sábado, maio 03, 2008

Dois poemas de Nane Sylvestre



Tempo x Prioridades

Prioridades...
Se não as tens - de verdade -,
perdes tempo e o tempo consome tua realidade!
E o que falar do tempo?
Palavra quase abstrata que a todos destrata
se a desordem retrata.
Não percas o tempo do pouco que tens
com coisas pequenas que te deixam aquém
daquilo que és e do que podes ser;
daquilo que Deus quer fazer-te viver.
Não vale a pena gastar tua pena - escrita ou sentida –
com areia apenas na praia da vida.
A onda do mar um dia desmancha
e sequer deixa a mancha para se copiar...
Nas manhãs dos teus dias,
busca sempre a harmonia
no contato primeiro com o único Deus;
e, depois, com os teus, busca tempo ficar.
Senta um pouco e conversa: isso, sim, é amar.
E do tempo passado com o essencial,
nascerá tempo certo para o resto, afinal.
Nada perdes se o dia tiver o roteiro
que a ti pertencia desde teu dia primeiro.
Teu viver não é fruto de um acaso humano;
tens a rota traçada pelo Deus soberano.
E é dEle - não teu - o perfeito e melhor plano.
Mas se um dia errares, no compasso da lida,
os passos corretos de andar pela vida,
pára um pouco... respira e ajusta a lente.
Busca o céu com palavras ou com os olhos somente.
Com certeza, de lá te virá o alento
e as respostas para as dúvidas de cada momento.
E ainda que outras coisas insistam
em tirar de Deus tua atenção,
em fazer-te andar sempre na contra-mão,
se quiseres, tu podes - enquanto viver –
dar a volta na estrada e mudar o teu ser.
Mexe nas prioridades
e organiza teu tempo de outra maneira.
Ao fazê-lo, é provável, que alguns sonhos se percam...
Mas se é pra viveres a essência verdadeira,
vai em frente - não voltes -, deixa baixar a poeira.
Deus vai dar-te outros sonhos - os que valem a pena.
O que passou? Esquece... O que passou era areia.



Descanso do alto

"Um traço no espaço,
um terno compasso.
Nos braços do Eterno,
esqueço o cansaço"

Visite o blog da autora: www.umpoucodeazul.blogspot.com

segunda-feira, abril 28, 2008

Dois textos de Charles Wesley


Oração

Ó Deus, meu Deus, tu és meu tudo:
antes que brilhe a alva do dia que
desperta, tua soberana luz ilumine
meu coração e me inunde o teu poder
que a tudo vivifica.

Por ti suspira e clama minha alma
sedenta, porquanto deva morar nesta
terra deserta; e faminto como estou,
desfalecente, só teu amor alento pode
me dar.

E uma terra seca, contempla-me,
Senhor; todo meu anelo, todo meu
desejo, deposito em ti; e mais me
regozijo em obter a tua graça, que
nos tesouros que a terra me pode dar.

Mais preciosa é a vida, e teu amor há
de ocupar em todo tempo meu
coração, meus lábios; e em
proclamar teu louvor hei de
empenhar minha paz, minha glória e
minha alegria.


Bênção

Ó tu, Senhor, que do alto
trouxeste fogo a nossa terra,
derrama em mim teu amor sagrado,
chama que o coração me acenda;
Que permaneça ardentemente, com
brilho eterno, cintilante; e em canto e
oração fervente, retorne a ti para
louvar-te eternamente.

*Charles foi irmão de John Wesley.

quinta-feira, abril 24, 2008

Um poema de J.C. Ryle


Existe uma colina verdejante,

Bem longe, fora do muro da cidade

Onde nosso amado Senhor na cruz morreu

Para nos salvar a todos, qualquer que seja a idade.


Não sabemos, nem podemos dizer

Que dores teve Ele de suportar

Mas cremos que foi por nós

Que ali pendurado, as teve de levar.


Morreu para nos fazer bem

Morreu para que fôssemos perdoados

Para que ao fim pudéssemos ir para o céu

Pelo Seu precioso sangue resgatados.


Não há nenhum outro bem

Que possa o preço do pecado pagar

Somente Ele podia abrir

As portas do céu e nos deixar entrar.


Oh, quanto, quanto Ele amou!

Também nós devemos amá-lO,

E confiar no Seu sangue redentor,

Procurando sempre imitá-lO.

segunda-feira, abril 21, 2008

NOVA FUNCIONALIDADE

Amados irmãos e leitores, acabo de inserir uma nova funcionalidade no blog: são os marcadores ou etiquetas.
Agora ficou muito mais fácil localizar os textos e poetas já publicados, através do nome dos poetas, ou do tema da postagem (por exemplo: Ensaios Biográficos, E-books, etc).
Basta ir na parte à direita da página do blog, na seção de links: a lista de marcadores está lá embaixo.

Colaborem conosco, e divulguem o blog. A Poesia Evangélica agradece!

sábado, abril 19, 2008

Dois poemas de Amina Miranda


Quero fazer um poema
que se chegue a ti
e se instale em teu ser

quero mover-te
comover-te

quero que sintas o que sinto

que sonhes os meus sonhos
te iludas em ilusões minhas

quero que nos meus ideais acredites
os meus alvos idealizes

neste instante ser um contigo

quero atingir-te
como a bala atinge o alvo
quero atingir teu coração

instalar-me por lá
e não mais sair de lá

quero fazer um poema

um poema de amor
uma lição de vida
um incentivo de fé
um impulso para ideais

quero fazer um poema

um poema expressivo
um poema emotivo

um poema que te faça rir
que te faça chorar

um poema
um poema que te faça pensar
refletir
sonhar
idealizar
acreditar
duvidar... quem sabe

mas que mova o teu ser
que não te deixe indiferente

um poema

um poema sério
um pouco sério
um extremamente sério

um poema verídico
uma hipérbole
mas nunca um exagero excessivo.

quero fazer um poema

que retrate
daqueles momentos bons
daqueles não muito bons
dos alegres
dos sofridos

quero contar-te
de onde veio a força
para tudo vencer

para acreditar
para ter confiança
e estar de pé

e por fim

um poema
que fale de Cristo
da sua morte na cruz
e daquele sangue gotejando
encorrendo

para lavar o homem
lavar o escritor
que sou eu

e o leitor
que é voçê

quero fazer um poema



...Ouvindo a tua voz
Enigma decifrado...


Quando disseste-me para fazer
Aquilo
Eu fiz
Confesso que de imediato
Não o fiz
Confesso que da tua voz
Duvidei

Mas quando bem melhor e
Meio em enigma me explicaste
Acreditei
Confiei

Lembraste?
Foi logo de imediato que eu cumpri
Foi difícil
Foi duro
Humana sou

Os humanos não me compreenderam
Mas com eles não me importei

Nem mesmo comigo
Me importei


Fechei o meu coração a sete chaves
Para não ouvir ele gritar
Tapei os meus olhos
Para não notar quantas lagrimas caiam
Afundei a minha cabeça sobre almofadas
Para não me ver gritar
Não quero saber dos outros
Nem de mim
Somente a tua voz quero seguir
Eu não olhei pra mim
Mas naquele momento então
Olhaste pra mim

Te apressaste em correr pra mim
Colocaste-me no colo
Enxugaste as minhas lagrimas
Sopraste em meu peito
Meu coração acalmaste
Puseste teus lábios em meu ouvido
E falaste coisas que jamais tinha ouvido
Mostraste-me o que eu nunca tinha visto

Fizeste-me viver coisas
Que eu jamais vivi

Gozo, alegria e muita
Experiência puseste
Em mim


Fizeste-me então ver
Que melhor foi


Ouvir a tua voz
E segui-la.


