domingo, abril 12, 2009

Três poemas de Nelly Sachs


TERRA DE ISRAEL

Não cantos de luta vos vou eu cantar
Irmãos, expostos ante as portas do mundo.
Herdeiros dos salvadores da luz, que da areia
arrancaram os raios enterrados
da eternidade.
Que nas mãos seguraram
astros cintilantes como troféus de vitória.

Não canções de luta
vos vou eu cantar
Amados,
só estancar o sangue
e as lágrimas, que gelaram nas câmaras da morte,
degelá-las.

E buscar as lembranças perdidas
que rescendem proféticas através da Terra
e dormem sobre a pedra
em que os canteiros dos sonhos enraízam
e a escada da nostalgia
que ultrapassa a Morte.



VOZ DA TERRA SANTA

Ó MEUS FILHOS
A morte passou pelos vossos corações
Como por uma vinha -
Pintou Israel a vermelho em todas as paredes da Terra.

Para onde há-de ir a pequena santidade
Que ainda mora na minha areia?
Através dos canais da solidão
Falam as vozes dos mortos:

Deponde sobre o campo as armas da vingança
Pra que elas falem baixo -
Pois também o ferro e o trigo são irmãos
No seio da Terra -

Para onde há-de ir a pequena santidade
Que ainda mora na minha areia?

A criança no sono assassinada
Levanta-se; torce pra baixo a árvore dos milénios
E prende a estrela branca anelante
Que outrora se chamou Israel
Na sua coroa.

Reergue-te de novo, diz ela
Pra lá, onde lágrimas significam Eternidade.



Vós que nos desertos

buscais veios de água ocultos -
de dorso curvado
escutais à luz nupcial do Sol -
filhos duma nova solidão com Ele -

As vossas pegadas
calcam a saudade
para os mares de sono -
enquanto o vosso corpo
lança a folha escura de flor da sombra
e em terra de novo sagrada
o diálogo que mede o tempo
entre estrela e estrela começa.

(in Poemas de Nelly Sachs, tradução de Paulo Quintela, Portugália editora, 1967 )


*Nelly Sachs, dramaturga e poeta alemã de origem judaica (10/12/1891 - 12/5/1970). Ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura de 1966, tem a obra marcada pela experiência nazista (conseguiu mesmo fugir de um campo de concentração), o que a torna uma das mais ardentes porta-vozes do sofrimento e do anseio do povo judeu.

sexta-feira, abril 10, 2009

Um poema do Pr. Altair Germano


Declarações de um Púlpito de Igreja Estressado

Por mim muitos sonham
Por mim muitos desejam
Por mim muitos esperam
por mim muitos brigam

Em mim muitos se realizam
Em mim muitos se vangloriam
Em mim muitos se escondem
Em mim muitos esbravejam
Em mim muitos desabafam
Em mim muitos deliram
Em mim muitos enganam

Sem mim muitos se frustram
Sem mim muitos se entristecem
Sem mim muitos se angustiam
Sem mim muitos se deprimem
Sem mim muitos se desesperam
Sem mim muitos se calam

De ouro, prata, bronze, vidro, acrílico, pedra, madeira, não importa.
Investiram-me de um valor simbólico poderoso.

Dou prestígio, status, projeção, e até enriqueço alguns.

Sou um púlpito de igreja estressado,
cansado da mediocridade de muitos que me usam e abusam.

Visite o blog do autor: http://www.altairgermano.com

domingo, abril 05, 2009

Um poema de Sheila Lacaze Reis

*

Tu és Rei,
E habitas dentro de mim.

Tu és Mestre,
E eu tenho a Sua mente.

Tú és Rico,
E sou herdeiro de Tua herança.

Tú és Amor,
E eu o alvo deste Ministério.

Tú és o Princípio e o Fim,
E a princípio, a morte não chega em mim.

Tú és o Tesouro escondido,
E Te busco com toda intensidade.

Tú és Santo,
E eu me limpo em Tuas vestes.

Tú és a Luz a brilhar,
E posso tranquilamente caminhar.

Um poema de Wolô



Adeus heroínas: - Há Deus!

Era a melancolia
Do cotidiano morno,
Que torneava o torno,
Que só se repetia;
E a sede de amor ardia
Até incendiar o forno;
E a aridez era tanta
Que um simples vapor na garganta,
Gerava a miragem feliz
De mil transbordantes cantis.

Veio o degrau do fumo,
Do cotidiano tonto,
Do embalo sempre pronto
Nos becos do consumo,
E o consumidor sem rumo
Voltava pro mesmo ponto;
E a ilusão era tanta
Que a droga tragando a garganta
Soprava a imagem fugaz
De um minutinho de paz.

Veio uma vida tola,
De cotidiano asco,
Pois no pequeno frasco,
No bulbo da papoula,
No tubo daquela ampola
Reinava o seu carrasco,
E a dependência era tanta
Que o mínimo nó na garganta
Forçava na veia as poções,
Cadeias de suas prisões

Veio o inconformismo
Do cotidiano drama,
Atrás a pobre fama,
Na frente só o abismo
No chão movediço a lama,
No interior pessimismo,
E a solidão era tanta
Que o mundo apertando a garganta
Gritava que ele cedeu,
Berrava que ele se deu.





No beco sem saída
Deitou-se a céu aberto,
A morte já por perto,
A vista escurecida,
Mas num lampejo de vida
Olhou para o lado certo,
E a luz do céu era tanta,
Que o gritou jorrou da garganta:
- Senhor, não se esqueça de mim,
- Senhor tenha pena de mim.

O peito arrependido
Tomou a dose certa,
E numa Bíblia aberta
Achou o amor perdido
Pois Cristo Jesus liberta
O coração oprimido
E a libertação é tanta
Que arranca de vez da garganta,
O vício, o resquício, o pó,
O trago, o estrago e o nó.

Pois foi crucificado
O homem sem defeito
Que amava Deus no peito
E o pecador do lado
Que abominava o pecado
– Pecado por nós foi feito –
E a morte na cruz era tanta
Que Cristo o Senhor da garganta,
Doou seu Espírito são,
Semente da ressurreição.

Veio uma vida eterna,
Ressuscitada e nova,
E a cotidiana prova
É essa fonte interna
Na vida que Deus governa
E ternamente renova;
E a transformação é tanta
Que o próprio Senhor na garganta
Transborda a mensagem da cruz,
Convida a beber de Jesus.

Wolô

*Wolô é músico e poeta. Visite a página do autor no Multiply: www.wolo.multiply.com/

via blog Cidadania Evangélica

terça-feira, março 31, 2009

Dois poemas de Marco Antônio Rosa (Marco di Silvanni)

*

Ver além

Se eu for só atentar ao que eu sou,
De que me valerá a minha vida?
O que eu posso é muito pouco, eu sei,
E o que eu sei jamais será bastante.

De que me adiantará ser mais que sou,
Se tudo que eu for não será nada?
De que me servirá ter mais poder,
Se tudo que eu puder não tem sentido?

Conhecimento eu posso procurar,
Me esforçar e achar sabedoria,
Mas de que vale tudo conhecer,
Se isso apenas me conduz ao vento?

Sabedoria, posses, ser alguém,
São coisas que se buscam neste mundo,
Mas não é sem razão, e é profundo,
Que elas em si mesmas nada são.

O Deus que tudo fez criou a vida
Para que o sábio se renda aos Seus planos,
Para que o rico encontre vãos tesouros,
E os poderosos mirem seus enganos.

Somente Deus concede entendimento,
E a Deus pertence toda a riqueza,
Em Deus reside a glória e a nobreza,
E tudo isto o homem busca em vão.

Ó homem, volta os olhos para a vida
Que o Senhor dos céus, Deus soberano,
Tão amorosamente descortina
Diante dos incrédulos vencidos.

Ó homem, reconhece ser perdido,
E reconhece em tudo que alcançaste
Os frutos de um árduo trabalho
Que no entanto não vêm do bom Deus.

Se os teus olhos, sim, humildemente,
Oferecerem a esta esperança
A chance de então se fazer bonança
Nos corações que tudo rejeitaram,
O rico beberá da fonte eterna,
O sábio entenderá todo o caminho,
O poderoso dará glórias a Deus
E nenhum deles andará sozinho.

