quinta-feira, agosto 30, 2018

Três poemas de Edna das Dores de Oliveira Coimbra



As vozes que eu ouço

São duas as vozes que eu ouço
E ambas são bem atuantes
Uma é amável e elegante
A outra, autoritária e arrogante.
As vozes que falam comigo
Relutam pelo meu abrigo
Uma quer trabalho e leitura
A outra, prazer e aventura.
Uma me chama pelo meu nome
A outra, sequer me chama, manda-me!
Uma me orienta que eu busque equilíbrio na paz
A outra me instiga a ser mordaz.
Uma tem sentimento de perdão
A outra, grande mágoa no coração.
Uma é dinâmica e altruísta
A outra, infrutífera e egoísta.
Uma me traz à memória, as minhas esperanças
A outra me recorda meus dias de lama.
Uma me deixa em situação de conforto
A outra, em atuação de confronto.
Uma canta lindas melodias de amor
A outra recita sua cartilha de terror.
Uma esquece as afrontas facilmente
A outra guarda todas diligentemente.
Uma não mede esforços
Em me conduzir à casa do Pai
A outra não desiste de bloquear meu caminhar.
Uma me diz que eu preciso me consagrar mais
A outra diz que é bobagem, bom mesmo é aproveitar.
Uma me fala de versículos bíblicos
A outra, de um passado triste.
Uma me leva a louvar
A outra, a amaldiçoar.
Quando desagrado à primeira
Ela me admoesta com firmeza
Quando não obedeço à segunda
Ela me trata com desprezo.
Estando neste dilema
Corro em busca de uma solução
Que traga tranquilidade
Para o meu caótico coração
Então abro o Evangelho
E medito na Palavra de Cristo
E nela encontro conselho
E plena certeza
De que com Ele estou livre.



Bendito seja Deus

Pelo sol que aquece
Pela chuva que refresca
Pelo fruto da terra
E pelo arco-íris suspenso na atmosfera
Bendito seja Deus
Pela lua que ilumina o viajante
Pelo brilho das estrelas que direcionam o itinerante
Pelas árvores que dão sombra
E pelo bordão que dá abrigo
Bendito seja Deus
Pelas mãos que abençoam o necessitado
Pelo abraço que conforta o angustiado
Pelo sorriso que contagia o exasperado
E pelos conselhos dos sábios
Bendito seja Deus
Pelas palavras que levantam o caído
Pelas orações que libertam o cativo
Pelo jejum que salva o oprimido
E pelos joelhos que se dobram a Cristo
Bendito seja Deus
Pelas ondas que se delimitam na praia
Pelas lágrimas que purificam a alma
Pela euforia de nascer e louvar ao Criador
E pelo júbilo de morrer e me apresentar ao Senhor
Bendito seja Deus



Refúgio

Quando pressinto que ele
Aproxima-se de mim
Corro em busca dos meus discos,
Meus filmes,
Meus livros.
Mas ele é implacável, atroz, desumano,
Arrancando de mim todo o interesse
Em ouvir, assistir, ler.
Então elevo os meus pensamentos
Ao Senhor,
Meu refúgio e fortaleza,
Porque sei que é Dele
Que me virá o socorro.
Sua Palavra me conforta
E o seu amor me acalenta.
E quando percebo
Já estou limpando os estragos
Que o furacão deixou.

sexta-feira, agosto 17, 2018

Três poemas de Elma Sales Morais


Vale mais

O abraço sincero
A palavra verdadeira
O silêncio companheiro
O olhar de atenção
Vale mais.
A humilde acolhida
O carinho a servir o pão
O sorriso fraterno
O aperto de mão
A comunhão da palavra
A linguagem do Salvador
O enlace dos pensamentos
A harmonia simples do amor
Vale mais.
A simplicidade do diálogo
Palavras de compreensão
A oração na roda de amigos
O sorriso aberto de gratidão
Vale mais.
A caminhada com o fiel amigo
O olhar que diz mais que palavras
A doação da graça que salva
A família de Deus reunida
Vale mais.
O presente sem merecimento
A aliança da salvação
A morte que nos trouxe a vida
Deus em nosso coração.
Vale mais. 