Visite o blog da autora: www.ammmina.blogspot.com
*Amina Miranda é angolana

sexta-feira, abril 18, 2008

POEMAS SOBRE FRUTAS


Amados irmãos e leitores: publiquei no meu blog Azul Caudal uma mini-antologia com POEMAS SOBRE FRUTAS. Textos de autores brasileiros, portugueses e da África lusófona, ilustrados por apetitosas fotos.
Para quem, como eu, ama as frutas. E a poesia.
Visite o blog:
www.azulcaudal.blogspot.com

segunda-feira, abril 14, 2008

Dois poemas do Pr. Mário Mathias


O limite de Deus

Meus amigos: sabem o que me aconteceu?
Alcancei o limite que Deus me estabeleceu.
Com a graça de um Deus misericordioso,
Cheguei aos setenta anos de vida, vitorioso;
Sem canseira, sem enfado e cheio de esperança
Conservando, em mim, este espírito de criança,
Alegre, jovial, com muita temperança,
Equilibrando a vida, cheio de bonança.
Digo estas coisas com alegria e muita emoção:
Este espírito de alegria renova o meu coração.
Verdadeiramente sempre fui um vencedor;
Batalhei na vida com muita fé e ardor;
Deixo este exemplo de grande perseverança;
Quem se liga em mim obtém muita confiança,
Porque de mil novecentos e vinte e quatro,
Até mil novecentos e noventa e quatro,
São setenta anos de maravilhoso trato.
Não gosto de comer e depois virar o prato,
Reconheço o que Deus fez por mim, não sou ingrato.
Sirvo ao Deus verdadeiro e não a um estranho,
Por isso, daqui em diante o que eu viver é ganho.
Cristo, seu precioso sangue, na cruz verteu,
E uma vida muito feliz me concedeu.
A água sem tratamento é barrenta,
E a nossa vida sem Cristo é nojenta;
Mas a minha fé é esperta como pimenta,
Mesmo tendo que lutar contra a maré,
A minha cabeça, tranqüila, não esquenta,
Agradeço o grande amor de Deus manifestado;
Felicidade só tem aquele que o experimenta;
Jesus morreu na cruz levando os nossos pecados,
Por isso a minha alegria a cada dia aumenta.
Passei toda a minha vida alegre e sossegado;
Obrigado, Senhor, pelos meus lindos setenta.
Hoje estou festejando mais um aniversário;
Salve o dia 31 de maio, no calendário;
Meu signo é de rico, mas sou um proletário;
Gosto muito de dinheiro, mas não sou mercenário.
Sou um geminiano muito extraordinário,
Porque Cristo Jesus, num ato voluntário,
Derramou seu precioso sangue na morte do calvário.
Por esta grande razão sou sempre vitorioso,
Conquistei o maior perdão de um Deus maravilhoso.
Sou casado com uma mulher muito linda:
Cuidando do lar, ela é muito mais ainda.
Agradeço todo o seu amor e carinho:
Ninguém pode ser vitorioso sozinho.
Para conquistar vitórias, faço o maior empenho:
“Não tenho tudo o que amo, mas amo tudo o que tenho”
Quem luta e nada consegue, não faço nenhum desdenho.
Porque Deus amou o mundo de tal maneira,
Que deu essa glória muito alvissareira;
Quem nEle crê vai gozar a eternidade inteira.


"A Beleza Maior"

Queridos amigos, a quem interessar possa;

A felicidade do crente é sempre coisa nossa,

Porque, na revelação do amor extraordinário,

O filho de Deus, lá no monte do Calvário,

Mudou a significação do calendário.

Agora, os dias e os meses do ano são iguais;

Porém, o mês de maio, acrescenta algo mais:

Apresenta uma alegria que me satisfaz,

Conforme aquilo que consta da Mitologia

Maio é o mês de uma verdadeira euforia.

Este nome foi dado em honra a deusa Maia,

Mulher, segundo a tradição, não usava saia,

Mas proporcionava, aos homens, muita alegria.

Maio é o mês do lar; mês de muita harmonia;

Nele temos carinho, amor e grande adoração,

Porque, verdadeiramente, nesta tradição,

Comemora-se com dedicada alegria

O aniversário contagiante de Maria.

Maio é o mês da nossa mãezinha querida,

Graciosa, divina e constante na lida,

Proporcionando aos filhos, a alegria de vida.

Com grande amor, ela não mede sacrifícios,

Para oferecer à família esses benefícios.

Segundo domingo, grande acontecimento;

A nossa homenagem a esse Mito Sagrado,

E como prova do nosso reconhecimento,

Vai ficar, aqui, para sempre registrado,

A gratidão eterna de um filho abençoado.

Obrigado Mamãe! Parabéns por esse dia!

Que todos os filhos vivam em harmonia

Agradecendo a Deus esta sabedoria,

Venerando a beleza que o seu rosto irradia.

Deus criou a natureza e os jardins em flores;

Fez cascatas, os rios, passarinhos e as cores;

Mas no ato supremo de toda a criação

Fez você, mãezinha, a rainha do meu coração.

Treze de maio é um fato da nossa história:

A liberdade dos escravos, não sai da memória.

A gloriosa Regente, a princesa D. Izabel,

Desenvolvendo, na história, o seu papel,

Não fez mais do que a sua grande obrigação.

Mas tratando-se da liberdade espiritual,

Que nos liberta da escravidão infernal,

Somente Jesus Cristo nos concede essa glória

Outorgando-nos uma sublime vitória,

Tirando-nos das garras da escravidão.

Do mês de maio, só faço uma restrição:

No dia do trabalho, tem gente lutando em vão,

Gastando o dinheiro naquilo que não é pão.

Que bom seria se todo trabalhador

Dedicasse a sua vida na casa do Senhor;

Assim 1º de maio, teria maior valor.

Ora viva, agora, o nosso glorioso poeta!

Que escreveu estes versos, sensibilizado;

Embora não tendo sido um grande profeta,

Teve a honra de nascer neste mês santificado.

As coisas lindas deste mês guardo-as de cor;

Quem nasce no mês de maio, só pode ser o MAIOR.


Visite a página do autor:
www.mariomathias.com

sexta-feira, abril 11, 2008

Um ensaio do poeta Brissos Lino sobre a vida e a obra de J. T. Parreira



J. T. PARREIRA, O CONTADOR DE ESTRELAS


Brissos Lino*

Poeta de referência da língua portuguesa, sobretudo na de inspiração cristã, traduzido em várias línguas, João Tomás Parreira (JTP), que também assina J. T. Parreira, é o pioneiro da nova poesia de expressão evangélica em Portugal.

Percebem-se algumas influências na sua obra de toda uma vida dedicada à arte poética.

Desde logo uma influência de carácter bíblico e religioso. Trata-se da influência mais antiga do seu percurso (ex: “Do Paraíso para nenhuma direcção”, “Como Abraão”, “Mulher com cântaro”). O que é natural, num tempo em que, nos meios evangélicos, outros tipos de poesia, ou a poesia em si mesma pouco valiam, a não ser, e só, enquanto veículo de divulgação da fé. Aliás, este foi um ponto de partida do qual muitos nunca ousaram sair.
Não foi o caso de JTP, que soube explorar outros campos do Poema, percebendo a tempo que o verdadeiro cristianismo não está na declaração de fé que se faz, na temática religiosa em si, ou em qualquer espécie de imperativo proselitista, mas no testemunho da vida toda, o que inclui o uso da palavra sem fronteiras nem estreitos compromissos estéticos ou temáticos.

Por isso há também em JTP uma clara influência histórico-cultural que lhe permite fazer poesia a partir dos clássicos (ex: “Ulisses entrando em Ítaca”), assim como da cultura moderna europeia e americana (ex: “Marilyn”, “Sílvia Plath”, “Picasso”, “A bailarina de flamenco”), revelando um homem que, apesar de estribado na cultura clássica que está por alicerce da nossa identidade ocidental, não deixa de permanecer também atento à modernidade.