(do livro Tharsei - Tem bom ânimo, poesias evangélicas)




MEU E TEU CAMINHO

Se tu partiste e estás em teu caminho,
Não te detenhas ao ouvir rumores.
O alegre canto já bateu as asas
E os teus olhos podem te perder.
Somente um é o Caminho, sempre,
E é a Voz que o coração escuta
Que te conduz à frente, adiante,
E não as luzes que tu podes ver.

Flores e frutos em meio aos espinhos,
Por mais formosos, mesmo cintilantes,
Não vão passar de luz de uma vereda
Inebriante, longe do Caminho.
Teu coração pode andar sozinho?
Somente os olhos podem te guiar?
Falsas veredas acenam prazeres
Que esqueceste que não vais buscar?

Qual é a força, enfim, que te domina?
É o anseio breve de um momento?
O mesmo apelo que seduz teu corpo
É o veneno que desfaz o alento.
De quem és tu, coração que me prendes?
Dentro em meu peito escondes teus segredos?
Não vem da Voz a minha segurança,
E do teu meio todos os meus medos?

Não são teus pés que escolhem o caminho,
Se o coração resiste à Voz que guia.
Se reconheces Quem te fortalece,
Por que ceder à força da miragem?
Vai, tem coragem, fecha os teus olhos,
Caminha cego, se preciso for,
Para permanecer no bom caminho,
E o falso encanto não te desviar.

São muitas vozes em que só se entende
Que, se eu puser os pés fora da estrada,
Eu serei tudo sem temer mais nada,
Tantas as prendas a me oferecer.
Mas meu caminho é muito mais estreito,
Fechei os olhos sem olhar os lados,
Cores e sonhos, canções e recados
Ficaram longe enquanto eu sigo além.

Eu me entrego à paz que me envolve:
À noite, o fogo aquece os meus passos,
De dia vejo a nuvem de esperança
Até que eu chegue aos braços do meu Deus.

Visite o blog do autor: http://www.portodopoente.blogspot.com/
*

quinta-feira, março 26, 2009

Dois poemas de Adail Campelo de Abreu


UM CHUTE NA MORTE

A morte para o crente
não é o fim, é lucro
é um começo diferente
e vai além do sepulcro

A Bíblia mesmo diz
que o dia desse evento
é um dia mais feliz
que o próprio nascimento

Uma coisa vou dizer:
tudo que nós sabemos
vamos na Bíblia ver
diferente que aprendemos

O mundo precisa ver
pegar, cheirar, apalpar
o crente apenas crê
porque da fé viverá

Crente fiel não duvida
no que Deus prometeu
Jesus, o Autor da vida
a morte na cruz venceu

O crente não tem medo
do diabo nem da morte
tem com Deus segredo
que já mudou sua sorte

Sabe que o Salvador
foi preparar um lugar
onde não há mais dor
nem dívidas a pagar

O mundo acha loucura
crer na Bíblia Sagrada
mas pior é a tortura
de quem não crê em nada

Faço um convite a você
para a verdade investigar
com o coração é que se crê
que só Jesus pode salvar

Nem no Céu e nem na terra
há outro com esse poder
o diabo escuta e berra
e se põe logo a correr

Jesus mesmo desbancou
as obras de maldição
a chave da morte tomou
e nos garantiu salvação

Não tenha medo, amigo
do futuro que lhe espera
Jesus estará contigo
ae O buscares deveras

A simplicidade do Evangelho
salva o pobre, salva o rico
salva o moço, salva o velho
salva o gigante e o nanico

\"Aquele que crê em mim
nunca jamais morrerá\"
se Jesus nos fala assim
quem ousa duvidar?

Quer perder o medo?
Curar qualquer ferida?
vou contar um segredo:
Jesus é a própria Vida

O convite feito está
pra você e seu consorte
aceite a Jesus já
e dê um chute na morte

ADAIL CAMPELO DE ABREU
SERVO DE JESUS QUE VIRÁ
HOMEM QUE NUNCA MORREU
E NUNCA JAMAIS MORRERÁ



JESUS ESTÁ VOLTANDO!

Dias finais já chegaram
a moralidade está mudando
todos os sinais já declaram:
- Jesus está voltando!

\"Esse crente é um louco\"
você deve estar pensando
é seu ouvido que tá mouco
- Jesus está voltando!

Se não crê nas profecias
a Bíblia vai confirmando
que são os últimos dias
- Jesus está voltando!

Examine a Escritura
é Jesus que tá mandando
este mundo é uma loucura
- Jesus está voltando!

O fim se aproxima
os dias estão voando
pode olhar para cima
- Jesus está voltando!

Jesus é o nosso socorro
quem está nos guardando
é pra Ele que eu corro
- Jesus está voltando!

Só nEle há salvação
o que está esperando?
tome a sua decisão
- Jesus está voltando!

Prepara-te, já é noite
não fique aí vacilando
vem o dilúvio do açoite
- Jesus está voltando!

Esse mundo é passageiro
tudo vai se acabando
o Céu, sim, é verdadeiro
- Jesus está voltando!

Quer viver eternamente?
Jesus está te esperando
e Ele jamais mente
- Jesus está voltando!

Ouça, se tens ouvido
o Espírito Santo falando
este mundo está falido
- Jesus está voltando!

Os crentes já vão embora
e todos eles cantando
já é a última hora
- Jesus está voltando!


FONTE: http://www.palavradaverdade.com/

domingo, março 22, 2009

Um novo blog para a Poesia Evangélica: LIRICOLETIVO


Caros irmãos e leitores, é com prazer que comunico o nascimento de mais um projeto visando incentivar e divulgar a poesia evangélica: O blog Liricoletivo (http://liricoletivo.blogspot.com), um blog coletivo dedicado totalmente à poesia e aos poetas evangélicos.

São diversos poetas, de diferentes gerações e fazeres poéticos, que têm atuado (isoladamente) pela internet, em blogs e sites, agora congregados num espaço franco e que, além de incentivo e divulgação, propicia um intercâmbio de idéias e iniciativas.

O Blog começou esta semana, mas já conta com 7 poetas colaboradores, e outros serão convidados.

Visite. Divulgue. Comente. Apóie essa idéia!


Uma palinha do que já foi publicado:


Coroa de espinhos

Coroa de espinhos
Cravada na fronte
Derrama no Linho
Com sangue pesponte
Abre o caminho
Além do horizonte
Ele sozinho
Madeiro no monte
Sangue era vinho
Água era fonte
A todos filhinhos
Escreva e conte
Foi mais que carinho
Amor foi a ponte.

Camilo Borges



O Milénio

O leão não será mais rápido que o boi
em busca de pastagens
o cordeiro e o pássaro
nascerão de uma fórmula poética
e o lobo
o beijo terá na sua boca
Os jogos dos meninos
serão com as aves
uma pomba e uma águia
navegarão
em águas de branco lôdo
Um anjo passará
em forma lírica
ao mundo o seu desejo.

João Tomaz Parreira



Confissão e agradecimento de um ex-inimigo

Dos que amam a Ti:

pude estar perto a eles,

e conhecê-los.



Apertaram minha mão

sem importar com o odor do pecado.

Comi-lhes do pão,

e , defronte e dentre a

meus olhos,

cansados ossos,

me disseram:


"Irmão".

Sammis Reachers

terça-feira, março 17, 2009

Entrevista com o poeta evangélico português João Tomaz Parreira


O português João Tomaz (ou J. T.) Parreira é poeta e colaborador da imprensa religiosa evangélica. Escreve na revista «Novas de Alegria» e no Portal da Aliança Evangélica Portuguesa. Na juventude escreveu poesia e artigos juvenis no "República", entre 1970-1972. Tendo começado em 1965 no Juvenil do "Diário de Lisboa", de Mário Castrim. Participa hoje em Blocos on Line, Famigerado, Cronópios, Critério, Bestiário e Máquina do Mundo, revistas electrónicas de Cultura. Está presente em Poem Hunter, Literary Kicks, Andar 21-poesía galega e L'Angolo della Poesia. Está representado no Projecto Vercial, a maior base de dados da literatura portuguesa. Entrada na Wikipédia. Tem publicados 5 livros de poesia (o último "Os Sapatos de Auschwitz" em 2008, editado por El Taller del Poeta, Pontevedra) e um ensaio teológico. Participa em várias antologias de poesia moderna e cristã contemporânea, em Portugal e no Brasil. 1ºs Prémios de Poesia da Confraria Camoneana de Ílhavo em 2007 e 2008.

