quarta-feira, agosto 27, 2008

Um poema de May Riley


Algum dia

Um dia, quando as lições da vida já foram aprendidas,
E o sol e estrelas se recolheram para sempre,
As coisas que os nossos fracos julgamentos aqui desprezaram,
As coisas sobre as quais nós nos afligimos com açoites,
Irão se iluminar à nossa frente, saindo da noite escura da nossa vida,
Como as estrelas brilham em tons mais profundos de azul;
E veremos como todos os planos de Deus são corretos,
E o que parecia reprovável era o amor mais verdadeiro.
Então esteja contente pobre coração;
Os planos de Deus, como lírios, puros e brancos, desabrocham;
Não devemos abrir à força as folhas ainda fechadas.
- O tempo revelará os cálices de ouro.
E se, através do trabalho perseverante, alcançarmos a terra
Onde pés cansados, com as sandálias desamarradas, poderão descansar,
Quando veremos e compreenderemos claramente,
Acho que iremos dizer: "Deus sabia o que era o melhor!"

FONTE: http://www.avantealegria.com/

sábado, agosto 23, 2008

Um poema de Myrtes Matias

"Blogagem missionária UBE - Eu participo"


Quão Formosos os pés

Grandes, pequenos, bem feitos, rudes, agasalhados em ricos sapatos, metidos em velhas
sandálias, desnudos mesmo, seguem e prosseguem, perseguem um ideal.

Por isso são úteis, belos, insubstituíveis, na cidade, nos desertos, nas selvas.

Incansáveis, sempre alertas, humildes, bons.

Vieram do passado, subiram montanhas, desceram cavernas, abandonaram tronos e ganharam tronos, vagaram em desertos, atravessaram rios, caminharam em fornalhas, encheram-se de feridas, marcharam para o patíbulo, cobriram-se do pó das estradas de Betânia, descansaram ao pé do poço de Jacó, escalaram o monte para o grande Sermão, subiram o Calvário, se entregaram na cruz; Pés de patriarcas, profetas, sacerdotes, apóstolos, mulheres santas, Pés de Felipe, Pedro, Madalena, Judson, Carey, Brainerd, Sundar Sing: pés de servos de Jesus, pés do próprio Cristo.

Pés dos que partem levando a semente, sem se importar com pedras, espinhos, ou se e boa a terra, pés abençoados de semeador.

Que entram em prisões, hospitais, asilos, de mulheres vestidas de branco, curando o corpo,
falando de amor; da professorinha nos confins da pátria, submissão no interior da selva, levando hinos em tupi, craô. Que sobem ao púlpito da igreja pequenina de servos heróicos dominados, por um só desejo, uma só paixão: ganhar a pátria inteira para Cristo, levar a Deus cada coração.

Benditos pés formosos pés dos que anunciam a boa nova!

Pára um instante, mocidade crente, vê onde teus pés te estão levando:

sobem a escada que conduz ao céu ou descem ao vale tão longe de Deus que já não ouves o Brasil clamando?

Clamando pelos formosos pés dos que anunciam paz e salvação, dos que transformam negra noite em luz, dos que só pregam uma mensagem – a cruz, os mensageiros santos do perdão.

Medita, escolhe, mocidade crente, atende à ordem que desce do Céu, o campo branco põe amor à prova, a seara pronta espera a boa nova:

Torna formosos os pés que Deus te deu.

sexta-feira, agosto 22, 2008

Um poema de Daladier Lima


HORAS...

