segunda-feira, outubro 26, 2020

CARTA AOS FARISEUS, um poema de Sammis Reachers

 


Carta aos Fariseus

 

aquele que bem mata a palavra

é soldado a mando de quem?

seu soldo, concretudes sem

batismo, qual seu sabor

no palato, qual seu peso

na sacola?

 

vós néscios sob quem

a frágil ponte fraqueja,

vós os assassinos de profetas poetas,

quem vos pariu assim, suicidas?

 

domingo, outubro 11, 2020

365 Frases de Martinho Lutero + As 95 Teses em LIVRO GRATUITO

 


        Há poucos anos comemoramos nada menos que quinhentos anos de Reforma Protestante. Assim, redondos, perfeitos. Quinhentos anos depois, devemos ter e manter por mote capital o lema proposto pelo reformador holandês Gisbertus Voetius (1589-1676): “Ecclesia Reformata et Semper Reformanda Est” (“A Igreja é reformada e está sempre se reformando”). A frase significa que a obra da Reforma não está concluída, mas persevera ou deve perseverar em seu avanço em direção à verdade e à vivência de um cristianismo a cada dia mais bíblico (há quem utilize o termo apostólico, perfeitamente válido) e equilibrado.

        Se a Reforma representou um retorno ou reaproximação à verdade, tal verdade deve ser comunicada com urgência e ímpeto; ímpeto maior do que o daqueles que comunicam o engano, cada vez maior, em cada vez mais variadas formas. Cremos que a Reforma é um movimento engendrado em Deus, peça de perfeito encaixe dentro de seu Kairós, seu tempo; movimento que aponta para conserto dos agentes e engajamento na ação, ou seja, reerguimento da Igreja e/para o cumprimento da Grande Comissão. Assim, a Reforma é um prenúncio da volta do Rei, e um movimento fundamental de seu glorioso retorno.

      No Brasil atual, as mais diversas instituições, sejam eclesiásticas, para-eclesiásticas ou seculares, realizam eventos e  publicações em celebração e memória à vida e obra de Lutero. Digno de nota são os esforços da Igreja de Confissão Luterana do Brasil, de cujo site coligimos mais de metade das frases aqui veiculadas, bem como o texto das 95 Teses.

      Este breve e-book, em sua humildade, simplicidade e gratuidade, vem somar-se ao volume de realizações em comemoração ao 503º aniversário da Reforma Protestante. E proporcionar a todos um singelo aprofundamento no pensamento daquele que, apoiado nos ombros de gigantes, verdadeiramente deflagrou a Reforma ensaiada por muitos, dos quais diversos pagaram a ousadia com sua própria vida.

Sammis Reachers, editor

PARA BAIXAR O LIVRO PELO SITE GOOGLE DRIVE, CLIQUE AQUI.


sexta-feira, outubro 02, 2020

Uma oração puritana

Nicolaes Maes - Old Woman Saying Grace

Quando tu me guias, eu controlo a mim mesmo, Quando tu és soberano, eu governo a mim mesmo. Quando tu cuidas de mim, eu me basto. Quando eu dependo de tuas provisões, eu me abasteço, Quando devo submeter-me à tua providência, sigo a minha vontade, Quando devo estudar, amar, honrar, confiar em ti, sirvo a mim mesmo; Eu culpo e corrijo tuas leis para adequá-las a mim mesmo, Ao invés de ti, olho para a aprovação do homem, e sou, por natureza, um idólatra. Senhor, meu principal projeto é trazer meu coração de volta para ti. Convence-me de que não posso ser meu próprio deus, ou fazer feliz a mim mesmo, nem ser meu próprio Cristo para restaurar minha alegria, nem meu próprio Espírito para me ensinar, guiar e governar. Ajuda-me a ver que a graça faz isso por aflição oportuna, pois quando meu crédito está bom, tu me levas mais para baixo, Quando as riquezas são o meu ídolo, tu as afastas, quando o prazer é meu tudo, tu o transformas em amargura. Retira meu olho cobiçoso, ouvido curioso, apetite ganancioso, coração lascivo; Mostra-me que nenhuma dessas coisas pode curar uma consciência ferida, ou apoiar um corpo cambaleante ou sustentar um espírito de partida. Então leva-me à cruz e deixa-me lá.

Do livro O Vale da Visão: Uma Coletânea de Orações Puritanas.
Algumas dessas orações podem ser lidas também no e-book gratuito Orações Puritanas.

domingo, setembro 20, 2020

Três poemas de Hélder Duarte

 


O Anticristo

E disse-me ele: O quarto animal,
será  o quarto reino de toda  a terra!
E de todos os reinos será diferente afinal,
pois a toda a terra, fará ele muita guerra.