Ultimamente verifica-se em JTP um interesse por fórmulas minimalistas da arte poética, como, por exemplo, a influência japonesa dos haicais, que tão bem desenvolve, com a mestria que se lhe reconhece. Neste tipo de discurso poético, a economia das palavras desnuda a força das imagens poéticas, o que torna mais exigente a sua construção e mais rigorosa a utilização da palavra, aguçando assim o engenho e a arte.

Mas como qualquer poeta JTP não dispensa uma dimensão intimista nos seus escritos (ex: ”Nocturno de mim“), através da qual discorre poeticamente sobre os sentimentos, sensações e pensamentos que fazem do ser humano aquilo que ele é, uma enorme complexidade sujeita à maior das volubilidades.

JTP extravasou já as fronteiras da língua pátria, aventurando-se tanto na tradução de autores estrangeiros como na delicada operação de transporte de poemas seus para outras línguas, entre as quais o inglês, o italiano e o turco.

Longe vai o tempo em que assinámos ambos (eu ainda muito jovem), juntamente com Joanyr de Oliveira, do Brasil (o mais velho dos três), o Manifesto da Nova Poesia Evangélica, publicado nos dois países. Estávamos em 1974, quando fizemos história, e esse documento constituiu uma espécie de texto fundador para uma nova forma de fazer poesia, que se desejava no meio evangélico dos dois países, de modo a dar lugar à Arte, e contribuir para acabar com aquilo a que o poeta Ary dos Santos chamou em tempos os “açougueiros das palavras”.

JTP, aos sessenta anos, continua a ser um esforçado contador de estrelas. Durante estes cerca de quarenta anos de amizade e companheirismo literário, nunca o vi de outra forma.

Março de 2008


* Pastor, Psicoterapeuta e Poeta

terça-feira, abril 08, 2008

Dois textos em prosa poética de dois de nossos grandes poetas


GESTO HERÓICO

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Mário Barreto França

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A sineta bateu convocando o colégio, a sala estava cheia, o Diretor egrégio e antigo mestre entrou, ninguém o reparara. Falavam de uma falta grave! Alguém roubara da bolsa de um aluno a clássica merenda e o castigo era grande, uma surra tremenda, vinte varadas. Qual seria o desgraçado que iria suportar o braço desalmado do velho Diretor aplicando o castigo? Talvez fosse um aluno ou um bedel antigo. Havia tanta gente ali, humilde e pobre e a aparência final muita miséria encobre. Enorme burburinho enchia toda classe:

- Silêncio – Brada o mestre – Aqui ninguém mais fala!

- Houve uma falta grave, um roubo, e é oportuno que eu lhes diga claramente que esse tão mau aluno, que cometeu tal erro, há de pagar bem caro, bem caro estão me ouvindo? E o que eu mais reparo é ver que foi debalde o esforço de ensinar-lhes caminho do bem, da retidão, mostrar-vos que se deve vencer por força de vontade e que acima de qualquer febril necessidade se coloca o dever. Mas eu vejo que essas virtudes, não orientam mais as vossas atitudes.

O murmúrio aumentou, todos se entreolharam e numa singular atitude calaram, como para mostrar a força que os fazia, solidários na dor, na culpa ou na rebeldia.

Mas num canto da sala, humilde, magro e pálido, levantou um menino. O seu aspecto esquálido bem claro demonstrava a miséria sem nome que lhe vibrava no olhar, as convulsões da fome e num gesto de quem se vota a um sacrifício, como um santo a sorrir no instante do suplicio confessa:

- Diretor, tinha uma fome cega e por isso roubei o lanche do colega, fiz mal, ninguém tem culpa é verdade o que digo, estou pronto, portanto, a sofrer o castigo.

E seguiu cabisbaixo em direção do estrado em que todo faltoso era sentenciado e o rude diretor lê o código interno:

- O aluno que roubar um lanche ou um caderno, nas costas levará vinte fortes varadas.

E isso dizendo, despe as costas maceradas do pequeno réu, vibra o primeiro açoite, um gemido se ouviu como um grito na noite, outra pancada estala, as pernas do garoto começam a tremer dentro do calção roto e o seu olhar voltado ao azul da imensidade parecia implorar um pouco de piedade e uma onda de horror, de revolta e protesto, brilhava em cada olhar, vibrava em cada gesto.

Nisto um jovem robusto e com porte de rico, levanta-se resoluto e diz:

- Eu vos suplico que permitais senhor que eu sofra o seu castigo, a merenda era minha e ele foi sempre amigo, mas se é lei, que se cumpra a lei.

E sobranceiro seguiu para o lugar do pobre companheiro, tirou o paletó, curvou-se resignado e deixou que o castigo em si fosse aplicado.

Quando a ultima vasgarda estalou como um ai nas costas ensangüentadas do inesperado herói, o pequeno poupado abraçou seu protetor amado, beijou-o humildemente e disse-lhe baixinho, num gesto fraternal e cheio de carinho:

- Foste meu salvador, meu nobre e bom amigo, pois sofreste por mim as dores do castigo, que mereci bem sei, mas não agüentaria, dada a minha profunda e crítica anemia. Fui culpado de tudo e nunca o desejará, suplico-te perdoa a minha ação ignara, eu saberei ser grato ao bem que me fizeste, implorando ao Senhor a proteção celeste, sobre ti e o teu lar, na certeza em que o mundo será em tua vida um roseiral fecundo e onde eu me encontrar exaltarei o estóico e sublime esplendor desse teu gesto heróico. Nós somos neste mundo uns míseros culpados, criminosos, infiéis e cheios de pecado, roubamos nosso irmão, o próximo enganamos, perseguimos o justo e a trânsfuga exaltamos e tudo que é de mau fazemos sem piedade para satisfazer a nossa perversidade. Por isso, o Mestre amigo, que sofreste por mim as dores do castigo, recebe o meu afeto humilde, mas sincero e a minha gratidão profunda, pois te quero exaltar em meu ser e em toda minha vida, nessa consagração de uma alma agradecida, que vê no teu amor e em teu suplício estóico, a glorificação de um sacrifício heróico.



O meu Cristo!

Thiago Rocha

Neste mundo há muitos Cristos, de muitas formas, de várias cores e de vários tamanhos, Cristos inventados, Cristos moldados, Cristos tristes, Cristos desfigurados.
Há Cristos para cada gosto, cada objetivo, cada projeto.
Há o Cristo das belas artes, um motivo como tantos outros para expressar uma forma ou exibir uma escola, pelo próprio homem criada. É o Cristo só para se ver, analisar ou criticar, para exaltar o autor, o seu talento, sua invencionice.
Há o Cristo da literatura, da prosa, do verso, da fama, do estilo famoso, do bestseller. É o Cristo de pretexto, que serve de texto dentro de um contexto, que ajuda o seu autor a faturar mais, ser mais lido e procurado.
Há o Cristo das cantigas, deturpado, maltratado e irreverentemente tratado. Aparece na crista das ondas, estoura nas paradas. É cantado nos salões e circula aos milhões como mercadoria para enriquecer a muitos. É o Cristo de algibeira, fabricado como produto de consumo.
Há até o Cristo do cinema e do teatro, sucesso absoluto de bilheteria. É a expressão da arte moderna fazendo a caricatura do maior personagem da história. É o Cristo musicado, martirizado, encenado. É o Cristo para o espetáculo, para os olhos, para os ouvidos, para o lazer, para a higiene mental.
Há o Cristo do crucifixo, de pedra, de mármore, de madeira, de metal, de ouro e até mesmo de cristal. É o Cristo para a aparência, para o colo da mocinha, para o peito piloso do rapaz excêntrico. É apenas ornamento ou simples decoração, embora, alguns lhe prestem culto, ele não vê, não ouve e não entende.
Há, também, infelizmente, o Cristo de certos cristãos que ainda o tem no túmulo, e ainda conservado na tumba dura e fria. É o Cristo que não vive porque os seus adoradores ainda estão mortos, sem despertar para a vida nova, a vida do próprio Cristo, da qual, ainda, lamentavelmente, não se apossaram.
O meu Cristo não é nenhum desses! O meu Cristo é o Filho de Deus que nasceu, cresceu e sofreu, foi condenado à morte e sepultado por causa dos meus pecados. O meu Cristo não ficou preso na sepultura escura! Ele ressuscitou, subiu ao céu e reina à direita do Pai!
O meu Cristo é cultuado, admirado e adorado porque está vivo e bem vivo! Meu Cristo vive nas parábolas que proferiu! O meu Cristo vive nos ensinos que deixou! O meu Cristo vive nos atos que realizou! O meu Cristo vive nas almas que salvou!

