terça-feira, abril 27, 2010

Dois poemas de Chris Amag

*

Deus cuida de mim

Não quero pensar no amanhã, quero ser como os pássaros,
Vem a chuva, o sol, o mau tempo, mas eles sempre cantam,
Sabem que existe um criador que cuida deles, com amor,
Então eles se recolhem e esperam o carinho de Deus.

Não quero pensar no amanhã, quero ser como os lírios do campo,
Vestem a mais fina fazenda, com cores que alegram os nossos olhos,
Sabem que a sua beleza pode ser passageira, mas se orgulham dela,
pois suas sementes serão espalhadas pelo vento e viverão para sempre.

Não quero pensar no amanhã, porque sei que tudo tem o seu tempo,
Cristo é o Senhor desse tempo, quem me guia e cuida de tudo,
Não devo me preocupar com o mau tempo, com os difíceis momentos.

A minha vida não é minha, não posso planejar um futuro incerto,
Tudo aqui é breve, estamos aqui de passagem, com o mesmo destino
E somente chegará lá, quem der a direção da sua vida a Jesus, nosso Senhor.



 Silêncio

“Até o tolo parece sábio quando está em silêncio.”  
                                                               Provérbios

Ao fim do dia, com a garganta seca,
Um peso no peito me cerca,
Muitas palavras escaparam da minha boca,
Tortas, desafinadas e ocas.

Uma sensação de ter falado em demasia
E ter deixado escapar uma palavra rude,
Quem muito fala, muito fantasia
E é sufocado pelas suas atitudes.

O silêncio é dom de Deus,
Ele apascenta, acalma os seus
e a sensação no final do dia
é de uma alma cristalina.

Quero, na despedida do dia,
Sentir apenas a alegria
De ter calado na hora certa
E de ficar sempre alerta.

Visite o blog da autora: http://chrisamag.blogspot.com

sexta-feira, abril 23, 2010

Um poema de Flávio Américo

*



SAUDADE DO FUTURO

Como fazer sair o meu sentimento?
Queria que vissem o que vejo agora
Mas, mesmo aqui, veriam do mesmo jeito
A chuva fininha que cai lá fora?

Árvores balançando lentamente
O vento deixando a pele atenta
Esse quadro me desalenta a mente
Uma saudade ao meu coração atenta

Essa saudade não é das namoradas
Não lembro aqui de passados instantes
Parece ser saudade do futuro

Como lembranças dos dias nas moradas
Prometidas em momentos distantes
E onde espero aportar, um dia, seguro

Visite o blog do autor: http://palavrasboladasereboladas.blogspot.com

terça-feira, abril 20, 2010

Um acróstico de Adail Campelo

*

Jesus Está Voltando

Jesus Maravilhoso
Es o melhor Amigo
Sou teu servo amoroso
Um salvo do perigo
Servo do Todo-poderoso

Estou em Ti esperando
Sempre em Ti meditando
Todo meu ser te amando
A tua volta aguardando

Vem a tua igreja buscar
Oh, não tardes, meu amado
Lembra-te, estamos a chorar
Tentações por todo lado
Apressa-te por nos amar
Não nos deixe neste estado
Deixa-nos contemplar
O teu rosto adorado

quinta-feira, abril 15, 2010

Dois poemas de Myrtes Matias

*

VASO DE BARRO

Grandes, pequenos,
pesados, frágeis,
Todos os modelos, todos os tamanhos,
dóceis esperam
que o autor os leve ao fogo,
de onde sairão firmes,
impermeáveis,
prontos para servir,
para um humilde lugar,
longe dos vasos de cristal e ouro.
Vasos de barro,
bolas de argila
que as mãos hábeis do oleiro
transformaram,
vieram do pó que os animais pisam,
do principio de tudo
e para onde tudo volta.
Vasos de barro,
onde as flores serão mais lindas:
simples e humildes,
não desviarão os olhos
que contemplam a beleza da flor.
Em vasos de barro as flores crescem
Lindas,
vasos de barro é o que pede Deus
para provar a esse mundo aflito,
através do finito, o infinito,
mostrando na terra o poder dos céus.
Por isso eu, vaso do pó arrancado,
um dia modelado pelo Eterno amor,
quero mostrar ao mundo a sua
Grandeza
como um pequeno vaso sem beleza,
sustentando uma bonita flor.
Que importa se cansado ou gasto
esse menor entre mil vasos seus
voltar um dia ao seu Criador?
Em outros vasos crescerá a flor
para o bem do mundo e a glória de
Deus.

Extraído do livro Entrega e Consagração (Editora UFMBB). 



“...ATÉ VIR A LUZ”

Deus e luz.
Fez a luz.
Te fez luz.
Portanto,se tudo parece treva
ao teu redor,
não dês ouvido ao tentador;
no mais profundo desse teu mundo,
está operando o teu Senhor.
Durante a noite,o mar se afasta,
se faz caminho
para o povo que segue à Canaã;
o Mar Vermelho, se faz estrada,
se torna muro de cada lado;
quando acordares,será manhã
de um novo dia,
vem a alegria,a exultação.
Não importa a hora, sinais à vista,
precisas agora,dessa alegria
que força é.
Então, pela fé, vislumbre a luz,
ouve Jesus a te dizer:
-Sou a luz do mundo e te faço luz,
não sob o alqueire,
mas bem no alto do velador,
para que ilumines os que estão na casa
ao teu redor.
Está escrito que, no principio,
Deus ordenou ao caos profundo:
“Haja luz! E houve luz”.
Muito mais agora, nesse teu mundo
(não te confunda o enganador):
depõe teu fardo,confia e espera;
durante a noite, toda essa noite,
Esta operando o teu Senhor!