Presença constante no blog Poesia Evangélica, realizamos com ele a entrevista que se segue, abarcando temas como religião, internet, literatura e lusofonia.

Fale-nos sobre o seu ‘início’ e caminhada no Evangelho. Como se deu sua conversão?


Sou um vulgar menino oriundo da Escola Dominical. Desde 1953 que comecei a amar Jesus Cristo na histórica Igreja Assembléia de Deus da Neves Ferreira, em Lisboa. A conversão/novo nascimento vem essencial e teologicamente de crermos que Jesus é o Cristo. E eu aos 7 anos cri. A conversão mais visível, para efeitos eclesiais, veio aos 16 anos quando aceitei «formalmente» Cristo numa Campanha evangelística de Samuel Doctorian, que me tocou profundamente, em Lisboa também no ano de 1963. Depois, muitos anos depois, em 1985, já a residir na cidade de Aveiro, pude estar com o rev. Doctorian na minha Igreja, conversamos e ofereci-lhe o meu primeiro livro de poemas, «Este Rosto do Exílo» (1973).

E o interesse pela literatura, vem de quando?

Talvez de 1957, quando li todos os Salmos. Quem sabe! Porém em 1963, ao ler um livro daquele pregador arménio, interessei-me pelas notícias do mundo, pelo jornalismo internacional, procurava ler a revista Newsweek que ia buscar todas as semanas à Embaixada dos EUA, em Lisboa. Comecei por esboçar pequenos artigos e a refazer os que lia em jornais diários e na Newsweek. Sonhava já ser jornalista, ou pelo menos, escrever para revistas e jornais, o que veio de facto a suceder. No Liceu em Aveiro com alguns amigos que gostavam de Letras/Poesia, comecei a ler Guerra Junqueiro, Gomes Leal e depois, em 1964, Fernando Pessoa. Com aquela que haveria de ser minha mulher, trocavamos sonetos, ao estilo da Florbela Espanca, ela, e eu de Bocage. Desde 1964 até agora, 2009, escrevi e publiquei, pela Graça de Deus, centenas ou milhares de textos em revistas evangélicas e jornais seculares, bem como 5 livros de poesia e um ensaio teológico sobre o Prólogo do Evangelho de João.

Quais são suas influências literárias, tanto no âmbito da literatura secular quanto da cristã?

Inúmeras. Desde autores nacionais/poetas e romancistas, até aos internacionais. Curiosamente depois da poesia de Pessoa e do Mário-Sá Carneiro, modernistas que li até ao osso, depois dos românticos e simbolistas, interessei-me pelo romance de tese, li tudo o que havia para ler de Vergilio Ferreira, Albert Camus e até Sartre. Isto levou-me sublimado pelo Evangelho a um certo Humanismo Cristão, que mais tarde, nos anos 66 até 70 procurei entender em Kierkegaard. Na Guerra Colonial, em Angola, entre 68-70, escrevi e li muito: de Heidegger a Dostoiévski. Houve neste tempo um poeta português que modelou meu lirismo, Eugénio de Andrade.
Na poesia evangélica li Mário Barreto França e Jônatas Braga, também Gióia Junior, mas contactei, em 1967, com o poeta brasileiro Joanyr de Oliveira. Hoje este poeta e eu próprio somos entranháveis amigos, renovamos até o discurso poético dito evangélico, criando em 1974 o Movimento pela Nova Poesia Evangélica, com Manifesto e tudo, assinado por nós e pelo poeta, mais jovem, Brissos Lino.
Não poderei esquecer aqui um enorme poeta mundial: Ezra Pound, que só descobri em 1972. Li-o com sofreguidão e continuo, claro que me deixei influenciar por ele e por todos que já referi. Também devo imenso à maioria dos poetas espanhóis da Geração de 27 e, coisa díspar, também devo a alguns poetas modernos norte-americanos da Beat Generation. Do Brasil, li e mergulhei em Drummond e Bandeira, Osvaldo e Mário de Andrade, claro que li e leio sempre muitos outros, de Cassiano Ricardo a Vinicius, não esqueço mais Cecilia Meireles.
Finalmente, o Poeta que por isso escreve poemas deve ler, ler, ler, muita e diversa poesia. Para me adestrar no jornalismo, periodismo evangélico, curiosamente, li quase todo o Hemingway.

Que nomes o senhor destacaria no cenário literário contemporâneo, nas vertentes secular e cristã?

Na vertente cristã, leio apenas os comentaristas bíblicos antigos, dos chamados Fundamentais, R.A.Torrey, etc., e os do Grupo do comentário bíblico Moody. Gosto sobretudo de leituras de teólogos Bernard Raam, Karl Barth, Bonhoffer e outros, não rejeito ler até Bultmamm, embora não concorde com a sua desconstrução do sobrenatural da Bíblia Sagrada. Também privilegio leituras sobre a História da Igreja.
Não me interesso muito pelos autores cristãos contemporâneos, porque alguns que estão na moda, escrevem do género da auto-ajuda. Talvez destaque aqui um autor: Jaime Kemp e, já agora, a esposa, Judith Kemp, porque tratam muito bem a psicologia/psicanálise cristã sem excessos.

Na literatura dita secular contemporânea, isto é, de hoje, leio mais poesia que prosa. No entanto, nesta, gosto de ler Imre Kértesz, E.L.Doctorow, Saul Bellow, o recentemente falecido, John Updike. Contrariamente ao que penso na área do livro evangélico, são quase todos romancistas norte-americanos.

O senhor matém dois blogs na rede, o Papéis na Gaveta, onde veicula sua produção evangélica, e o Poeta Salutor, de cunho mais secular, além de colaborar em outros blogs. Como se deu seu contato com os blogs?

Comecei por publicar poesia em foruns portugueses e brasileiros e isso levou-me aos blogues, por influência de outros que comecei a conhecer e a ler.

Como o senhor avalia o uso desta ferramenta?

Posso avaliá-la pela práxis, usando-a diariamente. É um extraordinário meio divulgador do nosso trabalho e sobretudo dos nossos pensamentos, e quando veiculamos por eles a mensagem cristã e evangélica, no nosso caso, estamos a partilhá-la com Arte. Arte tecnológica e Estética.

Fale-nos um pouco sobre Portugal. Em sua visão, quais os aspectos positivos e negativos do protestantismo em Portugal? Ainda há muita perseguição?

Na era das Novas Tecnologias, da Sociedade de Informação, da globalização, conhece-se já tudo, ou quase tudo, sobre todos. Portugal é hoje um país sem telhados de vidro, depois da Revolução do 25 de Abril. Há Liberdade Religiosa, embora o maior quinhão ainda vá para o lado do Catolicismo Romano. Os aspectos negativos do protestantismo em Portugal, já não se medem entre Igrejas Reformadas Históricas e os Pentecostais das Assembleias de Deus, de divergências acentuadas dos anos 30 até aos 50. Nem sequer de 60 para cá, com campos colocados no Fundamentalismo e no Movimento Ecuménico.
O perigo que enfrentamos hoje, está no chamado neo-pentecostalismo, que usa o nome de «Igreja» como se esta fosse um off-shore para tudo.

À maneira de Rainer Maria Rilke, que conselhos o senhor daria aos jovens (ou não) poetas evangélicos?

Há uma década li um ensaio sobre a Poesia de Paul Valery e vou recuperar uma frase-chave do mesmo: «Há poetas, que por sê-lo, fazem versos; e outros que por saberem fazer versos, são poetas». Que vejam em qual destas categorias se inserem.
Para responder concretamente à sua pergunta, à maneira do autor de Elegias a Duíno, direi como ele nas Cartas a um Poeta, que entrem em si próprios e procurem a necessidade que os faz escrever. Se houver essa necessidade e o sofrimento da mesma, então continuem. Se puderem parar, é porque não há necessidade. Façam outra coisa. Criar implica sofrer.

