sábado, fevereiro 11, 2012

Três poemas de Izanaira da Conceição de Aguiar



HOJE AS CHAVES, HOJE A LIBERDADE
HOJE,
      algo me incomoda, me tira do sério
                  um silêncio só
             um espinho , um mistério
                              um eco no coração
                     buscando uma resposta
                        ou quem sabe uma questão
                  alguém bate a porta, mas não consigo abri-la
      Onde as chaves estão?
            Subo e desço as escadas e não as acho
                        será que estão na gaveta?
                  na estante, ou jogadas no canto
      Subo e desço e não as acho
                              Me disseram que as perdi para sempre
                        Eu digo que acredito, mas no fundo minha’lma grita
                  As chaves estão aí dentro.
Aqui dentro onde?  Aqui?
                              Aqui é muito improvável,
             sujeira demais me impede de achá-las
           Mas de repente, no silêncio da amargura, vejo algo brilhar,
      Um discreto raio de luz entrou no quarto e fez a chave iluminar
Divino raio solar
Sua luz acendeu mais que uma chave, acendeu minha liberdade.
          Desço as escadas primeiro, abro a porta e Te vejo.
           HOJE, algo novo acontece,
Teu olhar me emudece, volto a ser criança, não sei o que falar. Brinca comigo, me pega no colo, me embala suave e diz que me ama. A confusão se vai, o silêncio se esvai, a amargura foge e vem a certeza - As chaves estavam mesmo aqui dentro.
                 Subo as escadas, lado a lado contigo
               com pés descalços, conversas comigo,
           Me dizes: Ainda é cedo, senta à mesa....vou te preparar um café.
Encabulado, olho pro chão e depois pra cozinha, não acredito que meu convidado prepara o café. As louças estão sujas, a pia uma bagunça, mas a vontade, não como um hóspede, mas como o dono da casa, Ele tranquilamente lava as xícaras, liga a cafeteira e nem vejo o tempo passar. Ele já  está comigo à mesa. Vamos brindar este HOJE, A salvação chegou ao lar! Nasce um sorriso espontâneo em meu rosto, um fio de esperança brota. HOJE AS CHAVES, HOJE A LIBERDADE.  


Amor
O amor não é um sentimento, é uma pessoa;
O amor não é um substantivo, é um alguém vivo;
O amor não é um romance, é uma história de fidelidade que se perpetua para a eternidade;
O amor não é um condutor de energia, é a chama que nunca se apaga;
O amor não é um objeto, é  animado, é vivo;
O amor não é justiça própria, é a espera em quem não se vê;
O amor não é ilusão, é  real e acessível;
O amor não é uma atitude, é a motivação dela;
O amor não é a desculpa, é a raiz do perdão;
O amor não é a natureza, é a inspiração dela;
O amor não é um movimento nosso, é a força que nos move;
O amor não se aplica, se vive;
O amor não pode ser capturado, é  a liberdade sem fronteiras;
O amor não se explica, se aceita;
O amor é colorido, mas tem gosto de sangue e cheiro de sacrifício
O amor perde para ganhar,
Luta, sofre, crê, espera, suporta
O amor é o convite ao abandono de si mesmo
O amor é um rio que corre na direção contrária a ganância
O amor está em priorizar “ser”  e não “ter”
O amor é como um jardim fechado pronto a ser visitado
Pronto a ser vivido, pronto a ser pregado.


A B R A Ç A R
“A cada dia que passa, reconheço uma verdade: sem Ti não posso viver, Tu és minha liberdade
Meu ar, meu jardim, a vida nos dias tristes, sem o Teu abraço apertado, a paz já não existe
Teu abraço me consola, me enche de esperança, Teu aconchego me acalenta como a mãe a sua criança
No embalo do teu abraço tenho a fé  que preciso pra crescer em dependência e intimidade contigo
Nesses braços de sustento, encontro todo o acalento, já não preciso de trono, quando Teu colo é  o assento
Minhas mais ambiciosas aspirações se tornam tão pequenas, ao perceber a honra da Tua graça serena
Meu maior trabalho é repousar em tão precioso balanço, o ninar que me faz lembrar, que só em Ti tenho descanso...
Nada mais quero além de te abraçar, nada mais espero além de te encontrar. Teu afago é a palavra que diz tudo pra mim, teu olhar é a canção que eu mais quero apreciar, só quero estar aqui, escondido pelo Teu ABRAÇAR.''


