domingo, outubro 25, 2015

CONSAGRAÇÃO, poema de Frances Havergal


CONSAGRAÇÃO

Frances Havergal
Tradução de Jonathas Braga, a partir da letra do Hino Take my Life

Toma-me a vida e faze-ma, aonde eu for,
Somente consagrada a Ti, Senhor.

Toma-me as mãos e adestra-as para Ti,
Por teu amor movidas sempre aqui.

Toma-me os pés e induze-os a correr,
Ágeis e prontos a te obedecer.

Toma-me a voz e deixa-me cantar
Para o teu nome excelso eu exaltar.

Toma-me os lábios e enche-os de louvor,
Tua mensagem a anunciar, Senhor.

Toma-me a prata e ouro que eu tiver,
Pois não desejo nada te esconder.

Toma-me os dias todos a passar,
Que ao teu louvor os quero consagrar.

Toma-me a inteligência e quanto sei
E aplica-me ao serviço do meu Rei.

Toma-me da vontade a alta expressão
E põe-me sob a tua direção.

Toma-me o coração; faze-o leal,
E ele há de ser teu trono perenal.

Toma-me o amor profundo e singular
Que eu, aos teus pés, me apresso em derramar.

Toma-me a mim, Senhor, e quanto é meu,
E eu serei sempre teu, somente teu.

Do livro O Cântaro Junto à Fonte (JUERP, 1971)

quarta-feira, outubro 14, 2015

Dois poemas de Erika Simone


Tradução de Sammis Reachers

CORRE

Corre.
Vai e conta
do amor de Cristo,
de como Ele morreu por ti,
e diga-lhes que são pecadores e
que a salvação deles urge.
Vai, não tenhas medo.
Cristo manda:
Corre.


TOMA

Senhor, toma o que é teu.
Em minha vida usa o que
serve para Deus.
De minha vida retire o que
não devo ter.
Toma e usa o que é teu.
Toma e usa o que é “meu”.
 Cria em minha vida o que
te possa servir.
Em minha vida deixe só o que deve estar.
Sei que nada é meu.

O que tenho, tudo, é teu.

Do blog https://meditarenmaravillas.wordpress.com

domingo, outubro 11, 2015

SORTEIO DE LIVROS: RESULTADO


Amados amigos e leitores, realizamos hoje o sorteio dos seis livros da autora Margarete Solange.

Os felizardos são: 

Abia Oliveira
Nal Pontes
Maria Nascimento
Vilma Pires
Diego Bezerra
Josemberg Eduardo

Estamos entrando em contato com os vencedores, para obtermos o endereço para remessa dos livros. A todos que participaram, nosso muito obrigado.
Dentro em breve realizaremos mais sorteios de livros, fiquem atentos!

O Senhor lhes abençoe!

sexta-feira, outubro 09, 2015

Três poemas de J.T. Parreira


O QUE DISSE UM DOS MALFEITORES
A caminho da morte não falou, a sua boca
reservava-se ao silêncio divino, dentro da alma
chorava talvez. Assim vi o melhor espírito de Israel
consumido pela dor
numa cruz, vestido do seu próprio sangue
atravessando o coração do Pai.
Ao meu lado a arrastar a voz ferida
a deixar no ar palavras de perdão.
Digo
aquela cruz não era para um Deus, eu que sou
um malfeitor a quem Ele deu uma rua de ouro
no Paraíso.
08-10-2015

ESPERANÇA
Este é o meu repouso, aqui habitarei
por algum tempo, neste templo sem ritual
sou sagrado e adoro Deus, aqui a Sua mão 
compõe-me sem argila. Musicalmente no silêncio
a Sua mão compõe-me, ossos e carne 
são a alegria da sua voz, o riso dos seus olhos 
só a mãe a abraçar o ventre e eu ouvimos 
a música, como a música contínua 
que parte das estrelas. Converso sonhos
com ela e estou neste berço de águas quietas. Aqui 
no resplendor da obscuridade onde repouso.
06-10-2015