Encanto

Em um canto me encontro a falar com Deus 
Encantada com o silêncio na madrugada 
Sons de chuvisco a tocar o chão 
Canto de aves ainda na escuridão. 
Minha oração segue com a solidão 
Quero louvar a quem tanto amo 
Um Deus fiel que traz à minha alma doçura 
Deus que me ama e demonstra ternura. 
No meu canto entoo um canto falado 
De sublime gratidão a meu Deus amado 
Não mereço, pois, sou apenas pequena serva 
Que no coração, a palavra de Deus conserva. 
Entretanto almejo sair do canto 
E repartir essa paz tanto, tanto 
Com o outro que jaz em um triste pranto 
E não sabe como agir ao desencanto. 
Só não quero guardar para mim 
A alegria desse tão grande amor sem fim 
Que reflita por onde eu passar 
O prazer de com Cristo sempre caminhar. 



Eu Vejo Deus

Eu vejo Deus nas negras nuvens 
Que derramam lágrimas no chão 
No vento forte que assombra os vales 
Na força das águas que correm sem direção. 

No sol que castiga a humanidade 
Na seca que racha o solo sem piedade 
Na secura do tempo, que sufoca a ave 
Eu vejo Deus na brisa suave. 

No céu tão claro de azul límpido 
No orvalho fresco das manhãs 
Nas fontes de mananciais subtérreos 
No ontem, hoje e no amanhã. 

Vejo Deus em todo ser que respira 
No pensador, sábio e no tolo 
No impensante belo inocente 
No zumbido alegre de um besouro. 

Na mulher que carrega o fruto no ventre 
Na demência de quem já viveu lindas paixões 
Vejo-o nas cores do arco-íris 
Na miscelânea arte das emoções. 

Vejo-o na criança perdida nas ruas 
No mendigo que passa pedindo pão
No arco íris que esbanja a fartura
No Lázaro humilde de coração

Vejo em tudo a Sua majestade
O controle da vida está em suas mãos
Ele é que ordena o Sol e a Lua
O Senhor domina a imensidão.

A presença de Deus é perene
Força que transcende o mundo vão
Vida, energia, luz eterna
Alma, Espírito, coração.

Visite o site da autora: http://www.elmamorais.com

quinta-feira, agosto 09, 2018

Poemas sobre a Árvore reunidos em antologia gratuita


        O termo grego ανθολογία (antologia), significa “coleção ou ramalhete de flores”. Daí o latim florilegium. O termo florilégio encaixa-se bem ao presente trabalho, onde procurou-se coligir poemas sobre a árvore, esse centro e pilar da hera.
        E foi sorvendo de outas antologias, e ainda de livros individuais, revistas e websites, que coligimos aqui este singelo ramalhete de poemas sobre a árvore. Adicionamos ao volume uma pequena seleção de frases sobre o tema, e, em arremate, publicamos o texto integral (vertida sua grafia ao português hodierno) do poema A Destruição das Florestas, do múltiplo Manuel de Araújo Porto-Alegre (1806 – 1879). O poema, que veio à luz em 1845, é um significativo e precoce exemplo de consciência ambiental em nossa literatura.
        Uma antologia temática é uma chance sempre de a poesia penetrar em espaços outros que não os estritamente circunscritos aos apreciadores de poesia. Como antologista, confesso que prefiro, por motivos óbvios, trabalhar com temas ainda não contemplados, os quais infelizmente são muitos em nossa língua. Já assim fizemos em trabalhos como Segunda Guerra Mundial – Uma Antologia Poética; Breve Antologia da Poesia Cristã Universal e Amor, Esperança e Fé – Uma Antologia de Citações, só para citar alguns trabalhos. Assim, qual a vantagem (ou vantagens) de debruçarmo-nos, agora, sobre uma outra antologia da árvore, já que nossa literatura possui obras neste viés? Acreditamos em algumas. A primeira, é de ordem da amplitude espaço-temporal: a coleta de um número significativo de textos, abarcando autores, se em sua maioria brasileiros ou lusos, também de outras literaturas do globo, e alguns deles de produção posterior às seletas precedentes; a segunda, por suprimento de lacuna, visto que os predecessores são livros esgotados já de há boas décadas; e, por fim, nossa motivação principal: a democratização do conhecimento proporcionada por um livro que já nasce eletrônico e gratuito, o que permite um acesso fácil, amplo e permanente ao seu conteúdo. Afinal, em tempos em que “Meio Ambiente” alcançou o status de tema transversal a perpassar o ensino de todas as disciplinas escolares, auxiliar educadores em seu esforço para incutir o reconhecimento e a valorização deste ser áulico e basilar da Natureza, a árvore, naqueles corações sob sua jurisdição, torna-se nosso objetivo mais urgente.
        Além do elogio da árvore, presta-se aqui uma homenagem a nossos poetas de agora e de ontem, e de certa forma um serviço à literatura lusófona, pois toda antologia literária é antes de tudo isso - um serviço prestado a uma literatura e ao universo de seus usuários.
        Este é um livro gratuito. Como amante das árvores e da literatura, como professor e como antologista, é um prazer ofertar este livro a todos, com votos de que ele possa ser compartilhado livremente, para que alcance os fins a que se propõe.
                               