O meu Cristo vive, não tenho dúvidas, porque o meu Cristo vive em mim!

sexta-feira, abril 04, 2008

E-book para download


Amados irmãos, disponibilizamos aqui um belo livro, "JESUS a Luz da Vida", escrito por Cleviton Neves. O livro narra, através de versos, a trajetória do autor, que foi viciado em drogas, e era atormentado por entidades malignas. Um belo testemunho do poder de nosso Salvador de resgatar e transformar vidas. O livro é ilustrado com belas fotos, e foi disponibilizado gratuitamente pelo autor, na internet.
Para baixar o e-book, Clique Aqui.

Fonte: www.letrassantas.blogspot.com

quinta-feira, abril 03, 2008

Dois poemas de Lêda Sellaro


MARAVILHOSO PRÍNCIPE DA PAZ!

Como na ceifa, alegre, exultará
Um povo que em trevas tem andado
A escuridão não prevalecerá
O jugo do opressor será quebrado.

Em Belém um menino nos nasceu
O Filho anunciado se nos deu
E o seu nome será Maravilhoso
Conselheiro Deus Forte e grandioso.
Haverá paz no trono de Davi
O Rei da Eternidade está aqui
Aquele que a justiça satisfaz
Maravilhoso Príncipe da Paz!

Preparai o caminho do Senhor!
E batizai para o arrependimento!
Elevai vossa voz com mais vigor,
Que é sem igual este acontecimento.

Na profecia em parte realizada
Foi uma nova era iniciada
Deus nos falou por meio do Seu Filho
Da Sua Glória, o resplendor, o brilho...
A expressão exata do Seu Ser
Que sustenta o universo em Seu poder
Mostrando em Si, o amor que nos refaz...
Maravilhoso Príncipe da Paz!

Para o homem remir do vil pecado
À semelhança de homem se tornou
E o homem, ao ser, na cruz, justificado,
O que era Deus, de Deus se esvaziou.

O que dizer de um mundo sem lugar
Para quem veio o mundo resgatar?
De um berço/manjedoura e um nascimento
Que é, da História, o mais excelso evento?
Nossos pecados, sobre Si tomou
Por Suas pisaduras nos sarou,
E ao ressurgir, a morte Ele desfaz...
Maravilhoso Príncipe da Paz!

Como na ceifa, alegre exultará,
Seu povo, já das trevas resgatado,
A escuridão não prevalecerá
O jugo do opressor já está quebrado!

Glória a Deus! Paz na terra! proclamemos
Neste Natal, noutros natais também.
Um mediador, perante Deus, já temos
Em Jesus Cristo – o Amado, o Sumo Bem.


A BOMBA

Como um pequeno “deus” se avaliando
E ufano das vitórias que alcançou...
O homem esquece o quanto de nefando
Essa escalada sempre acompanhou.
Parar? Como fazê-lo? É impossível!
E, dominado pelo que inventou...
Ele admite como irreversível
O processo que desencadeou.
Em diabólico invento, algo insano
E absurdo fica evidenciado:
Destruirá somente o ser humano
E o que é material será poupado! *
Na luta do poder, do ter, do ser...
“Os fins farão justificar os meios”
Mesmo que violentem o humano ser
Mesmo que contrariem seus anseios!
Como objetos peças de engrenagem...
Entorpecidas, pobres criaturas!
Destroem-se a si mesmas não reagem...
Coisificadas pelas estruturas!
Como levar à mente empedernida
De temporais poderes carregada
O amor de Cristo que transforma a vida
E que renova a alma destroçada?
Comecemos por nós, em nosso lar,
Nosso trabalho, nossa vizinhança...
Uma “bomba” de amor a deflagrar
Que encha o mundo de luz e de esperança!
Que os “raios” poderosos desse “invento”
Mostrado há tanto tempo, lá na cruz
Destruam todo o torpe sentimento
SEJA INFLAMADO O MUNDO POR JESUS!

NOTA: BOMBA DE NÊUTRONS - É antipessoa, ou seja, mata pessoas sem provocar grandes danos às instalações. Lançada sobre uma unidade de tanques mataria os soldados, porém não danificaria os veículos, uma vez que os nêutros passariam através da blindagem. Todavia, os nêutros seriam detidos pela terra e pela areia. As radiações atingem um raio de 1.700 quilômetros, acabando rapidamente sua periculosidade o que a faz ser considerada uma arma limpa.

domingo, março 30, 2008

Dois poemas do Pr. Luiz Flor dos Santos


Eu e a Noite

Venci!
Venci o dia!
Grita a noite.
Calma noite
Amanhã será o meu dia.
A Voz da Noite me entedia!

Deus fez a noite
Nela descansou.
Deus fez o dia
Foi de dia que ele criou.
Amo os dias que Deus criou!

Ainda amo a noite
Ela sempre me trás bons dias.
Dias dos pais
Dia das mães
Dia do meu casamento
Dia do nascimento
Dia do descanso...
Tudo o que tenho de bom veio-me num dia!

O mestre disse:
É necessário fazer a obra de Deus
Enquanto é dia;
A noite vem quando ninguém pode trabalhar.
Desejo a todos, Bom dia!

Disse Davi
Do profundo de sua esperança, disse:
Ao anoitecer pode vir o choro,
Mas a alegria vem pela manhã.
Desejo a todos, Bom dia!



Genealogia – Parte Um

o Gênesis

No princípio
Terra e abismo
Só o Eterno se movia.

A Voz
Transformando
O vazio ornando
O sexto dia preparando.

A Mão
Poderosa, Precisa, Carinhosa
Remexe o chão
Fazendo Ser
Adão.

Adão às voltas
Pensamento no mundo...
Olhar profundo __ O que me falta?
Um igual.

Eva foi o nome
Adão o deu
Brados de alegria
Louvor
Ao Ser que o preencheu
O Criador.

A bênção nupcial:
Crescei, multiplicai-vos;
Enchei a terra e sujeitai-a;
Decretou O Juiz Eternal.

Dominai sobre os peixes do mar,
Sobre as aves do céu,
Sobre tudo o que rasteja
A Adão e à sua consorte
Foi o dote.

Com bênção muitos vieram
Abel, o primeiro
Homem Augusto
Pela fé alcançou testemunho
Do ser justo.

Muitos abdicaram
A bênção desprezaram.
Escolheram seus próprios destinos
Desatino!

Melhor tino teve Sete
Não caiu em desatinos
Ao nascer-lhe o filho amado
A Deus se tornou mais dedicado.

Homem nobre foi Enoque
Andou com Deus em todos os seus dias
Seu dote:
Ir para junto de Deus
Sem passar pelos portais da morte.

Noé, homem de Fé
Justo, Íntegro entre os seus
Testemunho este que recebeu
Do próprio Javé.