segunda-feira, fevereiro 06, 2012

Dois poemas de Sotnias Bentsion




Atributos


Quando tuas taças de ira se derramarem sobre a terra,
Eu quero estar bebendo da tua graça.
Quando a tribulação começar,
Quero estar na dispensação do teu amor.
Quando os ímpios começarem a ser abatidos,
Quero estar envolvido pelo teu favor.
Nisto é conhecida sua Misericórdia.


Que teu sacrifício seja a força motriz do meu viver.
Que eu viva apenas para promulgar este amor.
Não que de fato consiga,
Pois muito falho sou.
Nisto é conhecida sua longaminidade.


Quero estar próximo ao nascer da fonte,
De onde teu ser flui.
Que possas fluir em mim também, Oh Senhor.
Sabendo que nada disso mereço,
Nisto é conhecida sua Graça.


Agora, dentre seus atributos que todos poderão ver,
Oh Eterno,
Existe um que está guardado a muito,
Sua virtude em julgar.
Prepara-te, oh minh’alma.
Para encontrardes com Aquele que te conhece até o âmago do ser.
Aquele que sabe de todas suas mazelas.
Aquele que sabe a intenção de todas suas ações.
Nada se pode esconder Dele, pois nada lhe passa despercebido.
Ele tem sabedoria para fazer as perguntas,
E já sabe as respostas.
Nisto é conhecida tua Justiça.




A máquina do tempo


Como são engenhosos os homens,
Que após muita labuta, noites sem dormir,
Uma busca incessável e insaciável pelo conhecimento;
Concretizaram as ideias (outrora apenas em papeis) de Einstein;
E fizeram a máquina do tempo.


Foi-me concedido a honra de realizar a primeira viagem no tempo.
Talvez, devido a minha admiração pelas ciências.


Com essa época do ano,
Escolheram que viajasse a exatos 2017 anos;
25 de Dezembro, em horário oportuno.


Talvez o Leitor espere que traga boas novas sobre esta data,
Mas afirmo: Ninguém nasceu em Belém neste dia!
Nem mesmo em uma manjedoura,
O que vi é algo extremamente diferente,
Um povo celebrando a Mithra, Apolo, Chronos, Sol Invictus e similares.


Por mais paradoxal que possa parecer,
Parecia que Ele sempre desejou
Que sua morte, fosse mais importante,
Que seu nascimento!


Visite o blog do autor: http://sotnasbentsion.blogspot.com/

quarta-feira, fevereiro 01, 2012

Dois poemas de Pérrima de Moraes Cláudio




ELE ESTÁ CHEGANDO
"Ora, quando estas coisas começarem a acontecer olhai para cima, e 
levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção está próxima." 
LUCAS 21.28
1
Quando vejo aqui na terra,
milhares de pessoas com fome, a perecer...
Sem ter como sobreviver,
com todo o alimento faltando...
Eu olho então para os céus e penso:
É Ele que está chegando!

2
Ao contemplar os atentados,
bombas explodindo em todo lugar...
A insegurança a predominar,
e a morte, a muitos alcançando...
Eu contemplo o infinito e penso:
É Ele que está chegando!

3
Ao ver as nações a cada dia,
se desunindo, se digladiando...
Se equipando cada vez mais,
com modernas armas se preparando...
Eu volto a olhar para cima e penso:
É Ele que está chegando!

4
E também, por toda a parte,
copiosas chuvas, com tudo a inundar...
E o povo perdendo tudo:
a família, os víveres, o lar...
Olho o azul celeste e fico meditando:
É Ele que está chegando!

5
E quando eu olho a minha volta,
tantas almas ainda sem Cristo,
eu paro e penso nisto:
É hora de todos, nos despertarmos!
O Evangelho ao Mundo pregando;
Falemos a todos, que Jesus está chegando!