domingo, abril 11, 2010

Um poema e um jogral de Adriana Aldrovandi

*

Antes que anoiteça

Antes que anoiteça
antes que a luz se apague e a memória desvaneça
buscamos a Presença onde a vida acontece.
Antes que anoiteça e a memória pereça
gravamos a história
buscamos a Glória onde a vida resplande.
Antes que anoiteça
enchemos nossas lâmpadas e perpetuamos a espécie
no altar da entrega queimando incenso
Antes que anoiteça estejamos certos
de que para Ele vivemos e mesmo que
daqui não lembremos
e esquecidos sejamos
Com Ele estaremos
Eternamente



Jogral das bodas

noiva: Ouço a voz do noivo
que me chama no deserto

noivo: Amada vem, sobe mais alto

amigos do noivo: Ouço a voz do noivo
Ouço a voz da noiva
Num cântico alegre
Cântico nupcial
E os seus jardins
exalando seus aromas
seus doces aromas

noiva: Quem é esse que me vem
vestido de majestade?
meus olhos o contemplam
meu coração desmaia

noivo: Ela é minha amada
formosa é
anseio tocá-la
trazê-la em meus braços

amigos do noivo: É tempo de amores
já raiou o dia
a justiça e a paz
sem encontram num beijo

noiva: Meu amado é belo
por ele meu coração salta de prazer
o seu amor é eterno
e meu anseio é tê-lo sempre perto

noivo: Eis que venho sem demora
prepara-te noiva minha
é tempo de amores
os campos estão em festa
vamos juntos colher os frutos
desta união eterna.

amigos do noivo: É tempo de amores
É tempo de festa

terça-feira, abril 06, 2010

Dois poemas de Eliúde Marques para a juventude

*
Imagens cristãs de uso livre em http://www.creativemyk.com

O JOVEM – INSTRUMENTO DE DEUS
PARA ESTA GERAÇÃO EM CRISE

O jovem é semente que germina,
é um horizonte a se descortinar,
é a possibilidade da vitória,
é o troféu da existência, a própria glória,
é o sorriso fagueiro a contagiar.

E em meio à crise que devasta o mundo
e a geração presente se perdeu,
o jovem crente é intrépido instrumento
pra ser usado pelas mãos de Deus.

Moço, tu tens em tuas mãos a posse
da fonte inesgotável de poder:
és o presente aurado de esperança,
berço de glória onde o porvir descansa
as possibilidades de vencer.

Em tuas mãos, eis o futuro incerto
de milhões que caminham no deserto,
em marcha do deserto para o abismo.
Eis em tua frente o grande desafio:
tira as nações do lúgubre desvio,
livrando-as do completo cataclismo.

És o apoio de um Brasil que cresce,
de um gigante que não mais adormece,
mas que desperta diante das potências.
E há em ti potencialidades
que descobertas e utilizadas,
hão de ser úteis para a humanidade.

Moço, eis o tempo do despertamento,
é necessário que tu evangelizes,
porque és de Deus precioso instrumento
para livrar a geração em crise.

É grave a hora e tétrico o momento
e é impossível um levantamento
dos ais que ecoam no horizonte além.
Dores que partem de sangrentas guerras,
de jovens indefesos que deixaram
sua pátria, família e os amigos,
tornando-se operários dos perigos.

A pestilência grassa nas cidades
e sempre falta leito em hospitais,
pra comportar as vítimas do século.
Quantos têm perdido a sua vida
sem ouvirem que Cristo salva e cura;
e até pode livrar da sepultura
ricos e pobres, míseros mortais!

Grande poder por Cristo já foi dado,
então urge que o jovem crente vise
que Deus o colocou como instrumento,
para salvar a geração em crise!

Portanto, moços, desta Pátria imensa,
jovens sem distinção de classe e cor,
ouçam a voz que clama pela crença,
de uma geração sem paz e amor,
ela marcha direto para o abismo,
ovelhas de um rebanho sem pastor.

Ergam, pois, o estandarte da verdade
e destruam a heresia das nações,
projetando o poder do Cristianismo
para salvar as novas gerações,
para que a paz no mundo dinamize
e seja convincente o argumento,
que o jovem é de Deus um instrumento
para salvar a geração em crise!

(À missionária Dalsiléa Ferreira, com carinho e saudade do nosso tempo de jovem, servindo a Jesus.)



RECOMPENSA

No teu mundo que é um jardim florido,
és qual flor em risonha primavera.
Doces sonhos, poesia, uma quimera,
uma ventura teus anos vividos.

Lutas, renúncias, talvez longa espera
hão de envolver-te como jovem crente,
mas, olharás para Jesus somente,
que a vitória há de vir em novas eras.

Entrega a tua vida e juventude,
o teu sorriso, amor, tua saúde
para o trabalho que o Senhor tem dado.

Pois, sendo assim, com o coração aberto
verás então que no seu tempo certo,
há de chegar teu príncipe encantado!

Do livro  Luzes do Arrebol - Poemas que a Fé inspirou

sábado, abril 03, 2010

EU VI O SENHOR - Poema do Pr. José Britto Barros

*

“ E U  V I  O  S E N H O R ”

ENTÃO SAIU MADALENA DIZENDO AOS 
DISCÍPULOS:EU VI O SENHOR! ( João 20. 18 )

Naquela madrugada saíra Madalena
Para ir ao sepulcro a visitar um morto.
Jamais imaginara iria ver a cena
De contemplar Jesus ressuscitado ali no Horto.