O que o senhor tem a dizer sobre os vários e diversificados movimentos de integração entre os países da comunidade lusófona (um dos quais, talvez o principal, culmina agora no Novo Acordo Ortográfico)?

Aceito movimentos tendentes a integrar sem aculturar, isto é, movimentos colaborativos sem perda de identidade de cada um. Sou incondicional das transculuras. Sou contra o Novo Acordo Ortográfico porque sou a favor da manutenção de raízes identitárias como falantes e na língua escrita que são enriquecedoras, mantendo as óbvias diferenças. Por vezes as divergências são enriquecedoras.

Embora seja o maior país de fala portuguesa no mundo, é perceptível que no Brasil se dá muito menos importância a este tema da lusofonia do que em Portugal. O senhor acha que, neste ponto, como versa a letra de nosso Hino Nacional, o Brasil ainda está “deitado em berço esplêndido”?

O brasileiro olha demasiadamente para a América de cima. E o vosso centro geo-cultural não está em termos «genéticos» nos States. É geograficamente compreensível, no entanto. Mas, neste momento, a verdade é que o trafêgo cultural e a importância de toda a temática inerente à lusofonia se fazem num só sentido, i.é., estamos por cá em Portugal mais abertos para o objecto cultural brasileiro do que o contrário. O que deveria acontecer, era a reciprocidade tout court, mas, desculpem-me, não há. Por isso talvez se aplique aqui a referência «nacionalista» do verso do Hino Nacional citado por Você.

A União de Blogueiros Evangélicos tem, desde seu início, buscado a interação com os irmãos blogueiros de Portugal. Agora, num segundo momento, temos buscado também ligações com blogueiros evangélicos de fala espanhola. Como o senhor avalia essa colaboração entre blogueiros, e num plano maior, entre as próprias igrejas destes países?

E tem feito muito bem. Hoje, a nível sociológico, procura-se por todos os meios fazer com que a Família se conheça. Percebeu-se que, dada a crise dos valores e do secularismo, a Família é a base estruturante da sociedade.
Parece-me bem, desde que tal colaboração, neste eixo latino (Brasil-Portugal-Espanha-etc), com nossas falas diversas, fonetica e linguisticamente, intercambiemos Cultura, e Cultura Cristã, repare que digo intercambiar e não exportar.

FIM

*Parreira colabora no blog Confeitaria Cristã, e ainda num novo blog coletivo que iniciei, dedicado integralmente a poetas evangélicos, o liricoletivo .

quinta-feira, março 12, 2009

Um poema de William Booth

William Booth


Enquanto mulheres
chorarem como choram
agora, EU LUTAREI;

Enquanto criancinhas
passarem fome, como
passam agora,
EU LUTAREI;

Enquanto homens
passarem pelas prisões,
entrando e saindo,
entrando e saindo,
EU LUTAREI;

Enquanto houver uma
moça vagando perdida
pelas ruas, enquanto
restar uma alma que seja
nas trevas, sem a luz de
Deus, EU LUTAREI;

Até o fim, EU LUTAREI!

*William Booth foi o fundador do Exército de Salvação. Clique nos nomes para saber mais sobre ambos.

Um poema de Olivandi N. P. Junior


Inexplicável

Inexplicável sensação.
Inexplicável sentimento.
Inexplicáveis palavras.
Tudo é de tão difícil compreensão,
Tão difícil expressão,
Tão interessante explicação
De tal forma que nem mesmo o poeta
Saberia, ou teria a ousadia
De explicar.
Do sopro de vida surge o amor,
Surge o sacrifício,
Desaparece a distância.
Nada é cobrado, porém, apreciado:
O constrangimento diante de tão puro amor
É o que move efetivas mudanças
É o que traz interesse, atenção e dedicação
Que supostamente trarão as respostas
Das mais inexplicáveis indagações.

sábado, março 07, 2009

08 de Março, Dia Internacional da Mulher: 3 poemas


Dia 08 de Março é comemorado o Dia Internacional da Mulher. Como homenagem, publicamos aqui estes três belíssimos poemas.


Elogio à mulher

(João 20)
O teu olhar para dentro da noite
é o olhar de quem busca a vida
e não teme o sepulcro.
A tua lágrima que salta de dentro
é a lágrima de quem perdeu
toda a luz que da alegria nasce.
A tua visão de dois anjos na noite
é a visão de quem enxerga o mistério
e ouve a sua voz em meio ao silêncio triste.
Soluça, mulher, maria , madalena,
que no fundo dos teus olhos
dois anjos proclamarão a manhã.
Chora, mulher, maria, madalena,
que nos intervalos dos teus soluços
ouvirás a palavra de quem procuras.
Mulher, reclama o corpo que roubaram.
Ladrões, para onde o levaram?
Mulher, de quem é esta voz que te olha?
De quem é este olhar que te chama?
Olha, mulher, e vê que é rosto do homem que querias morto.
E agora tu o chamas pelo nome das flores.
E agora tu o vês pela imagem das águas
antes que ele Deus todo seja
e marche para o azul ao encontro deste Pai
que se fez filho conosco
e se deixou enterrar nas horas das pedras
Tu o viste, não entre a reclusão das lápides,
nem a respirar a quietude dos troncos tombados,
mas a caminhar por entre as pétalas,
a ouvir o teu lamento sem luz.
Tu o viste, não a anunciar a vitória da noite,
nem a chorar a dor por quem partiu para sempre,
Mas a proclamar o sorriso suave
dos teus lábios,
tu que sorriste com ele
na mais feliz de todas as madrugadas:
quando a rocha se fendeu
e ele pôde enxugar da fronte o orvalho que anunciava a sua ressurreição.
Israel Belo de Azevedo, in http://www.prazerdapalavra.com.br


Nasce Uma Mulher

Em meio a tantas expectativas
Entre tantos sonhos e esperança
Eis que um choro de criança
De repente ecoa pelo ar...
E neste mesmo instante,
Surge num ponto qualquer
Uma voz firme e possante
Que diz: “É uma mulher.”
Nasceu! É pequenina e delicada,
Mas pelo nome de mulher é chamada.
E em todo tempo, por onde ela andar
Sempre alguém vai lhe chamar
Pelo sublime nome de mulher...
Mulher... Já nasce com identidade!
Carregando sobre si a responsabilidade
De ser feminina, graciosa e diferente.
Aquela que na batalha da vida é guerreira
E na hora mais difícil e derradeira
Tem sempre um sorriso para dar...
Nasce uma mulher... Mais uma entre tantas!
Mas é única, é ímpar, é a primeira.
Aquela que o Senhor deu por companheira
Ao homem que tão só, no paraíso vivia.
Então, ...ela encheu a sua vida de alegria
E como as flores, sublime tornou o seu viver
Ela nasce e floresce para ao mundo trazer
O seu doce perfume de mulher...

Norma Penido Bernardo, in Revista Visão Missionária , Ano 87, Número 1 (UFMBB)



Mulher Como Esta...