GRATIDÃO

1
Obrigada, Senhor, por mais um dia
acrescentado a minha existência.
Pela noite de sono, o luar e o sol,
e o momento da oração em reverência.

2
Obrigada Senhor, por Tua Palavra
que tanto alimenta a minh'alma;
pois estando dentro da provação,
fala ao meu coração e traz a calma.

3
Obrigada meu Deus, pelo alimento,
que concedes-me também a cada dia.
É o maná que sempre nutre o físico,
daquele, que só em Ti confia.

4
Te agradeço Senhor, por minha Pátria
a qual é mister anunciar,
as Boas Novas da grande salvação,
de vida e de amor sem par.

5
Te louvo pelos sons da natureza,
da chuva e dos pássaros a cantar.
Eu te agradeço por minha família
e também, o aconchego do meu lar.

6
Obrigada pela eterna salvação,
conquistada naquela rude cruz.
E até pelos abrolhos ou espinhos;
também pelas vitórias, bom Jesus.

7
Obrigada, oh! Pai, pelas moradas
que tens preparado aí na glória.
Descortina-se um novo horizonte,
para aquele que caminha em vitória.

8
É tanto Senhor, para agradecer,
que me faltam palavras nesta hora.
Obrigada por tudo e por me amares,
no passado e também agora.

quinta-feira, janeiro 26, 2012

CONTÉM: ARMAS PESADAS - Ode à alteridade >>> Conheça e baixe meu novo livro



CONTÉM: ARMAS PESADAS
Ode à alteridade

Apresento a vocês meu mais novo livro, um deveras estranho livro de poesia.
Mas de que se trata, com título e subtítulo já tão (ou tão pouco) sutis? Esta é uma história de ação? Sim, um talvezépico sujo. Pois há muito de triller cinematográfico aqui, nesta ficção poética, belicosa história de amor, de perdições e redenções. O discurso poético praticado é experimental: fragmentário, interativo. É um livro para ser lido online, um exercício amplo de hipertexto ou hiperliteratura, um livro que entre as interatividades propostas chega a possuir capítulos secretos (como fases bônus num jogo de videogame). Mas quanto ao teor e o conteúdo total dos experimentalismos, você precisará ler o texto para descobrir. E há muito a ser descoberto.
Cada capítulo/poema é precedido por uma fotografia também de minha autoria, num planeamento gráfico objetivando simbioticamente se integrar e promover (antecipando/amplificando, e mesmo desconstruindo) os subclimas que irrompem aqui e ali no texto, com suas pitadas embaralhadas de noir, (pós?)romântico, romanesco, épico, etc.
O texto pode, pela rudeza e estranheza (a alteridade mesma) do discurso, espantar algum meu irmão na fé acostumado à poesia dita cristã, devocional, embora a mensagem de redenção (ou melhor, de redenções) seja o mote central do poema.
Antes de minha conversão, o experimentalismo era a principal linha poética que eu perseguia, quando editava o fanzine Cardio-Poesia, onde praticava experimentalismos tipográficos e artesanais, como rasuras, colagens, etc., no que muitas vezes era quase um ‘fanzine-objeto’.
Este texto é um (febril, escrito/fotografado/editado em dois meses) exercício, anos e anos depois, de retomar aquela velha veia experimental.

Leia, indique, compartilhe em seus círculos, redes sociais. E me diga o que achou, escreva para esclarecer alguma dúvida. Estou aqui.
O livro possui 43 páginas, em pdf.