Eram três horas de longa sexta-feira
O sol iluminava a sobranceira
Faixa que aprumada se espraiava
Três cruzes aos raios cintilava

Dores, gritos, pragas, rompantes
Gente que jamais se viu antes
Resolução, ansiedade, saudade e morte
Homens entregues à própria sorte

Dali a cidade parecia mais distante
Menos acolhedora, sinistra, discrepante
Calava-se ao crime, ao jorro de sangue
A evidência tenra e humilhante

Idéias embaralhadas, sinais, profecias
Sentido embotado, coração apertado, tristes vias
Sentimentos conflitantes, regras esguias
Esvaem-se os prisioneiros em câimbras frias

O sangue cora a terra, que se tinge de violência
E regurgita o bem, que mal posto esperaria
É o Cordeiro sem mácula, que ali morreria
Cristo, o Santo que seu corpo daria

Sobre os pés é doloroso, às mãos calamitoso
As costas doem, os ossos trilham, rangem
Estalam os nervos, os olhos ardem
Sonhos morrem, sem destino ditoso

Triste e sofrido fim, mas ao Eterno agradou
Ele sabia de tudo, mas não recuou
Para que eu pudesse ter a salvação eterna
Recebê-lo em mim, sentir sua mão terna

Quem dera poder vê-lo e abraçá-lo nesta cruz
Mas poderosa me resplandece sua luz
Para sentir sua presença que doce reluz
E sem palavras gritar seu nome: Jesus!

Já que não pude estar em Jerusalém
Já que em mim não há nenhum bem
Já que brilhaste em minha mente insana
Já que quiseste salvar-me da morte lhana
Já que não pude levar tua cruz
Permite-me sentir tua glória, Jesus!

Visite o blog do autor: http://daladier.blogspot.com/

domingo, agosto 17, 2008

Dois poemas de Andronica Borges Alcantara



Bendize, ó minha alma, ao Senhor

Bendigo ao Senhor Deus exaltado,
em glória e honra, em poder sem par,
pois que me deu um grande livramento
e me concedeu paz singular!

Bendigo ao Senhor, o Rei Eterno
compassivo e bom, tão amorável,
pois que me deu tão grande livramento,
minhalma resgatou do vil pecado.

Bendigo ao Senhor, Deus salvador,
que em Jesus me trouxe salvação,
tão rico e grande em benignidade,
em paz, perdão, amor e graça tanta.

A minha vida guarda em suas mãos,
renovada de graça e de bondade,
desfruta sempre dessa paz real
que vem do meu Jesus, Deus-salvador.
Eu sempre cantarei na vida ou morte!

A ti, Senhor, minhalma bendirá.
Sempre o teu nome excelso irei cantar.
Meus lábios sempre entoarão louvor.
A minha vida sempre exaltará teu nome excelso.
Tua lei, Senhor, será minha alegria e o meu prazer!


Deus maravilhoso

Tu és o Deus da primeira aurora
e do amor primeiro.
Tu és o Deus do primeiro apelo
e do primeiro sonho,
do primeiro gesto de carinho.
És o Deus das manhãs radiosas,
o Deus dos ventos e das tempestades,
das noites consteladas,
da primavera e luz.
És o Deus da criação esplendorosa,
o Deus do primeiro riso,
do primeiro canto
e da rosa primeira,
que desabrochou numa explosão
de sonho e de beleza.
Tu és o Deus dos grandes luminares,
das galáxias infinitas,
da primeira nave espacial.
Tu és o Deus do primeiro fruto
e da semente primeira.
És o Deus que minha alma adora,
o Deus do meu louvor.

Do livro No Outono da Vida (Editora JUERP, 1991)

terça-feira, agosto 12, 2008

Dois poemas de Vitor Hugo da Silva



Vitória da Graça

Não sou mais um guerreiro.
O que será de mim?
O que poderei fazer?
Não terei mais prazer em minhas próprias conquistas.
Minha espada fora queimada,
Meu escudo destruído.
Melhor fosse meu inimigo ter feito isto,
Não sentiria tanta vergonha.
A minha alma grita:
Fomos favorecidos, fomos favorecidos!
E continua:
Não merecíamos tal favor! Não merecíamos tal favor!
Nunca em toda a minha vida,
Havia comemorado uma derrota.
Pergunto a ela:
Alma! Não deverias estar chorando abatida?
Exultante ela exprimi:
Fomos favorecidos, não merecíamos tal favor!
E continua:
Fomos derrotados, fomos esmagados.
O nosso próprio Senhor nos desarmou,
E arrancou a nossa falsa couraça.
Oh, minha alma,
Arvoremos então uma bandeira,
E cantemos um hino, este hino:
Senhor Deus!
Queimaste nossa espada,
Quebraste nosso escudo.
Só nos restou o teu favor,
O teu imerecido favor.
Fomos derrotados,
Derrotados pela Tua Graça,
Pela Tua Graça irresistível.
Maravilhosa graça!