Mas algo aconteceu nessa manhã gloriosa!
Quando aquela mulher chegou ali chorosa
Para honrar seu Jesus que fora sepultado,
Ela o não encontrou, aquele Cristo amado
Havia do sepulcro desaparecido
E ela põe-se a chorar em pranto desmedido.

Porém ali estavam dois anjos, que com ela falaram:
-- Por que choras, mulher? -- Meu Senhor já roubaram!
Não sei onde o puseram... E a chorar continua...
Seus prantos sem remédio os anjos não curaram ...
Mas ela descobriu ali um outro alguém
Que do Horto julgou ser o guarda também.
E então ela pediu: Se o levaste. me diz onde o puseste
E eu irei buscá-lo mesmo sendo pesado
Pois Ele é o meu Senhor, meu Mestre muito amado!

Jesus enfim falou-lhe, por seu nome a chamando:
Maria! E ela o conheceu! Não mais está chorando!
A seus pés se prostrou contrita e embevecida
Por ver que estava vivo o senhor de sua vida!

Oh! Grandeza sublime! Oh! Glórias imortais
Jesus venceu a morte! Vitórias divinais.

Ah! Eu vi o Senhor! Sai ela a proclamar
A quantos sua voz conseguia alcançar.

Ela vira o Senhor redivivo e poderoso
E su’alma se encheu do mais intenso gozo!


2
E você, o que vê? O que você contempla?
O que pode mirar pelos olhos da fé?

Você apenas vê o Cristo que os homens têm pintado?
Esse Cristo que foi por muitos deformado?
Fizeram-no magrinho, esticado na Cruz...
Não é esse o Senhor, não é esse Jesus!

Fizeram-no também um Cristo monstruoso
Que leva o coração pendurado e sangrando...
Esse nunca que foi o glorioso Jesus
Que tanto nos amou e morreu numa Cruz!

Outros querem que Ele uma bolacha seja
Distribuído a quem comparece na Igreja...

Artista sem pudor o fizeram de cera num caixão
Como sendo o Senhor morto levado em procissão...

De pedra outros fizeram-no, estátua grande, enorme,
Assaz descomunal, gigantesca, disforme...

Imagens de Jesus, estranhas produções
De artistas que de Deus não tiveram visões.

Madalena nos diz de forma forte e clara:
Eu vi o Senhor! Ele, a jóia mais rara
De beleza invulgar, glorioso, magistral,
O Cristo que brilhou de forma sem igual!

O Cristo que ao nascer um coro incomparável
De anjos o saudou de modo inigualável!

O Cristo que nascendo uma estrela brilhou
E os Magos do Oriente a Belém os guiou.

Eu vi o Senhor que de apenas doze anos
Deslumbrou os doutores sabidos e decanos.


3
Eu vi o Senhor que sendo batizado
Se lhe abriram os céus sendo então proclamado
Ser Ele o próprio Filho do Deus supremo e forte!
Eu vi esse Senhor, o vencedor da morte!

Sim, eu vi o Senhor dos milagres perfeitos
Aquele que falou e viveu sem ter defeitos.

Eu vi o Senhor que aos leprosos fez puros,
Que promessas nos fez em dizeres seguros.

Eu vi o Senhor que a Lázaro do sepulcro chamou
E para suas irmãs vibrante o entregou!

Eu vi o Senhor que atendera os pecadores
Findando seu sofrer, tristezas e temores!

Ah! eu vi o Senhor que aos ventos firme ordena
Que cessem de rugir, e completa essa cena
Acalmando o escarcéu das ondas revoltadas
Fazendo-as ficar quietas e acalmadas.

Eu vi o Senhor que abraçava as crianças
Doando a cada uma bênçãos e esperanças.

Ah! Eu vi o Senhor que libertou minh’alma
E me fez ser feliz gozando doce calma.

Eu vi o Senhor que um dia irá voltar
E essa eterna mensagem nos mandou proclamar!

Eu vi o Senhor Caminho, Luz, Verdade
Que um dia irei louvar na doce eternidade!

Eu vi ao Senhor a quem amo e obedeço,
De quem tudo recebo e sei que não mereço.

Eu vi o Senhor, e você quem está vendo?
Como está a su’alma, e como está vivendo?


4
Há luzes em Jesus, há respostas serenas,
Há glórias imortais para outras Madalenas
Que queiram-no adorar e crer nos seus ensinos
Porque vêm dos céus, e são todos divinos.

Eu vi o Senhor! Que você também o veja
Onde quer que labore, no lar ou na Igreja.
Nas dores ou prazer, nas santas alegrias
Ou mesmo no sofrer de tormentosos dias.

Que vejas o Senhor, o eterno, o sublimado,
Aquele que te fez remido e transformado!

Vejamos nós Jesus, o Cristo, o Rei, o Vencedor
E a Ele consagremos todo o nosso amor! Amém!

