Um Mendigo na Porta da
Igreja
Na porta da igreja, um
homem sentado,
Roupas gastas, olhar
cansado,
As mãos estendidas, sem
alarde,
Pedindo apenas um pouco de
tarde.
Dentro, hinos, preces e
sermão,
Palavras belas, emoção.
Fala-se de amor, compaixão
e fé,
Mas ninguém lhe oferece um
pão sequer.
Passam por ele rostos
apressados,
Com trajes finos, olhos
fechados.
Talvez orando por paz e
bondade,
Mas esquecendo da
humanidade.
O mendigo ali continua,
calado,
Entre o frio e o abandono
deixado.
Seu altar é o chão, seu
teto o céu,
Sua oração: um olhar ao
léu.
E Deus, que vê o que os
olhos não veem,
Sabe quem passa e quem
realmente tem:
Pois não é templo que faz
devoção,
Mas o amor vivido em ação.
O Juiz que mandava no
Brasil (cordel)
"Num prédio cheio de
pompa,
Bem no centro da nação,
Tinha um juiz muito fino,
Cheio de opinião.
Com toga, pose e caneta,
Achava que era o patrão.
Dizia com voz de mando:
"Quem manda aqui sou
é eu!
Se a lei não me agrada,
Eu mudo do jeito
meu!"
E o povo lá embaixo
Só dizia: “Mas que breu!”
Mandava calar o Senado,
Mandava no Presidente,
Se achava um semideus,
Dono da lei e da gente.
E com fala engomada,
Fingia ser coerente.
Fazia live, entrevista,
Virava até figurinha.
Tinha fã, tinha seguidor,
E até conta verinha.
Enquanto o pobre do povo
Só comia farinha.
As leis ele interpretava
Igual profeta sagrado,
Tirava uns da cadeia
E prendia o deputado.
Dizia: “Isso é justiça!”
Mas era tudo arranjado...
Um dia o povo acordou,
Com sede de liberdade,
Disse: “Juiz é juiz só,
Não é rei, nem majestade!”
E a voz do sertão subiu
Com força e sinceridade:
“Desça já desse seu trono,
Pare de ser mandachuva,
Pois quem manda no país
Não é toga, nem peruca!”
E o juiz ficou sem fala,
Perdeu até a frescura...
Desde então aprendeu,
Mesmo sendo doutorzão,
Que o poder que se preza
Vem do povo e da eleição.
Pois Brasil é democracia,
Não palácio de
ostentação."
Quem Removerá a Pedra?
Na madrugada ainda escura,
levamos unguentos, levamos
ternura.
O peito apertado, a alma
em dor,
nos olhos, a lágrima, no
coração, amor.
Mas no caminho surge a
questão:
Quem removerá a pedra do
chão?
Tão grande, pesada,
impossível mover...
Será que veremos o rosto
do Mestre, o amanhecer?
Símbolo rude de tudo o que
pesa,
da dúvida, do medo, da dor
que atravessa.
Pedra que cala, que fecha
caminhos,
que esconde esperanças,
que deixa sozinhos.
Mas mesmo sem ter uma
solução,
seguimos em fé, movidos
por paixão.
Pois o amor não espera
explicação,
ele caminha, confia, crê
na ressurreição.
E eis que chegamos —
surpresa de luz!
A pedra foi posta de lado
por Jesus.
Ninguém a moveu, senão o
Senhor,
que vence a morte, remove
a dor.
A pedra caída anuncia
vitória,
o início eterno de nova
história.
O túmulo aberto proclama
poder:
O Cristo vive, e nos faz
renascer.
Então, se perguntas com
medo ou aflição:
“Quem tirará a pedra do
meu coração?”
Lembra-te d’Ele — que vive
e governa,
e abre caminhos onde a
vida se encerra.
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