terça-feira, março 05, 2013

Três poemas de Reinaldo Ribeiro



 A Resposta

Quando todas as portas da vida se mostrarem fechadas
E as respostas achadas não trouxerem sentido aos vazios
E fugirem os alívios no ardor das emoções dilaceradas
Sendo as forças sugadas para o fundo dos precipícios!

Quando a horda dos ditos amigos for inútil ou mesmo fingida
E a injustiça da vida resolver esmagar a semente da fé
Quando as ondas revoltadas da maré arrastarem a energia da lida
Quando a angústia convida a esperança a passear em marcha-a-ré!

Quando a perda for tanta e o pranto rolar em sangria
E a noite reinar sobre o dia no inverno eterno da alma
Desamparo a julgar que mais nada se salva, tempestade a rondar cercania
Quando o pão for feito de agonia e a sede por paz virar trauma!

Haja em ti a certeza de que sempre haverá um oposto pra tudo
Toda lança pode esbarrar num escudo, toda treva é menor que a luz
Mesmo a dor para algo conduz, há uma porta em meio ao sintoma agudo
Se o mundo é espinho, o céu é veludo – basta crer no Cristo da Cruz!


A Última Viagem

Quando meus olhos se abriram ainda na debutante ocasião
Ao me embalar a primeira meiga mão, ali então passei a viajar
Por incidentes impossíveis de enumerar, por rios e vales de emoção
Por crises e miragens da ilusão, por tudo que a paixão injeta no sonhar!

Pelas projeções de conquista de todo o mundo que me rodeava
Pela aventura que me assediava, mas que somente ao nada me levou
Pela fé no alguém que me decepcionou, pelo remorso que me condenava
Na ponta da adaga que me apunhalava, nas asas da mentira que me lesou!

Andei sincero nos andores infrutíferos dos deuses imaginários
Pelos sorrisos temporários, sentindo o cheiro da felicidade tão distante
Insatisfeito irrequieto viajante, buscando o norte em ventos contrários
Navegando frios oceanos vários, igual corsário errante!

E viajei até levar meu corpo, alma e espírito ao cume da exaustão
Nos ápices da ilusão - qual sensação de um chão que se reduz
Até que o horizonte mostrou-me um sol em cruz, que iluminou-me o coração
Na derradeira estação, onde mora a salvação do Príncipe da Paz - Jesus!


Sonata

Pra mim tu és uma canção instrumental de suaves movimentos
Bailando aos ventos, enaltecendo meu olhar e coração
A própria exaltação da primavera, usando flores como pavimentos
A fonte de todos os meus alentos e o sol nascente da inspiração!

Há mais lirismo em teu olhar que na riqueza vernacular da poesia
E a sincronia da perfeição com teus ritmos, são nota incomparável
De consonância sobremodo agradável, de inebriante magia
Que une a ensolação do meio-dia com a luarada de uma noite memorável!

Nos beijos teus um som de paz invulnerável costuma visitar-me
Soando o íntimo alarme, fazendo crer meu coração no que o seduz
Ao ver-te ele contempla a magna luz fugindo de teus lábios escarlate
Gerando o disparate que afoga meu fascínio no céu que lhe induz!

Que tu és música completa, eu sempre soube e já testemunhei
O que não sei é como mensurar e traduzir tão ímpar melodia
Sonata que me contagia e mesmo quando não te conhecia, sempre te amei
Tu és canção por quem me apaixonei e a forma física de toda poesia!

Visite o site do autor: http://www.reinaldoribeiro.net

3 comentários:

Cristi@ne disse...

Bom dia Sammis...graça e paz!
Vim te visitar e saborear com a alma estes poemas lindos e inspiradores...Parabéns pelas divulgações.
Deus o abençoe...bjinhos

Reinaldo Ribeiro disse...

Meu querido irmão Sammis, que o Senhor te abençoe e te guarde e recompense esse gentil gesto para comigo. Muito obrigado e fique na paz!

Sammis Reachers disse...

Olá queridos, obrigado pela presença e pelo carinho. Estamos juntos no grande Corpo, juntos pela sua expansão!

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