A
flor que ficou
Havia
uma flor
nascendo
onde quase nada florescia.
O
chão tinha suas marcas,
o
vento chegava sem pedir licença
e
algumas manhãs
pareciam
não prometer coisa alguma.
Ainda
assim,
ela
abria as pétalas.
Não
porque desconhecesse a dor,
mas
porque, de algum modo,
a
dor nunca conseguiu ensiná-la
a
deixar de ser delicada.
Ela
podia ter escolhido a dureza.
Podia
ter criado espinhos
para
não se ferir mais.
Mas
não.
Continuou
sendo flor.
E
talvez exista nisso
uma
coragem que pouca gente percebe.
Porque
ser forte
nem
sempre é permanecer de pé
sem
sentir o peso do vento.
Às
vezes é sentir tudo
e
ainda assim
continuar
caminhando.
É
carregar algumas cicatrizes
sem
transformá-las em muros.
É
não saber exatamente
onde
termina a estrada,
mas
confiar o próximo passo
a
quem conhece o caminho inteiro.
Talvez
seja assim que Deus trabalha.
Quase
sempre escondido
nas
coisas que ninguém vê.
Debaixo
da terra,
quando
a raiz cresce.
No
silêncio,
quando
o coração aprende a esperar.
Na
manhã,
quando
a luz volta devagar
e
encontra alguém
que
ainda decidiu permanecer.
Talvez
ela nem saiba,
mas
há beleza
em
tudo aquilo que sobreviveu nela.
Há
beleza na sensibilidade
que
não morreu.
Na
esperança que continuou.
Na
fé que, mesmo pequena,
aprendeu
a respirar
entre
uma dúvida e outra.
E
quando o mundo disser
que
é preciso endurecer para continuar,
talvez
ela se lembre:
algumas
das coisas mais fortes
que
Deus criou
continuam
sendo frágeis.
A
semente.
A
água.
A
luz.
E
uma flor.
Por
isso,
se
algum dia ela olhar para trás
e
pensar que apenas sobreviveu,
que
alguém lhe diga baixinho:
não.
Você
floresceu.
E
talvez essa seja
a
parte mais bonita da história.
Porque
a guerra passou.
O
vento passou.
As
noites também.
E
ela ficou.
Ainda
sensível.
Ainda
caminhando.
Ainda
flor.


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