O Legalista

Costureiro do véu já rasgado,
Usurpador da verdadeira comunhão.
Repare você:
O grosso véu tornou-se lençol fino,
Transparente, e aparente a todos.
É macio, de fino toque,
Tão leve como a pena.
Feitura de puras mãos,
Para ser apreciado na liberdade.
Daqueles que a desejam,
E a sabem usufruir.


Visite o blog do autor: www.pericopecc.blogspot.com

sábado, agosto 09, 2008

Um poema para o dia dos pais, de Ivone Boechat

AMOR DE PAI

O amor de pai é indiscutível:
mão calejada, camisa suada,
pressa, canseira,
doação,
o pai é avalista
dos erros na contramão.

O amor de pai é visível:
joelhos dobrados,
prece escondida,
braços abertos,
olhar de ternura,
perdão.

Pai é alguém muito especial:
produtor,
diretor,
ator, figurante
do filme, ao vivo, em cores,
com o roteiro da vida escrito
nas linhas de sua mão.

quarta-feira, agosto 06, 2008

Dois poemas de Gilberto Celeti


FÉ CORRETA

É preciso entender bem a diferença
Entre a fé que é de fato consistente,
E que na Palavra bem se alicerça,
Doutra fé que tem na fé a sua crença,
E que de maneira vã e prepotente
Dando ordens para Deus é que começa.

Saiba que toda atitude orgulhosa,
Que a fé na fé ensina e incita,
Só ofende a Deus e ignorância expressa.
As promessas do Senhor são preciosas,
Ele atende à oração que as solicita
Do Seu modo, no Seu tempo e bem depressa.

A mulher que com o juiz foi insistente
Na parábola por Cristo transmitida
Deixa claro a lição da fé correta,
De ser sim, na oração, bem persistente,
Pois que Deus justo juiz, Autor da vida,
Bênçãos amorosas sempre aos Seus decreta.



Nem todo dia se apresenta retumbante

Nem todo dia se apresenta retumbante,
Com grandes obras que merecem ser narradas.
E as tarefas feitas sempre, a cada instante,
São rotineiras e nem sempre são notadas.

Andar com Cristo, isto sim é importante;
Não sendo um motivo de tropeço, em nada.
Sempre agradá-lo e mostrar-se confiante,
Na Sua palavra ter a vida alicerçada.

O seu chamado está bem claro e definido,
Para o Seu Reino vou seguindo e Sua glória,
Sendo por Ele e por seu sangue redimido,

Tudo que faço se encaixa numa história.
O Deus Eterno e Sublime e Soberano
Controla tudo, nada escapa do Seu Plano!

Visite a página do autor: www.gilbertoceleti.com

sexta-feira, agosto 01, 2008

Dois poemas de Camilo Borges


Teu amor é melhor

Teu amor incenso, melhor cheiro
É água cristalina, fonte sem fim
É balsamo que cura o estrangeiro
É segredo escondido, secreto jardim

Teu amor é melhor que o vinho
É do cântaro, ombro que o leva
Esperança que vem pelo caminho
Palavra doce que o simples eleva

Senhor, Tu és melhor que o ouro refinado
Melhor que a vida, do que tudo imaginado
Meu Cristo, não me deixes, retira minha dor
Sustenta-me com passas, desfaleço de amor

“Levou-me à sala do banquete, e sua bandeira sobre mim era o amor”
Cantares 2:4



Ester

Ela foi rainha coroada de glória
Das vestes despidas de Vasti
Vestiu a beleza que não se compara
Foi salvação de seu povo nos pátios do rei
Qual cardo um cão feroz quis ser seu algoz
Mas contra o povo de Deus não há valente

Semente que brota na fenda
Senda que aponta a cruz
Sombra que aponta Jesus

Visite a página do autor: Clique Aqui.

