domingo, julho 13, 2008

Um poema de Mário Barreto França - ÚLTIMO COMBATE


Último Combate

- “O combate será a uma hora da tarde!”
Foi a voz que se ouviu, como horrível alarde,
Ao longo da trincheira... E o dia era tão lindo!...

- Como é belo morrer quando se vai sorrindo
Para a luta cruel, numa manhã como esta,
Toda cheia de luz, toda cheia de festa!...

(Era um belo rapaz que me falava.)

- Escuta,
(Perguntei-lhe) não tens receio desta luta?
Ele não respondeu, porém, sentidamente,
Cantou ao violão uma canção pungente...
E me disse, depois, com olhos rasos dágua:
- Não! Eu não temo a morte! O que me causa mágoa
É me sentir tão longe, é me ver tão sozinho
E não voltar jamais ao calor do meu ninho,
Onde, entre beijos bons de minha doce esposa,
Meu filhinho me espera, e, esperando, repousa...
Quando eu vim para cá, beijando-me, ele disse
Uma frase qualquer, uma linda tolice...
Mas, depois, enxugando uma lagrimazinha,
Deu-me um livro, dizendo: “É uma lembrança minha,
Papai! Quando o senhor estiver em perigo,
Leia este livro, ouviu?! Jesus é nosso amigo!
E o senhor não será mais sozinho nem triste,
Porquanto onde Ele está tudo o que é bom existe!”
E ele continuou a cantar. Que tristeza
Começava a pesar em toda a natureza!...
E eu fiquei a invejar sua alma comovida,
Porque era triste só no deserto da vida...

A chuva começara a cair lenta e fina...
Como interrogação fatídica, a colina
Mostrou-se ao nosso olhar, cheio de nostalgia,
Perversamente verde e tristemente fria.
... ... ... ... ... ... ... ...

A luta começou terrível. A metralha
Ia levando a morte ao campo de batalha.
Gritos, imprecações e vozes de comando
Juntavam-se no espaço escuro e formidando...

Pungente agonizar de uma tarde cinzenta,
Tarde que quis ser linda e que foi tão cruenta!...

Quando a noite caiu, negra e fria, tornou-se
Mais bárbaro o combate. Era como se fosse
Rude destruição de uma cidade antiga
Pelo ódio figadal da vingança inimiga.

Quando a manhã raiou, o combate findara,
Mas era horrível ver tudo o que se passara...
Espraiei meu olhar pelo campo assolado,
E o pranto me feriu o coração magoado:
É que aquele soldado, inda tão moço e alheio
A essas contradições do Destino, encontrei-o,
Ensangüentado, assim, de bruços na trincheira,
Prendendo ao coração, numa ânsia derradeira,
Da esposa e do filhinho, um retrato cinzento,
Colado à capa azul de um Novo Testamento.


Do livro Primícias da minha Seara

9 comentários:

Sammis Reachers disse...

Belíssimo poema de M. B. França, já solicitado pelos leitores.
É fantástico o fato da obra de França não ser reimpressa. Alô JUERP, alô União Feminina Batista Missionária! Já passou do tempo!

Um poeta como Mário deveria ser ensinado nas escolas, ao lado dos figurões seculares. Se fosse católico... Mas graças a Deus esta realidade está mudando. E você DEVE tomar parte neste processo - se você é professor/professora de Português, passe a utilizar textos de nossos grandes poetas evangélicos; se você é aluno, imprima alguns poemas de França (aqui no blog há alguns) ou outro, e 'presenteie' seus professores...

Gostaria de produzir um e-book com poemas do Mário (a ser distribuído gratuitamente), mas preciso encontrar um herdeiro dele para entrar em detalhes. Caso você possa me ajudar com alguma informação a respeito, por favor não perca tempo e me contate (sammisreachers@ig.com.br).

A Poesia Evangélica e a Língua Portuguesa agradecem.

Seminário disse...

Que Deus continue abençoando seu trabalho e nos edificando com seus post Fica Na Paz!!!!
Seminario Internacional Teologico de São Paulo

Marcos França disse...

Este poema "O Último Combate" foi o primeiro poema evangélico escrito pelo poeta. Todos os 18 livros de poesias publicados já estão esgotados.
Marcos FRança - filho do poeta.

mulher negra disse...

Abençoado blog!
Gostaria de encontar uma peça de mario barreto frança, que veio publicado em um de seus livros, com o titulo"O CAMINHO DAS CRENÇAS", A PEÇA É EM FORMA DE POEMAS, líndissima.
se alguem tiver , por favor entre em contato.

dra.cristinamoraes@yahoo.com.br

mulher negra disse...

Abençoado blog!
Gostaria de encontar uma peça de mario barreto frança, que veio publicado em um de seus livros, com o titulo"O CAMINHO DAS CRENÇAS", A PEÇA É EM FORMA DE POEMAS, líndissima.
se alguem tiver , por favor entre em contato.

dra.cristinamoraes@yahoo.com.br

cijan disse...

comecei a navegar por acaso a procura de poemas evangélicos.que tarde maravilhosa que passei ao encontrar teu blog. amigo te parabenizo e te faço um pedido, se tiveres o poema a procura de jesus não tenho certeza quem seja o autor. me envi por favor.Deus te abençoe.

nice disse...

Boa tarde! gostaria muito q postassem a poesia de Mario Barreto fraça ,q tem por título a heroína de cleonópolis, se não me engano o nome é esse. obrigada

Hercília disse...

Boa tarde! Estou sobremodo alegre ao encontrar seu blog e poder copiar poesias que eram declamadas por minha irmã no meu tempo de criança! Hoje em dia, as pessoas não valorizam essa forma de louvor nas igrejas. Parabéns p/ seu trabalho!

Sammis Reachers disse...

Amém meus queridos irmãos! Quanto aos poemas solicitados, não publico pois não os encontro. Possuo apenas dois livros do autor, e não tenho tido sucesso nas buscas. Se você possuir algum livro do autor e desejar vender ou mesmo doar, a poesia evangélica agradece, pois desta forma poderei dar prosseguimento ao trabalho de divulgar e manter viva a memória e a obra do poema.

Escreva para meu e-mail por favor

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