João Pessoa, 4 de abril de 2010

quinta-feira, abril 01, 2010

Sobre a Páscoa - Um poema do Pr. José Britto Barros

*

SALMO DE EXALTAÇÃO DA PÁSCOA CRISTÃ

Cantam todos os povos redimidos
E canta também a natureza inteira!
Cantam aves canoras delicadas
E pássaros da mais linda plumagem!
Roseirais de Jericó, Rosas de Sarom,
Enchei de vosso doce aroma
Os recantos celestes!
Ervas perfumadas das colinas do Carmelo
E dos montes de Sião,
Lírios dos profundos vales
Do Cedrom e do Jaboque,
Plenai de vossos odores mais puros
Os alcantis altivos e as serras altaneiras
De vossas plagas históricas!
Açucenas gentis de Zebulom
E violetas singelas
Das margens floridas do Jordão em festa,
Prados e campinas e vergéis
Alfombrados de variegadas flores,
Perfumai todos os caminhos,
Envolvei com vossas essências e fragrâncias
As oliveiras antigas dos jardins e hortos,
Subi até os verdes leques
Das altivas palmeiras de Jerusalém,
Uni-vos todos -
Perfumes e cantos da primavera -

Para exaltar o Sol da Justiça
Esplendoroso e lindo
Que já despontou do túmulo
E surgiu deslumbrante,
Trazendo Salvação debaixo de suas asas
Como já dissera o profeta Malaquias!

Favônios cantantes e amenas aragens,
Brisas gentis e virações serenas
Levai a todos os cantos e recantos da terra
Os suaves odores da divina presença
Do Cristo ressurreto que dará vida
A quantos dele estejam carecentes!
Vibrai, ó povos dantes consternados
Pela morte cruel do suave Rabi da Galiléia!
Exultai vós todos seguidores do Cristo
Té então chorosos por sua amarga despedida!
Explodi em cantos e louvores
Vós todos que na sexta-feira
Cantastes as endechas dolentes
E os funéreos hinos,
Cantai agora alegremente
Aleluias e hosanas aos milhares
Pois vivo e majestoso, excelso e sublime,
Supremo e Todo-Poderoso
Já está entre vós
O CRISTO IMORTAL DOS SÉCULOS!

Esta é a música empolgante
Da ressurreição vitoriosa do Senhor!
Esta é a canção grandíloqua e vibrante
Dos contritos seguidores do Cristo!
Esta é a sinfonia magistral
De todos aqueles que crêem em Jesus!
Esta é a verdadeira cantata da Páscoa
Que celebra o Cristo, Cordeiro de Deus
Que tirou o pecado do mundo
E agora está assentado no meio do trono!
Este é o Oratório maior bem posto acima
De todas as produções musicais do ser humano.
Maior que o Messias de Haendel,
Maior que as Cantatas de Bach,
Maior que as Sinfonias de Beethoven,
Maior que as solenes Missas de Mozart!
Esta é a música celeste
Vibrando sobre a terra triste
Para espancar o tédio,
Desfazer as tristezas, lenir as dores,
Estancar os prantos
E criar em cada um de nós,
Os servos do Senhor ressuscitado,
As aleluias e hosanas da ressurreição
E as gloriosas esperanças da vida eterna
Ao lado daquele que venceu a morte
E agora vive e reina
Para sempre, e sempre, e sempre!
Aleluia! Aleluia! J E S U S  R E S S U S C I T O U!

O autor é conferencista da Cruzada Algo Maravilhoso, membro da 1ª igreja Batista de João Pessoa-PB , onde reside. – E-mail pastorbritto1930@ig.com.br

segunda-feira, março 29, 2010

A GRATIDÃO DE LÁZARO - Mário Barreto França

*

(“Não foram dez os limpos? E onde
Estão os nove?” Lucas 17:17)

- “O Mestre vem aí!” – A nova alviçareira
Correu por toda parte...
E, do campo à lareira,
O assunto predileto, a palestra forçada
Era a vinda do Mestre, há tanto desejada...
O cego, o mudo, o coxo, o surdo, o aleijado,
O velho, o infeliz, o enfermo, o desgraçado,
Todos, sob o fulgor da fé e da confiança,
Sentiam renascer dentro d’alma a esperança
Na cura radical dos seus males carnais,
E na compensação dos dons materiais,
Para o prazer da vida; um ou outro, porém,
Desejava outro dom, almejava outro bem:
Qual seja o de alcançar plena satisfação
Aos anseios de fé e amor do coração...

Banidos do convívio alegre das cidades,
Forçados a clamar suas enfermidades,
Ao brado horripilante e tétrico de – imundo! –
Dez leprosos ali, renegados do mundo,
Já sentiam também o mesmo ardente anseio
De ver Jesus.
Talvez fosse esse o único meio
De conseguir do Mestre a divina atitude
De lhes impor as mãos para o bem da saúde...

Quando Cristo chegou às portas da cidade,
Foram ao seu encontro, ardendo em ansiedade,
Os lázaros que, O vendo, estacaram distantes,
Deslumbrados, febris, aflitos, ofegantes,
E gritaram de longe, erguendo em pranto a voz:
- Ó Rabi! Ó Jesus! Tem piedade de nós!

Para que dizer mais? Tudo o Mestre sabia:
Desde o desprezo atroz à lepra que os cobria;
Desde os ódios sem causa à revolta incontida
Que os faziam viver amaldiçoando a vida;
Desde a suprema dor de se verem banidos
Do convívio do lar, dos entes mais queridos,
Ao trágico pavor de se irem transformando
Em podridão humana, em trapo miserando...

Para que dizer mais? Jesus já vira tudo:
A profunda tristeza, o desespero mudo,
E, mais que a podridão das chagas asquerosas,
Via as feridas d’alma abertas, dolorosas:
- Chagas de maldição, feridas de pecados
Que os faziam assim mais vis e desgraçados... –

Almas cheias de dor, olhos cheios de pranto,
Clamaram outra vez, em dolorosa voz:
- “Ó bendito Senhor, ó Mestre puro e santo,
Tem piedade de nós! Tem piedade de nós!” –

Jesus se comoveu, amando-os na desgraça,
Pois neles via, clara, a alma de sua raça
Incrédula, infeliz, repleta de vaidade,
Fugindo do dever, descrendo da verdade;
Por isso, lhes mandou, pra ficarem curados
Das chagas corporais, da lepra dos pecados,
Que se fossem mostrar ao sacerdote...
E quando
Foram... ficaram sãos... e alegres, e exultando
De gozo singular e de satisfação,
Sentiram dentro d’alma a estranha sensação
De um condenado à morte o qual, na hora extrema,
Ouve a proclamação da clemência suprema.