A poesia é essencial


Não é estranho que alguns pastores, que são responsáveis por interpretar as Escrituras, que em grande parte estão em forma de poesia, tenham tão pouco interesse nela? Trata-se de um defeito debilitante e que deve ser corrigido. As comunidades cristãs como um todo, devem redescobrir a poesia, e os pastores devem liderá-las nessa redescoberta. A poesia é essencial para a vocação pastoral porque poesia é discurso original. A palavra é criativa: ela traz à vida aquilo que não estava ali antes - percepção, relacionamento, crença. No silêncio do abismo, um som se forma: pessoas ouvem aquilo que não ouviram antes e são transformadas pelo som, de solidão em amor. No abismo vazio uma imagem é formada por meio de uma metáfora: as pessoas vêem aquilo que não viram antes e são transformadas pela imagem, do anonimato para o amor. As palavras criam. A palavra de Deus cria; nossas palavras podem participar na criação.

Jesus disse: “Não estamos guardando segredos, nós os estamos contando; não estamos ocultando coisas, mas as estamos trazendo à luz”.
Vocês estão escutando isso?
Estão escutando mesmo?”
Marcos 4.22-23

Fonte: Portal CRISTIANISMO HOJE - http://www.cristianismohoje.com.br/

domingo, julho 27, 2008

O TEAR, um poema anônimo


O TEAR

Minha vida é mero entretecer
entre o Senhor e eu;
As cores que ele mescla sem cessar
Deus mesmo escolheu.

Tantas vezes penas ele insere,
e eu, sem o orgulho depor,
esqueço que ele vê o lado de cima
e eu, o inferior.

Enquanto o tear não se calar, e
as lançadeiras não deixarem de voar,
Deus não irá desenrolar a tela e
as minhas dúvidas explicar.

Os fios escuros são tão necessários
nas hábeis mãos do tecelão
quanto os fios de prata e ouro
que ele colocou no padrão.

Anônimo

Do livro Encontrando a Peça Perdida, de Lee Ezell

Um poema de Carol Wimmer


QUANDO EU DIGO

Quando digo... "Sou cristão"
Não estou gritando "que sou salvo"
Mas sussurrando que "era um perdido"
Que escolheu o Caminho.

Quando digo... " Sou cristão"
Não falo isso por orgulho
Estou confessando que tropeço
E preciso de meu Guia.

Quando digo... " Sou cristão"
Não estou querendo ser forte
Mas professando que sou fraco
Pedindo forças para prosseguir.

Quando digo... "Sou cristão"
Não estou jactando-me do êxito
Estou admitindo que sou falho
E não posso pagar minha dívida.

Quando digo... "Sou cristão"
Eu sei que não sou perfeito
Minhas falhas são visíveis
Mas Deus confia que mereço.

Quando digo... "Sou cristão"
Eu ainda sinto dores
São minhas cotas de angústias
Porque busco ao Senhor.

Quando digo... "Sou cristão"
Eu não quero ser juiz
Pois não tenho autoridade
Eu só sei que sou amado.

Tradução de João Cruzué, in www.olharcristao.blogspot.com

Um poema de Vítor Carvalho Ferolla (V. Carlos)


Sim?

Pobre, fraco, nu.
Sim! Cheio e vazio...
Forte e também fraco.
Cego e inacabado.

E enquanto olhar
No fundo do ser.
Em mim encontrarei
Muito medo e sofrer.

Um temor falto,
Falto em amor.
Falto na graça,
Falto no perdão.

Mas na Cruz vitória eu vejo!
Sim! Agora vejo o que não via.
Que Deus Pai me ama muito ainda.
E que em mim o Santo Espírito reina.

