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domingo, março 11, 2018

Quatro poemas de Wender Mothé



Galardão

As lágrimas que regam o solo,
Em que foi lançada a semente da vida,
Farão germinar os brotos da paz
Ao findarem os tempos de labor e lida.

Um cântico novo haverá nos lábios
Quando os ídolos estiverem já tombados
E os estandartes do pecado caírem por terra
A fim de que o único Deus seja louvado.

Levantar-se-á a bandeira do Altíssimo,
Do Deus de Abraão, Isaque e Jacó.
Verás, missionário, que não foi em vão teu trabalho,
Pois o Senhor Jesus jamais te deixou só!

Teu nome será lembrado,
E, por ele, glorificarão a Cristo;
Teu galardão, guardado está nos céus!
Exulta! Alegra-te por isso!

Naquele dia, ao apresentar-te ao Senhor,
Levarás contigo uma multidão de branco;
O troféu ganho em terras distantes
Que, por tua coragem, serão chamados “santos”.


Sangue Inocente

Eu vejo um lago cristalino
Nesse lago, enxergo-me como sou;
E o que vejo? Oh, que será isso?
Um assassino! Sim, mas pior do que os demais!

Cai uma pedra no lago,
As ondas fazem trepidar o reflexo...
O espectro se mostra mais sombrio...
Sinto medo. Quem sou eu?

O céu fechado pelas nuvens se abre
E raios de luz tocam a superfície das águas.
Então vejo novamente a imagem...
“Pálida morte que visita ricos e pobres”.

Mas há agora diferença:
Sangue escorre pela minha testa (a do reflexo).
Não é sangue meu, pois não estou ferido...
É sangue da vítima! Sangue aspergido sobre mim!

Junto ao sangue, vejo lágrimas descerem também;
E dessa vez choro mesmo – tão verdade que nem creio...
E a imagem da vítima se mostra e diz:
“Entreguei-me por amar você”.

Ajoelho-me e clamo por misericórdia...
Quem é esse que ressuscitou dos mortos?
Ele diz: “Eu te perdoo, meu filho;
Sou Yeshua: a expressão em matéria do teu Criador”.


Viver para Cristo

Tendo por base o Senhor,
Nosso edifício chegará aos céus;
Sua paz nos envolverá;
Nos dará o nosso troféu!

Fiel é Deus aos filhos seus
E esses, nEle, andam com fé;
Seguirão sob suas asas
Sempre estarão de pé.

Que possamos ser assim,
Buscando a Deus agradar;
Buscando fazê-lo sorrir;
Viver, de fato, par' o amar.

Desse modo alcançaremos
A tão sonhada felicidade;
Se agora tivermos a Cristo,
O teremos na eternidade.


Paraíso Pântano

Ah, céu de chumbo...
Céu de chumbo com leve frescor
Lembro-me das lágrimas celestes
“Além de tudo o que se diz, deve haver mais a ser dito...”
Lembro-me do sonho, para o qual me levariam os passos
E me deparo – em memória – com aquela praia... Aquele mar...
Caminhamos até onde é sólido, e então nos vemos.
Sim, nos vemos encarando o mar da Realidade.
Então percebemos que nem tudo se abre com um “abra-te, Sésamo!”;
E, pra ser sincero, não sei se teria fé para abrir o mar com um cajado.
Teria eu de atravessar andando?
Sim, eu acredito.
Mas se Pedro andou alguns passos e, se atribulando, afundou,
Chego à conclusão de que eu sou a própria tribulação,
Pois mesmo antes de tocar a água, já estava afundando na areia;
Uma areia movediça, fazendo descer os meus pés.
E, de repente, a gélida língua do Oceano, em forma de onda,
Precipita-se sobre nós para mostrar o peso de seu poder.
E então nos lembramos do nada que somos
E de que qualquer coisa existente é mais forte do que nós...
O ruído das ondas ri de nossa humilhação...
Então seguramos a corda que nos é jogada.
Temos de escolher: Ficar no pântano?
(Sim! Belas praias transformam-se em terríveis pântanos!)
Ou deixar-nos ser libertos pela ajuda que vem do alto?
Subimos a corda, l e n t a m e n t e . . .
Mas tanto as ondas do mar quanto as bolhas do pântano
Estarão sempre lá, a bramir e implorar,
Para que a elas voltemos e sutilmente nos afogar...

/ / / / /

Oh, quão criativo é o mar das ilusões!

Mesmo se estamos voando sobre as asas da Perfeição
(Que nos arrancou do pântano de lodo),
Se olhamos para baixo, vemos as belas imagens atrativas,
Aquelas produzidas pelo mar das ilusões...
Seu desejo? Saciar sua fome de sangue humano.
Atrai-nos de nosso Ponto Seguro,
Fazendo com que muitos de nós tornemos ao abismo,
O abismo escuro, d’onde, um dia, fomos já prisioneiros.
Uma vez recaídos, nada podemos fazer;
Somente a piedade da Águia Suprema pode nos salvar
Descendo às profundezas do proceloso mar e nos levando, novamente, às alturas.
Começamos a embriagar-nos com as ondas do mar;
Afogamo-nos, e morremos ao pensar que estamos no paraíso tão desejado.
É nos esquecemos do que, de fato, valor possui,
E que, por esse valor, a Águia Suprema desceu
E foi capaz de mergulhar no mar / pântano, molhando suas penas,
Além de ser ferida pelos peixes devoradores
(Até porque, a profundidade varia de ser para ser)
Tudo por desejar salvar de tal engano a vítima tola,
Que é capaz de, mesmo depois de estar de novo lá em cima,
Pular outra vez, de sorriso e braços abertos para o mar,
Sem considerar o sacrifício por Ela feito (a Águia Suprema).
A vítima tola sou eu...

quinta-feira, agosto 18, 2011

Um poema de Wender Álvaro Rodrigues Mothé




Ao DEUS do Meu Coração


Olhando o mundo ao meu redor,
Pergunto às vezes a mim mesmo:
Que razão há em tudo isso;
No que ouço, sinto e vejo?


Vem o vento a responder com um leve assopro;
Vem a chuva responder com seu frescor;
Vem as flores responder com seu perfume;
Vem meu Mestre responder com seu amor.


Então compreendo a razão da vida
Ele se entregou por mim
Sendo eu digno de morte
Ele me amou mesmo assim.


Sou grato ao Criador de todas as coisas;
Sou grato ao que com seu sangue me remiu;
Sou grato ao que por mim intercede ao Pai;
Sou grato ao Deus que me ungiu.


Vejo assim a sua glória em meu viver
Seu poder manifesto em minhas fraquezas
Quando estou só, Ele está comigo;
Vejo em seus cuidados sua imarcescível grandeza.


Louvarei ao Deus do meu amor;
Louvarei àquele que me deu perdão;
Louvarei ao Santo Deus do Universo;
Louvarei ao Deus do meu coração.
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