Para baixar o livro, CLIQUE AQUI.
Leia online no Scribd AQUI.

quarta-feira, janeiro 25, 2012

ALGUNS LIVROS ESSENCIAIS PARA A POESIA


DAILOR VARELA
Durante vários séculos a poesia era uma questão de rimas, métricas e desvairadas e românticas inspirações. Até que poetas como Mallarmé, Maiakovski, Pound desmistificam a natureza inspiradora da poesia.
Insistiram que a matéria prima da poesia era a Linguagem. “Sem forma revolucionária não há arte revolucionária” disse Maiakovski.
Sua sábia conclusão foi uma espécie de bússola para todos os movimentos de vanguarda poética que surgiram após a inquietação e criatividade de Maiakovski, sem duvida o ícone dos “Signos em Rotação” das vanguardas. A partir daí vários livros essenciais foram escritos sobre a poesia e suas “oficinas” de Linguagem.
O próprio Maiakovski escreveu “Como fazer versos?” Outros livros essenciais:
“A dignidade da poesia” de José Lezama Lima. O autor cubano, uma das maiores autoridades no Neo- Barroco na Literatura Latino Americana reuniu neste livro uma série de estudos sobre Rimbaud, Mallarmé. Navega com extrema lucidez sobre temas como “do aproveitamento poético”, “as imagens possíveis”, “a dignidade da poesia” além de um longo estudo sobre Vallery. Outro livro essencial é “A poética da Agoracidade” de Sonia Guedes do Nascimento.
É resultado de uma tese de mestrado do programa de pós-graduação da PUC de São Paulo apresentada em novembro de 1990. Indispensável é também “A arte da Poesia” de Pound onde ele diz que “obviamente não é fácil ser um grande poeta”.
Os textos críticos dos concretistas Augusto de Campos, Décio Pignatari e Haroldo de Campos escritos de 1950 a 1960 resultaram no livro “Teoria da Poesia Concreta”, imperdível navegação para quem pretende atravessar o mar da poesia.
O poeta processo Álvaro de Sá escreveu em 1977 “Vanguarda, Produto de Comunicação” que é um estudo profundamente lúcido sobre o poema processo e suas vertentes.
O poeta T.S.Eliot escreveu “De poesia e poetas” e “A essência da poesia”  que o poeta Ivan Junqueira define muito bem como “uma mostra luminosa da monumental erudição de um dos grandes poetas, dramaturgos e críticos do século”.
A bibliografia em torno da arte poética tem livros indispensáveis como “Arte e Palavra” , resultado de um Fórum de Ciência e Cultura realizado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro que aconteceu na década de 80. No livro uma frase do músico de vanguarda John Cage: “poesia não é ter nada a dizer e dizer: não possuímos nada”.
Antes de rabiscar enluarados poemas, ler estes livros citados e outros sobre arte poética é certamente uma lição obrigatória para quem pretende ser POETA.

terça-feira, janeiro 24, 2012

Três poemas de Margarete Solange


Mar da Galiléia

Aos pés do Mestre


Eu queria estar junto ao Mar da Galiléia
Quando Jesus passou
Chamando discípulos para si.
Se eu estivesse em Betânia naquele dia,
Eu também choraria abraçada aos seus pés.
Enfrentaria a multidão
Para tocar na orla de seus vestidos.
Eu queria tê-lo visto
Pelo menos passar,
Entrando em Jerusalém,
Sentir o vento em meu rosto
Ao contemplá-lo andando sobre o mar
ou aquietando o mar e o vento,
Curando o cego Bartimeu,
Multiplicando os pães e os peixinhos...
Nem que eu fosse um dos cachorrinhos
Esperando comer das migalhas
Que caíam da mesa de seu dono.
Não importa qual fosse o meu lugar.
Eu só queria vê-lo passar,
Como o vejo agora pelos olhos da fé!






Honras e Glórias


Sobre a face da terra não achei
Um exemplo igual.
Nenhum nome foi nem será jamais
Admirável como o teu,


Jesus...


Menino que nasceu em Belém,
Homem que pregaram na cruz,
Morreu para que vivêssemos,
Líder que ressuscitou,


Tremendo, Pai de amor,
Infindo, Provedor,
Verdadeiro, único Senhor.
A ti honras e glórias,
Vivas, palmas e aleluias...


Embaixo na terra,
Entre povos e nações,
Nas profundezas dos mares, nos ares,
No universo estrelado,
Tu és adorado, digno de glórias...


Jesus...