KADDISH PARA UMA CRIANÇA QUE NÃO VAI NASCER
Bendita és tu como fruto do ventre, onde vives
ainda fruto do Amor, bendita és porque te acompanhou
o toque de violinos enquanto teu pai e tua mãe se abraçavam.
Benditos todos os sonhos que te fizeram e que caíram
depois das nuvens.
Que seja bendito o teu nome que não chegas a ter.
Tocai anjos, depressa, as últimas
notas nas trombetas pela criança que não vem ao mundo
pela ave que vai voar sobre um mundo
que não conheceu. Bendito todo o ventre
que não seja um Auschwitz dos filhos por nascer.
29-09-2015

quinta-feira, outubro 01, 2015

Um poema e um jogral de Natália Fonseca



O Caminho para a Esperança

Do Caminho para a Esperança
Ouvi falar… já faz tempo…
Ó doce lembrança!
Compreendi
Que a vida tinha mudado
Já tinha Alguém ao meu lado
Que me amava e conduzia
Era o começo de uma fé
Tão pequenina e singela
Era a suprema alegria
E sentia
Que começava a viver aconchegada
No santo amor de Jesus!

É através do Caminho para a esperança
Que hoje quero falar do meu Senhor
Às flores pequeninas a crescer
Aos que, em guerra,
Pensam que, sozinhos,  tudo é possível vencer.
Aos olhos mortiços…
Cansados…
Aos que já nem sonham
E desolados só dizem:
Não vale a pena viver.
Sejam todos amparados
E ternamente enlaçados
No santo amor de Jesus!

Percorrido o Caminho para a esperança
O amanhã é já uma vitória.
Sem palavras mas em profunda gratidão
Sei que foi pela graça divina
Que me foi concedida a salvação.
Anseio deixar este mundo…
Viver no venturoso lar
Plácido e belo lugar
Onde habita a plena Luz.
Assim, é no dealbar da eternidade
E com coração em paz
Que anseio viver para sempre
No santo amor de Jesus!


“Na cidade de David vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo Jesus”

Que em socorro do pobre pecador
deixando o céu e a Sua glória,
veio à terra p'ra tomar em Suas mãos
o plano da nossa salvação.
Estranho lugar este onde abundava a perdição,
onde os homens em fábulas embebidos
e corações empedernidos adoravam falsos deuses.
A oração do sacerdote era vazia…
pobre nação que assim ficava indiferente
à voz da profecia.
Mas, naqueles campos onde o jovem David
outrora em alegria, salmodiando,
guardara os seus rebanhos,
vigiavam agora outros pastores…
Conversavam, oravam pela vinda do Rei Libertador
da casa de Israel.
O Messias que há tanto tempo era esperado…
Ah, bela era a visão:
Vê-Lo-iam no trono com todo o Seu poder
Viria em triunfo, em santa exaltação.
O anjo porém lhes deu a conhecer
Que viria em pobreza e humilhação…
Sim, como entender?
Então o celestial mensageiro acalmou os seus temores
e depois de tudo conhecerem
com fé humilde compreenderam.
Jubilosos pois, caminhando disseram, olhando o céu:
“Vamos a Belém, vejamos o que lá aconteceu”
Sabemos que encontraram o Menino e O adoraram.
Quantas gerações já são passadas,
quanta turbulência este mundo já viveu…
E, como então, mais importante do que a Santa lei
são as muitas doutrinas que os homens a cada dia inventam
os deuses que constroem e aos quais se ajoelham…
um mundo de prazeres que não pára de crescer,
que blasfema e escarnecendo pergunta:
Existe Deus? Onde está? Quem é? Não O conheço!
Mas o mesmo Deus ainda nos fala,
Jesus intercede.
É o nosso poderoso Advogado.
E o Espírito segreda, convida com ternura:
Eis a doce Voz:
Vem! Crê somente!
Não sentes a forte mão que te segura?
Aceita agora…
Pois sou o teu Deus, o teu Senhor!
Tu és meu filho
és um pequenino ramo da videira
a quem Eu amo,
a quem quero dar a seiva da vida verdadeira.
Vem!
Sim, este é o Salvador que ainda hoje vem
em socorro do pobre pecador!
Mas… pergunto-me por vezes…
Quando?... Quando virás, Senhor, p'ra nos buscar?
Então vejo que é o próprio mundo que responde:
um mundo que está desesperado,
cruel, louco, caótico… à deriva
e mergulhado na lama do pecado.
Sinto então que só Jesus é minha esperança
E não desisto de O amar mais em cada dia.
Sei que Ele virá…
será um dia de glória… oh, que alegria!
Vê-lO, Rei do universo, a Suprema Majestade
reunindo os Seus remidos…
p'ra levá-los ao lar celestial
onde habitarão por toda a eternidade…
E, naqueles lugares de sonho, tão bonitos,
no Éden recriado com amor,
todas as criaturas O aceitarão como Supremo Criador!
Lá andarei lado a lado com Jesus…
conversaremos.
Quero contar-Lhe tantas coisas! Ouvir a Sua voz…
E, com o coração em festa e com infinita gratidão
eu vou agradecer-Lhe.
Porque um dia, deixando o céu, Ele veio a esta terra
P'ra tomar em Suas mãos
a minha salvação.