E correram a dar a todos a faustosa
Notícia singular da cura milagrosa,
Contando como Cristo os havia encontrado
E o modo por que tinha o milagre operado...

Mas na imensa expansão da alegria incontida,
Se esqueceram de dar a prova merecida
Da eterna gratidão àquele que os curara
Na profissão de fé no Mestre que os salvara...
Todos, não! Porque um, em submissa atitude,
Veio-lhe agradecer a bênção da saúde,
Prostrando-se a chorar, em grata adoração
Ao grande operador de sua salvação;
Dizendo-lhe, Senhor, graças te dou que a mim
Revelaste o poder do teu amor sem fim,
Dando-me a tua paz e dando-me a saúde
Na manifestação sublime da virtude!
Perdoa-me que sou um pobre pecador!
Bendito seja sempre o teu nome, Senhor!

E o único que voltou, num gesto grato e humano,
Era um pobre estrangeiro, era um samaritano.

Mas Jesus, que não faz diferença de raças,
Perguntou-lhe: - “Só tu voltaste pra dar graças?
Não eram dez ao todo os que foram curados?
E onde os outros estão? De certo, em seus cuidados
Puramente carnais, simplesmente da vida!
E esqueceram depressa a bênção recebida.” –

E ao contemplar ali, o único dos dez
Ex-leprosos, prostrado em súplica a seus pés,
Cheio de compaixão, sorrindo lhe falou:
- “Levanta! Vai em paz! Tua fé te salvou!” –

E quando ele se ergueu do chão, justificado,
E olhou em torno a si, alegre, deslumbrado,
Descortinou, feliz, um mundo diferente,
Não mais como degredo ou cheio de ódio ardente,
Mas repleto de amor, de esperança e de luz
No Evangelho do Bem, pregado por Jesus.

Mário Barreto França

Do livro O Louvor dos Humildes (1953)

sábado, março 27, 2010

E-books de Utilidade Pública para download (e ainda Bibliotecas Virtuais, Democratização do Conhecimento - e um novo blog sobre tudo isso)

*

Talvez você já tenha me visto escrever sobre a Biblioteca Virtual Letras Santas, uma biblioteca que reúne centenas de recursos (e-books, apostilas, gráficos, etc) evangélicos, com a característica de serem somente materiais LIBERADOS PARA DOWNLOAD LIVRE POR SEUS PRÓPRIOS AUTORES. O que talvez você não saiba é que, além dos muitos recursos de interesse particular do cristão, reunimos também dezenas de recursos de INTERESSE GERAL e UTILIDADE PÚBLICA, materiais esses produzidos e disponibilizados por diversos órgãos governamentais (das três esferas), além de ONGs e organismos nacionais e estrangeiros.
 *
Neste tópico, veja algumas dos mais recentes recursos incluídos no acervo (clique sobre o título para fazer o download):

Cartilha do Trabalhador com Deficiência, elaborada pela FAPED (DF).

Cartilha sobre Inclusão Digital, elaborado pelo Comitê para Democratização da Informática em Sergipe – CDI Sergipe.

HIV/AIDS em Ambientes Prisionais: Prevenção, Atenção, Tratamento e Apoio, elaborado pelo UNODC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime).



Cartilha sobre Direção Defensiva, elaborada pelo DENATRAN e Ministério das Cidades.

Guia Prático do Cuidador de Idosos, elaborado pelo Ministério da Saúde (E-book com 62 pgs.).

As Crianças e o Desmembramento Familiar, elaborado pela ONG cristã Tearfund (E-book com 68 pgs.).

Um Guia para as Brasileiras no Exterior (sobre o perigo do tráfico sexual), e-book de 84 págs. elaborado pela OIT (Organização Internacional do Trabalho).

Controle Integrado de Ratos, cartilha elaborada pela EMBRAPA.


Brasileiros no Exterior - Informações Úteis, elaborado pelo Ministério do Trabalho.

O Combate à Corrupção nas Prefeituras do Brasil, elaborada por Cláudio Webber Abramo (Transparência Brasil) e outros.

Noções Básicas de Cartografia, e-book de 128 págs., elaborado pelo IBGE.

Guia Alimentar para a População Brasileira – Promovendo a Alimentação Saudável, livro de 210 págs., elaborado pelo Ministério da Saúde.

Kit Família Brasileira Fortalecida, elaborado pela UNICEF. O kit contém cinco álbuns que explicam os cuidados necessários para as crianças desde a gestação até os 6 anos de idade, período de vida determinante para o desenvolvimento integral de meninas e meninos.
 *
E fique sempre de olho na nossa Biblioteca, pois semanalmente são incluídas novidades.
 *
Democratizar a edificação e a capacitação cristã, e a informação útil, esta tem sio nossa bandeira. Divulgue o link da Biblioteca entre seus contatos e em seu blog, para abençoar seus leitores. E caso você conheça materiais de uso livre que se enquadrem na proposta da Biblioteca, mas que eventualmente não constem do acervo, por favor, colabore com este esforço, enviando-me a dica.