Pregoeiro da justiça
Por ordem de Deus
Construiu a Arca
Para quem quisesse se salvar.
Cento e vinte anos pregou
Apenas sua família na Arca entrou
Quem a mensagem de Noé desprezou
A justiça do dilúvio o levou.

Numa visão, acho
Deus chamou Abraão
Sair de junto de sua parentela
Era o trato.
Proteção Deus o prometeu,
Um filho, uma terra, longevidade.
Os planos eram gigantes
Abraão não mais seria o mesmo de antes
Ser grande nação era a novidade
De um velho e amortecido ventre
Casa da esterilidade.

Isaque foi o botão de flor
Da grande nação
Cujo papel era espalhar
Boas Novas de salvação
A todos abençoar.

Jacó continuação do projeto
Se fazia esperto a seu próprio modo
Sujeito enganador duras penas pagou.
Na escola de Deus foi fiel
O nome se lhe mudou para Israel
Príncipe do Senhor.

Deste abençoado brotou
Doze patriarcas e uma flor, Diná.
Não fosse Deus com eles se importar
Tudo se teria perdido.
No coração do velho pai Jacó
Deram um nó de amargura
Tiram-lhe o gosto da vida
Fizeram uma ferida dura de cicatrizar.
Venderam José para o Egito
Deram-no como morto
dilacerado pela feras
Jacó acreditou que seu filho não mais era.

José, em casa dado como perdido
No Egito
Ia crescendo, crescendo, crescendo
De tudo entendendo
Era Deus o coração preparando
Para vir a ser o guardião
Das pessoas que se tornariam
Grande nação.

Em tudo isso
Está Deus a seu amor demonstrar
Quando com estes
Uma grande nação quis formar
O propósito era a todos abençoar.

Aqueles que com fé neste se juntar
Povo de Deus poderá se tornar.
A porta para toda essa bênção
É a Jesus Cristo aceitar
E Senhor da própria vida
O tornar.

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quarta-feira, março 26, 2008

Três poemas de Débora Camargo


percepção

Quando é essa alegria que me invade
eu O reconheço no som das folhas
frágeis apenas por sua permissão

E o vento varre o chão,
levanta o cheiro de relva
e reacende essa brasa
que se amoitou ao cair daquela lua.

Outros raios dourados flanam
e meus olhos procuram sentir o calor
Estou certo que neste dia que desponta
terei nova canção pronta em meu peito,
fruto de Seu sublime amor.

Pois ao percebê-lO na criação
outro fôlego se dispõe
Me faz provar mais uma vez
que tudo se faz por meio de Ti


Pedido

Senhor, há vontade de servir-te correto.
Almejo a missão perfeita, que,
penso estar fora dos portões da tua casa.

É bom congregar com teu povo,
É calor, crescimento,
Sustento, renovo.

Mas, passam pelos nossos vidros,
Chorosos, feições oprimidas,
Sedentos de consolo, pobres de espírito,
Almas cansadas, vidas cativas.

Ó Pai, há tantos perdidos, que precisados estão
do teu amor virtuoso, não-político, fiel e
inaugurador de outrora incaptável perdão.

Senhor, queria eu que minha canção
Agora aflita e suplicante
Fosse rio que jorra e inunda,
Vida que pulsa e transborda,
Não-inerte, intensa, abundante.

Faz-me um servo testemunhador,
Rico em esperança e
Derivado de graça, sublime amor,
Resultado do teu querer,
Teus feitos, digno, faz-me, Senhor, viver.


Sossega

No meio da vida, voando, vazia
Anseios, turbulência, medo, aflição.
Pensamentos, sonhos, tormentos,
Pedaços de história aparentam não ter fim.

E a vida?
Que é a vida?
Tão ligeira, volátil efêmera?

Matéria que respira.
Alma que geme.
Gente que passa.
Gente que morre.
A morte assombra.

E esse medo?
Alado como vento
Chega, para e se instala.
Suor frio escorre.
O corpo treme.
Os olhos fecham.

Ansiedade.
Tão sórdida
Quanto o manto da noite
Que esconde, aflige e desespera.
Espera.

Coração amassado
Busca caótica.
Tudo tão humano!

Se Deus veste os lírios do campo,
Alimenta as aves,
Enche os mares,
Molha a relva.
Sossega coração atribulado!
Entrega.
Espera.

Visite a página da autora: debipoesiaseafins.blogspot.com

sexta-feira, março 21, 2008

Um poema-protesto de Wilson Tonioli


Igreja vã gélica

Sua liturgia não urge mais.
Seus p-atores iludem a platéia
e hino-portuna é sua música.
Seu sermão deixou de ser mão.
Sua mensagem é vã gelho
e em suas orações
o sujeito vai à frente do Verbo.
Em seus cálculos
o dízimo múltiplo comum
determina o x do cristão.
Confundistes:
“Amar o próximo como a si mesmo...”
com “amar a si mesmo, comer o próximo.”
Sua palavra já não lavra nada.
Seus jejuns alimentam egos
e seu criador cria dor...
Sua pregação não proclama o Reino;
sua pregação reclama o rei na barriga...
Já não te crêem crente.

www.verticontes.blogspot.com

Uma breve oração de John Henry Newman

Oração

Conduze-me,
Generosa Luz, em meio à obscuridade que me rodeia.
Conduze-me a Ti!
A noite é toda trevas e estou muito distante de casa.
Conduze-me a Ti!
Guarda meus pés;
Não peço para ver
A cena distante -um passo é o bastante para mim.

in "The Pillar of the Cloud"

Um trecho do poeta inglês GERARD MANLEY HOPKINS


... Pois Cristo atua em mil lugares,
Belo em membros, belo em olhos que
não são seus
Para o Pai, nos traços do rosto de homens
dissimilares.

Um poema de Laerço dos Santos



CRIAÇÃO: VERSOS REDENÇÃO!

Disse assim o ser supremo: haja luz!
Logo resplandeceu, nas trevas que existia
Usando a palavra com supremacia
O grande criador, criou tudo em flux.

O céu, terra e mar, na sua extensão
Verdes matas, florestas e todos animais
Rios, riachos, lagos, flores ornamentais
Cachoeira...e ao mar deu-lhe limitação.

Fez Deus os luminares: estrelas, lua, sol
Umas para clarear a noite e outra o dia.
Fazendo tudo estável, em perfeita harmonia,
E no entardecer, o lindo arrebol!

Ao solo, o Senhor deu-lhe todo vigor;
Enviando a chuva p'ra lhe umedecer.
Dando ao homem a semente p'ra na terra nascer,
Para o sustento seu, deu Deus, seu provedor

Quatro estações do ano dando sustentação,
De inverno a verão, outono a primavera,
A mão do criador a criação lidera,
Preservando a tudo plena conservação.

Tudo aqui Deus criou mui belo, colossal.
Para um ser que formou com suas próprias mãos,
Um varão, pondo nele o nome: de Adão,
Dando-lhes coisas boas no jardim terreal!

Deu domínio da terra o Senhor ao varão.
Caindo este depois em desobediência,
Deus a Cristo enviou, por amor e clemência
O segundo Adão: seu filho...à redenção

Visite a página do autor: www.oagape.blogspot.com

O irmão Laerço postou, nos comentários, diversos e belos poemas. Pelo que publicamos um deles aqui, para facilitar a leitura de todos. Obrigado, irmão Laerço! E se você, leitor, também escreve poesia evangélica, não espere eu te encontrar: envie seus poemas para cá! Meu e-mail: sreachers@gmail.com

domingo, março 16, 2008

Dois poemas de Henrique Matos



Meu Deus, eu sou Teu

Por onde anda o meu Senhor?
Busco, procuro, me sinto um tanto só.
Onde está o Rei dos reis?
Em meu coração quero senti-lo.

