sexta-feira, abril 13, 2012

Três poemas de Antonio Magnani


Elena Nazarro

Pai quero apenas ser uma raiz

Pai faz de mim uma raiz sedenta
Que silenciosamente a cada dia rasga a terra obscura
Quero ser apenas uma raiz, sem formosura, sem graça
Que vive submersa, todavia que faz romper
À superficie o mais belo e verde vegetal
Pai desejo ser apenas uma raiz
Desalinhada, esquecida e oculta nas profundezas do solo
Mas que a cada dia, ousadamente fere o árido solo
E se afunda terra abaixo, para permitir que o tronco
Avançe para cima, para as alturas da Divindade
Pai desejo ser apenas uma raiz
Sem formosura, ignota, porém insubstituível
E beber-lhe o alimento essencial
Não para reter ou armazená-lo egoisticamente
Mas para devidi-lo sem reservas
Pai desejo e quero ser apenas uma raiz voluntariosa, generosa, mansa e humilde
Que morre no solo para dar a vida em prol da vida.




Aprendi com o passar dos anos

Aprendi com o passar dos anos:
Que “colhemos aquilo plantamos”, mas muitas vezes também, colhemos o que não plantamos, mas que foram plantados pelos outros.
Que “nem tudo que reluz é ouro”, mas quem nasceu para brilhar, não precisa lustrar.
Que há pessoas que nascem sorrindo, vivem fingindo e morrem mentindo.
Aprendi com o passar dos anos:
Que a verdade geralmente, perde-se em discussões prolongadas.
Que os amigos verdadeiros são mais raros que os diamantes.
Que os tempos difíceis não duram eternamente, mas os fortes, esses sim, permanecem inabaláveis.
Aprendi com o passar dos anos:
Que o mesmo sol que derrete a cera, é o mesmo que endurece o barro, a vida é feita de perspectivas.
Que o mundo evoluiu, mas Deus não se modernizou, e que o pecado continua sendo pecado.
Que "o silêncio vale ouro”, mas há momentos em que silenciar é mentir.
Aprendi com o passar dos anos:
Que não devemos levar para a cama o amanhã, pois ele só causará insônia.
Que não se pode tropeçar quando se está ajoelhado.
Que é melhor evitar a isca do que lutar contra a armadilha.
Aprendi com o passar dos anos:
Que é melhor acender uma pequena vela do que maldizer a escuridão da noite.
Que é preciso ser perseverante, pois foi pela perseverança que o caracol chegou à Arca de Noé.
Que são nas noites mais escuras, que as estrelas brilham mais.
Aprendi com o passar dos anos:
Que as preocupações trazem as nuvens de amanhã sobre o sol de hoje.
Que aqueles que não trabalham, são os que mais atrapalham.
Que podemos fazer coisas em um instante, das quais nos arrependeremos pela vida inteira.
Aprendi com o passar dos anos:
Que apenas uma grama de fé é mais precioso que um quilograma de conhecimento.
Que os bens terrenos são transitórios como as flores do campo.
Que as pessoas são o que são e não o que vestem.
Aprendi com o passar dos anos:
Que devemos amar as pessoas como se não houvesse amanhã.
Que um conselho recusado é mais tarde relembrado.
Que as árvores frondosas, já foram humildes sementes.
Aprendi com o passar dos anos:
Que a morte iguala a todos, mas o destino não.
Que algumas das maiores dádivas de Deus são orações sem resposta.
Que o caminho estreito não tem problemas de trânsito.
Aprendi com o passar dos anos:
Que depois dos 40 anos, o que a maioria das pessoas considera virtude é apenas perda de energia.
Que as decisões de Deus são misteriosas, mas estão sempre a nosso favor.
Que todos nós vivemos sob o mesmo céu, mas não temos os mesmos horizontes.


Dedicado aos que sofrem

Percorri sozinho
Uma longa estrada
Opaca, sem vida, sem nada
A lua generosa
Derramou seu brilho
Em cada canto da estrada

O caminho parecia sem fim
Tornou-se musa inspiradora
Escrevi com a alma e coração
Poemas eternos, sem rimas
Mas com vida, emoção
  
Lembrei-me daqueles que sofrem
Dos que choram, sem ser consolados
De todos os maltratados pelo sistema
Que cria palacetes e barracos
Lembrei-me daqueles que nunca foram amados
A eles dedico este poema
Tecido na essência da alma

Um comentário:

Catarina disse...

gostaria de parabenizar o autor pelas poesias. vejo um olhar maduro sobre a vida no segundo poema, que comunicou muito comigo. Paz!

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