O link para a página da Biblioteca é este: http://www.4shared.com/dir/1727479/71ecfce9/sharing.html


E indo além: em virtude da crescente importância do tema da democratização do conhecimento, e a multiplicação de iniciativas neste sentido, no Brasil e no mundo, me pareceu oportuno criar um novo blog, totalmente dedicado a esta temática. É o Bradante. Um espaço que oferece listas de links de Bibliotecas Virtuais (evangélicas e seculares) que disponibilizam material de uso legal, links para Cursos gratuitos online, e outros recursos. E ainda notícias, artigos e tutoriais sobre o tema, e o melhor: a disponibilização regular de e-books e outros materiais de uso livre e legal para download, coletados nas mais diversas fontes evangélicas e seculares. Um verdadeiro brado pela democratização do conhecimento!

Para o sucesso desta iniciativa, a sua colaboração é fundamental, enviando dicas e informações, e divulgando mais este humilde webserviço prestado aos irmãos, e a toda pessoa interessada.


Deus lhes abençoe!

Sammis Reachers
sreachers@gmail.com

quarta-feira, março 24, 2010

ORAÇÃO DA SUBMISSÃO

*

"Quando tu quiseste me conduzir,
eu tomei o controle da minha vida.
Quando tu quiseste me governar,
eu me dirigi a mim mesmo.
Quando tu quiseste cuidar de mim,
eu me bastei a mim mesmo.
Quando eu devia depender de tuas provisões,
eu me abasteci de mim mesmo.
Quando eu devia me submeter à tua providência,
eu segui o meu desejo.
Quando eu devia estudar, amar, honrar e confiar em ti, eu trabalhei para mim mesmo:
falhando e corrigindo as tuas leis
para concordarem comigo,
em lugar da tua, busquei a aprovação dos homens.
Eu sou por natureza um idólatra .
Senhor, meu maior desejo é levar meu coração
de volta a ti.
Convença-me que não posso ser meu próprio deus
ou me fazer feliz a mim mesmo,
nem ser meu próprio Cristo
para restaurar minha alegria,
nem ser meu próprio Espírito para me ensinar,
me conduzir e me dirigir.
Ajuda-me a ver que a tua graça
age por meio da aflição providencial,
para que, quando meu dinheiro for deus,
tu me jogues para baixo,
para que, quando meus bens forem meus ídolos,
tu os faças voar para longe,
para que, quando o prazer for tudo para mim,
tudo o tornes amargo.
Afasta-me do erro do olhar, da curiosidade do ouvido,
da avareza do apetite e da luxúria do coração.
Mostre-me que nada destas coisas
pode curar uma consciência ferida,
sustentar um esqueleto cambaleante,
segurar um espírito desviante.
Então, leva-me para a cruz e me deixe lá".


(Texto puritano anônimo do século 17, sob o título "Man a Nothing" [O homem não é nada]

Tradução de Israel Belo de Azevedo, in  http://www.prazerdapalavra.com.br/

segunda-feira, março 22, 2010

Declamadores de Poesia Evangélica

*

Amados leitores, nosso irmão Tilho Filgueiras, da AD em Goiânia, é declamador de poesia evangélica, e iniciou há pouco tempo um blog totalmente dedicado a este tema. Nele ele posta poemas, informações úteis e fala sobre sua experiência como declamador.

Se você é declamador, entre em contato com o Tilho para troca de experiências e informações. Devemos nos unir pelo resgate e a promoção da poesia nos cultos – e na vida devocional cristã de uma forma geral.

Visite o blog Declamadores: http://www.declamadoresdepoesiaevangelicas.blogspot.com/

quinta-feira, março 18, 2010

Dois poemas de Rosa Jurandir Braz

*

A Poesia vai além dos Cavalos

A poesia vai além dos Cavalos.
Como o oxigênio para os pulmões,
ela está para tudo o que existe.

A Poesia é mais forte
que o ímpeto dos Cavalos
que se sucedem no Fim
- os Cavalos apocalípticos
e seus fantásticos cavaleiros –
se bem que eles cavalgam
na ordem pré-traçada,
e suas cores dramáticas
são notável sinergia.
(As feras, as alimárias
obedecem prontamente,
até mesmo os Cavalos fantásticos,
e estes mais que os outros;
só o homem delonga
no pascer de si mesmo.)

A Poesia subsiste
- vai além dos Cavalos! –
explorada ou preterida,
deturpada ou arremetida
para gáudio dos justos,
para o escárnio dos cínicos.

Os Cavalos se empinam
e têm cores sinistras
quando soa-lhes a Hora;
e o mundo estremece
ao início da marcha,
mas depois se habitua
e acomoda ao destino.

Surge o Branco, O Cavalo
e o Homem do arco
com a coroa que vence.

Vem depois o Vermelho
com o seu “paladino”,
cuja espada faminta
tira a paz toda à Terra.

Logo avista-se o Preto
e o seu cavaleiro,
é o que pesa o minguante.

Se sucede o Amarelo
montaria da Morte
e o seu séquito é o Hades.

E mais tarde é o silêncio,
e as visões são bem altas.

A Poesia subsiste
- que ela é verbo e essência –
e com a outra Virtude
(porque a Fé e a Esperança
serão ambas extintas),
braços dados, se exaltam
musicando “Aleluia”
superior à de Haendel.
O Amor e a Poesia!
Que dueto afinado!
E penetram o Eterno.

Recomeça a inocência
Sem menção aos Cavalos.



Onde Acharei um Portento?

Onde acharei um Portento
que desprenda à Clara Fonte
toda a Canção desta alma?