Reina, pois o Reino de Deus
Está dentro de nós (cristãos?)
Cristãos! Seguidores do Caminho,
Servos e adotados como filhos.

E o Filho do Deus Vivo
Não é apenas exemplo.
Ele é Deus e é Vida.
– em verdade, e em verdade Ele é a Verdade –

D'Ele flui humildade
E também unção, poder.
N'Ele existe compaixão
E também sentido, razão.

Visite a página do autor: http://amandoaoproximo.blogspot.com

terça-feira, julho 22, 2008

Dois poemas do Pr. Lindolfo Weingärtner


Prece pelo Espírito

O vento sopra onde quer –
Não o conseguirás forçar.
Mas quando o vento vier,
Deverás as velas içar!

Há barcos em alto mar
Que se encontram de prontidão.
Quando a brisa se levantar,
Ao destino navegarão.

E barcos há que, ó Deus,
Não esperam mais navegar.
Recolheram os mastros seus –
Nada querem, senão flutuar.

Vigia, põe-te a clamar
Do lugar de guarda e visão!
- O mastro deveis levantar!
Na deriva não há salvação!

Ó ventania de Deus –
Nossas velas vem inflar!
Com poder irrompe dos céus!
Nós estamos a vigiar!


Prece por certeza

Senhor, segurança buscamos
Em um mundo inseguro e hostil.
Planejamos a nossa vida,
Usando de engenho e ardil.

Buscamos conforto no ouro,
Lutamos por posse e poder.
Mil coisas amontoamos,
Tentando a cobiça esconder.

E quando afinal julgamos
Que o alvo se encontra à mão,
A morte faz o balanço –
E eis que foi tudo em vão!

De mãos vazias rogamos,
Em incerteza e temor:
Sê tu nossa segurança –
Eis que tudo soltamos, Senhor!

Por tua mão nos segura!
Teus filhos ensina a andar
Com passos certos e firmes!
Ensina a servir e a lutar!

Pelo testemunho interno
De espírito dá-nos vigor!
Ó dá-nos nova certeza
Por tua palavra, Senhor!

Do livro Vigia, põe-te a clamar (Editora Sinodal, 1975)

quinta-feira, julho 17, 2008

Dois poemas do Pr. Jean Douglas Gonçalves


Tal profeta, tal poeta!

“Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho.”
(Fernando Pessoa)


“Tu me seduziste, Iahweh, e eu me deixei seduzir,
Tu te tornaste forte demais para mim, tu me dominaste.”
(Jeremias, o profeta)


O profeta também é poeta,
Não tem grandes pretensões,
Procura sossego, mas se incomoda com o silêncio!
Não almeja grandes coisas, nem aspira um alto monte,
Sua alma, quieta, apegada à simplicidade,
Canta a canção da humildade,
De quem não buscou, mas alguém o encontrou!
O poeta também é profeta,
Faz da sua voz um anúncio,
Tantas vezes uma denúncia,
Na candura anuncia,
Na bravura, mas com alma de criança,
Denuncia ao que vive abastança,
Que alguém morre por falta de esperança!
E qual poeta não quer ser profeta,
E qual profeta não se arrisca a poeta,
E entre palavras, uma poesia,
Das mesmas palavras, uma profecia!
Mas o poeta tem medo de ser profeta,
E o profeta teme não alcançar o poeta,
Mas quando no íntimo recosta,
E na alma se pergunta,
Encontra uma imbatível resposta:
Ser profeta é ser poeta,
E qual poeta não é profeta.
Entre profecias e poesias,
Mais rica faz a vida,
Mais bela a lida,
Mais santa a batalha,
Mais linda a vista...
E por mais que o profeta tem em si um poeta,
E o poeta um desejo de profeta,
Há profeta e há poeta...
Um é poeta, outro profeta,
Um se anuncia ao se esconder nas palavras,
E o outro se esconde quando anuncia a Palavra,
Tal profeta, tal poeta!