Para tal tempo, em dias como estes,
foste chamada por Deus pra neste mundo
ser testemunha rica e altissonante
como pessoa, filha, esposa e mãe!
Para tal tempo, em dias tão sombrios,
de ódio e tristeza e muito desamor,
tu podes semear em muitas vidas
as bênçãos do amor e compaixão.
Para tal tempo de conturbação.
Deus exige de ti dedicação;
no lar, na igreja, em qualquer lugar;
podes ser uma bênção, um traço de união.
Em tempos de descrença e de pavor
é isto o que te pede teu Senhor:
um coração cheio de fé ingente.
Voltado sempre pra teu reino eterno.
Os caminhos são muitos, a estrada é longa,
muitas vezes deserta, tortuosa,
e sempre, sempre mostrará valor
de uma vida separada pra servir.
Jamais teus olhos fugirão do alvo,
do ideal de Deus pra teu viver;
erguerás marcos em cantos de vitória,
edificando em santidade e luz.
Serás mulher de fé, tal qual Ana,
“Valorosa e prudente como Ester”,
tão doce e pura e bem-aventurada
como Maria, a mãe do Salvador.
De geração em geração teus filhos
te chamarão bem-aventurada.
Mulher como esta, filha, esposa e mãe,
recebe a aprovação do teu Senhor.
http://poesiaevanglica.blogspot.com
Andrônica Borges Alcântara, in Revista Visão Missionária , Ano 87, Número 1 (UFMBB)

quinta-feira, março 05, 2009

NUNCA É TARDE - Um texto do Pr. Luiz Flor dos Santos


Amados irmãos, publico abaixo um belo texto do amigo e poeta, Pr. Luiz Flor dos Santos, colhido no blog do mesmo. Não pelos elogios, o que nos deixa um pouco constrangidos, mas pelo exemplo do Pr. Luiz, que foi inspirado a voltar ao uso da pena, ao conhecer este blog e a existência de muitos outros poetas evangélicos. Que este exemplo alcance a muitos, muitos que talvez já tenham desistido, muitos que tem seus poemas engavetados a anos (décadas?) numa cômoda de que nem mais se lembram... O Senhor é o Poeta Maior, e dele provém as maiores inspirações. Nunca é tarde para seja lá o que for!

Obrigado Pastor Luiz. Creio que este é um texto que vai falar ao coração dos leitores e principalmente de cada poeta que o ler, pois todos já vivenciamos sentimentos parecidos.
___________________________________

UM TRIBUTO

Compor poemas e textos de modo em geral é para mim um grande divertimento, um exercício de seriedade, uma terapia ocupacional saudável, o abrir da porta de meu coração para que Deus use o texto a fim de que este alcance outras pessoas e crie bons sentimentos nelas.

Desde muito cedo na vida quis ser poeta. Escrevi na juventude alguma coisa. Lembro-me de certo dia em que compus umas linhas e as apresentei a uma amiga de classe do antigo ginásio (quita a oitava série do primeiro grau).

O fiz todo entusiasmado, mas ela acabou com meu sonho de ser poeta. Entendam. O problema não foi ela. É que meu texto era mesmo ruim. O que se salvava dele era o desejo de querer compor. Por isso, durante muito tempo só guardei o desejo de ser poeta, aguardando com esperança o tempo da restauração de todas as coisas, quando lá no céu, no novo mundo que Deus criará, eu pudesse recitar versos ao meu Senhor e a Seu santo Cristo inspirado pelo amado Deus Espírito Santo. Vivi na esperança.

Declarava a todos que se Deus me permitisse nascer fisicamente outra vez e me fizesse a pergunta: que habilidades você gostaria de ter em sua nova fase? Eu sacaria meu esboço e diria: __ Quero três habilidades de Tua parte para mim. Primeiro gostaria de ser pregador. Segundo, gostaria de ser cantor e, terceiro gostaria de ser poeta. Eu não nasci fisicamente de novo, é fato. Mas por um grande milagre de Deus duas e meia dessas três coisas Deus me deu.

Duas e meia? Como assim? Sempre fui um sujeito falante. Lembro-me que ainda no ginásio fui líder de classe sem ter sido eleito para isso. A questão era que como eu falava muito o líder me punha para expressar suas idéias e eu ganhava a fama. O nome ajudou um pouco para eu ser um sujeito conhecido. Diga-se de passagem, quem tem um nome de Flor não passa despercebido. O dom natural da fala era o início de meu chamamento para o ofício pastoral (não o único). Função que exerço hoje com muita alegria.

Quando estava me preparando para exercer o ofício pastoral, fui para uma faculdade teológica. Participei de corais e tive aula de música e tenho uma voz harmônica. Então poso dizer que sou um “cantor meia boca”. Quando se faz necessário me apresento para liderar as músicas que cantamos em louvor a Deus na congregação.

Mas faltava meu grande anelo: ser poeta. Ou pelo menos, um arremedo. Não sei exatamente pra quê, num desses dias que a gente não encontra o que fazer de útil, fui fuçar na internet. Achei um site de um amigo no Rio de Janeiro chamado Sammis Reachers. Achei que se tratava de um americano. Pensei assim: __ puxa, um americano que ama meu país e organiza poesias de brasileiros e publica-as em seu blog.

No Blog do nobre desconhecido (hoje, amigo) estava um pedido para que o povo evangélico enviasse suas composições para serem postadas em sua página com o propósito de divulgar a poesia evangélica e por meio dela exaltar o nome de Deus.

Isso foi para mim um clique! Corri para casa, pequei uma folha de papel e escrevi minhas impressões sobre a noite. Depois de rascar papel e passar quase meia noite acordado compus um poema. Tomei coragem e o enviei para o suposto “americano”.
Fiquei morrendo de medo de o SAMMIS REACHERS (quando a gente não conhece bem uma pessoa tratamo-la com toda formalidade. Na minha mente só me referia ao Sammis pelo nome completo) dizer que aquilo não era poema. Que eu tomasse outro rumo.

Chegou um e-mail (ah! amigos, eu adoro receber e-mails). O Sammis dizia que gostou de meu poema e iria postá-lo em sua página. Nem esperei o tempo que havia pago na lan house acabar, corri pra casa e disse pra minha esposa esperando que ela partilhasse da alegria que eu estava sentido. Mas se ela não tivesse ficado alegre eu tinha alegria para dois, três, dez... pessoas.

Ansiosamente aguardei meu poema ser publicado. Aí ele aparece com uma imagem linda acompanhando as linhas e meu nome posando ao lado. Parece que o blog do Sammis era só meu. Os dias passaram e entupi o e-mail do meu amigo de outros e outros poemas. Coitado do Sammis! Outros e outros foram publicados pelo Sammis em seu “nascedouro de idéias”, seu blog.

Assim comecei minha carreira de poeta AMADOR. Não me considero um grande poeta. Apenas um poeta. E Deus vem me dando idéias para compor. Acabei criando meus próprios blog, mas faço questão de ter meus poemas publicados no www.poesiaevanglica.blogspot.com.

Mas, amigos chega uma hora que você precisa sair da fase de larva e se aventurar em novas composições. Enfrentei um problema: DIFICULDADE DE EXPRESSAR MINHAS IDÉIAS. Tomei algumas medidas: 1) orar a Deus pedindo que ele fizesse sua fonte de graça jorrar sobre minha massa cinzenta (deu certo. Voltei a compor); 2) Deus respondeu minha oração me guiando para ler textos e poemas de outros poetas que o SAMMIS tinha relacionado em seu blog.

Aprendi e estou aprendendo muito com eles. Forma, uso de palavras, idéias. Coragem para compor. Sou sempre muito grato a esses amigos distantes e ao mesmo tempo tão perto por estarem me ensinando a arte da composição. Passeis ame corresponder com alguns que por sinal me acolheram muito bem. Em homenagem a estes amigos compus alguns poemas.

Então, leitores, agora eu sei há tempo para tudo. Não se faz poesia só. Aprende-se lendo os poetas. A oração a Deus é uma grande ferramenta para a composição. Tem sempre alguém disposto a nos ajudar.

CONSULTE SITES DE POETAS NOS BLOGS DO SAMMIS REACHERS.

QUERO DESTACAR ALGUNS MESTRES MEUS:
www.poesiaevanglica.blogspot.com
Camilo Borges
Patrícia Neme: “ O livro da intimidade”

P.S.: Leiam autores que não são do mundo evangélico e aprendamos com eles também!
____________________

VOCÊ ENCONTRA OS POEMAS DO PASTOR LUIZ FLOR EM SEUS BLOGS:
1) http://poesiadegraca.blogspot.com/ (poemas e textos exclusivos do pastor Flor);
2) http://pulpito.blog.terra.com.br/ [blog do pastorflor] (poemas do pastor Flor e outros poetas).

sábado, fevereiro 28, 2009

Três poemas de Patrícia Neme


...o meu prazer está na Lei

Quero assentar-me no conselho dos Teus santos,
para embeber-me do saber das Tuas leis;
para ser vento que dispersa desencantos
para louvar-Te em meu viver, oh! Rei dos Reis.