A pisará com os pés e a fará em pedaços.
Mas daquele reino, nascerão dez reis!
Um outro se levantará depois destes reinos,
e será pior que os primeiros, com as suas leis.

Ele abaterá a três  dos reis primeiros,
e blasfemará do Deus do céu.
E matará os santos do Senhor, todos.
E porá as leis de acordo com o seu eu.

Ele dominará no mundo por sete anos,
E também por três anos e meio...
Mas o tribunal, não lhe  permitirá mais enganos,
E lhe tirará, o que para isso ele veio.

Ele será desfeito totalmente até ao fim.
Não reinará mais o iníquo, não! Não!
Na terra não se achou lugar para ele, enfim,
O reino lhe foi tirado assim então.

 Mas quer no céu quer na terra,
os "Santos" do altíssimo reinarão, para sempre!
Com Deus, não havendo mais nenhuma guerra!
E não  haverá  mais nenhum tempo!

Baseado em Daniel 7:23-28

Por Cá

Canto o meu cântico, qu'em minha alma está,
como sempre sai lindo, santo, puro e perfeito,
o meu ser, nesse acto tem para isso efeito,
Pois nisso, vim eu para cantar por cá.

Cantai comigo povo, este cântico, qu'eu sinto.
Então  sentireis, alma vossa voando, vivendo,
e aos outros, vida esta sempre estendendo.
Sim! A isso eu no tempo, muito insisto.

E faço isto até que em vós haja, a música,
que a alma nossa, muito e sempre, educa,
e juntos deiamos as nossas unidas mãos.

Até que entre os homens, para sempre,
se cante este, sem que haja mau vento,
E os homens, sejam, de facto irmãos!

Musas

Tentei calar a minha boca, a qual  me disse,
Cala-te alma imunda  e perecível  tanto.
Sim, faz mesmo só e sempre isso!
Então me calei e isso realizei, portanto.

Mas dentro de mim as entranhas se revolveram,
e dando um grande  clamor, calado, não  fiquei,
e um novo  cântico,  de fresco eu entoei.
E dos poemas minhas musas não se calaram.

Ainda com mais força eu tanto gritei,
sou poeta de cânticos do além,
Isso eu já  há  muito que o sei!

Portanto  não mais  me calarei,
mas com a força que meu ser tem,
do bem eu muito e ainda falarei!
Leia outros poemas do autor, em sua página no Recanto das Letras:  https://www.recantodasletras.com.br/autor_textos.php?id=217093 

quarta-feira, setembro 09, 2020

QUE É A ORAÇÃO?, poema de James Montgomery



QUE É A ORAÇÃO?

A oração é o desejo sincero da alma,
Que fica mudo ou é expresso.
É o movimento de uma chama oculta,
Que tremula no peito.

A oração é o anunciado de um suspiro,
O cair de uma lágrima,
O volver os olhos úmidos para cima,
Quando ninguém, senão Deus, está perto.

A oração é a linguagem mais simples
Que lábios infantis podem experimentar.
A oração é o clamor mais sublime que atinge
A Majestade nas alturas.

A oração é o hábito vital do crente,
E a sua atmosfera nativa.
É o seu lema às portas da morte,
Pois ele entra no céu pela oração.

A oração é a voz contrita do pecador,
Que retorna de seus maus caminhos,
Quando anjos se regozijam em cânticos,
E dizem: Eis que ele ora!

Os santos, na oração, aparecem como um só,
Na palavra, nos feitos, na mente,
Quando, com o Pai e o Filho,
Encontram seu companheirismo.

Nenhuma oração é feita apenas no mundo;
Pois o Espírito Santo intercede
E Jesus, no trono eterno,
Intercede pelos pecadores.

E tu, por meio de que, chegaste a Deus!
Vida, Verdade e Caminho,
Tu mesmo palmilhaste o caminho da oração,
Senhor, ensina-nos como orar.

Do livro Dinâmicas Criativas para o ensino bíblico, de Débora Ferreira da Costa (CPAD).

domingo, agosto 30, 2020

Dois poemas de Ezequias Dias de Oliveira


MONTE MORIÁ

1

Abraão pela manhã de madrugada,
Albarda seu jumento,
Toma seus moços e seu filho Isaque amado;
Fende lenha para o sacrifício, e caminha pela estrada,
Caminha em direção ao monte Moriá,
No coração o sentimento que igual não há;
Talvez a razão no coração calado por momento,
Mas, com a fé de um homem determinado,
Confiava que Deus iria deparar o cordeiro;
Guardou de Isaque o segredo sobre o cordeiro.