Não foi tu quem se ausentou,
Eu sei, fui eu que abandonei minha morada,
Tua morada.
Meu coração é o teu reino, ó Deus!

E mesmo só em meus sentimentos
Sei que teus pés estão sobre a terra,
Teus olhos sondam o meu interior
E tua presença me invade com poder.

Então eu clamo: voe livre Espírito Santo!
E encha minha vida com tua santidade.
Então eu chamo: venha Espírito de Deus!
E conduza os passos desse teu servo.

Minha vida está em tuas mãos,
Como águia subo em tua direção
E contigo sempre estarei, eternamente.
Amém!


Simplesmente crer

Meu Deus, dá-me um pequeno grão, para que eu o tenha na palma da mão e vendo, compreenda então, que é necessário tão pouco.

Estou tão próximo, mas também tão longe e assim aguardo Tua resposta para poder alcançar esse chamado, olhando para o pó de minha essência.

Mestre, realizarei Tuas obras, verei Teus milagres, conquistarei a vitória e serei novo homem, não mais escravo da dor, mas cheio do Teu amor e verdade.

Terei a certeza dos que nada sabem, verei mais longe do que meus olhos alcançam, caminharei confiante em meio à escuridão sombria.

Meu Pai, dá-me, eu Te peço, para que mesmo sem nada ter, ainda assim eu consiga crer, simplesmente crer.

E vencerei este mundo, derrotarei suas aflições e conhecerei Tua grandeza, quando enfim compreender a infinitude de Ti que há... neste pequeno grão de mostarda.

“Se vocês tivessem fé, mesmo que fosse do tamanho de uma semente de mostarda, poderiam dizer a este monte: ‘Saia daqui e vá para lá’, e ele iria. E vocês teriam poder para fazer qualquer coisa!” (Mateus 17:20 NTLH).



www.missaovirtual.wordpress.com

terça-feira, março 11, 2008

Dois poemas de J. T. Parreira


Do Paraíso para nenhuma direcção

Do Paraíso para nenhuma direcção
sem casa
traziam nos olhos
as árvores do Éden
Uma saudade do disco lunar
que é a seda da noite
e a derme marítima
que fica de olhar o mar
e o coração húmido das lágrimas
e uma tristeza aquosa
ao fundo dos olhos na água
das origens, ancestral.


Porta Larga

Chamam-nos, e vão

Há risos atraindo a entrada

depois o silêncio começa

a pesar nos lábios

Há biliões que empurram biliões

de olhos para caberem

biliões de olhos que não têm saída

Chamam-nos, e vão

buscando na dúvida uma luz

por baixo das sombras da estrada.


www.papeisnagaveta.blogspot.com

quarta-feira, março 05, 2008

UM PRESENTE PARA VOCÊS


Amados leitores, é com felicidade que apresentamos aqui um verdadeiro presente para vocês: A antologia SABEDORIA: Breve Manual do Usuário. O e-book é uma seleção temática de versículos bíblicos, frases e pensamentos antológicos, além de trechos de poemas e provérbios de diversas culturas.
Organizada por Sammis Reachers , o e-book possui 257 páginas, e está em formato PDF.

Leia abaixo um trecho da apresentação do e-book:


“Nesta obra estão coligidas citações diversas, na forma de frases e pensamentos (de escritores, filósofos, pensadores, teólogos, personagens históricas); e ainda provérbios de diversas culturas, além de pequenos trechos de poemas. Foram agrupados por tema - Amor, Alegria, Saudade, etc., sendo a grande maioria deles iniciados por uma citação bíblica correspondente.
Embora concebida no intuito de enriquecer a Biblioteca Evangélica de e-books (ficando assim explicitados os princípios que nortearam a seleção das citações), sendo a referida biblioteca parte de um esforço coletivo para disponibilizar bons livros gratuitamente na internet, esta obra, pelo seu caráter francamente universal, é proveitosa a todo tipo de leitor, até mesmo ao cético ou ateu. Creio ser este um humilde mas seguro ancoradouro para qualquer um em busca da verdadeira sabedoria (para e sobre a vida), e para aqueles que querem enriquecer sua cultura. Tal obra é de grande préstimo, ainda, para todos que necessitam de uma citação para abrilhantar seja um discurso, sermão ou pregação, seja uma obra de arte ou textos de qualquer espécie, desde uma reportagem a um trabalho escolar.”

PARA BAIXAR O E-BOOK, Clique Aqui.

Leia, divulgue, compartilhe. E comente.

Nosso sincero desejo é que esta obra seja útil à tua vida e ministério.

Dois poemas de Myrtes Matias


Enquanto o Rio Correr

"Enquanto o rio correr e o sol no céu brilhar;
enquanto eu vida tiver, quero de Jesus falar.

Proibir que eu anuncie a mensagem do Senhor,
é como dizer à roseira: nunca mais dê uma flor.

Só cortada pela base, lá bem perto da raiz,
posso deixar de falar de Quem salva e faz feliz.

Mandar que eu fique calada a respeito de Jesus,
é como dizer à estrela que apague a sua luz.

No sucesso, no fracasso; na alegria ou na dor;
na riqueza ou na miséria, quero louvar ao Senhor.

Para que ficar temendo, por um futuro ruim ?
O que "vê além das curvas" é meu Pai, cuida de mim."


Consagração

Toma o meu consciente,
Toma o meu inconsciente,
O meu corpo, minha mente:
Toma a mim, Senhor!
Toca-me a mão, o meu coração,
Para em cada ação,
Mostrar teu amor.
Toma o meu talento,
Multiplica-o em cento:
Dá-me um novo alento
Se desanimar.
Toma minha alegria, a minha tristeza,
Mostra-me a beleza de em ti descansar.
Toma-me a ansiedade,
Toma a autopiedade,
Mostra-me a sublimidade de levar a cruz.
Toma o meu tempo,
Sê o meu exemplo,
Seja eu teu templo - neste mundo, luz!
Toma o meu filho,
Mostra-lhe teu brilho,
Pra seguir o trilho que conduz a ti.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Dois poemas de José Barbosa Junior


Tantos...

Tantos absurdos
Tanto ouvido surdo
À doce voz
Tantos falsos mestres
Orgulhos incontestes
A brilharem, sóis.

Tanta falsa unção
Que dói no coração
Ver o engano, o erro
Tanta a devoção
Tamanha adoração
Novos “bezerros”

Deuses travestidos
De apóstolos ungidos
Sedução
Tanta fé frustrada
E no final da estrada
Decepção

Onde estarão as tantas
Outras vozes santas
A falar?
Quais os que, valentes
Irão sem medo, e sempre
Denunciar?

Pois tantos enganados
Caíram, já cansados,
No caminho
Carentes de um abrigo
De um abraço amigo
Sem carinho

Que tantos que têm sede
Encontrem pastos verdes,
Água fresca e o dom
Que jorram da Palavra
Que a terra molha e lavra
E dá frutos bons.


Caminhada...