Sou Contigo


Não te apartes de tua boca
O livro de minha lei;
Esforça-te e tem bom ânimo
Conforme eu te mandei.
Para que tenhas o cuidado
De fazer tudo que está dito,
E teu caminho prosperar
Conforme o que está escrito.
Não temas, nem te assombres,
Eu te ajudo, sou contigo.
E o que te irrita e te perturba
Por mim será confundido.
Eu te esforço, te sustento
Te livro dos inimigos e
A nada reduzo
Os que pelejam contigo.
Quando passares pelas águas,
Elas não te afogarão;
E quando entrares no fogo
Te tomarei pela mão.
Desde o ventre te escolhi,
Com misericórdia te adotei;
Guarda no teu coração
As palavras que te dei.
Vou adiante de ti,
Todas as coisas eu faço,
Quebro arco, corto a lança,
Te animo no cansaço.
Revigoro tuas forças,
Transgressões eu desfaço;
Reedifico tuas ruínas,
Desato teus embaraços.
Formo no mar um caminho,
Porei água no deserto,
Aquieta-te e vem,
Sou Deus de longe e de perto.
Encho tua boca de bens,
Renovo tua mocidade;
Da perdição te redimo,
Saro toda enfermidade.
Conheço a tua estrutura
Porque do pó te tirei;
Me invocarás na angustia,
E eu te responderei.
Assim falou o Todo-Poderoso
Para seus servos escolhidos,
Através das escrituras
Reveladas aos seus ungidos.
São promessas que se cumprem
De geração em geração;
Ainda que passem o céu e a terra,
Essas palavras jamais passarão.
A Ele toda honra e toda glória
Porque é soberano, conselheiro,
Digno de adoração e louvores,
O único: fiel e verdadeiro!



*Margarete é autora dos livros O crente não escolhe, é um escolhido (Editora Queima Bucha, 2011); Inventor de Poesia (Versos Líricos. Queima-bucha, 2010); e também Um chão Maior (Santos, 2001).

domingo, janeiro 22, 2012

Quatro poemas de Jorge Linhaça



FEITIO DE ORAÇÃO

Elevas o pensament'ao Criador
em silente reverência te prostras
tuas mãos em oração dispostas
teus lábios a entoar um louvor

Contas tuas dores e alegrias
Agradeces e pedes a Deus Pai
que ouça o pedir que de ti sai
em suaves cânticos em elegias

Coração aberto e alma serena
sentes agora a resposta divinal
como uma voz suave e serena
aliviando as dores do teu fanal.



Um sonho

Sonhei que lançava a boa semente
Regando telhados de telhas de barro
meio dormindo, semicosnciente
tentei entender o sonho tão raro
Pensei na gente que vou agregando
E noutras que eu sequer bem conheço
Os fragmentos fui logo gravando
na minha mente , senão eu me esqueço
Será que eu sou tal qual semeador
que lança a semente em meio ao caminho
esperando que ali brote a flor
e sobreviva aos cardos e espinhos
ou sou apenas mais um sonhador
tentando voar pra longe do ninho?



A PAZ QUE ALMEJO

Papai do céu, sei que me escutas
ai em teu trono celeste e divino
ouve pois a oração de um menino
que não entende por que tantas lutas

Ouve a voz desta simples criança
que não entende tanta mentira
dos que mantém outros sob sua mira
e pregam, na paz ter esperança

Sei que sou apenas um infante,
e a vida é vasta e misteriosa,
feita de sonhos cor de rosa,
que se desfazem em um instante.

Mas quem sabe tu possas me acudir,
e fazer a verdade pura aparecer,
não deixar os homens se esconderem,
atrás de uma paz que é um mero fingir.

A paz que eu busco é tão descomplicada,
não precisa ser a da unanimidade burra,
mas tem que ter a clareza e brilho da lua,
para que a mentira seja desmascarada.

Sei que nos destes o direito de escolher,
e que por isso erramos pelo caminho,
nos enredamos em mil torvelinhos,
mas por que sinceros não podemos ser?

De que adianta tanto falar em paz,
se pelas costas se alimenta a guerra,
se cultivam as mais atrozes quimeras,
e no poder a alma de alguns se compraz?

