sábado, setembro 01, 2012

Entrevista com o Poeta e Pastor Carlos Nejar


       As letras e a Palavra sob a ótica de Carlos Nejar
Originalmente publicado em http://pibnet.com.br
Carlos Nejar, casado com Elza Nejar, pai de 4 filhos, pastor há 2 anos na Comunidade Evangélica do Deus Vivo, no Rio de Janeiro. Procurador de Justiça aposentado é poeta, ficcionista, crítico e ocupa a 4ª cadeira na Academia Brasileira de Letras. É autor de vários livros internacionais e cerca de 50 títulos publicados no Brasil.
O que Jesus representa em sua vida?
Tudo. Ele vive sem mim, mas não vivo sem Ele. Rick Warren expressou com felicidade, citando Cl 1.16 - "Pois todas as coisas, absolutamente todas nos céus e na terra, visíveis e invisíveis começaram, Nele e Nele encontram seu propósito". Ainda mais que só podem chegar a Deus Pai, através do Filho, Jesus. Por remir todas as raças, crenças e nações, como diz no Apocalipse. O Cordeiro, o único digno de abrir o Livro da Vida e da Eternidade. Há que viver a Palavra que se revela em vida e plenitude.

Qual é sua relação com a Palavra de Deus?
Minha relação é total! É o centro. A Palavra nos purifica e nos salva. Cremos através de ouvir a Palavra de Deus, assim, a Palavra é o princípio e o fim de nossa fé. O centro da ComunidadeEvangélica do Deus Vivo, na Urca a qual sirvo com o Ministério, é a Palavra de Deus.

Como poeta, qual sua análise dos livros poéticos da Bíblia: Salmos, Eclesiastes e Cantares?
Os Salmos nos falam da glorificação a Deus -"tudo o que tem fôlego louve ao Senhor"; Cantares fala do amor entre Jesus, o noivo e a Amada, a Igreja fiel; o Eclesiastes nos põe diante do tempo que passa, a sabedoria de viver em Deus. Ainda estamos no antes, vendo os sinais do depois: "Antes que se quebre a cadeia de prata, e se despedace o copo de ouro; e se despedace o cântaro junto à fonte, e se despedace a roda junto ao poço. E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu" (Ec 12.6-7).

A internet é um risco para literatura impressa?
Não. Completa com nova instrumentação. O único risco é o da burrice ou ignorância, que não vêm, felizmente, da técnica sabiamente utilizada. É como a pá, o arado e o trator.

O que representa a honra em fazer parte da Academia Brasileira de Letras?
A Casa de Machado é o privilégio de conviver com grandes inteligências, algumas geniais - deste País. E presidentes, ministros, embaixadores, educadores e a maioria, grandes criadores de nossa literatura. A corrente de Machado pugnou pelos escritores e Joaquim Nabuco, pugnou pelas personalidades eminentes. Há ali um constante diálogo de cultura, sejam nas conferências abertas ao público nas terças, seja nas publicações, sejam nas duas bibliotecas, ambas primorosas. E o importante: A Academia se abriu para o povo. E o povo para a Academia, hoje a mais valiosa entidade cultural da América Latina.

Como está a academia hoje?
Tem avançado no tempo, para que a poeira não a enterre. E a imortalidade, como afirmava Sartre, deve voltar-se para a vida. Cícero Sandroni foi um grande presidente, com visão institucional. Atualmente o Ministro Marcos Vilaça dirige a instituição e é um homem voltado para o coletivo e a modernidade.

50 livros publicados, cada um deles é especial, certamente é como se fosse um filho, mas fale de um em especial?
Sim, os livros não são apenas nossos filhos, muitas vezes são nossos pais. Nascemos deles. Mas há um que amo sobremaneira e está esgotado – Todas as fontes estão em ti. Foi editado em 2000 pela Eclesia e ganhou o prêmio do melhor livro religioso do ano, em S. Paulo. Fala da vinda de Jesus (mantidas as distâncias) - é o meu Cântico dos Cânticos.
Tenho novidades editoriais: a primeira é “A Poesia Reunida” pela Ed. Novo Século, de São Paulo, “História da Literatura Brasileira”, ampliada até autores atuais, pela ed. Leya; a publicação até junho de “Os Viventes”, em 3ª edição, com mais de 300 novas criaturas, formando uma espécie de Comédia Humana em miniatura. Trabalho há mais de 30 anos essa obra, sempre em progresso. Penso que agora é a versão definitiva.

Como foi a chamada de Deus para ser um pastor?
Passei vinte e seis anos na Igreja de origem presbiteriana (Igreja Cristã Maranata) e ali Deus já me usava com graça na Palavra. Dali desliguei-me fraternalmente, depois que em 11 de janeiro de 2008, pela Igreja da Assembléia de Deus, Tabernáculo de Israel, fui ungido. Havia sinais há mais de dois anos, prenunciando a unção e eu protelava. Antes, em sonho , recebi de Deus o nome do Ministério - Ministério do Deus vivo, que assumi na plena alegria de servir.

Qual é o seu autor brasileiro preferido?
Na nossa literatura, para mim, há Machado de Assis e depois, Guimarães Rosa, de Grande Sertão Veredas. Poetas, Drummond, João Cabral, Jorge de Lima e Cecília Meireles.

Qual é sua opinião sobre as recentes declarações de José Saramago sobre a Bíblia?
Na capa do Jornal de Letras, de Lisboa, de 21 de outubro de 2009, lê-se “José Saramago – o peso de Deus!”. E Deus não é peso para quem o conhece ou aceita. Ao contrário, leva sobre si todo o nosso peso, infortúnio, enfermidade. E é quem nos liberta e restaura. E digo isso por experiência própria. Não é a soberba humana ou a petulância que o tocam. Está acima dos conceitos. Acima da luciferina inteligência. E Saramago não deixa de ser um predicador às avessas. E por mais que vocifere ou raciocine, não mudará Deus num til. [...]

Qual é seu maior sonho?
Estar com Deus, o dia mais jubiloso, Aquele que é meu Amigo e é fiel. Antes, guerrear pela Palavra, para que o maior número de vidas sejam salvas. Quero subir com uma multidão, fazendo com que Deus alcance também os grandes deste mundo. Já dei há muito o primeiro passo - como ensina Rick Warren - os demais são de Deus em nós.

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"Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará sem dúvida com alegria, trazendo consigo os seus molhos"(Salmos 126.6). Não viemos para a derrota, viemos para fazer a diferença. Não viemos para ser cauda, mas cabeça. Louvado seja o Senhor, por isso!

Um comentário:

Amoa disse...

Me converti há pouco tempo. E cheguei a pensar que teria que deixar a poesia por causa da conversão. Mas como deixa-la se foi Deus mesmo quem me deu. Minha poesia só precisa de esperança. Já encontrou.

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