Muitos dizem. Muito dizem.
Os olhos finos se afligem
não e nunca satisfeitos.

Cecília partiu em Noite.
Drumond em Noite enoitece.
Árvores altas madrugam
quase em vão; quem se convence?!

Há os pássaros no ramo.
Tagarelam tanto e nada
tão-nunca dizem da Água.

Onde acharei um Portento
que aflore, enfim, das raízes
a Canção Total à Fonte?

Que cante a Água que adoça
os olhos da triste fronte?!


Do livro Frutos para o meu Amado (CPAD, 1999).

sábado, março 13, 2010

Dois poemas de Edson Manoel de Lima

*

DEPENDÊNCIA

Esta total dependência
da luz da Tua essência.

De Ti dependo tanto,
vem curar o meu pranto.

Senhor que o amparo dita,
minha vida de Ti necessita.

Preciso do abrigo acolhedor,
Vem derramar Teu amor.

Pois, sem Ti, sou nada,
vem aquecer a alma gelada.

O fogo do Teu poder é brilhante,
necessito de Ti a todo instante.

Dependo Daquele que tudo conhece,
da mão protetora que fortalece.

Mão zelosa e estendida
que cuida da minha vida.

Entrego a Deus o meu futuro,
sabendo que estarei seguro.

No Soberano está a minha confiança,
o meu refúgio e a minha segurança.

O Senhor doa graça com eficiência,
Deus Poderoso de Esplendecência.



SONETO DE ENGRANDECIMENTO

Dar-te-ei, Senhor a Reverência,
Dar-te-ei o Louvor eternamente,
Grande Deus de Magnificência,
Ó Altíssimo Sobre-Excelente.

Rei da imensa grandiloqüência,
Que criaste todo ser existente,
Com sabedoria e competência,
Com Grande Poder Reluzente.

De Glória suprema estás Revestido,
És poderosamente Engrandecido,
Acima das Alturas mais infinitas.

Elevado Senhor mui Grandioso,
O Deus Sublime Todo-Poderoso,
Cheio de Formosuras Benditas!

Leia mais textos do autor Clicando Aqui.

terça-feira, março 09, 2010

Academia Evangélica de Letras do Brasil - Abertura do Ano Sociocultural 2010

*

Ontem à noite, a convite da grande escritora e poeta, acadêmica e amiga Eliúde Marques, estive presente à Sessão Solene de Abertura do Ano Sociocultural de 2010, da AELB (Academia Evangélica de Letras do Brasil), realizada na Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro.

No culto solene, dirigido pelo Rev. Guilhermino Cunha, Presidente da Academia e também o pastor da Catedral, o público presente foi agraciado com a declamação de duas belíssimas poesias, a cargo das poetas Dária Gláucia e Eliúde Marques, referentes ao Dia Internacional da Mulher. Notável também a apresentação do magnífico Coral ali reunido. Mas o  ápice do culto foi o 'momento da Palavra', como costumamos dizer, o inspirado sermão do Pr. Wander Ferreira Gomes, da Igreja Batista do Recreio.

Senti-me muito honrado em poder participar da solenidade, e também em finalmente poder conhecer pessoalmente os poetas Pr.Noélio Duarte e Pr.Josué Ebenézer, ambos já publicados aqui no blog e também antologiados na Antologia Águas Vivas. Além, é claro, dos demais acadêmicos presentes ao evento, e o Rev. Guilhermino Cunha, homem de Deus a quem eu sempre que possível ouço pelo rádio.

E uma boa notícia para os leitores e amantes da poesia evangélica: os acadêmicos Noélio Duarte, Josué Ebenézer e a nossa querida irmã Eliúde Marques são presença garantida na nossa Antologia Missionária, que estou organizando, e que tem obtido grande adesão de diversos poetas de Cristo, que fazem juz à vocação recebida.

Louvo a Deus pela vida de nossos irmãos acadêmicos. Que a AELB, que no ano que vem completa seu cinquentenário, seja cada vez mais um instrumento para promoção da Palavra de Deus e das letras e artes evangélicas, alcançando a todos, em especial a classe intelectual, que tanto carece de compreensão da verdade libertadora de Cristo.

A Poesia Vive! Graça e paz!

Abaixo publico algumas fotos. Dada a minha incompetência, boa parte não saiu a contento, mas fica aqui o registro para os irmãos.

Entrada solene dos acadêmicos, tendo à frente o Rev. Guilhermino Cunha

Poetisa Daria Gláucia declamando

O pregador da noite, Pr.Wander Ferreira Gomes

Eliúde declamando 

Eu junto ao Pr. Josué Ebenézer

Acadêmica Eliúde Marques



Eu junto à amiga Eliúde Marques, em dois momentos

domingo, março 07, 2010

Três poemas de Eugene Peterson


 


Tradução de Fabiano Medeiros

Os afortunados pobres
“Bem-aventurados os pobres em espírito”

No inverno a faia, brancas
Complexidades indisfarçadas
Contra o azul do céu e densas
Nuvens, carrega em seu vazio
A madurez: seiva em prontidão
À espera de subir, brotos alertas para em folha
Irromper. E aí passada a estação
Estival a camada desfolhada vem lembrar
O viço das promessas cumpridas.
Vazia outra vez em sábia pobreza
Pode os ramos estendidos
Para o céu alongar mais um milímetro,
E seu tronco expandir não mais que um tanto
Suas raízes a enterrar na firme
Fundação, afortunada por estar agora desfolhada:
Decíduo lembrete de que perder é preciso.