2
Ao terceiro dia da caminhada,
Levantou Abraão os olhos, e viu o monte Moriá de longe.
O silêncio do coração acorda ao olhar o monte;
Deixou seus moços com o jumento, e foi com Isaque mais adiante;
E disse Abraão: “...,e havendo adorado, voltaremos”.
Ia com a certeza da provisão pela estrada,
Na alma o amor fervilhante!
Pôs a lenha sobre os ombros de Isaque, tomou o fogo e o cutelo na mão,
E juntos caminharam para a adoração.
No coração os sentimentos que muitos de nós remoemos.


3
No coração de Isaque a pergunta soava:
A lenha e o fogo estão aqui, e o cordeiro?!
Pelo caminho de Moriá o silêncio que na alma bradava,
Parece que ninguém perguntava nada,
Só o tropel dos pés pela estrada.
O coração de Isaque e dos moços: apreensivo;
O coração de Abraão inexpressivo,
Mas, um coração fiel e verdadeiro.
E a pergunta bradava: a lenha e fogo estão aqui, e o cordeiro?!
E Abraão guardava o segredo com o coração calado.


4
De repente Isaque acorda as palavras no coração:
Meu pai! Abraão diz – eis me aqui. Talvez, com olhar de carinho,
E sem palavras de explicação.
Eis aqui o fogo e a lenha, onde está o cordeiro para o holocausto?
Deus proverá para si a vítima para o sacrifício.
Iam juntos caminhando pelo caminho;
Isaque porventura exausto,
Mas, juntos no dever do ofício;
Seguem para o lugar da adoração,
E Abraão com a fé na provisão.


5
Chegaram ao lugar onde Deus determinara,
E Abraão determinado edifica um altar,
Coloca em ordem a lenha, e amarra Isaque seu filho amado;
Deita-o sobre o altar em cima da lenha.
Abraão estende a mão,
E pega o cutelo para imolar seu filho.
E eis que o anjo do Senhor do céu grita:
Abraão, Abraão! E ele responde: Aqui estou.
E diz o anjo: Não estendas a tua mão sobre o moço,
E não lhe faças nada; agora sei que temes a Deus, e não negaste teu filho.


6
Agora, Abraão depois do brado,
Levanta os olhos e eis detrás de si um carneiro,
Travado pelas pontas num mato;
Ele toma o carneiro e oferece em sacrifício a Deus no lugar de seu filho.
Na alma de Abraão bradava a providência do cordeiro;
Aperto na alma, mas destemido em atender de Deus, o ultimato.
Abraão dissera aos seus moços antes: ...”e havendo adorado voltaremos”.
O provimento de Deus celebrado,
Da alma de todos irradia o brilho,
Com a fé Abraão chega aos extremos.


7
Pelo caminho agora os corações em celebração,
Quebra o silêncio da alma, e explode a alegria.
Monte Moriá, o Senhor providencia.
Pela trilha de Moriá agora ágeis tropéis dos pés,
A alma fervilhando a adoração,
Rendendo a Deus os lauréis.
O carneiro amarrado entre os espinhos apareceu,
Abraão largou do cutelo e ao anjo obedeceu;
O coração recompensado,
E Isaque seu filho amado do seu lado.


FORASTEIRO DO CÉU nº 102

1
Propriedade das mansões celestiais perdida,
Forasteiro pela terra numa árdua jornada;
Pelos solos pedregosos que esfoliam pés cansados,
De cidade em cidade falando da minha naturalidade;
Regaço do sofrer, eu não tenho,
Escondo-me em tenda nos desertos da tempestade,
Pela graça divina minh’alma erguida.
Os espinhos da terra deixam a alma machucada,
Subo os montes e a visão do céu me deixa os sentimentos elevados,
Na alma a seiva da vida que escorreu do lenho.
2
No meu alforje pedras preciosas da graça;
Daquilo que não edifica a alma, e que passa,
Procuro desvencilhar o coração,
Não atenho pra meus olhos não sentirem a escuridão,
Não revelo os segredos dos sacrifícios pelas montanhas,
Guardo a convicção da herança nas minhas entranhas;
Na consciência do meu espírito identifico as riquezas divinas,
Ardem no peito os segredos revelados que sinto a beira-mar.
Ruas de ouro, pedras preciosas os meus olhos avistar!
Destila minh’alma as visões dessas riquezas finas.
3
Fundada nas promessas do céu minh’alma verte a esperança,
Forro o chão da terra com tecidos que a vida me oferece,
E descanso pensando o que o coração tece;
A alma se cala para o íntimo refrigerar,
Os olhos avistam o céu,
As cortinas abertas mostram a glória a destilar sem véu,
Pulsantes ondas no coração dessa herança;
Olho os lírios nos campos com vestes a encantar,
Gritante glória no peito,
Neste sonho sublime eu deleito.
4
Caminho no silêncio da madrugada,
E nos momentos nesta terra aplico os preceitos do céu.
Ancoro-me no porto divino da redenção,
Do farol que me guia na estrada,
Deixo os raios penetrarem no coração,
E tirar das nuvens o negro véu,
Que porventura deixar nos olhos a turva visão.
No amanhecer do dia,
Meu coração novamente pulsar pela estrada que me guia,
E ainda a alma estrelada.
5
Quando olho a terra vejo a escuridão,
Na minh’alma os céus em ação;
Percorro entre os montes e colinas,
Cordilheiras e campinas,
E vou trilhando a terra com as pedras preciosas no coração;
Paro a beira do lago pra alma refrescar,
Ver a imagem dos meus sentimentos como está;
Procuro levar somente as grandezas celestes pra alma brilhar,
E sentir a glória que verá;
Quando a noite chega durmo pra sonhar.
6
Por trás das montanhas o Sol despeja os raios marcantes,
Vou vertendo gotas de esperança para chegar,
Chegar à mansão eterna a me esperar.
Forasteiro pelas vias da terra,
Não leva armas de guerra,
Só a esperança e a paz pelos vilarejos,
Onde ficam as marcas penetrantes;
A floresta alivia sua alma com seus gracejos,
Dos espinhos que furam o peito,
Sente-se dos céus um eleito.

