema sobre a correria da presente Era. Deus te abençoe!


http://omacrostico.blogspot.com.br

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