quinta-feira, setembro 24, 2015

SORTEIO DE LIVROS - Romance, conto e poesia - Participe!


Amados irmãos, amigos e leitores, o blog Poesia Evangélica mais uma vez traz até vocês uma ótima promoção.

Desta vez apresentamos a rica obra de Margarete Solange Moraes, escritora potiguar que é autora de oito obras publicadas, abarcando romance, crônicas, contos e poesia. Para que vocês conheçam e se deleitem com a obra desta professora-escritora, sortearemos seis exemplares de seus livros.
Para participar é fácil: Deixe um comentário neste post, com seu nome e e-mail, e responda a pergunta: Em que estado nasceu a autora Margarete Solange? No dia 11 de outubro sortearemos, dentre aqueles que responderem corretamente, seis ganhadores que receberão um dos livros abaixo (o título será escolhido a nosso critério). Ou seja, serão seis livros sorteados: você tem seis chances de ganhar.

O Velho e a Menina
O amor pela menina o fez o velho aprender a sonhar novamente. O sonhar impulsiona o homem a sentir-se capaz. A vida precisa dos sonhos para ser melhor vivida. Não importa se esses sonhos são possíveis ou impossíveis: é preciso ousar! O desesperançado é somente um fantasma sem voz, sem alma, sem rumo. É natural do ser humano querer ser admirado por seus feitos, e ser considerado grande mesmo na sua pequenez. E para ser grande é preciso perseguir os ideais até alcançá-los, ou morrer lutando sem desistir jamais da batalha.O amor pela menina o fez o velho aprender a sonhar novamente. O sonhar impulsiona o homem a sentir-se capaz. A vida precisa dos sonhos para ser melhor vivida. Não importa se esses sonhos são possíveis ou impossíveis: é preciso ousar! O desesperançado é somente um fantasma sem voz, sem alma, sem rumo. É natural do ser humano querer ser admirado por seus feitos, e ser considerado grande mesmo na sua pequenez. E para ser grande é preciso perseguir os ideais até alcançá-los, ou morrer lutando sem desistir jamais da batalha.