Quero ser árvore encontrada nos recantos,
onde a aridez seca o existir das Tuas greis;
pra que a folhagem, no verdor, acolha a tantos...
Que até o descrente Te proclame Rei dos Reis.

Senhor, em Ti procuro a bem-aventurança,
se a dor me acena, vejo em Ti minha esperança,
és minha fonte, és a razão do meu caminho.

Tu, que conheces o destino dos meus passos,
guarda minh’alma no aconchego dos Teus braços,
mesmo que eu seja o bem menor do Teu carinho.



Só Tu

Só Tu me fazes repousar segura,
angústia em bênção Tu tens transformado;
Misericórdia a quem não Te procura
e o ser perdido seja resgatado.

Ao que padece de vaidade e usura
e da injustiça faz o eu legado...
Dá-lhe, também, Senhor, Tua doçura,
por que só Teu amor bane o pecado.

Tanta alegria há no meu coração,
tanta fartura da luz do Teu rosto...
Como entender quem contra Ti murmura?

Em paz me deito e na minha oração,
contemplo o vale do sofrer transposto...
Pois Tu me fazes caminhar segura.



Em nome de JESUS

Quando eu disser "em nome de Jesus",
movida por certeza e devoção,
das trevas nascerá intensa luz
e em campos verdejantes terei chão.

Quando eu pedir, em nome de Jesus,
os mares do impossível se abrirão,
para que seja leve a minha cruz
e eu trilhe as sendas da libertação.

Porque só em Jesus tenho descanso,
só n'Ele meu viver é pleno e manso,
só d'Ele emana o amor, a paz e o bem.

Por conhecer Sua graça em minha vida,
anseio que também sejas guarida
daqu'Ele que nos leva ao céu. Amém!


*Poemas do livro "O Livro da Intimidade". Se você desejar adquirir a obra, escreva diretamente para a autora, no e-mail: nemepatricia@hotmail.com . Vale a pena adquirir um exemplar. São 110 páginas de excelente poesia evangélica!

E para ler outros poemas da autora, visite a página dela no Recanto das Letras, Clicando Aqui.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Máscaras - Um texto de Gilbert Brenson-Lazán


Máscaras

Sempre que coloco uma máscara para encobrir
minha realidade
fingindo ser o que não sou,
fingindo ser o que não sou,
faço-o para atrair as pessoas.
Mas logo descubro que somente atraio outros mascarados,
afastando as pessoas devido a um estorvo: a máscara.

Faço-o para evitar que os outros vejam minhas fraquezas,
mas logo descubro que por não verem a minha humanidade,
as pessoas não podem me amar pelo o que sou e sim pela máscara.

Faço-o para preservar minhas amizades,
mas logo descubro que quando perco um amigo,
por ter sido autêntico,
ele realmente não era amigo meu, e sim amigo da máscara.

Faço-o para evitar magoar alguém e por diplomacia,
mas logo descubro que é a máscara
o que mais magoa as pessoas de quem quero me aproximar.

Faço-o com a certeza de que é o melhor que tenho
a fazer para ser amado;
mas logo descubro o triste paradoxo:
o que mais desejo conseguir com minhas máscaras
é precisamente o que com elas eu impeço que aconteça.

Gilbert Brenson-Lazán*

*Os leitores que acompanham este blog sabem que não costumo publicar textos de autores não-evangélicos, mas este texto excepcional do psicólogo norte-americano Gilbert Brenson-Lazán, serve tanto como parábola (e repreensão) para a vida cristã de alguns, como cai como uma luva nesta época de carnaval.

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Um poema de Celeste Machado


Deus e o homem

Quando, no silêncio da noite,
Olhas o céu estrelado
E te admiras da sua beleza,
Talvez não perguntes:
- Quem o fez?

Se é dia,
Se o Sol te acalenta,
Se a luz te sustenta,
Quem sabe, nem penses:
- Quem foi que o fez?

À tarde, diante das ondas
Que suaves se estendem
Na areia do mar,
Talvez não indagues,
Talvez nem percebas:
- Quem foi que as fez?

No entanto,
Se a dor te atormenta,
Se a lágrima tenta
Rasgar tua face,
Qual gume cruel,
Bem sei, tu reclamas:

- Oh! Pai, me sustenta,
Acalma meu peito,
À dor dá-me alento,
Oh, vem, por Jesus!

Fonte: http://www.seminariodosul.com.br

domingo, fevereiro 15, 2009

Um poema de Joanyr de Oliveira


Resposta da Amada

- Eu te respondo, amado meu,
com o coração no Cântico dos Cânticos
e a mente transtornada,
ante as tuas palavras de mel.
Elas chegaram como um pombo
a pousar sobre a febre
de uma mulher enamorada...

Não haja turbação em ti.
Querido, não te aflijas:
para juntos caminhar, amado meu,
efetivamente nascemos.

Sei que Deus, de seu trono
e das culminâncias de seu amor,
diz-nos “sim”, quando oramos.
E que os nossos nomes
no alto Livro da Vida
irmanados repousam.
E a que “embalas nas tardes”
chegará um dia. E todas as coisas
serão testemunhas de nossas núpcias.

Meu rosto, amado, não dorme,
porque tuas sentenças
mantém, como rocha, a minha vigília.
Estou com as virgens prudentes
acesas nas noites – a espera do Noivo.
E as revelações de Sulamita,
embalo-as no peito:
“O meu amado é para mim
um ramalhete de mirra,
morará para sempre comigo.”

A renovarem a esperança,
como as tuas, minhas preces
prometem nas noites
com todas as forças do meu ser
“Que, como Sara e Abraão,
uma nação brotará de nossas veias
e, somados os séculos,
seremos como areia do mar...”

O que escreveste em tua carta
é bem mais que palavras:
são danças e risos de rosas e lírios
em minhas mãos;
são danças nas horas
e nas águas de um rio –
e jamais secarão.

Nunca irás apagar
o calor de meu nome,

e sempre nos amaremos!

Do livro Canção ao Filho do Homem

sábado, fevereiro 14, 2009

Um poema de Jonathas Braga


O Salmo da Solidão

Junto às torrentes frescas assentados,
cativos, tristes, pobres e humilhados
e sem vislumbre de consolação,

na Babilônia, muita vez choramos
quando, cheios de angústia, nos lembramos
das glórias fascinantes de Sião.

Nossas harpas estavam desprezadas,
nos ramos dos salgueiros penduradas,
mudas, sem vibração, quietas e sós,

porque os soluços da tristeza infinda
e os dolorosos ais de certo ainda
enchiam de temor a nossa voz.

Aqueles que cativos nos levaram
e as nossas tendas logo derrubaram,
sem reparar a nossa humilhação,

para afligir-nos ainda mais, pediam
que cantássemos e eles ouviriam
os salmos e as cantigas de Sião.

Como, porém, podíamos, um dia,
mudar nossa tristeza em alegria
e transformar em riso a nossa dor?

Mas inda assim, exaustos e abatidos,
amamos nossos íntimos gemidos
e, humildes, bendizemos o Senhor.

Do livro A Maravilhosa Luz

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Dois poemas de Brissos Lino


AMIGO
Ao amigo J. T. Parreira

Um amigo ata as pontas soltas
do tempo
desenleia o novelo
da distância
valoriza as migalhas na mesa
do prazer
protege as costas na esquina
dos desencontros
e tece um sonho comum

um amigo custa caro
o salário da vida toda.




A FORÇA DAS PALAVRAS

“Guardo no coração as tuas palavras”. Salmo 119:11

As Tuas palavras
são olhos
rasgados
navios
ancorados
em mim
as Tuas palavras
são punhos
fechados
martelo
a teimar na pedra
rebelde
são feitas de espanto
bordadas
de encanto
palavras que não hesitam
nascer
látego ou afago
lágrima rolante
enfado
palavras que ardem na carne
e ficam mel
no caminho
que choram
e aproximam
palavras que aguardam
uma bússola convicta.
As Tuas palavras
perfazem a esperança
ressuscitando a memória
as Tuas palavras
Senhor
constroem a História.