terça-feira, agosto 18, 2020

ORAÇÃO, poema do pastor João Falcão Sobrinho


Oração

Senhor,
faze de mim
a voz, não a palavra,
o papel, não o texto,
o pavio, não o lume,
a seta, não o caminho,
a bica, não a água,
a esponja, não o bálsamo,
o chaveiro, não a chave,
a sandália, não o pé,
a vela, não o vento.
Senhor, desejo ser
devedor, não credor
da tua graça!
Agente, não paciente
do teu perdão;
portador, não proprietário
de tua verdade;
instrumento, não usuário
da tua paz;
canal, não barragem
do teu amor.
Senhor,
dize-me o que tu queres que eu veja,
não o que eu quero que me mostres;
envia-me aonde queres que eu vá,
não aonde eu quero ficar.
Para que eu tenha
fé, não crença,
ânimo, não entusiasmo;
alegria, não prazer;
perseverança, não teimosia;
paciência, não conformação.

Do livro Pastor, Igreja e Bíblia: Programas para Dias Especiais (UFMBB)

terça-feira, agosto 04, 2020

ESTA LÃ DE SAL: Livro do poeta Luiz Guilherme Libório


Desde algum tempo tenho acompanhado a "eclosão" de um jovem autor, senhor de uma poesia de grande potência, bem acima da média num meio em que, infelizmente, a mediocridade (ainda) opera suas obras. Foi um refrescante e benfazejo encontro com uma poesia singular, de um apurado operador da palavra - e o surgimento de um poeta assim (embora já em seu quarto livro) é sempre de uma felicidade abençoada e abençoadora. 
O advento do livro ESTA LÃ DE SAL vem confirmar, com rigor, toda a riqueza expressiva deste poeta que, com criatividade e domínio de sua arte, emprega a pena em devoção e afirmação de fidelidade ao Senhor - Poeta primeiro, inspiração e fonte donde todo bem emana. 
O livro, de 110 páginas e publicado pela editora Penalux, é todo ele uma celebração da VIDA, assim, em capitulares, da VIDA maiúscula que rasga véus e rompe as muitas sombras que cerceiam a alma humana.
A obra pode ser adquirida diretamente com o autor. Escreva para seu e-mail: luizliborioalves@hotmail.com

O autor também mantém uma conta no Twitter:
https://twitter.com/librorum_luiz 

Três poemas do livro:

Senhor, Senhor, não enxugai

Essa esperança é para nós como âncora
da alma, firme e segura, a qual tem pleno
acesso ao santuário interior, por trás do véu.
– Hebreus 6:19

Senhor, Senhor, não enxugai
todas as minhas lágrimas
deixai que algumas evaporem
no hálito de existirem dias
e na garoa de haver noites
se esta for
a Vossa Vontade, Senhor
pois há um choro
que guardo para o Teu dia
e aquele de glória lapida-se
nestes de serena alegria
um choro
que só ousa chorar
o pequeno barco
que se tivesse âncora
afundaria
e por isso é ancorado
por Deus
e que ainda chora
em pensar na maior beleza
com a mágoa de não sê-la
ainda, esse choro suave
em haver Beleza
e não sê-la
ainda.



Esta lã de sal

Ide; eis que vos envio como cordeiros para o
meio de lobos.
– Lucas 10:3

O sal da terra, este selo
fluindo de olhos rasos
às margens do peito

sela de coragem o hiato
que engendrava cansaço
nos tímidos cordeiros.