Foi assim...
Quando menos se esperava, a prova.
E tudo ficou meio cinza, nublado...
A vida vem em ondas como o mar,
já dizia Vinícius...
De repente, o inesperado...
Sai da tua terra... da tua parentela...
Lugares desconhecidos, mistérios...
Só a certeza de caminhar
sem saber pra onde, nem como...
Só uma certeza: com quem se vai!
É assim...
Quando a gente menos espera, o chamado.
E a vontade dEle clareia... é manhã...
O choro durou a noite toda... tristeza...
Mas olhando lá na frente... certeza
Qual certeza? Nenhuma... só a incerteza,
ela por si só... a dar medo!
Como ir assim, nessa incerteza
E na fé do incerto... mas na fé??!!
Crendo contra a esperança...
Certeza, só da incerteza do caminho
mas da companhia certa
E isso faz toda a diferença...
Será assim...
Quando menos se esperar, o caminho.
E se abrirá, estreito, paciente
Esperando nossos passos... caminhada
E a certeza, qual será? Nenhuma ainda...
Só aguardará a fé que é da jornada
De se andar rumo ao tudo, mas sem nada
Nada que nos faça dar a volta
Retornar ao ponto de partida... não!
O caminho é para a frente... sem ter vista
Sem pesar o peso certo do cansaço
É certeza de encontrar no Seu abraço
O consolo que é preciso no caminho
A certeza da Sua mão sempre estendida
Como certo é Seu amor não escondido
Como é vero o Seu perdão não merecido
Como é viva a Sua vida em nossa vida.
Agora é caminhar...

Visite a página do autor: www.crerepensar.com.br

domingo, fevereiro 24, 2008

Dois poemas de Mauricio Moreira


“Servi neste Chão”

Poesia dos Missionários e Pregadores

Ainda no fragor dos dias
Sentimos a ternura sem fim
Do profundo Céu em que habitas
Tu és consolação para mim

Terras distantes que eu veja
Ainda que de lá nunca volte
Meu sopro de vida é uma oferta
Que eu prestarei até a morte

A voz com que clamo em teus átrios
São sons pelos quais anuncio
O amor por teu Filho querido
Do fim que já é aguardado

Tu és o Filho único amado
Desceste a este antigo jardim
Por ter-nos muito amado
Foste tão desprezado assim

És o mesmo de ontem e de sempre
Nunca houve outro d’além
Um Deus como tu tão perfeito
Nunca, jamais houve quem

Quem pode amar desse jeito
Por nós simples vermes morrer
Senão este filho perfeito
Varão que desceu pra vencer

Este é aquele menino
Que até aos doutores encantou
Como pôde ser tão sabido
Se aqui ele nunca estudou?

Quando a cidade em festa
Verteu as palmas no chão
Era o triunfo das décadas
Chegada estava a Salvação

Hoje as cidades carecem
Da tua suave presença
Não temos aquela alegria
Sentimos toda a diferença

Levo comigo saudades
Por terras que ainda não vi
São casas, vilas, cidades
Irmãos pelos quais eu parti

A cada pedaço de terra
Na qual eu venha te anunciar
Lágrimas vertidas em terra
Ao partir certamente haverá

Com muita vontade bem sei
Que para ti eu trabalharei
E a cada nova vida liberta
Do chão eu te agradecerei

Do chão eu te clamo Senhor
Do chão eu um dia serei
Mas por meio daquele a quem sirvo
Do chão eu ressuscitarei

Assim se passaram os meus dias
Eram dias muito difíceis
Anunciávamos a tua graça
A povos, ilhas, países

Agora que cumpri a minha meta
De anunciar Salvação
Ainda que tombado esteja
Não deixar-me-ias no chão

Eu serei ressuscitado
Seja de qual for o chão
Pois aquele a quem tenho servido
Este é o perfeito varão

Obrigado Senhor pela oferta
Por ter-me confiado a missão
Cumprida está a minha meta
Missionário eu fui deste chão


"Te Aguardo do chão"

Ontem estive de pé
Hoje eu moro no chão
Tornei-me um verme se forças
Mas nunca vendi o coração

Não presto a Baal nenhum culto
Não temo a nenhum futuro
Ainda que me seja obscuro
Por Cristo eu me deito no chão

Ainda que eu durma no chão
Não troco o meu Amor por Cristo
É fruto da minha Gratidão
A Cristo me ponho no chão

A Ele todo o meu fôlego
Ainda que eu não tenha pulmão
Eu só obedeço a Cristo
Te entrego então o Coração

Não importa o quanto eu sofra
Quantas lágrima eu ainda derrame
São todas elas guardadas
No cálice da Salvação

Em Cristo não há ilusão
É Ele o meu único alvo
É Ele o único porto seguro
Só Cristo no traz Redenção

Ainda que Canaã esteja longe
Ainda que a vide pereça
Que o mar não possa ser aberto
A Cristo eu me ponho no chão

Ainda que o canteiro inteiro
Morra de tantos maus tratos
Ainda que o meu Jardineiro
Não queira renovar este caco

A Cristo eu me ponho no chão
A Cristo eu me ponho no chão
A Cristo eu me lanço no chão
A Cristo eu me lanço no chão

Ainda que eu seja expulso
Da Igreja que tanto amei
Ainda que publiquem calúnias
A Cristo pra sempre Amarei

Ainda que um fora eu leve
Daqueles que um dia ajudei
Ainda que eles me vendam
Que digam a todos maldades

Ainda que nunca mais me levante
Ainda que só haja tristezas
Ainda que morra a beleza
Por Cristo eu o adoro do chão

Ainda que o mar todo traga
Minha pobre e frágil estrada
Que construo na minha solidão
Por Cristo me ponho no chão

Ainda que um dia apareça
Um renovo ainda em vida
Ainda que tudo de belo aconteça
A Cristo eu clamo do chão

Ainda que eu seja mais rico
Do que o meu pai Abraão
Ainda que eu seja mais sábio
Que o próprio Rei Salomão

Ainda que Davi me escolhesse
Para ser o seu pajem d’armas
Por Cristo eu só clamaria
Coberto pelo pó do Chão

Ainda que Eu veja em vida
A vinda de meu Senhor
Ainda que minha casa não seja
Tragada pelo seu furor

Ainda que eu seja convidado
Para um dia a Glória visitar
Ainda que eu possa a todos
De todas as doenças curar

Ainda que tudo me seja
Sujeito para reinar
Ainda assim tenho certeza
Só do chão eu iria clamar

Ante tão Divinal Beleza
Que Cristo é e conduz
Ante tão Eterna Grandeza
Deixou-se conduzir à cruz

Ante a assassinos e fraudes
Calúnias e injúrias sem fim
Deixou-se meu lindo Jesus
Ser morto só pra nos salvar

Visite a página do autor: www.quartocanteiro.blogspot.com

terça-feira, fevereiro 19, 2008

3 poemas de Carlos Vicente Coutinho Neto


CHUVA

Tu que te identificas com a chuva
E observas as gotas de caos a bater em tua janela;
Tu que tens teus gritos abafados pelos relâmpagos
Que retumbam em tempestade de luto e de desespero;

Deus te ama muito.
Deus tem um plano para ti.
Pois os campos serão férteis
Depois da estação das águas.


PORQUE INCONFORMADO VI

Porque inconformado vi
A idolatria de imagens de barro
Imagens com vendas nos olhos
Cegas surdas mudas
Feitas maiores que a Verdade
E por isso Mentira.

Porque inconformado vi
Polivalente e poligâmico o comportamento do homem
Viciado e putrefato o corpo do homem
Corrompido e canceroso o espírito do homem
Cogumelos que pareciam até viçosos entre as maçãs
Mas que nem por isso deixavam de ser fungos.

E percebi
Que era também minha a missão
De restituir-lhes ao menos em parte a dignidade.

Por cada espaço vazio no Reino dos Céus
Por cada túmulo de eterno pranto
Eu responderei.

E enquanto o mais humilde será exaltado perante o Senhor
Eu ficarei sozinho
E ser-me-ão atirados ao rosto
Os títulos, medalhas, contra-cheques, elogios,
Tudo inútil.


POEMA DO PERDÃO

Perdão.
Eu me excedi.
Se soubesse antes medir as conseqüências
Não faria tudo o que fiz.
Não diria tudo o que disse.
Não causaria náuseas a mim mesmo.
Não seria ponto de referência às nuvens negras.
Não precisaria ser alpinista de abismos.
Não precisaria mentir duas vezes.
Não seria propagador das cinzas.
Não Não Não.