Por que , meu Pai, tanta hipocrisia,
tanto falar para outros tentar iludir,
por que sentimentos fingir sentir,
e com peneiras tentar tapar o dia?

Pai amado, fica aqui o meu pedido,
de que as máscaras sejam removidas,
e de que a paz por nós tão pretendida,
seja a paz real, dos de amor imbuídos



SINHÔ DU CÉU

Sinhô du céu , ocê me adescurpe
se ieu num sei falá adereito
mai vou falá ansim du meio jeito
pois sei que ocê há di iscutá
este cabôco sem borná
qui tá longi di sê perfeito

Sinhô, vim aqui agradecê
tantas coisá qui ocê mi dá
o canto lindo dus sabiá
o sór que brilha nu céu
as abeia qui mi dá mel
a chuva prá refrescá

Gradeço a lua que me alumia
gradeço a roça qui mi alimenta
i qui a fome afugenta
gradeço tua luz a me guiá
quandu venho aqui rezá
ajueiado em tua presença

Mai queru tumem te pedi
umas coisica assim importante
que num dexes vagá errante
o meu povo tão sofrido
pelos poderoso ferido
quasi qui a cada instante

Sei qui deste o livre arbitro
mó di himi si agoverná
iscolhê entre o bem e o már
mas a genti si amofina
tantas coisa vê na vida
que dá vontadi di chorá

Sinhô, sô só um caboclo inôrante
mas nu peito trago o amô
aquele qui Jesuis insinô
qui nois havéra de tê
mó di um dia nois podê
ir morá cum o Sinhô

Sinhô, num me leve a mal
mais si pudé mi atendê
num deixe mais nos sofrê
por conta di uns falastrão
qui num conhece u amô não
i só pensa im si engrandecê

Sinhô, vou me adespedindo,
gradecendo tua atenção
-os óio moiado di emoção-
fica aqui o meu recado
em nome do abencoado
Jesus Cristo, nosso irmão

Leia outros textos do autor no Recanto das Letras, AQUI.

quarta-feira, janeiro 18, 2012

A POETISA EVANGÉLICA PERNAMBUCANA ELIÚDE MARQUES E SUA "APOTEOSE AOS CAMPOS BRANCOS"


Eliúde Marques declamando poesia durante evento da Academia 
Evangélica de Letras do Brasil, em 2010

Jefferson Magno Costa

(Matéria escrita em 1984 para a seção Contato Poético da revista A Seara, periódico da Casa Publicadora das Assembleias de Deus)


Campos brancos...
Imensos se estendem pelo universo
E mãos hirtas de desespero
Erguem o grito da última oportunidade.

Onde estão os ceifeiros?
Onde as mãos que protegem, abençoam,
Defendem, libertam, cultivam e salvam?

Campos brancos...
Frutos maduros apodrecem:
Na orgia, no vício, na incerteza, no caos
À espera dos ceifeiros que não chegam,
Que não ouvem os seus gritos submersos
Pela guerra, pelo crime
E por toda a violência e descrença
Nas máquinas e nos operários da paz.

Onde estão os ceifeiros?
Vinde hoje, vinde todos
Os tímidos adiáveis
Os fracos e os esforçados,
Os pobres e os abastados...
Há tanto espaço vazio
E os dos celeiros se escancaram
Num convite improrrogável,
Pois as sombras da grande noite
Já se projetam no mundo.

Ceifeiros, o Senhor da Seara vos pedirá conta
E pesará vosso gesto
Se quis dar-vos a força e vós enfraquecestes;
Se vos abriu a porta e lhe negaste ajuda;
Se vos entregou talentos e não fizestes o trabalho;
Se vos traçou Seu caminho e fostes por vosso atalho.

Despertai, trabalhadores da undécima hora,
Enchei as mãos vazias e multiplicai os celeiros,
Pois o Senhor se aproxima com soberania e glória
No Tribunal da justiça em julgamento final
Para a possessão da paz,
Numa apoteose aos campos
Que não branquejarão mais.