Contos Reunidos
“Contos Reunidos” traz uma seleção de histórias já publicadas em obras anteriores, além de outras inéditas. Os contos, em sua diversidade temática, formam um mosaico da vida, repletos de múltiplos olhares, textos e intertextos, discursos e contradiscursos. Cada narrativa está repleta de casos que vão do trágico ao cômico num piscar de olhos. Margarete Solange é uma mulher de posicionamento crítico, por isso, em determinados momentos, será possível que o riso dê lugar ao pranto, ou, quem sabe, à indignação. A autora produz textos com conhecimento de causa, sabe elaborá-los com maestria, pelo que surpreende, demonstrando uma maturidade peculiar ao abordar temas diversos com criatividade, sensibilidade, drama e humor, o que torna a leitura de seus contos aprazível, até mesmo para aqueles ainda pouco afeitos à leitura.


Fazenda Solidão 
Sinopse: A velha casa construída pelos antepassados do escritor fica isolada num alto depois da Curva da Morte. Na Fazenda Solidão a paisagem é fascinante, um lugar cheio de encantos naturais que inspiram Rodrigo a escrever romances e poesias. Sua vida está plantada como profundas raízes no chão do lugar; no entanto, por causa das muitas dívidas contraídas pelo irmão mais moço, a propriedade terá que ser vendida. Elizabeth, herdeira das terras vizinhas, propõe comprar a fazenda, porém impõe uma condição que Rodrigo a princípio não quer aceitar.


Inventor de Poesia
Reúne poemas com multiplicidade de temas, para leitores de preferências diversas em qualquer idade. A autora, que não se declara poeta, mas se diz escritora de versos, é dona de um estilo bem próprio: criativo, divertido e inteligente; fortemente caracterizado pela intertextualidade e metalinguagem. Surpreende com o talento que tem vindo da alma para criar e com a arte que possui para lapidar, aparar e montar seus versos. Num mergulho à literatura universal, a autora conversa com o escritor Allan Poe nos poemas “Pra Sempre” e “Nunca Mais”, e com Elizabeth Bishop, respondendo ao seu poema “One Art”, com o poema “A Arte de Perder”. Leva o leitor a visualizar cenas que ela pinta com palavras, conseguindo deslocar o leitor para dentro de sua obra. Enfim, são poesias para todos os momentos, que provocam no leitor as mais variadas reações, desde simples descontração a profundas emoções e deleite espiritual.

Para conhecer mais sobre a autora e suas obras, acesse: http://escritoravidaeobra.blogspot.com.br/

terça-feira, setembro 15, 2015

POESIA CRISTÃ, CD com poesias declamadas de Antonio Costta - Baixe grátis


Baixe gratuitamente o excelente CD "Poesia Cristã" - contendo 30 sonetos de Antonio Costta, recitados, com fundo musical, pelo grande locutor da Rede Globo Nordeste - Jô Santos. 


Para baixar o CD basta clicar neste link: 

segunda-feira, setembro 07, 2015

Brasil - Independência ou Morte / Cristo - Independência e Vida - Poema de Eliúde Marques


Brasil - Independência ou Morte
Cristo - Independência e Vida

Brasil colonial - gigante acorrentado.
Ainda um forte povo estando escravizado,
inúmeros heróis tombaram nas cidades
num derradeiro esforço em prol da liberdade.

Tiradentes jamais se apagará da história:
o marco que deixou é símbolo de glória.
Coragem, sacrifício, segredo e imprudência,
traição, morte e degredo naquela inconfidência,
acordaram o gigante, belo adormecido,
inflamando o seu povo até à Independência.

                     *  *  *

O Riacho do Ipiranga reflete um céu nublado,
D.Pedro às suas margens pensa no passado...
Segura e decisiva notícia chegou:
Seus Atos importantes Lisboa cancelou.
Revolta-se ofendido e nisso encorajado,
exclama altissonante, intrépido e forte
- "Ninguém nos escravize, laços fora, soldados,
seja nossa divisa: Independência ou morte!"

Cento e cinquenta anos, Brasil independente...
Deixou de ser futuro e se tornou presente.
Territórios crescendo e se tornando Estados;
alongam-se as estradas, sonho realizado.
É o gigante que se ergue em marcha de progresso
ante as grandes potências rumo ao seu sucesso.
Marcou a Independência a luta triunfal
que teve em seus heróis a força do ideal.

