quinta-feira, abril 13, 2017

O Cristo e sua Páscoa: 3 Poemas


Paixão

Newton Messias

Foste pendurado nu entre céu e terra
como se ambos te condenassem ao degredo.
Mas não: convulsionou-se aflita em baixo a terra
e em cima o céu, em pleno dia, fez-se negro.

Foste traído pelo amigo, aprisionado
e bem alto, de abandono, se ouviu teu grito.
Como se até mesmo por Deus abandonado
morresse fora dos muros um ser maldito.

Mas em segredo e longe dos olhos humanos
(são sempre ocultos os milagres mais reais)
o véu do templo se rasgava totalmente.

Sinal que o Pai cumpria enfim antigos planos
de perdão, reconciliação, gratuita paz:
inaugurando um novo reino para sempre.



O milagre da Páscoa

Rosa Leme

Seu amor divino ilumina nossos corações.
A grande infâmia e as dores agudas
O seu amor e o poder da sua paz.
Da cruz serve para revelar 
Ele se esvaziou...
Resplandeceu dos seus lábios.
Ali pregado na rude cruz ele não exaltou. 
Só o amor e a graça
Desse mundo árido, seco.
Ele teve sede ofereceram o cálice amargo. 
Ele sentiu a aridez má, 
O terrível cálice da ira
Foi transpassado pela afiada espada.
Esgotou até a última gota 
Do amargo cálice 
Sobre o maldito madeiro da cruz. 
“Eloi, Eloi, Lamá sabactani...”
Estou firme no glorioso caminho;
O grito de angustia resume 
O fim do tormento das trevas.
 A morte está vencida. 
Tudo está consumado. 
No gozo do céu a coroa de amor
Feliz páscoa para todos!
Substituiu a coroa de espinho. 
A cruz vazia é a evidencia 
Que o milagre do amor
Já foi concluído.



DE TAL MANEIRA

Julia Lemos

O homem que amou o mundo de tal maneira
não fez poesia.
mas suas palavras incandesciam
varavam portas e prorrompiam
as paredes do coração

O Mestre não era homem de poesia
mas sua frases arremessavam-se tais torpedos
acordando reis estarrecidos.

Não era lírica a voz do homem que se apaixonou
daquela forma pelo mundo.
Falava dos lírios
dizendo que se tivéssemos fé 
seriam assim nossos vestidos.
Falava dos pardais
para nos lembrar a nossa importância,
Deus teria todo o cuidado se a Ele
entregássemos nossos mais secretos fardos.

Eram como versos brancos
as suas palavras lisas e de pedras pontiagudas
ferindo nosso amor de brilhantes,
safiras, águas marinhas, turmalinas. 
E ungia-nos com óleo fresco e a água lustral
que se davam aos deuses.

Na noite já alta ele despedia amigos
com os corações contentes
e as mentes cheias de perguntas.

Dobrava os joelhos.
Lá no monte sua voz ecoava
em remoinho pelo deserto:
- Pai!
Falava sobre os homens 
e suas palavras eram ouvidas a meio-tom
por um Deus perplexo.



4 comentários:

Nal Pontes disse...

Lindas e expressivas poesias que falam do amor incondicional de Deus por nós. Vim desejar para vc um dia maravilhoso de Páscoa. Bjs querido. Amo vc e Deus ainda mais.

Sammis Reachers disse...

Olá Nal,

Obrigado por seu constante carinho e sua presença amiga, querida.

Deus lhe abençoe sempre mais e mais!

Yas Araújo disse...

Sammis, obrigada pela consciência, pelo pensamento e reflexão que você produz, pelo poder de Deus. Vou dar os créditos a esse blog e compartilhar essa poesia no meu omacrostico.blogspot.com . Deus te abençoe, irmão

Sammis Reachers disse...

Olá Yas,
é um prazer poder servir a Cristo e aos irmãos/leitores, divulgando tão bons trabalhos que tenho encontrado. Não poderia fazer diferente.
Obrigado por compartilhar, e parabéns por seu abençoado espaço!

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