quarta-feira, fevereiro 07, 2018

Quatro poemas de C. T. Studd


Antegosto[1]

Charles T. Studd
Tradução de Cesare Turazzi
                   
Quero ser como Jesus,
Ele que do Trono veio a descer
E por pecadores dignos do inferno
Viver, servir e morrer.

Deixando toda Sua glória,
Seu poder deixou de lado;
Seu prato de entrada: ah!, uma manjedoura!
Seu prato principal: crucificado!

Nós, tolos, O rejeitamos
E deixamo-lO,
O único verdadeiro Vitorioso
Que já viu esse mundo de pó.

Por homens, desprezado, rejeitado;
Por demônios, divinizado;
Por amigos, negado, abandonado;
Por anjos, glorificado.

Viverei e morrerei por Jesus,
Batalhando pelo que é direito,
Proclamando a salvação de Cristo
Aos pecadores à esquerda, à direita.

Não serei uma boneca de porcelana,
Vivendo no conforto do lar;
Mas serei um soldado cristão!
Que com Cristo ama andar.

Não me esgueirarei!
Tais palavras reverberam:
“E os seus compatriotas irão
à guerra enquanto vocês aqui ficam?”.

Antes um incrédulo,
Jamais confessando Seu Nome,
Do que, confessando-O,
Alguém que da batalha some.

Se pregasse e ensinasse
As bênçãos que podemos receber,
Eu não encalharia em Bretanha
Para mero falar e escrever.

Não diria aos demais: “Vão,
Os lobos requerem atenção;
Quanto a mim, agradarei as ovelhinhas
Que frequentam nossas assembleias.”

Eu não teria coragem de criticar
Os guerreiros em epopeia,
Se coragem não tivesse de
Deixar a barra de saia da Sra. Europeia.

Eu não seria um falastrão,
Com substantivos, verbos,
Frases e versos polidos,
Palavras tantas em aliteração.

Tais podem agradar senhoras,
E de ambos os sexos servos;
Um soldado, porém, elas nauseiam,
Irritam e dão nos nervos.

O coração dum soldado é simples,
E veraz, e bravo, e forte;
Não é dado aos sentimentos
Sensíveis de um mote.

As obras de um soldado
São forjadas em obras de ouro,
Ele não cultiva flores,
Ele reputa meras palavras por coisa de tolo.

Suas palavras, poucas e simples:
Ditas num supetão,
Chegam a soar como trovão,
Como que um raio do céu, um clarão!

Seus comandos são frios,
E concisos, e sonoros, e ásperos,
Mas movem sua artilharia,
Soldados a cem, a mil!

Seus homens estão fatalmente certos
De que, enviados à batalha,
O comandante não ficará em Bretanha
Com medo do calor da fornalha.

O “vá” do capitão significa “vamos!”,
Ele luta à frente de seus homens;
Nenhum prazer, riqueza mundanos
Seriam motivo para abandoná-los.

Assim Jesus guia o caminho
E protege-nos a retaguarda;
Ele permanece no pior da batalha,
E salva, e socorre, e exorta.

Hei de dar tudo por Jesus,
Como o valente Epafrodito,
Que arriscou a vida por Paulo,
O príncipe do exército de Cristo.

Como melhor viver, sendo Seu,
Do que dando tudo por Cristo,
Que viveu e morreu por pecadores,
Que dos céus desceu?

Viverei e morrerei por Jesus,
Guerreando pela reta justiça;
Proclamarei a salvação de Cristo
A pecadores, noite e dia.


Sem Justificativas

Charles T. Studd
Tradução de Cesare Turazzi

Nosso Salvador ordena:
Crendo em nossos corações,
Que preguemos a Salvação
Por toda a terra, a todas as nações.

O mundo está escancarado,
As terras já foram exploradas;
As dores e carências dos ímpios
Pelo Senhor só podem ser saradas.

Nunca tivemos tantos cristãos,
Nunca foram tão ricos e intelectuais;
Nunca se profissionalizaram tanto.
Por que desejamos o mundo mais e mais?

Engordamos de banha feito Jesurum?
Nosso fígado, ou cabeça, inchou?
Tornamos-nos paralíticos?
Ou surdos ao chamado que Cristo nos legou?

Quando navegar seria tão fácil?
De mar a ultramar, entroniza-se paz, paz;
Viajar nunca foi tão simples,
“Vaza-nos”, hoje, impetuosidade assaz.

Como fitaremos nosso Salvador
Quando, em glória, dos céus retornar
E perceber que, negligentes, deixamos
De mesmo sequer a uma tribo pregar?