                        *  *  *

JESUS CRISTO, também, traído e condenado,
inocente morreu pela libertação
das almas que viviam presas no pecado,
sem ter domínio próprio e sem a redenção.

A Pátria livre, faz seu sesquicentenário*
e há séculos atrás no cimo do Calvário,
Jesus nos proclamou a liberdade e paz
e um Reino singular que acabará jamais.

A luta contra o erro, o vício, a corrupção
há de continuar em prol da salvação.
Não ficará em vão o sangue de Jesus,
que derramado foi por nós na rude cruz.

Portanto, brasileiro, é dupla a tua sorte,
por isso, eleva a Deus tu'alma agradecida:
D.PEDRO proclamou Independência ou Morte
e CRISTO te oferece independência e Vida!

*07 Set de 1975
Do livro Luzes do Arrebol - Poemas que a fé inspirou

terça-feira, setembro 01, 2015

Dois poemas de Josué Ebenézer


PALAVRAS
Palavras, que são palavras,
esta forma de expressão?
Extraídas das próprias lavras
de quem faz comunicação.
Palavras de todas as formas
tamanhos vários e sons;
palavras transgridem normas
mesmo nos corações bons.
Palavras soltas ao vento
desprendidas do papel;
palavras libertas da frase
em busca do próprio céu.
São palavras tão rebeldes
inquietas em seu ser;
carregadas de seus signos
fecundadas de saber.
Palavras simples, difíceis,
prenhes de significação;
palavras rebeldes, dóceis
seres vivos em sujeição.
Palavras sedimentadas
carvalhos na Terra-Idioma;
palavras adolescentes
rés do próprio genoma.
As palavras nos possuem
quando vem inspiração;
os seus signos influem
na mais forte emoção.
Palavras, pássaros velozes
planando suavemente;
palavras encorpam vozes
sentidos de cada mente.
Há palavras assustadoras
rudes como xingamento;
há as pacificadoras
suaves brisas ao vento.
Há palavras qual espadas
que penetram fundo o ser;
há aquelas recalcadas
que só querem aparecer.
Palavras, mais que palavras,
são setas do coração;
quando disparam sem travas
podem causar comoção.
Se vêm de coração puro,
palavras são bênção e paz;
mas vindas do obscuro
intuito cruel subjaz.
Quero as palavras mais lindas,
quero aquelas mais belas.
Palavras com ramas infindas:
flores, canteiro, aquarelas.
Palavras que atapetam vias
onde transita o amor;
palavras que encorajam vidas
com mensagem e dulçor.

POIESIS
A vida alimenta a poesia
e a poesia alimenta a vida.
O poema é a refeição dos
corações inquietos de significação.
A poesia revela o escondido
e esconde o revelado.
Pra alcançar a revelação
é preciso sensibilidade.
Pra ter acesso ao escondido
é preciso possuir a chave.
Só acessa a poesia
quem está com o sonho em dia.
Pra alimentar, o poema precisa se nutrir.
O poema se nutre do silêncio
e, também, das falas do cotidiano;
o poema se nutre da dor
e também da inquietação;
mas, acima de tudo, do amor
e da paz do coração...

quinta-feira, agosto 27, 2015

Três poemas de Ronilso Pacheco


O BAQUE, OS FUZIS E OS SONHOS

Rumos de um mundo perdido
De onde nossos sonhos acuados, se vão
Soprados pelo vento, violento, com sua força descomunal
Empurrando para o longínquo, nossas esperanças

E o nosso moderno mundo caminha nas trevas
Desesperado, atordoado, desnorteado, cheio de riscos
Em busca de alguma luz, qualquer luz, que faça-nos iluminar
Enquanto olhamos distraídos para o nada