Aos que conheceram minha pior face,
Perdão!

Poemas do livro inédito "O Cavaleiro Negro - poesia completa de adolescência - 1994-2004."

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Um poema de William Cowper


Deus se Move Misteriosamente

QUANDO AS TREVAS ESCONDEM SUA FACE ADORÁVEL
EU DESCANSO EM SUA IMUTÁVEL GRAÇA;
EM CADA TORMENTA AGUDA E VIOLENTA
MINHA ÂNCORA ESTÁ PRESA DENTRO DO VÉU!

DEUS SE MOVE DE FORMA MISTERIOSA
NA REALIZAÇÃO DOS SEUS MILAGRES;
ELE FIRMA SEUS PÉS NO MAR
E CAVALGA SOBRE A TEMPESTADE.

NAS PROFUNDEZAS INSONDÁVEIS DAS MINAS
COM HABILIDADE QUE NUNCA FALHA
ELE ENTESOURA SEUS MAIS ESPLÊNDIDOS PLANOS
E OPERA SUA VONTADE SOBERANA.

VÓS, SANTOS TEMEROSOS, TOMAI NOVO ALENTO
AS NUVENS QUE TANTO VOS ATEMORIZAM
SÃO ABUNDANTES EM MISERICÓRDIA
E IRROMPERÃO EM BÊNÇÃOS SOBRE VOSSAS CABEÇAS.

NÃO JULGUEIS O SENHOR POR MEIO DE FRACOS SENTIMENTOS
MAS CONFIAI NELES POR SUA GRAÇA;
POR DETRÁS DE UMA PROVIDÊNCIA QUE AMEDRONTA
ELE ESCONDE UMA FACE SORRIDENTE.

SEUS PROPÓSITOS LOGO AMADURECERÃO
REVELANDO CADA HORA;
O BROTO PODE TER UM GOSTO AMARGO
MAS A FLOR HÁ DE SER DOCE.

A INCREDULIDADE CEGA CERTAMENTE ERRARÁ
E JULGARÁ COMO INÚTIL A SUA OBRA;
DEUS É O SEU PRÓPRIO INTÉRPRETE
E CERTAMENTE A ESCLARECERÁ.

Este poema foi escrito após uma tentativa do autor em por fim à sua vida. Ele havia tomado uma charrete numa noite fria em Londres para chegar a uma ponte de onde pretendia se jogar. Todavia, a Mão misteriosa do Senhor não permitiu que o cocheiro encontrasse o caminho. Após andar duas horas, confessou que não sabia o caminho. O Sr. Cowper pediu então que o levasse de volta para sua casa, caso soubesse o caminho. O cocheiro disse que sim e retornou. Ao chegar à porta da residência, o cocheiro disse que não custava nada, porque ele não tinha cumprido sua tarefa. Mas, o Sr. Cowper respondeu: “Sim! Você cumpriu sua tarefa muito bem! Eu pretendia chegar àquela ponte e me suicidar, mas você, abaixo de Deus, salvou a minha vida”. Após entrar em sua casa, assentou-se e escreveu o poema acima. Glória a Deus!

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Um poema de Jonathas Braga


Três Cruzes

Levantaram três cruzes no Calvário,
no dia em que Jesus por nós morreu,
e todo aquele monte solitário
de trevas e de sombras se envolveu.

Uma cruz era a cruz do Mestre amado
que entre outras duas cruzes se erigiu,
pois entre malfeitores foi contado
e foi assim que o mundo inteiro o viu.

Na cruz da esquerda um ímpio impenitente
proferia blasfêmias contra Deus,
desiludido, torpe e irreverente,
desanimado nos pecados seus.

Na outra cruz, ante todos os olhares,
o outro ladrão ao Mestre suplicou:
- Ah! Lembra-te de mim, quando chegares
no reino onde vais!...

Jesus falou:

- Em verdade te digo mesmo agora
que comigo no reino ficarás,
pois irei dentro em pouco e sem demora
e comigo hoje mesmo tu irás.

Eram três cruzes, três num só momento:
- uma de dor e de alucinação,
outra, de paz e de arrependimento
e a de Jesus, a cruz da redenção.

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Dois poemas de Marco di Silvanni


Face a face

O teu olhar se acostumou às sombras
Que sem motivo acompanham teus passos.
Nem sempre segue fiel teu compasso
A meia-luz que insiste em teu caminho.

Parece até que não andas sozinho,
E pode ser até reconfortante
Não se sentir tão só, seguir adiante,
Mesmo sem conhecer quem não te deixa.

Mas quando enfim defrontas, face a face,
Alguém que vem luzir, tão de repente,
Iluminar, revelar todos os tons,
E os segredos dessa meia-luz,
Vês que as sombras, antes tão amigas,
Não são quem pensas, nem são companheiras,
E se revelam mórbidas, inteiras,
Torpes, sorrateiras, verdadeiras trevas.

Estende a mão, depressa, e reconhece
Que já não podes viver sem este brilho,
E pede ao servo de Deus que te revele
Como viver na luz do Seu caminho.

Ele virá com palavras de vida
Que para sempre mandarão embora
Todo o mal, todo o torpor das trevas,
E então dirá que esta é a hora
Em que precisas conhecer o Filho
Do verdadeiro Deus que se fez homem
Para a todos que a Ele entregarem
Todo o caminho, todo o coração,
Não sejam mais escravos do pecado,
Mas sejam servos do Deus que liberta,
Por Jesus Cristo na cruz resgatados,
E para sempre caminhar na luz.


Ah, Israel...

Ah, Israel, teu coração vagueia,
Meneias os ombros diante do altar,
Permeias teus sonhos com desejos vãos,
Enquanto minha mão te cobre e te protege.

Oh, Israel, teu coração vacila,
Entre cores e luzes teu querer oscila,
Como se bastasse a ti a voz do peito
De onde emanam sonhos tão desencontrados...

Sim, Israel, se de ti conhecesses
Todo o teu delírio, o âmago da dor,
Talvez fenecesse a tua rebeldia,
Talvez renascesse a semente do amor.

Mas, Israel, enquanto for só teu
O coração que teimas em negar a Mim,
Enquanto não perderes todo esse prazer
De pertencer somente a ti o teu desejo,
Não provarás o mel que te oferece a Rocha,
E então desprezarás o aroma do jardim
Donde vertem as fontes do Manancial
Que para ti criei, pois Eu sou o teu Deus.

Visite o site do autor: www.portodopoente.net.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Três poemas de Brissos Lino


FLORAIS I

Tu já eras para mim realidade
mas só como folhas soltas no tempo
ou o odor campestre de alguma flor
agora chamo-te Deus
sem portas
nem idade.


HOMENS

“Somos apenas pó e trevas.” (Horácio)

À superfície deste corpo vegetamos
e escrevemos da nossa mágoa
litros de lágrimas de sangue
com penas leves de sombra
temas sólidos que nos aprofundam
os olhos incolores
o sabor impuro
que nos desce à boca
é o rasto
do pensamento
mas somos reis a rasgar as vestes
se a Mensagem que acolhemos nos sitia
entre muralhas de silêncio
e os cardos do nosso orgulho
sufocam a boa sememte
que nos lança Deus ao coração.


NATUREZA MORTA

“Prata e ouro são os ídolos deles, obra das mãos de homens.
Tornem-se semelhantes a eles os que os fazem, e quantos neles confiam”.
(do Salmo 115)


Um pássaro a entornar manhãs
já podres
na boca ansiosa e muda
dos adoradores
uma lágrima a ansiar o fim
corda ou veneno
na garganta desesperada e muda
dos adoradores
uma estátua a amarrar os olhos
dos cegos.

www.ovelhaperdida.wordpress.com.
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