Confissão

Minhas mãos são desajeitadas,
Parecem-me grandes, às vezes pequenas,
Parecem-me fortes, às vezes fracas,
Parecem-me firmes, mas são trêmulas.
Minhas mãos são desajeitadas
Para tocar um cristal sem quebrá-lo,
É um sentimento de inadequação,
Uma sensação estranha de inaptidão,
Como se pisasse solo sagrado,
Com pés calçados,
Ou um espinheiro,
Com pés descalços;
Aqui está a raridade, a beleza,
A santidade, a verdade,
Revelando minha trivialidade, banalidade,
E quase insanidade de pensar em adequá-lo!
Como adequar tamanha grandeza?
Se minhas palavras são pequenas, confusas, incertas,
Finitas, irreverentes...
Que tarefa inglória,
Sinto o grito profético:
Ai de mim, estou perdido... e os meus olhos viram o Rei!
Entendo o clamor apostólico:
Miserável, homem que sou!
Parcialidade, incapacidade e nulidade são as únicas siglas
Que me ocorrem,
Sinto arder meu peito,
Sinto tremerem meus lábios,
Sinto até tentar,
Mas desistir...
Mas o que de fato sinto?
Sinto muito...
Sinto querer e não poder,
Querer e não dever,
Sinto tentar, mas fracassar,
Afinal, o Amor é sagrado, para ser profanado,
Por mim, pecador!

domingo, julho 13, 2008

Um poema de Mário Barreto França - ÚLTIMO COMBATE


Último Combate

- “O combate será a uma hora da tarde!”
Foi a voz que se ouviu, como horrível alarde,
Ao longo da trincheira... E o dia era tão lindo!...

- Como é belo morrer quando se vai sorrindo
Para a luta cruel, numa manhã como esta,
Toda cheia de luz, toda cheia de festa!...

(Era um belo rapaz que me falava.)

- Escuta,
(Perguntei-lhe) não tens receio desta luta?
Ele não respondeu, porém, sentidamente,
Cantou ao violão uma canção pungente...
E me disse, depois, com olhos rasos dágua:
- Não! Eu não temo a morte! O que me causa mágoa
É me sentir tão longe, é me ver tão sozinho
E não voltar jamais ao calor do meu ninho,
Onde, entre beijos bons de minha doce esposa,
Meu filhinho me espera, e, esperando, repousa...
Quando eu vim para cá, beijando-me, ele disse
Uma frase qualquer, uma linda tolice...
Mas, depois, enxugando uma lagrimazinha,
Deu-me um livro, dizendo: “É uma lembrança minha,
Papai! Quando o senhor estiver em perigo,
Leia este livro, ouviu?! Jesus é nosso amigo!
E o senhor não será mais sozinho nem triste,
Porquanto onde Ele está tudo o que é bom existe!”
E ele continuou a cantar. Que tristeza
Começava a pesar em toda a natureza!...
E eu fiquei a invejar sua alma comovida,
Porque era triste só no deserto da vida...

A chuva começara a cair lenta e fina...
Como interrogação fatídica, a colina
Mostrou-se ao nosso olhar, cheio de nostalgia,
Perversamente verde e tristemente fria.
... ... ... ... ... ... ... ...

A luta começou terrível. A metralha
Ia levando a morte ao campo de batalha.
Gritos, imprecações e vozes de comando
Juntavam-se no espaço escuro e formidando...

Pungente agonizar de uma tarde cinzenta,
Tarde que quis ser linda e que foi tão cruenta!...

Quando a noite caiu, negra e fria, tornou-se
Mais bárbaro o combate. Era como se fosse
Rude destruição de uma cidade antiga
Pelo ódio figadal da vingança inimiga.