Haja luz! Haja luz!
Sem guerra, sem pressa, sem ansiedade de não morrer
Sem ira, sem fúria, sem dor ou temor
Sem qualquer fuga que nos impeça de viver
E é preciso viver, para experimentar a vida com Deus
E é preciso Deus, para experimentar a vida

Haja luz! Haja luz!
Sem erro, sem peso, sem frustrações por não voar
Sem fardo, sem culpa, sem indiferença ou descrença
Sem a covardia que adia, a capacidade de sonhar
E é preciso sonhar, para alcançar Deus
E é preciso Deus, para alcançar os sonhos

O nosso desespero nos afronta
Enquanto nós seguimos, seguindo, adiante, esta tensa estrada
Que diga-se de passagem, não nos une, antes, muito mais afasta
Nos distanciando da possibilidade de sermos irmãos e irmãs
E de termos uma só caminhada rumo à eternidade

E zomba-se da eternidade como se ela fosse eternamente inalcançável
Como se o finito das quatro paredes do mundo
Fosse de fato a nossa morada em castelo ou masmorra
De onde nem mesmo a mais astuta alegria poderia escapar

Olhemos para o alto! Vejamos o ar!
Com força, com zelo, com disposição para caminhar
Com fé, com certeza, com humildade e convicção
Com a ousadia que cria, a capacidade de se libertar
Porque é preciso a liberdade, para se expressar Deus
E é preciso Deus, para experimentar a liberdade



A POESIA E A PEDRA


A pedra mói o tempo,
o tempo esmaga a rocha
não obstante, se a rocha é sonho,
o sonho não desmancha
o sonho dilui, e se mantém

A marreta violenta a ideia
a ideia perfura a terra,
no entanto, se a terra é riso,
o riso não se fere,
o riso interdita, e retorna

A espada retalha o vento,
o vento despedaça a ponte,
mas, se a ponte é discernimento,
o discernimento não despedaça,
o discernimento rompe, e ergue

A areia encobre o vazio,
o vazio usurpa o abrigo,
no entretanto, se o abrigo é palavra,
a palavra nunca é usurpada
a palavra subverte, e vence

O murro derruba o silêncio,
o silêncio enterra o rio,
mas talvez o rio seja poesia,
a poesia não é enterrada,
a poesia se mantém, e retorna, e ergue, e vence



CONTRATERRORISMO GLOBAL

Nosso perigo iminente
jamais se afastara de nosso instante,
de todo lugar, de maneira inclemente,
a surpresa é um espanto que nos tange.

Invisível, o inimigo confunde nossa mente,
e desconfiar que ele é o outro, nos constrange.
Percorremos o pavor que corta o Ocidente,
capitulamos ao terror, que corta o nosso sangue.

O inimigo, não fala a nossa língua.
Será que ele tem a nossa cor?

Liberdade e democracia, ainda são temas prementes,
mas é a supressão disso que hoje nos confrange,
pois lá fora, a tensão abafa gritos estridentes
que irrompem de nosso interior em transe.

Acho que o inimigo tem o rosto de todas as gentes,
e é isso que nossos defensores não abrangem,
pois o terror – e o que o evita – tem a solidariedade ausente,
e este peso vem sobre nós, acachapante.

O inimigo, não fala a nossa língua.
Será que ele tem a nossa cor?

Quantas guantânamos abrigarão nossa gente,
enquanto caos e medo nos deixam estanques?
E quanta hostilidade em nosso temor subserviente,
enquanto nossas estimativas continuam frustrantes.

Acontece que não há inimigo evidente.
Então, quem será que, no escuro, os dentes range?
Nossas perguntas [e dúvidas] são estilhaços percucientes,
que cortam, ferem, o mais absorto infante.

Ao inimigo invisível, armas insuficientes,
ao inimigo visível, o fardo insurgente,
ao medo público, a desconfiança envolvente,
ao medo privado, a desconfiança, sempre.