A geração dos novos poetas evangélicos tem muito o que aprender com aqueles que já cristalizaram seu talento no difícil oficio de lutar com as palavras para com elas produzir beleza.
É necessário àqueles que cultivam a poesia não se fecharem em uma escola, ou elegerem um determinado autor como único ponto de referência ou modelo na criação de suas poesias. Isto só estreitaria os horizontes, só bloquearia o conhecimento de outros nomes, de outros valores pertencentes à galeria dos bons poetas das literaturas de língua portuguesa.
Aqueles que se fecharam nos conceitos da escola da poesia atual, orgulhosa e auto-denominada de estritamente modernista, se não fosse o caráter eclético e aberto desta página (Contato Poético), não teriam a oportunidade de aprender com a experiência e o valor de conteúdo e estética dos trabalhos de uma poetisa como Eliúde Marques.
A autora do poema Apoteose aos Campos Brancos (que é também título de seu segundo livro) esteve visitando recentemente o Rio de Janeiro, quando participou do culto de abertura dos trabalhos comemorativos do Jubileu de Diamante da Assembleia de Deus em São Cristóvão, bairro da cidade do Rio.
Naquele momento histórico, e no histórico púlpito daquele templo, a conhecida poetisa pernambucana recitou seu poema Apoteose. Movida pelo Espírito do Senhor da Seara, a igreja recebeu, emocionada, a grandiosa mensagem poética magistralmente entregue por Eliúde Marques.
A autora de Primícias do Meu Jardim confessa sua grande admiração pela poesia de Mário Barreto França. Sabemos da influência que a obra desse poeta tem exercido sobre os evangélicos que amam a poesia, especialmente sobre os que costumam recitar poemas nos púlpitos das igrejas.
Aliás, a poetisa lamenta que os declamadores estejam se extinguindo entre nós: “Com muita tristeza tenho notado que até mesmo no Nordeste as moças e rapazes que declamavam se extinguiram. E com isso a poesia está, de um certo modo, se extinguindo. O nosso povo não a valoriza mais como a deveria valorizar. Isso não ocorria na minha época, quando eu era criança, quando eu era jovem. É com tristeza que constato que a poesia não está mais ocupando seu merecido lugar na igreja. Porém, precisamos incentivar os jovens a escrever poesias, pois só assim surgirão novos talentos...”
Em 1972 a CPAD publicou o primeiro livro de Eliúde Marques, Primícias do Meu Jardim. A tiragem de dez mil exemplares projetou o nome de Eliúde Marques entre as igrejas evangélicas pentecostais.
Naquela época sua poesia estava essencialmente marcada pelo estilo de Mário Barreto França: tom declamatório, vocabulário simples, versos correntios, métrica e rima regulares. São as marcas da escola condoreira (nome derivado de condor, aquele falcão solitário que constrói seu ninho nas imensas alturas dos Andes). Estas caractísticas marcaram o estilo da fase final da poesia romântica brasileira, cujo principal representante foi Castro Alves.
Com o passar dos anos, Eliúde Marques perfeiçoou seu estro, leu novos autores, diversificou seu repertório temático, e afastou-se das antíteses e hipérboles e do tom grandiloquente, puramente discursivo da poesia condoreira. Passou a escrever poemas descompromissados com as estreitezas das escolas conservadoras, e a praticar uma poesia cujo principal objetivo sera ser lida e estendida.
A obra de um poeta como Gióia Junior foi cuidadosamente lida por Eliúde Marques. Essa variação de modelos poéticos resultou no enriquecimento técnico dos trabalhos da poetisa. Após muitas leituras, estudos da Bíblia e do assunto missões, Eliúde sentiu-se madura o suficiente para produzir o material que compôs o seu segundo livro: Apoteose aos Campos Brancos, publicado pela CPAD em 1982. Este livro está saindo agora em segunda edição.
A poetisa Eliúde Marques é um dos grandes valores da poesia evangélica brasileira. Ela hoje prefere manter-se, poeticamente falando, em um território de equilíbrio diante do leitor: um tanto afastada de Mário Barreto França, e mais próxima do estilo de um Gióia Junior, mas sabendo que do outro lado está o primoroso, ultra-técnico e avançadíssimo Joanyr de Oliveira e a escola de poetas que têm afinado o seu estro pelo diapasão e os conselhos poético-doutrinários da seção de A Seara, Contato Poético, dirigida pelo Joanyr.