Se os soldados ou marinheiros de Jorge V.
Fossem comandados a terra subjugar,
Jamais ousariam pestanejar e, furiosos,
Depressa a ordem viriam a abraçar.

Por que os soldados de Jesus
Tardam a obedecer a Sua voz, por sua vez?
Depressa! Mãos à obra, rememos. 
Precisamos de nada senão fé e intrepidez.

Vamos! Cessemos falatórios vãos sobre tradição,
Os quais invalidam a Santa Palavra do Senhor,
Afoguemos toda nossa pretensão anticristã
No inferno, e preguemos, aqui e no exterior.

Recusemos viver no prazer egoísta,
No acúmulo de bens;
Lutemos ou até morramos para libertar
Os povos para além do mar.

Destruamos nossas barreiras egoístas
E não nos conformemos com a derrota;
Devemos almejar intensas conquistas,
Senão perderemos como sempre.

Cristo foi um bravo guerreiro,
Também foram Paulo e Pedro;
Eles avançaram com tamanho ímpeto
Que o diabo mal aguentava de medo.

Eram dias áureos, não davam lugar ao egoísmo;
Afinal, eles guardavam a retaguarda companheira,
E venciam batalhas impossíveis,
Deixando o diabo sem eira nem beira.

Todo soldado corria visando vitória,
Ninguém engatinhava choramingando;
“O quê?! Parem prum cafezinho”, esse é o falatório
– “Vamos brincar um pouco de ciranda cirandando”.

Eles não vestiam coletes à prova de balas,
Cada um era sem medo e destemido;
Não ansiavam pelo fim do expediente
‘Té que o vencer estivesse garantido.

Se lutássemos assim,
A vitória já não nos teria chegado?
Mas é claro que sim e, assim sendo,
Qualquer pormenor a menos é pecado.

Cristo certamente iria conosco;
Cristo por nós velaria;
Cristo não nos deixaria vacilar
‘Té que não houvesse mais ceifar.

Resolvamos duma vez por todas:
Terminemos nosso trabalho ou morramos;
Poderemos o mundo evangelizar,
Se formos homens o suficiente para tentar.



Jesus Somente

Charles T. Studd
Tradução de Cesare Turazzi

Sim, eu viverei por Jesus,
Deitarei o mundo fora;
Sim, eu darei a Jesus
Minha vida, tudo, será agora.

Aleluia!, a Ele me entreguei,
E agora oro, e rogo
Para que eu possa, sempre,
Dizer: “somente Teu serei”.

Sou tão e tanto pecador,
Sou um tolo constantemente;
Devo agarrar-me a Jesus
E ser Seu aluno incessante.

Meu coração se encanta,
Mas não sei como viver;
Pelo gozo de pertencer a Jesus
Quem me dera mais me ceder.

Talvez eu imite Levi,
Que serviu um jantar servil,
Ocasião para Jesus
Salvar outro ser vil.

Oh, não será extasiante
Jamais separar-se dEle,
Andar e falar com Jesus,
Todo confiado a Ele?

Jesus, amigo sem igual,
Tão doce, veraz, forte;
Não fosse Sua amizade
Estaria eu sem norte.

Não há ser na criação
Que O possa superar;
Quanto mais O conheço
Mais meu próximo hei de amar.

Ah!, a alegria de conhecer a Jesus,
Traz paz e serenidade e calma;
Por amor a Jesus,
Entrego minha vida, de corpo e alma.

Prefiro servi-Lo
Na terra sofrendo perdas,
A ter meu trono em altos céus,
Pois assim não haveria uma cruz.


Amo batalhar por Jesus,
Por Ele corro qualquer risco;
Estivesse o perigo fora de cogitação
Onde estaria a diversão?

Negligenciar o comando de Cristo
De batalhar em terras distantes:
Igualmente é não conhecer o prazer de Jesus
Ao sair em batalha por Ele.

Eu amei o que Cristo ordenou,
É tão singelo e simples;
Perguntas obscuras não perguntou,
Mas simplesmente “Amas-me?”.

Perguntou a Pedro,
Que três vezes O negou;
Depois o comissionou
A pregar o Sacrificado que ressuscitou.

O Evangelho de Cristo salva perfeitamente,
Só Seu Sangue o pecado expia;
O segredo para sair da iniquidade
É olhar, fixo!, para Cristo somente.

O segredo para o poder é simples:
Obedeça a Deus, não a homens;
Nada senão tolice seria
Adotar outros planos.

Cristo comissionou Seu Espírito
Para ser o Capitão de Seus santos;
Não preciso de outro guia
Senão Seu Espírito Santo.