Os afortunados tristes
“Bem-aventurados os que choram”

Repentinas cheias de lágrimas, a cântaros,
Esculpem cruéis desfiladeiros, desnudando
Os estratos da vida de há muito olvidados
Por décadas calmamente depositados:
Beleza das terras de erosão. O mesmo sol
Que ornamenta a cada dia com as cores
De arroios e platôs, também mostra
Cada cicatriz e cada corte de lamento.
O choro deixa limpas as feridas
E as abre para a cura, o que leva
Sempre uma ou duas eras. Não há dor
Que seja feia no pretérito. Sob
A Misericórdia cada mágoa é um elo
Fossilizado na grande corrente da transformação.
Sempre busque as orações e as desenterre
Para no vale da morte as apresentar.



Os afortunados pacificadores
“Bem-aventurados os pacificadores”

Gigantescos punhos de nuvem agridem
O diafragma azul nu e exposto do firmamento:
De dor se encurva a abóbada celeste.
Relâmpagos rutilam e bramam trovões;
Brigam os filhos da mãe natureza.
E depois, tão repentino como ao começar,
Acaba. Os herdeiros de Noé, as percepções
Purificadas, observam o mundo desarmado
Em paz e com o perfume do ozônio. Ainda em água.
Que mudanças barométricas
Reorganizaram essas ferocidades
Num arco-íris pulsante de paz
Como sinal? Meu inimigo oferece a outra
Face; já eu baixo a guarda. Como espelho
Um lago reflete as cores filtradas;
Cantam tranquilos os pinheiros agitados pela brisa.

*Poemas publicados em Espiritualidade Subversiva (São Paulo: Mundo Cristão, 2009).

Visite o blog do tradutor:  http://gracasoberana.wordpress.com/

terça-feira, março 02, 2010

Dois poemas de Rodrigo Bedritichuk

*

Convergência

Fulgura no céu o sol com imponência
e com seu forte clarão ofusca a vista
pinta entardeceres como um artista
os quais os povos prestam reverência

Embaixo, as águas cobrem o oceano
águas fundas, que transpiram beleza
mostram ao homem, sem saber, sua fraqueza
a limitação de seu aspecto humano

A noite traz o brilho das estrelas
astros da mais alta realeza
que de tão longe, incitam no homem temor

Diante do sol, do mar e das estrelas
não há opção senão prostar-se à natureza
reconhecendo o poder do Criador.



Pedra no Mar

O som de tua voz vem a minha mente
Palavras ditas com amor no olhar
Rasgam o medo que minh’alma sente
Regam-me de forças para andar

Na escuridão da noite, um chamado
Ouço tua voz, me jogo decidido
Mesmo que pelas ondas açoitado
Permaneço em tua força ascendido

Ah! Mas quão vacilante minh’alma é
O vento forte passa a se agitar
E logo afundo, perdido, sem fé...

Contudo, me salvas de ir ao mar
E a pedra pelo medo endurecida
Oh, Senhor! Leva contigo e lapida!

Visite o blog do autor: http://digobedritichuk.blogspot.com/

domingo, fevereiro 28, 2010

Sorteio do livro Celebrando Uma Vida com Propósitos, de Rick Warren, para os seguidores do blog Cidadania Evangélica


Vou sortear, no dia 03 de Março, entre todos aqueles que são seguidores do blog*CIDADANIA*EVANGÉLICA (http://cidadaniaevangelica.blogspot.com), um exemplar do livro Celebrando Uma Vida com Propósitos, de Rick Warren (Editora Thomas Nelson Brasil). O livro é ilustrado, possui capa dura e é confeccionado em papel couchê.

Se você já é seguidor, é só aguardar o resultado. E se você ainda não é seguidor, o que está esperando? Corre lá e boa sorte!

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Dois poemas de Serginho Reis



Declaração de Amor*

Eu te amo como quem grita
como quem ressuscita e não torna
como quem te adorna de afagos e cânticos
e como quem te necessita
Amo-te além dos meus dias
amo-te com toda a sorte e a sede de quem vibra
Amo tua terra, tua água
Te amo como quem dá
te amo como quem tira
Como quem plana além das tormentas
adorar-te é amor que alimenta
E se amar-te é viver ainda
amar-te-ei com toda a minha vida
amar-te-ei em cada momento.

* Expressão daquilo que mais arde em meu peito, além de toda a poesia e canção que se possa compor... 
Ao meu Rei e amado Senhor Jesus Cristo.



Avesso

Não sei se gosto tanto das rimas
das regras, dos acordos
Fujo de tudo o que é querido
Do certo, do político
Me esquivo do morno.

Abomino os políticos!

Os polidos, os populares
O ortodoxismo
A gente certinha e puritana
Morada de virtudes. Os doutos
com os indicadores banhados à ouro

Não são meus irmãos os juízes...

Agradam-me as dissonâncias
As décimas terceiras, sétimas menores...
Nada de movimentos!
Nada de prelúdios
ou de quaisquer estruturas.

Sem essa de sonetos
De quadras, de períodos
Sem sorrisos, por favor...
Sem sorrisos

Livrai-me da gramática, Senhor
Da lógica e da aritmética
Só quero a química
Esta pode ser...

Dê-me um sentimento sem sentido
uma casa de palha, cheia de graça
Sem colunas ou paredes
na fulgura de uma tormenta.

Tanto faz, fundamentos de areia
Quero um momento só
que valha a pena ser eterno.

Quero a petulância do pivete
e a palavra do velho
Quero um rio de proezas
E o direito de tê-la...

Ela. Deus sabe quem...

Visite o blog do autor: http://serginhoreis.blogspot.com

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