Cada gota então brilha
como uma flor de suor
novíssima maravilha

mesmo se a pele soa
o som do açoite, noite
e masmorra adentro.



Oração Manhã

Ninguém tem maior amor do que este, de
dar alguém a sua vida pelos seus amigos.
– João 15:13

Deus, que vê minha fraqueza opaca
como se fosse de luz a coragem maior
e reluzente: não permita que eu parta
e seja minha morte um partir indiferente.
Permita que eu entregue o meu melhor
em holocausto aos que amo, de repente,
e na morte minha alma escorra feito suor
– carta contida no envelope da pele quente.
Ainda quente mas em breve fria. Permita,
Pai, tal alforria! Invadir o curso do projétil
que rumava ao peito da musa, solar ferida,
e, morrendo, salvá-la. Que torne-se fértil
a óssea dor! Faça, Senhor, útil meu último dia:
após ser duro viver, ser doce ver seguir a vida.

terça-feira, julho 21, 2020

Poesia Evangélica em Literatura de Cordel - Uma antologia para download gratuito



Mais que um simples estilo literário popular, o cordel é uma riqueza cultural ímpar de nossa nação. E digo nação e não apenas Nordeste, pois a sagacidade, a criatividade, a alegria e o humor do cordel têm atingido todas as regiões do Brasil, levado num primeiro momento pela mão de bravos migrantes, e depois ganhando vida própria em contextos e pelas mãos de atores não nordestinos. Não em vão o cordel foi reconhecido no ano de 2018 como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro. A miríade de temas que o gracioso cordel abarca com inaudita liberdade faz dele um veículo de comunicação poderosíssimo, e uma ferramenta pedagógica de primeira ordem.
Esta seleta vem antologiar os versos de um panteão de autores cuja criatividade é insuflada pela sua fé – fé naquele nazareno cabra arretado que, com sua vida e seu sacrifício, proporcionou salvação gratuita para qualquer pessoa que nEle crer.
Em nosso país cristão, é natural que a fé atinja e repercuta por todas as artes, notadamente as populares. A fé protestante/evangélica, que representa um retorno aos valores bíblicos e apostólicos de inícios do cristianismo, é abraçada por cada vez mais pessoas por este Brasil de Deus, pessoas ávidas por um relacionamento mais próximo ao Redentor, e uma fé mais atuante e vívida. Foi o que aconteceu, em algum momento, com cada um dos poetas aqui antologiados. Se sua excelência artística permite a todos eles transitarem com desembaraço por qualquer tema a que se proponham, sendo tal característica um dos fundamentos de um verdadeiro cordelista, eles também falam com idêntica ou quiçá maior galhardia de temas da fé cristã que os move e sustenta. Compartilhar alguns desses verdadeiros tesouros do cordel é o singelo objetivo desta obra.
Este é um livro gratuito – um presente a você, leitor – e desde já lhe convidamos a compartilhá-lo de todas as maneiras ao seu alcance.

PARA BAIXAR O LIVRO PELO SITE GOOGLE DRIVE, CLIQUE AQUI.

terça-feira, julho 14, 2020

A sabedoria de Gilbert Keith CHESTERTON num e-book gratuito


O polivalente e desconcertante Gilbert Keith Chesterton foi muitos - escritor, poeta, crítico de arte, jornalista, teólogo... Nascido em 1874 em Londres e falecido em 1936, sua vasta obra (apenas os livros beiram os oitenta) abarca desde os clássicos de seu pensamento crítico e apologético como Ortodoxia e O Homem Eterno até ficções como O Homem que Foi Quinta Feira, além dos muitos livros de seu renomado detetive, Padre Brown. Sua obra teve considerável influência sobre nomes que vão desde C. S. Lewis até Jorge Luís Borges.
Grande polemista e observador arguto da alma humana, Chesterton construiu sua obra celebrando a vida e o mistério do Universo, demolindo argumentos relativistas e opositores de ocasião. Seu raciocínio por vezes (e este é um de seus encantos) trilha caminhos inesperados. É preciso estar atento: A ironia e o paradoxo são as constantes em muito do pensamento do autor. 
Aqui, um pouco da verve, da luminosidade e da espirituosidade do gigante (1,93m) peso-pesado (130kg), que era chamado não sem razão de “o príncipe do paradoxo”.

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sábado, julho 04, 2020

Dois poemas de Natalina Araújo da Hora



DEUS

Deus é amor, Deus é alegria
Deus é paz, Deus é sabedoria.

Deus é todo infinito,
Ele é todo o meu ser;
Para mim,
Ele é todo o meu viver.

Deus é minha vida,
É meu amigo, é o meu pão,
Ele é minha alegria
Na minha solidão.