Neste corolário está ter medo, ser hostil, e ser prudente,
mas prometem: a derrocada do inimigo vem galopante,
se ao autoritarismo, formos condescendentes,
antes que este inimigo cresça, e torne-se pujante.

Mas inimigo, não fala a nossa língua.
Será que ele tem a nossa cor?


As ideias de Ronilso você encontra no blog http://ronilso.blogspot.com.br/

sábado, agosto 22, 2015

Revista Refrigério - Edição especial Dia Mundial da Poesia


A Revista Refrigério é uma publicação gratuita da Comunhão de Igrejas dos Irmãos em Portugal. A revista já está na 158º edição. Em março, a título do Dia Mundial da Poesia, a revista publicou uma pequena edição especial, dedicada ao tema. A edição é agradavelmente ilustrada, e conta com textos dos poetas António Augusto de Almeida e Manuela Campos.

Você pode fazer o download da revista (em formato pdf) CLICANDO AQUI.

segunda-feira, agosto 17, 2015

SER PASTOR, poema de Assis Cabral


SER PASTOR

Ser pastor é sentir o sofrimento alheio.
É levar, com paciência, as cargas do rebanho.
É ter desprendimento e amor em grau tamanho.
É ter o coração de paz repleto e cheio.

É achar-se pronto a ir, sem dúvida ou receio,
Onde Deus o chamar, sem refletir no ganho,
No prestígio social... Pois, nos tempos de antanho,
Os servos do Senhor iam pra qualquer meio.

Ser pastor é pregar a nova doce e pura,
Todo o conselho, enfim, da Sagrada Escritura.
É apresentar Jesus que salva o pecador.

Se você não quiser, num esforço sem pausa,
Viver, lutar, sofrer em prol da Santa Causa
Um conselho lhe dou: não queira ser pastor.


Do livro Canteiros de Bálsamo (1975)

quarta-feira, agosto 12, 2015

CÂNTICO À IGREJA REFORMADA, poema de Jorge Buarque Lira


CÂNTICO À IGREJA REFORMADA

(Lendo Guerra Junqueiro no seu poema “Aos Simples”, de “A Velhice do Padre Eterno...”)

Seguidores de Cristo – almas santificadas,
“que calcais, sob os pés, do pecado os dragões”,
Vós que inda conservais as palavras sagradas
Do Mestre, que de amor são sempre perfumadas,
Trescalando perfume em vossos corações;
Almas feitas de luz e para a luz surgidas,
Da luz que vem de Deus, ó, almas redimidas,
Que sois, aqui, na terra, a Igreja do Senhor,
A verdadeira Igreja, a pura, imaculada
“Esposa do Cordeiro” – o mais sublime amor;
Almas em que refulge a lâmpada sagrada,
A candidez da fé e o puro amor cristão,
Como na primavera as flores vicejantes,
Como na noite escura os astros n’amplidão;
Almas cheias de vida e luzes coruscantes,
Relicários de fé, de coragem e altruísmo,
De humildade, perdão e vera penitência,
Que refletis a luz do puro Cristianismo,
Que rebrilhais ao sol formoso da consciência;
Almas que resistis, com fé, às tentações
Do mundo enganador, iníquo e condenado,
Erguendo para os céus as santas orações,
Vencendo, em toda a linha, o dragão do pecado; -
Recebei, de bom grado o meu humilde canto,
Em que traduz minh’alma a eterna sinfonia
De vosso amor sincero, e forte, e puro, e santo,
Como a glória do sol em pleno meio-dia!
Sois nume tutelar da divinal vontade
Que sempre procurais fazer em boa mente;
E tudo quanto em vós existe de verdade –
- desde a menor virtude até à santidade –
Vem de Deus e vos leva a Deus eternamente!