Visite o blog do autor:
www.ovelhaperdida.wordpress.com

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Dois poemas de Terezinha C. Werson


Meu amanhecer

Andarei entre as árvores floridas
Olharei mais os rios,
Também, as árvores ressequidas
Como fundo o céu azul.

Contemplarei a aurora
Vermelha fogo, azul negra e amarela,
Por entre gigantescas árvores
Passearei, pisarei sobre as folhas amareladas
Espalhadas pelo chão.

Cuidarei mais da minha primavera
Vermelha, caindo sobre o telhado
Tentarei ser mais feliz,
Mesmo que a indiferença
Das pessoas me atinja.

Seguirei a minha estrada
Que já não é tão longa,
Tentarei sorrir mais,
Ser mais descontraída
No meu amanhecer.

Andarei sobre as pedras
Do meu lago azul
Olhando a imensidão,
E de joelhos ao pé da árvore
Quase ressequida
Te agradecerei Senhor!
E prosseguirei caminhando
Na aurora quase fogo,
Do meu amanhecer.



Serei sábia

Dt 32

Tentarei ser sábia
Para crescer em prudência,
E temerei ao Senhor.
Não serei louca
Pra desprezar a sabedoria.

Porque quero invocar a Deus
E quero que ele me ouça,
Me fartarei dos conselhos de Deus
E buscarei a sabedoria como a prata;
Não deixarei as veredas da retidão
E andarei por caminhos de luz.

Honrarei ao meu Deus com a minha renda
Para que os meus celeiros sejam fartos
Não deixarei de fazer o bem a quem de direito
Para que a minha morada seja abençoada.
Porque as minhas veredas serão como a luz da aurora,
Brilharão mais e mais até ser dia perfeito.

Guardarei o meu coração, porque dele procedem
As fontes da vida.
Beberei água da minha própria cisterna;
Meu manancial será bendito
E os meus lábios proferirão coisas retas.
Colocarei maçãs de ouro, em salva de prata
Serei cautelosa, e me desviarei do mal.

Visite a página da autora no Orkut: Clique Aqui.

domingo, fevereiro 01, 2009

Um poema do Pr. Laerço dos Santos


Ide Fazer Missões!

Ouço uma voz a me dizer, ó filho meu
Ergue o olhar além, bem longe, que me dizes ?
Europa, Ásia, Africa e à todos os paizes
Ide fazer missões, aos distantes de Deus!

Leva a santa palavra a toda a gente
Pelo mundo que vive em desamor
Levai a Paz de Cristo, o salvador,
E Deus eterno, que é dos sofridos clemente !

Missionário, leva a luz do evangelho
À quem nas sombras da morte habitar
Sai imbuído de fé e grande ardor;

Clama nas praças, vales, a jovem ou velho
Que Deus em Cristo a todos quer salvar...
Pois deu sua vida na cruz! só por amor!

Visite o blog do autor: http://oagape.blogspot.com/

terça-feira, janeiro 27, 2009

Um texto de Agostinho de Hipona


Louvor e invocação

És grande
, Senhor e infinitamente digno de ser louvado; grande é teu poder, e incomensurável tua sabedoria. E o homem, pequena parte de tua criação quer louvar-te, e precisamente o homem que, revestido de sua mortalidade, traz em si o testemunho do pecado e a prova de que resistes aos soberbos. Todavia, o homem, partícula de tua criação, deseja louvar-te.

Tu mesmo que incitas ao deleite no teu louvor, porque nos fizeste para ti, e nosso coração está inquieto enquanto não encontrar em ti descanso.

Concede, Senhor, que eu bem saiba se é mais importante invocar-te e louvar-te, ou se devo antes conhecer-te, para depois te invocar. Mas alguém te invocará antes de te conhecer?

Porque, te ignorando, facilmente estará em perigo de invocar outrem. Porque, porventura, deves antes ser invocado para depois ser conhecido? Mas como invocarão aquele em que não crêem? Ou como haverão de crer que alguém lhos pregue?

Com certeza, louvarão ao Senhor os que o buscam, porque os que o buscam o encontram e os que o encontram hão de louvá-lo.

Que eu, Senhor, te procure invocando-te, e te invoque crendo em ti, pois me pregaram teu nome. Invoca-te, Senhor, a fé que tu me deste, a fé que me inspiraste pela humanidade de teu Filho e o ministério de teu pregador.

(Confissões, Agostinho de Hipona)
____________________

Fonte: Jornal Urro do Leão - http://www.urrodoleao.com.br/

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Dois poemas de Jhomara Alves



O amor de Jesus

Cuida de mim com apreço
Mesmo eu não tendo nenhum preço
Não importa se sou meretriz
A mim oferece uma vida feliz
Dos meus pecados não se lembra mais
Envolve a minha vida com a sua paz
Seu perdão me traz consolo
Mesmo eu sendo tolo
Refrigera o meu coração
Dando-me o seu divino perdão
Sem nenhum lucro querer
Transforma o meu viver
Para que possa ver
A santificação do meu ser
Fazendo-me rei e sacerdote
Revela-me que o seu perdão é mais do que sorte
É o amor de Cristo mostrado em uma cruz de morte
Hoje Ele me faz forte
Para a sua palavra levar
E que você venha a acordar
Que Cristo morreu
E sofreu
Por te amar!


Nada irá valer

Se dinheiro no bolso eu tiver
E a glória do Senhor em mim não resplandecer
Nada irá valer
Se muitos amigos tiver
E a tua salvação não houver
Nada irá valer
Se boas ações eu fizer
E um verdadeiro cristão não ser
Nada irá valer
Se tiver todo poder
E na palavra de Cristo não crer
Nada irá valer

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Um poema do Pr. Natanael Santos


Oração

Joelhos dobrados e
desfalecidos
pelas horas que se esvaem
qual espiral de fumaça…

Alguém fala com Deus.

Fronte curvada e
compenetrada,
pensamento em elo
com o Trono da graça,

Espadana-se a alma

Lábios trementes
Murmuram palavras ininteligíveis,
é o Espírito que geme.

Dos olhos avermelhados
Fios cristalinos de lágrimas
correm pela face contrita.

Intercalam-se
gemidos…
Ouve-se soluços convulsivos…

O coração se rasga,
A alma tateia em busca
do inconfundivel alento.

No além um Ser soberano vela.
No éter seres angelicais
empunham clavinas
e juntam-se na batalha…

É plausivel
a derrota das potestades
malignas.
Hostes e principados
tombam fulminadas.

Na terra
suspira uma alma feliz
mais uma peleja foi vencida!

*O Pr. Natanael pastoreia uma Assembléia de Deus em Washington, EUA, pelo Ministério do Belém.
Visite a homepage do Ministério: http://www.obelemita.com/index.html

Um poema de Vítor Carvalho Ferolla


Cachoeira vinda do céu

Água caindo pela janela
Lá fora vejo frio, neblina
Como isso em mim cola
um sentimento: nostalgia

Queria dizer felicidade,
Embora seja uma alegria
É lucidez sem vaidade
uma palavra: calmaria

Chuva que vai descendo
A fúria do vento, trovão
Medo eu não tenho não
Tenho paz descansando

Para mim é a expressão:
O Criador em compaixão
Provo submissa gratidão
Erguer e encher as mãos

Visite o blog do autor: http://amandoaoproximo.blogspot.com/

domingo, janeiro 11, 2009

Dois poemas de Darci Corval


ENTARDECER

Já no ocaso da vida,
Quando o esplendor da juventude
Não passa de uma lembrança,
Tu, Senhor, me deste ou me fizeste descobrir
Este dom adormecido:
De, em versos, eu poder me expressar.
Confesso-me surpresa,
E ao mesmo tempo alegre,
Em poder compartilhar,
Com amigos de agora e do porvir,
Estes poemas que brotaram em minh’alma,
À semelhança de um inesperado florescer
De alguma planta tida como estéril.
É o milagre da vida!
Obrigada, meu Deus!
Obrigada, Senhor,
Porque sempre é tempo de começar,
Ainda que, da primavera, o verdor e o florescer
Já estejam tão distantes.
Não importa que as folhas ressequidas do outono
Tenham deixado, no inverno, a árvore desnuda.
Enquanto há vida,
É tempo de demonstrar
O Teu eterno poder.