Ele não tolerará competição,
Deus é um Deus de ardor;
Cristo venceu e me comprou e por mim velou,
Somente Ele é meu Senhor.

Andarei na bendita liberdade divinal
E O seguirei onde quer que for;
Confiarei em Sua Palavra e presença,
Lutarei sem medo ou temor.

Alguns cristãos me chamam de tolo
O mundo diz que estou “fardado” a morrer;
Esperemos um pouco
E vejamos o que Cristo tem a dizer.

  
“Ele não tinha habilidades,
Talvez seu falar fosse um breu;
Mas fez o que ordenei,
Ele entregou tudo a Deus.”

Gostaria de ouvir dEle tais palavras,
Embora seja um tanto improvável;
Mas não me importo com a opinião do povo,
Afinal não estou perguntando se sou ou não aprovável.

Alguns permanecem, por bons motivos, em casa,
Já outros ficam sem razão ou causa;
Mas o covarde é o pior tipo, que apunhala
Pelas costas quem foi à guerra.

Cristo foi beijado no jardim
Por um amigo íntimo;
Suponho que outros o imitarão
Até que este mundo chegue ao fim.

Alguns são comissionados
Pelo Próprio grande Médico,
Mas recorrem a mãos humanas,
Que os deixam num canto esquecidos.

Como se estas conhecessem melhor do que Ele!
Ou suas palavras fossem de maior valor!
Eles se esquecem de que Jesus
É o lugar mais seguro deste mundo, onde quer que for.

 Alguns querem viver longamente,
Como se não pudessem morrer cedo;
Um dia com o Filho vale infinitamente mais
Do que um milhão na Terra ou na Lua.

Jesus é minha vida,
E a morte meu maior quinhão;
No Céu haverá prazer infindo,
Mas na terra a dor é nosso pão.

Se de fato crêssemos
Nas palavras de Jesus
Não temeríamos o futuro,
Pois Ele é Luz.

Quem conhece a Cristo como Professor
É um pessoa maravilhosamente tola;
Ela deixa esse paraíso terrestre
E “foge” logo para a escola!

Conheço pouco de mim mesmo,
Mas Jesus conhece tudo;
De alma exultante, canto e faço oração
Sob Suas asas, Sua proteção.

Maravilhoso é pertencer a Jesus,
Única vida que vale viver;
É gloriosamente divertido, é céu vívido
Quando por Ele só resta morrer.

Sem hesitação, avante!
Homens, suas espadas tomem!
Coração e vida a Jesus!
Abram as asas e voem!

Voem na salvação de Cristo
Até alguma nação pagã em trevas;
Não há motivo para pestanejar,
Jesus suas mãos irá segurar.

JESUS É NOSSA MENSAGEM!
JESUS É REI E SALVADOR!
JESUS É NOSSO ÚNICO CAPITÃO!
JESUS É TUDO, É ÚNICO SENHOR!

Avancem, homens em Bretanha,
Sejam bravos na Cruzada santa;
Avante! Tomemos posse                     
Das terras prometidas pelo Santo.


O Deleite do Cristão, na Terra e nos Céus

Charles T. Studd
Tradução de Cesare Turazzi

A ordem por Cristo dada é simples,
E deve ser obedecida;
“Pregai meu Evangelho
Por toda a terra”: Palavra dita e escrita.

Cristo não tem favoritos,
Ele viveu e morreu pela humanidade!
Todos devem conhecer Suas palavras
E ouvir Seu gracioso “Vinde”.

Intempéries encararei
Em terras desconhecidas,
Aonde ninguém jamais fora,
Pregarei Cristo a regiões sombrias.

Deixarei as noventa e nove
E buscarei pela uma que se perdeu;
Retorná-la-ei a Cristo,
Para que dEle ouça: “Você é meu”.

A jornada não será fácil,
A comida pode ter azedado,
O clima ser traiçoeiro,
Os homens uns endiabrados.

Mas e daí? Meu Jesus
Padeceu torturas e a cruz
Por mim, principal dos pecadores,
Para trazer-me à Luz.

Talvez morte e pobreza,
Ou pesar – ou dor – ou vergonha,
Mas e daí? Os mártires viveram
E sofreram sob a mesma sombra.

Não desejaria viver
Senão para lutar
Por Jesus Cristo e pecadores,
Sob sol, chuva, luar. 

E nalguma batalha feroz,
Eu amaria morrer lutando,
Ver Jesus retornando
Para levar-me aos céus.

E andando nas ruas de ouro,
De vergonha corarei,
E meu rosto esconderei
Até que minha coroa caia.