Recebei este canto, ó! Igreja Reformada,
Que vai com minha prece a Deus, Nosso Senhor,
Para pedir que seja a vossa fé sagrada
Uma lâmpada sempre acesa, iluminada –
Que ilumine o caminho a todo pecador!
De tempos que vão longe, a vossa linda infância,
Infância que nos trouxe a herança divinal,
A nós nos veio a vossa esplêndida fragrância,
Como na primavera tudo em abundância,
Como na natureza uma aurora boreal!
Bendita sejais vós, ó, santa Igreja amada,
Cumpri vossa missão sublime e alcandorada
Que Deus vos outorgou, e aos vossos tanto ufana,
Pedindo a Deus que mande o auxílio divinal,
Que possa combater, sem tréguas, todo o mal –
E muito mais ainda – a podridão mundana!
Orai por todos nós, orai, ó, almas santas,
Pois vossas orações são de virtudes tantas,
Que Deus vos ouvirá, e muito há de fazer
Em prol da humanidade enferma e sofredora,
Que é toda a humanidade abjeta e pecadora,
Que vive a preferir do pecado o prazer!
O vosso amor sincero, e forte e puro e santo –
Em prol da raça humana e a Deus o consagrai,
Pedindo-lhe nos dê o seu divino manto,
E enxugue de noss’alma o grande e amargo pranto,
E a salvação nos dê, com seu amor de Pai!


Do livro Quando a Musa Canta!... (São Paulo: Casa Lyra Editora, 1947)

sábado, agosto 08, 2015

Dois poemas de Karla Fernandes

Leonid Afremov

pedinchona
Senhor, me faça transparente
pra qualquer má mente 

que queira meu fim
que o inimigo não me note
Senhor, que Tuas mãos estejam prontas

para me livrarem do bote
faça por mim o que não posso fazer
quando dependo de mim

meu fim é perecer
que os meus pés 
deixem Tuas pegadas

que minha alma 
pelo Teu sangue seja lavada

me camufle com amor
quero que vejam em mim

o Teu favor
faça com que eu faça
Tudo o que Tu farias

que fazer Tua vontade 
seja minha maior alegria

me deixe perceber Teu ouvir
saber que quando choro

logo estás Tu a vir
quero saber Tua presença
que minha alma à Tua pertença

e então serei feliz
não me deixe ser má 
não deixe a maldade se ser em mim 

quero ser casa exclusiva Tua
que a maldade se abrigue na rua 
bem longe de daqui

me deixa ver Tua poesia
mostre-se soberano 

mate minha ironia
que Tu estejas em cada letra
que por aventura eu escrever 

correr em Tuas palavras 
saltar em Teus relevos

pra mim Tu és aventura
o viver mais radical

amar o próximo é tão difícil 
que muitos preferem fazer o mal

talvez eu fale pouco
e escreva demais 

é que em mim 
a letra desenhada é o que traz paz

me encontrei em teu livro
ó, como amo Teu livro

nele tu mostras 
como Teu mundo é lindo

creio que o decote em minh'alma 
seja propósito Teu 

talvez alguém tenha que ler 
o que em mim o Senhor escreveu

e assim termino minha oração
pedindo utilidade pra esse ser 

pedindo facilidade para Te pertencer
que a palavra escrita seja clamada
que o clamor possa se escrever

que ao Teu coração
meus versos possam pertencer.


justiça pelo sangue
eles se deram para o cumprimento
com sangue marcaram
a terra e o firmamento
disseram sim ao céu
trocaram a vida por fel
mas foram para o paraíso
clamar por justiça e juízo
aqueles que usaram os punhais
e puxaram os gatilhos
vão implorar por misericórdia
ao reconhecerem que de Deus
mataram os filhos
o sangue dos
que perderam aqui a vida
por amor do que no céu habita
há de clamar estrondosamente por justiça
até o dia em que Deus a fizer
aqueles que tiveram como premissa a fé
e que se deram por acreditar em Cristo
regozijarão em suas almas
pois seus olhos O terão visto.

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