Deus é tudo que eu quero,
É tudo que adoro;
Sem ele, nada sou,
Na sua presença sempre choro.

A Ele eu me humilho,
E também peço perdão
Por tudo que eu não posso ser,
Porque aqui quero viver
Como filho de Abraão.


QUANDO ESTÁ ESCURO

Quando o céu está escuro
A Lua não pode brilhar,
É como a vida do crente
Que a Deus não dá lugar.

Como é triste se notar
O céu se escurecer,
Ele quer lhe dar a paz
Se a Ele obedecer.

O crente obediente
É como o clarão no céu,
É olhar no Oriente
E ver Cristo além do véu.

Eu contemplo muitas vezes
A diferença que existe
Entre uma noite de luar,
E outra escura e triste.

Quando o crente busca a Deus
Com amor e devoção,
Ele está se entregando
Com poder e mansidão.

Lá no céu tem um lugar
De paz e de amor,
Jesus quer te ofertar
É como um jardim de flor.

Vamos nós falar com Deus
Cada dia em nossa lida
Dando a Ele o nosso amor
Porque Ele nos deu a vida.

Do livro O Dom Que Deus Me Deu (Edicon, 1987)




domingo, junho 28, 2020

100 Citações de Santo Agostinho - Baixe o e-book gratuito


Nascido em Tagaste, no norte da África, em meados do século IV, Agostinho foi um dos mais importantes filósofos e teólogos ocidentais, sendo considerado mesmo o maior dentre aqueles eruditos chamados de “Pais da Igreja”. 
Sua obra antecipou temas da literatura, da ética e da psicologia que seriam debatidos e expandidos nos séculos seguintes. A beleza e a maestria de sua escrita, bem como a perspicácia de seu pensamento, fazem suas obras, como Confissões e A Cidade de Deus, serem tidas e celebradas como obras-primas da literatura universal.
Neste breve livro, reunimos um pouco do tesouro sapiencial deste que foi o mais humano dos “santos”, e pensador basilar da cultura ocidental.

Para baixar o livro pelo Google Drive, CLIQUE AQUI.

quinta-feira, junho 18, 2020

Dois poemas de Sueli Soares



É NO CEMITÉRIO

É no cemitério que iremos para a última morada aqui na terra
É no cemitério que deixamos nossos entes queridos
E no cemitério que também seremos deixados
É no cemitério que o corpo cremado ou não
Depositado na terra ou jazigo, e por mais que o caixão
e o funeral sejam de luxo todos se igualam
não há diferença de classe social
É no cemitério que acaba o orgulho, o egoísmo, o ressentimento, a inveja
A própria opinião, se achando rei da razão
É no cemitério que todos os sentimentos são enterrados junto àquela pessoa, tudo acaba ali
Que ao contrário, bom seria, se deixasse enraizados na memória de seus conhecidos
A bondade, amor, perdão, lealdade
e todas boas qualidades
Que ficam para sempre gravadas
(A memória do justo é abençoada, mas o nome dos perversos cai em podridão - Provérbios 10:7)
É no cemitério que no momento do enterrar se fazem discursos bonitos
Colocam-se coras de flores, lançam flores tão lindas
Quem muitas vezes nenhuma flor deu em vida
Àquela pessoa
E como ficaria feliz essa pessoa
se recebesse essas flores e homenagens
Quando estava viva
Mas acabou... ali jaz alguém que não vai ver mais nada, não adianta mais nada
Tudo não serve de nada
E no cemitério que encerra todas as oportunidades
As reflexões muitas vezes também ali chegam
Do beijo que não se deu
Do perdão que não se deu
Do abraço e carinho... de expressar o sentimento.
Em dizer eu te amo
Acabou... agora é lamentar o que poderia ter feito
e não fez, e carregar o arrependimento
É no cemitério que ao sairmos de lá
deixando o ente querido
Enfrentamos o período do luto, lágrimas e lembranças a todo momento... Sentindo aquela dor terrível
Do vazio deixado
Que achamos que esse período nunca vai passar
Mas o Espirito Santo, só Ele faz amenizar a dor
e a saudade consolando o coração
com as lembranças daqueles que amamos
Por isso precisamos aproveitar o tempo pela frente
Aproveitar as pequenas e grandes oportunidades de estarmos juntos
Amando, perdoando, sendo felizes e fazendo felizes aqueles que nos cercam
Não dando importância a coisas tão insignificantes e passageiras
Que não têm valor, não valem a pena
Porque a vida é apenas um sopro (Salmos 144:4)
Antes que nosso corpo em pó se fragmente
E o pó volte para a terra como o era, e o espírito volte a Deus que o deu (Eclesiastes 12:7)
E segue-se o juízo (Hebreus 9:27) onde cada um prestará contas a Deus.