Quando a manhã raiou, o combate findara,
Mas era horrível ver tudo o que se passara...
Espraiei meu olhar pelo campo assolado,
E o pranto me feriu o coração magoado:
É que aquele soldado, inda tão moço e alheio
A essas contradições do Destino, encontrei-o,
Ensangüentado, assim, de bruços na trincheira,
Prendendo ao coração, numa ânsia derradeira,
Da esposa e do filhinho, um retrato cinzento,
Colado à capa azul de um Novo Testamento.


Do livro Primícias da minha Seara

quarta-feira, julho 09, 2008

Dois poemas de Teônia Soares


SOU...

Sou...
Sou uma serva do Deus vivo,
Sou um sonho desse Deus em quem acredito,
Sou a força nEle, dEle, quando penso que disisto...
Sou mais uma história dEle, com final traçado na Eternidade...
Sou Sua Criança, apesar da minha idade,
Sou a carência saciada no afago de Suas Mãos,
Sou Seu braço forte apesar do meu frágil coração,
Sou um sorriso caloroso, em meio à lágrima
Escondida no desgosto.
Sou a satisfação incontida em ver as bênçãos
Derramadas em mim e em meus irmãos,
Sou a que vive para Deus,
Vivendo de sua provisão, vou escrevendo,
Trazendo novas canções...
No falar, a sinceridade do correto,
No agir, a simplicidade ao fazer o certo,
Na oração, o pedido do Teu Perdão,
No agradecer, a alegria da Tua Misericórdia
Renovada na doce manhã cantada em Salmos de gratidão...


QUEM

Quem sou eu?
Sou um sonho
Um conto
E um canto.

Quanto sonho
Quanto conto
Quanto canto
A sonhar
A contar
A cantar
Se só sonho
Se só conto
Se só canto
Nada faço
Viro só um conto
De um canto
Que nunca se cantou...
Mas...
Se sonho e realizo
Assim vivo
Se conto e vivo
Assim sou conto lido
Se canto e alegro
Sou canto cantado,
E assim sigo...

Hoje sou ser que sonha vivendo
Sou ser que vive sonhando
Sou conto pra todo ouvido
Contado e bem vivido
Sou cantante cantador
Canto o riso e canto a dor
Canto tudo com um propósito
De mostrar quem é meu Senhor!


Visite a página da autora: http://mpoesia.zip.net

sexta-feira, julho 04, 2008

Dois poemas de Assis Cabral


À Porta

Não ouves? Eis que alguém te bate manso à porta,
Teu hóspede quer ser, vem te pedir pousada.
Alguém que vem de longa e extensa caminhada.
Alguém que vem dos céus e o mundo não suporta.

Bate. Quer avivar tua alma semi-morta,
Afastada de Deus, nas trevas extraviada.
Quer salvar-te, pois tem como missão sagrada
Restaurar o perdido. O custo? Que isso importa?

Esse alguém é Jesus, o Filho do Deus Vivo,
Que executou no mundo o plano redentivo,
Pra te livrar do inferno e outorgar-te perdão.

Bate. Não vens abrir? A mão do teu Jesus,
A mão que foi ferida em vergonhosa cruz,
É a mão que bate à porta do teu coração.


Bartimeu

Há treva misteriosa e densa escuridão.
Penúria. Mendicância. A vida é de infeliz.
À beira de uma estrada, a sorte não maldiz
O paciente judeu, sem casa e sem visão.

Mais eis que surge ao longe a grande multidão.
Vozerio. Tropel. E então alguém lhe diz:
É Jesus que aí vem, pra te fazer feliz,
O Cristo de Israel. O Deus da salvação.

Mestre, tem compaixão de mim, quero enxergar,
Tu tens todo o poder, não ouso duvidar,
Abre-me a vista, então, para que eu veja a luz.

E logo Bartimeu contempla, ao derredor
Da bela Jericó, as campinas em flor
E, sobretudo, vê o rosto de Jesus.


Do livro Álamos no Deserto (JUERP, 1972)

domingo, junho 29, 2008

Um poema de Oséas Heckert


Pai nosso que estás em todo lugar...