Coroa que Jesus ganhou e deu
A Seu Filho indigno,
Que tão pouco fez, e fez mal,
Mesmo imitando o Emanuel.

Mas se ela não cair, lançá-la-ei
Aos pés de Jesus,
E correrei e buscarei o lugar
Mais humilde entre os Seus.

E provavelmente chorarei copiosamente
Até que Jesus venha e seque meus olhos,
Pois perceberei a profundidade
De Seu grande sacrifício.

E verei que não posso voltar
E mais uma chance eu ter
Para servi-Lo mais e melhor,
E por Ele sofrer e morrer.

Então exultarei em êxtase
Junto a todos os santos:
“Glória a Deus, o Pai,
Ao Filho e ao Espírito Santo”.

Também a alegria de encontrar
Amados que haviam partido,
E assistir aos demais
Chegando, com gozo exprimido.

Oh! Que intimidade
Na família de Deus;
Imagine poder perguntar
O que quiser aos Seus.

Quero ouvir de Jonas
Como foi dentro do peixe grande,
E o quanto João Batista debochou
Ao ver sua cabeça numa estante.

Como Daniel se sentiu
Ao entrar na cova dos leões;
O que Gideão pensou ao sair
Com senão trezentos homens.

O que Nabuco[2] pensou quando
Viu os três quase gripados
Ao serem lançados à fornalha
Por não adorarem ouro forjado.

E o que sentiram quando souberam
Que haviam simplesmente
Caminhado ao lado de Jesus,
Que dos céus veio pelos Seus.

Vemos que Nabuco.
Foi pego de surpresa;
Atônito, aumentou o fogo
Para os três fazer de presa.

Precisamos duns homens feito
Sadraque, Mesaque e Abdnego
Para nos fazer uma visita,
E fazer a piedade vista.

Os três nos diriam que estamos atrasados,
E dementes, loucos até não poder mais ver,
Feito o pobre tio Nabuco. esteve
Antes de se arrepender.

Afinal, eis a estátua,
Que agora chega à cidade!
São tantos os devotos
A lhe prestar lealdade.

Ah, e o que Elias pensou no monte Carmelo
Ao enfrentar a poderosa multidão!
Eia!, como ele zombou dos baalins,
Debochando, chamando seu deus de fujão.

E o que os apóstolos sentiram e pensaram,
E o que disse a mulher
Quando, pasmados, viram Jesus Cristo
Ressurreto dos mortos, a viver.

Ah, as caretas cômicas dos
Magistrados filipenses 
Quando tiveram de pedir perdão
A Paulo e prestar-lhe benesses.

Ah, os pensamentos de Simão
Quando teve as correntes soltas;
Os portões, sacudidos, foram abertos
Feito o rugido de um grande leão.

E por que a pobre Rode pensou
Que seria caçoada, embasbacada,
Por dizer a todos que Pedro estava
À porta, batendo sem parar? Que pena!

Que tal os rostos dos saduceus quando
Dos pescadores escutaram:
“Obedeceremos ao Senhor, não a homens!”.
Ah, seus olhos se reviraram!

Bom, eles sabiam que Pedro
Negara ao Senhor, por medo
De mulheres, mesmo ambas
Nenhuma arma portando.

Eles devem ter se sentido como se
Houvessem comido ovos podres;
As pernas bambearam, a boca amargou
Ao ouvirem aquilo de Simão, aquele que negou.

Ah, ao ouvirem Pedro, com olhares de horror!,
Pedindo aos soldados romanos:
“Por gentileza, crucifiquem-me,
Mas não como a meu Senhor!”.

Sim, e como a multidão olhou
João enquanto o óleo fervia,
Mas ele começou a cantar
E ao Senhor só agradecia.

Não haverá diversão no céu?
Ouso declarar a todos
Que jamais haverá tanto riso
Quanto no paraíso.

O prazer será infindo:
Teremos um lar nos altos céus,
A perfeita família do Pai celestial
E o amor dos Seus, em tudo ideal.

Serviremos, entusiasmados,
O Mestre perfeito, e cada servo
Cantará a Cristo Jesus:
“Mais trabalho, para mim e para os Seus!”.

Todo coração resplandecerá ao contemplar
O rosto de Jesus, nossa Salvação;                  
Cantaremos, sim, a maravilhosa História
Da incomparável graça do Pai, oh Salvação!

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[1] N. do T.: Por escolha do editor, dado o intuito-alvo da publicação, os poemas de C. T. Studd aqui publicados foram traduzidos livremente, sem escansão/metrificação.
[2] N. do T.: O autor, no original, utiliza uma abreviação para o nome Nabucodonosor, “Nebby”.

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