NO CAMINHO ESTREITO, NÃO PASSA BAGAGEM

O caminho é íngreme
Até chegar à porta estreita
Também de grande dificuldade
Ao passar por essa porta
Porque é impossível carregar bagagens
Bagagens do orgulho, vaidade, ódio
Indiferentismo, o próprio “eu”
É preciso deixar cair um a um
Deixar para trás
Essas... e todas outras bagagens
que atrapalham de passar por essa porta
É preciso estar livre e leve
Das cargas e pesos que fazem distanciar
Do amor de Deus
Eu estou caminhando
Por esse caminho íngreme
Às vezes encontro pedras e espinhos
E mesmo com obstáculos
com minhas imperfeições
Vou caminhando
Não olhando para os lados
Nem para trás
Porque se eu olhar
Certamente não vou conseguir
sequer dar um passo

Por isso quero somente olhar
Para frente e para o alto, continuar caminhando
Atraída pela voz
Do Pai amado
Que me encoraja
Que me constrange
Com Sua Palavra
(Poucos são os que passam por ela. Mateus 7:14)
Não quero ser excluída
Quero estar entre aqueles
Que passam por essa porta
Que já deixaram as bagagens
Que já fizeram sua escolha...
(Entrai pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que levam à perdição, e muitos são os que entram por esse caminho. Mateus 7-13)
Não entrar pela porta larga
É ter sabedoria
É evitar caminhos da perdição
Caminhos da morte
Seja física ou espiritual
(Há caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte. Provérbios 14:12)
Entrar pela porta estreita
Vale a pena o resultado
Entrar pela porta estreita
É desfrutar de todas bênçãos do Senhor
Seja no presente
Seja no porvir

segunda-feira, junho 08, 2020

Ao Anjo da Igreja, Declama: Poemas aos Pastores de Deus - Baixe esta antologia gratuita


        “Apascenta as minhas ovelhas”. Quantos tremeram, quantos exultaram, quantos sentiram-se o menor ou o maior dos seres ao ouvir, compreender, ao alistar-se sob tal chamado? Função mais nobre dada a um homem, qual seja, socorrer, arrebanhar e guardar almas para o Reino de Deus, o ofício pastoral é encargo divino de capital importância e o de maior peso.
        Esta pequenina seleta reúne poemas que falam sobre ele, o guardião dos rebanhos. A maioria deles, por sinal, escritos por pastores-poetas (como o foi Davi), outros por membros vários do Corpo de Cristo. Eles prestam-se à leitura particular e também a celebrações, tais como o Dia do Pastor, efeméride em que honramos aqueles que à honra fazem jus (Rm 13.7).
        No Brasil, comemora-se o Dia do Pastor no segundo domingo de junho, data guardada pela maioria das denominações. Já o Dia da Esposa do Pastor comemora-se no primeiro domingo de março. Denominações há que possuem datas específicas para a efeméride: Os metodistas comemoram o Dia da Pastora e do Pastor Metodista no segundo domingo de abril. O Dia do Pastor Presbiteriano comemora-se em 17 de dezembro; a data refere-se à ordenação pastoral do antes padre José Manuel da Conceição, em 17 de dezembro de 1865, quando Conceição tornou-se primeiro pastor protestante nascido no Brasil.
        Um perigo que sempre ronda e fere a igreja (mesmo a reformada) é a idolatria, e o risco de determinados líderes serem idolatrados é encarado por alguns deles próprios com certa condescendência, o que coloca suas próprias almas em perigo. Em tempos midiáticos, tal risco torna-se literalmente “viral”. O pastor verdadeiramente digno de seu cargo e chamado deve redobrar seus cuidados no tocante ao tema. Deverá ter “calçados os pés na preparação do evangelho da paz” (Ef 6.15), tendo sempre por anteparo as “meias” da humildade (Fp 2.3). Os poemas aqui selecionados objetivam honrar não a “príncipes”, mas a serviçais, serviçais do Reino como todos nós, e jamais exaltar a “super-homens” – que é como alguns se creem e, pior, são cridos – que não existem e nem poderiam existir.
        Que este breve florilégio sirva de inspiração, consolo, confirmação, alegria e celebração do serviço destes (e, polêmicas à parte, destas) abnegados soldados de Cristo. A eles, nossa eternal gratidão.

Sammis Reachers

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sexta-feira, maio 29, 2020

Três poemas de Zenilda Reggiani Cintra


PÁSCOA: VAZIOS E PROMESSAS


Isto foi antes, antes da cruz vazia,
Antes do túmulo e da ressurreição.
Tudo era sem sentido e sem esperança,
A cruz era o castigo e o túmulo o fim.
Mas agora é Jesus, o nosso Redentor,
O que era e há de vir.
Quem preenche os vazios,
Com o seu tão grande amor.