PLANOS

Mais um ano!
Novo ano!
Novos sonhos!
Novos planos!
De que servem,
Se logo são esquecidos,
Assim como tantos outros,
A cada ano que chega?

Planejar e não cumprir
É como a onda do mar
Que vem e vai,
Levando cada vez para mais longe
Os castelos de areia
Feitos com tanto esmero
Por mãos hábeis de um artista;
Ou como a chuva esperada
No sertão tão ressequido.
Quando chega, traz alento
Ao sertanejo cansado
Que logo a semente lança
Na terra ainda molhada,
Na certeza da colheita
Que lhe trará dividendos.
Novas nuvens, no entanto,
Não regam de novo a terra.
E a esperança se transforma
Em frustração para aquele
Que aguardava, ansioso,
Poder retirar do solo
O seu sustento, o seu pão.

Por isso, se você não tem certeza
De que irá se esforçar,
Perseguir, mesmo, o seu sonho,
Não planeje. Deixe tudo acontecer,
Como fez até agora.
Habituou-se à rotina
Dos dias que vão passando
Sem nada de criativo
Tentar fazer pra mudar...
Não planeje para não ser comparado
Ao estulto, que fala do que não sabe
E nem se esforça pra saber;
Apenas abre a sua boca
E vai liberando “pérolas”,
Num matraquear sem fim.

Quer mesmo que algo novo
Faça mudar o rumo
Dessa vida tão vazia?
Eleve sua voz aos céus,
Numa prece fervorosa,
E peça a Deus que o ajude
A sair desse letargo,
Permitindo que ele aja com rigor
E transforme a sua vida,
Como da água pro vinho,
Em rica fonte de bênçãos
Aos que estão ao seu redor.


*Poemas do livro Entardecer, publicado pela autora em 2005. 

Antologia de Poesia Cristã em Língua Portuguesa: Um relançamento


Amados irmãos e leitores, a algum tempo publiquei na internet a Antologia de Poesia Cristã em Língua Portuguesa. Ela reúne poemas de caráter genuinamente cristão de grandes nomes da literatura lusófona, desde Camões até os dias atuais, passando por escritores e poetas como Machado de Assis, Fernando Pessoa, Alexandre Herculano e muitos e muitos outros. Poemas de mais de 80 autores, dentre brasileiros, portugueses e africanos.
Pois bem, apenas a formatação (o layout) do e-book não fazia jus à obra, pois tive eu mesmo que editá-lo (sem grandes conhecimentos na área) , já que o colaborador que realizava o trabalho para mim encerrou este tipo de atividades. O resultado não ficou o ideal...

Mas a pouco tempo, o irmão, Rev. Giovanni C. A. de Araújo*, que trabalha com editoração eletrônica na Sociedade Bíblica do Brasil, baixou a obra, e se ofereceu para criar uma diagramação profissional para o livro, gratuitamente. E o resultado ficou realmente sensacional!

Por isso estou realizando um ‘relançamento’ da Obra, com o mesmo conteúdo, mas agora muito mais bonita e agradável de se ler. Se você aprecia a arte poética, independente de sua religião, vale a pena baixar este pequeno tesouro. É gratuito, e você pode enviar para quem quiser.

Baixe o livro pelo site Google Drive, Clicando Aqui.
Baixe o livro pelo site 4Shared, Clicando Aqui.

________________________

*O Rev. Giovanni é dedicado à área Litúrgica, escrevendo sermões e liturgias (nos quais gosta de inserir poesias), e além de seu site principal, que mantém com sua esposa, o Giovanni e Tatiana (http://www.tatigi.com.br/), mantém ainda o blog Café com Alecrim (http://cafecomalecrim.blogspot.com/) , e presta trabalhos como editor de publicações impressas ou eletrônicas.

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Uma oração de Max Lucado


Oração da Porta Arrombada*

Nossos amigos perderam suas casas.
O trabalhador perdeu o emprego.
O casal do lado perdeu suas pensões.
Parece que todo mundo está perdendo o sustento.

Isso nos assusta. Esses socorros financeiros de bilhões.
Esses estrondos de depressão.
Essas manchetes: ominiosas, atroadoras -
"Vai quebrar!" "Vai cair!" "Vai perder!" "Qual será a próxima?"

Qual será o próximo?

Agora nós estamos Te escutando. Estamos admitindo: o Senhor tinha razão.

O Senhor nos disse que isto aconteceria.
O Senhor acertou em cheio sobre os cuidados dessa vida e amor ao dinheiro.
"A ganância quebrará vossos corações, o Senhor avisou.
O dinheiro vos amará e depois vos abandonará.
Não ponhais a vossa esperança na incerteza das riquezas."

O Senhor tinha razão.
O dinheiro é um amante inconstante e nós quebramos a cara.

Estávamos errados em gastar o que não tínhamos.
Errados em negligenciar a oração e ignorar o pobre.
Errados ao pensar que ganhávamos cada moeda de 10.
Não, não as ganhávamos. Era o Senhor quem as dava.
E agora, diga-nos ó Pai: o Senhor as está tomando de volta?

Agora estamos te escutando. Estamos orando.
O Senhor pode fazer algo de bom em meio a esta desordem?

Naturalmente, o Senhor pode. O Senhor sempre tem.
O Senhor já conduziu cativos para fora da escravidão,
Erigiu templos de ruínas,
Transformou ondas tempestuosas em lagos espelhados; água em vinho doce.
Este caos espera a tua ordem. Assim como nós.

Em nome de Cristo,

Amém!

"Deus sempre dará o que é justo ao seu povo que clama de dia e de noite,
e Ele não tardará em lhes responder. (Lucas 18:7 NCV)

in Max Lucado National Prayer - October 2008
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*Gentilmente traduzido pelo irmão e colaborador João Cruzué, do blog Olhar Cristão, a pedido do blog Poesia Evangélica. Obrigado, João!

Um poema de Patricia Neme, para começar bem o Ano Novo


FELIZ ANO NOVO!

Começa um ano novo e eu te desejo

a paz, que está além do entendimento;

que tenhas o que para mim almejo:

venturas - mil! E pouco sofrimento!


Que o teu destino seja benfazejo,

que não te traga agruras ou lamento;

que a sorte te sorria, a cada ensejo...

E o amor seja teu chão e firmamento.


Inda algo mais, também eu rogo a Deus:

saúde e segurança aos que são teus,

que os anjos do Senhor guardem teu lar.


E que na fé tu tenhas força e amparo,

seja o Mestre Jesus teu bem mais caro...

Que Ele sorria ao mundo em teu olhar!


*Leia mais poemas e textos da autora Clicando Aqui.

sábado, janeiro 03, 2009

Dois poemas de André Filipe Noronha Silva (Aefe!)

Símbolo dos irmãos morávios

Irmãos Morávios
*

Os Morávios moravam com Deus
onde Deus não morava com os homens.
Os Morávios moravam com os homens,
para que os homens morassem com Deus.
Com uma Bíblia na mão e um chinelo no pé
os Morávios não moravam em nenhum lugar:
na fé e em Cristo iam orando
tendo a Palavra de Deus como lar.



O que é meu é céu
ao Akilton.

Senhor,
Eu ando um tanto esquecido de viver quem eu sou:
Então peço pra que todo dia eu possa lembrar
Que sou todo céu, como água no mar…

Senhor,
Eu ando um tanto perdido sem saber pra onde vou:
Então planta tua rosa-dos-ventos em meu coração,
Pois tudo o que é céu, é direção…

Pai, papai do céu…

Pai,
Eu moro em mundo concorrido que não sabe aonde vai:
Então me manda galopar cantando em seu carrossel,
Girando o meu mundo em torno do céu!

Pai, papai do céu…

Pai,
E quando fica escurecido e gelado demais,
Você acende as estrelas e revela o amor,
E faz de tudo o que é céu de meu cobertor.

Visite o blog do autor: Imagem e Semelhança
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*Para saber mais sobre os irmãos morávios, leia o excelente estudo OS MORAVIANOS E AS MISSÕES, de Kenneth B. Mulholland , Clicando Aqui.

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