Pai,
penitente promitente
quero (de)votar-te exclusiva dedicação:
nada tomará teu lugar em meu coração;
nem imagem de escultura,
nem figura ou representação
de qualquer criatura
ou perversa estrutura
receberá minha adoração;
nem qualquer ocupação,
ou sequer preocupação,
terá maior atenção.

Prometo santificar o teu nome
e não usá-lo em futilidade;
prometo buscar a santidade,
a cada dia satisfazer tua vontade,
para que teu reino se realize
e concretize em minha vida.

Prometo honrar minha família,
para vivermos sem quizília*
e desfrutarmos em santa paz
o pão cotidiano que nos dás.

Perdoa as minhas dívidas,
desculpa minhas dúvidas,
aumenta-me a fé e o amor
pra ser clemente ao devedor,
e o meu zelo para fazê-lo
quantas vezes preciso for.

Não me deixes cair em tentação;
protege-me do círculo vicioso
de ouvir a lorota do impiedoso,
deter-me na rota dos pecadores,
e sentar-me à roda com zombadores.

Ensina-me a não prejulgar o próximo,
não proferir fortes palavras de morte,
nem agir como algoz ou juiz.
Ao contrário de arbitrário,
permite-me fazer por ele o máximo
para que tenha vida longa e feliz.

Dá-me o prazer do sexo
conexo a seu contexto devido
para eu não ficar de olho comprido
e lascivo no flerte solerte,
a pretexto da grama mais verde
do outro lado da cerca.

Acerca da grana que engana,
perdoa-me a gana e a ansiedade;
dá-me o necessário suficiente
pra viver com dignidade
e acudir o mais carente;
não demais, para que farto te renegue,
nem de menos, para que sonegue
ou que no furto alguém me pegue.

Perdoa minha omissão:
fiz-me negligente e mudo
ante a exploração dos sem-nada:
cada pobre, órfão, viúva, estrangeiro.
Requeiro, dá-me prontidão
para erguer a voz e me colocar
em defesa dos desprovidos de tudo.
Faze-me, contudo,
moroso pra maldizer e fofocar...

Livra-me de ficar de olho grande
nas pequenas coisas de alguém,
ou cobiçoso das grandes, também.

Não peço redoma ou regalia,
mas a tua companhia,
todavia, em toda via.

Livra-me do mal
de retribuir mal com mal.
Ensina-me a amar,
meus amigos e inimigos,
e a exalar o teu aroma.

No "pleroma"** de tua luz,
conduz meu caminhar imperfeito,
brilhando cada vez mais
até ser um dia perfeito.

Notas
* Conflito de interesses; briga, rixa
**Plenitude


FONTE: Revista Ultimato, Março/Abril 2008.

sexta-feira, junho 27, 2008

CAFÉ & POESIA


Essa dica é para você que, como eu, aprecia a boa poesia, de preferência (sempre) acompanhada por aquele cafezinho: publiquei no blog Azul Caudal um delicioso texto da escritora Dalila Teles Veras, “Café, Verso e História”, sobre a presença temática do café na Poesia Brasileira.

Visite o blog: www.azulcaudal.blogspot.com

Mas espere! Antes prepare o café...

quarta-feira, junho 25, 2008

Um poema de C. S. Lewis



A Prece Vespertina

De todas as minhas pobres derrotas e oh! de muito mais eu sei,
De todas as vitórias que aparentemente conquistei,
Da sagacidade que em teu favor demonstrar consegui,

À qual, enquanto pranteiam anjos, o auditório ri;
De todos os meus esforços, para a tua divindade provar,
Tu, que não concedeste um sinal, vem me livrar.

Pensamentos como moedas são. Que eu não confie, em lugar
De confiar em Ti, na imagem gasta de tua face neles a brilhar.
Dos pensamentos todos, até os que de acerca de Ti venha a ter,

Ó tu, Belo Silêncio, cai e vem libertar meu ser.
Do fundo da agulha e da estreita porta o Senhor,
Livrar-me vem do vão saber para a morte não ser meu penhor.
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