segunda-feira, janeiro 16, 2012

Um poema de Neila Koppe




É SÓ PARA OLHAR O CAMINHO


Quanto tempo perdemos na noite
Enquanto não brilha o sol,
Se a noite se prolonga e cega,
Como somos enganados!
Deixamos o riso ir embora e
Os olhos perderem o brilho.
As mãos perdem as forças
E os pés não veem o caminho.
Por que fomos enganados
E deixamos ir... os sonhos,
Que antes eram tão visíveis.
Mas nos cegaram no caminho
Colocaram pedras, mudaram as placas,
Facilitaram a viagem,
Ofereceram alternativas,
Mentiram com bocas de mel e olhos
Mortos, mas aparentemente vívidos.
É tempo de manter a esperança,
Sorrir o riso mais bonito,
Dar um passo mais largo,
Olhar só para o caminho.
Será que não ouvimos mais
A voz daquele que falou: Vá!
Você se esqueceu de que era verdade?
Quem deu a ordem é Fiel e
Ele só mandou ir.
Não olhe para trás,
Esqueça o passado,
Quem garantiu pode tudo e
Não precisa de sua ajuda.
Pare de colecionar mortos e
Cadáveres em abundância.
Não é mais para velá-los, passou
O tempo de abaixar os olhos.
Esqueça o cheiro do passado,
O caminho é verde.
Há animais ferozes na estrada?
Não é para olhar para eles.
É só para olhar o caminho.
Pare de brigar com as aves,
Você vai perder sua colheita.
Rizpa velou tempo demais seus mortos
E esqueceu que ainda vivia.
Como pôde suportar o cheiro, a decomposição,
Até chegar aos ossos?
A sua carne ainda vivia, os seus ossos estavam fortes,
Mas os usou só para espantar aves,
E esqueceu que ainda vivia.
É tempo de vislumbrar a chegada,
Cantar, ainda que sem harmonia
Da vida, dos homens, dos tempos.
Ouvir só a voz que mandou você ir.
Ele vai à frente e
Não se esqueceu de você.
É só para mostrar o caminho que Ele saiu de perto,
Da sua vista... não do seu coração.
É só para espantar as feras, que Ele foi à frente.
A cidade está perto, a Canaã já é vista,
É só guardar a voz
Daquele que mandou você ir.

sexta-feira, janeiro 13, 2012

Dois poemas de Berg Santos


Imagens Cristãs de uso livre

Igreja Ideal*


Se houvesse pedintes menos,
E fossem adoradores.
Se os “grandes” fossem “pequenos,!”
Pastores não roubadores!


Se houvesse mais publicanos
Orando ajoelhados
menos fariseus insanos
Se mais zaqueus esforçados!...


Ah se Madalenas mais!
Se mais alguns nicodemos
Jairos, Lázaros, e tais
Samaritanos que amemos...


Samaritanas, Marias...
Mais Pedros em nossa igreja!
Mais Martas nos nossos dias
E nenhum Judas, que seja.


Meu Deus se os sacerdotes
Lutassem contra o mal!!!
Ao invés de por mais "dotes",
Por uma igreja ideal!!!


Ah meu Deus, se, não houvesse
Tantos sepulcros caiados
Matando os que não merecem,
Teríamos bons resultados.


*Paráfrase de poema homônimo, do poeta Adelino Alves Bonfim.


Perdão


A oração que prevalece
Tem seguinte condição;
Qualquer pedido acontece,
Se primeiro houver perdão


Por parte do desejante.
Espírito perdoador,
É do tal, o navegante.
É do tal, o intercessor.


O perdão, de Deus é dom
Que o recebe quem o dá.
Então, o perdão é bom,
Pra quem sabe perdoar.


O perdão que dou a alguém
Tem certa, a retribuição.
O SENHOR me dá também,
Em resposta de oração.

Visite o blog do autor: http://www.luciberg.blogspot.com/
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