A cruz está vazia,
mas cheia de promessas,
De vida e libertação.
Em Cristo somos livres,
da morte e  condenação.
Ele se fez pecado e a si mesmo se deu,
O véu se rompeu e houve escuridão,
Por seu sangue que verteu,
Ele nos trouxe a salvação.

O túmulo está vazio,
mas cheio de promessas,
Porque tudo recomeça
No encontro com o Pai.
Aleluia, ressurgiu! E não é vã a nossa fé.
Ao Cordeiro que foi morto,
Ao Rei que agora reina
Ao Nome sobre todo o nome,
Toda a honra e toda a glória.

Jesus esvaziou-se,
mas ele é a Promessa,
Do amor do Pai que nos alcança
Com seu amor e a sua graça,
A esperança e o seu perdão.
Vazios de nós mesmos,
do pecado e humilhados,
Com ele também morremos,
E seremos ressuscitados.

(Publicado em O Jornal Batista, 20abril2014)


PÁSCOA - LUZ NA ESCURIDÃO

Havia trevas sobre a face do abismo
E disse: haja luz!
No princípio era Jesus,
E Jesus estava com Deus,
E Jesus era Deus.
Todas as coisas foram feitas por Jesus
E sem Jesus nada do que foi feito se fez.
Em Jesus estava a vida
que resplandece nas trevas.


O povo que andava em trevas
viu uma grande luz,
Porque Jesus se fez carne
e habitou entre nós.
Deus nunca foi visto por ninguém,
Mas foi revelado por Jesus.
e todos quantos o receberem
deu-lhes o poder
de serem feitos filhos de Deus.


Houve trevas em toda a terra,
escurecendo-se o sol;
Quando o Cordeiro de Deus,
Que tira o pecado do mundo,
Foi ferido pelas nossas transgressões
E moido por nossas iniquidades.
Quando clamou em alta voz:
Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.
E expirou.


No domingo, ao despontar da luz,
as mulheres foram ao sepulcro.
A pedra estava revolvida
E não acharam o seu corpo.
Dois anjos disseram:
Por que o buscais entre os mortos?
Não está aqui, mas ressuscitou.
Ide e anunciai.


E Jesus se apresentou e disse-lhes:
Paz seja convosco!
Mulher, por que choras?
Não temais.
O néscios, e tardos de coração
para crer nos profetas!
Não convinha que o Cristo
padecesse estas coisas
e entrasse na sua glória?


E os discípulos disseram:
Fica conosco, porque já é tarde,
e a noite chegou.
E ele, tomando o pão, o deu a eles,
Que então o conheceram
e Jesus desapareceu.
E disseram um para o outro:
Porventura não ardia em nós o nosso coração
quando no caminho nos abria as Escrituras?


Era necessário que o Cristo padecesse.
e ressuscitasse dentre os mortos
E em seu nome se pregasse o arrependimento
e a remissão dos pecados,
em todas as nações.
Tudo foi escrito para que creiais
que Jesus é o Cristo.
Pois quem o segue não andará em trevas,
Porque ele é a luz do mundo.
(Publicado em OJB - 24mar13 - com alterações)


DIA DO PASTOR E DA PASTORA - POEMA

Ao redor do mundo, 
Seguem abençoados,
Os pés que levam a paz
e anunciam o Evangelho
da graça do Pai.

Homens e mulheres,
chamados pelo Senhor,
preparados e moldados.
Parceiros no cuidado,
da igreja e do seu povo.

Homens de Deus,
heróis da fé,
Que renunciam os acenos,
E a sedução deste século,
e seguem na visão
do santo ministério.

Mulheres de Deus,
heroínas da fé,
Que lutam contra a esperança,
com os olhos no seu Deus,
Que as chamou desde o ventre,
Para o santo ministério.

Homens e mulheres,
constrangidos por Jesus,
Que superam as barreiras
e edificam a igreja,
Combatendo o bom combate,
Para ver raiar a luz.

Levam a boa semente,
Em ventos contrários
ou aconchegados,
A tempo e fora de tempo,
Pastores e pastoras,
Que lutam sem cessar.

E enquanto eles caminham
O Senhor faz brotar,
Com seu amor e poder
A semente do Evangelho
Capaz de transformar
A vida do que crê.

Que o amor de Deus Pai,
A graça de Cristo Jesus
E o consolo do Espírito,
Sobre pastores e pastoras,
Os guardem para sempre,
Até à eternidade,
Nos braços do Senhor.

(Pra. Zenilda Reggiani Cintra, publicado em OJB 10junho2012)

Leia outros textos no blog da autora: http://caminhosdamulherdedeus.blogspot.com/

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