Sammis Reachers

Para baixar o livro (224 págs., em formato PDF) pelo Google Drive, CLIQUE AQUI.

quinta-feira, agosto 02, 2018

Dois poemas de Laercio Borsato



Uma melodia

Milhões de flores nos esperam nos jardins;
As searas, os campos, breve, estarão floridos;
Aves voam alto, nos folguedos divertidos;
Vislumbra-se, ao longe, a imensidão dos confins...

Da casa da colina, o riacho coleia o monte.
Suas águas cristalinas refletem o sol poente...
Nuvens brancas contrastam o azul do horizonte;
A noite veste o véu, a terra dorme contente...

Ouve-se, nas alturas, mavioso coral.
Louva e entoa o seu canto angelical.
Parece que essas vozes aos céus vão subindo...

De repente, a melodia fica quase inaudível.
Transforma-se num sussurro: doce... incrível!
Anjos fazem sinal: Jesus estava ouvindo!


Para minha mãe

Mamãe mostrou-me a primeira borboleta!
Estava do meu lado, observando-a voar...
Meus primeiros passos, tombos e piruetas
Foram para ela algo espetacular!

Mostrava-me o sol, estrela, lua, cometa:
Obras de meu Deus, Senhor da terra e mar...
Ministrava modos, costumes, etiqueta;
Em dado momento, como devia me portar,

Na igreja, na rua, na escola, na sociedade,
Com vizinhos, colegas, ou nova amizade...
Conhecia o mundo, "meu desconhecido!"

Por crer no amor supremo, ao certo previa:
Se não soubesse tudo, Deus lhe proveria
Bem maior conhecimento que dos entendidos!

Via Revista Alvorada

segunda-feira, julho 16, 2018

Quatro poemas de Neusa Adelaide Figueiredo



Dádiva II

Antes de Ti
tudo eram sombras,
vã memória

elevaste-te
em hino de amor
perfume de cultivo
Gentil

Desceste
na carne, sorriso
e manto perene
de esperança
Teceste.

Aos teus pés
o azul prostrado
rendido, e o sangue
como o sorriso das flores

derramando,
claridades perpétuas.




Dialectos

O amor
baseia-se na força
de quem lapida oceanos
Engole montanhas
E contudo, chora.
Lágrima
talhada no lapidar desenfreado do tempo,
escassez dos membros da
Fauna, gota
envolvente seda
E
faz brotar rosas nos olhos áridos.
Quem pare o amor
Respira dialectos de saber
Ser
E se for,
Dicionário efêmero e universal
necessário à sobrevivência da espécie
Ou uma nova espécie de sal
E Luz
Talvez bússolas ou mapas nos ajudem,
Ou talvez não
E seja apenas necessário
O beijo da palavra e
a pluralidade
de quem abraça com o coração.




O odor de um livro

sinto o seu cheiro
como forasteiro recém chegado
procurando alojamento
inspiro o odor viciante
e parto em digressão
sou eremita abstinente
em terra distante

desbravo clássicos
onde Dumas molha a pena
à guarda do Luzeiro
da mente que não se apaga

renegando ao ardor dos meus olhos
relato em alta voz
o que apenas alcanço
sonhando

fecho um livro e sinto
o seu cheiro amarelo
penetrando
num cérebro pueril
viajando ao século XIX




Aos arrozais

Foi para ti
que cultivei a goma
do riso
Lembras-te?
Na pátria dos esquecidos
Para ti
desfolhei
Colhi, aguardei
todos os sentidos
adormecidos
do estandarte vitorioso
minha miragem
como gomos de ausências na alma traçados
Por ti achei e minei
as frestas (fria)mbulantes
do tempo
esse carrasco que se diz senhor
da dor
Como sabes,
soltei todos os perfumes da terra
que velei
na tua goela longínqua
e encontrei-me
Perdida
em ti cingida sem peito
dando voz ás mil águas
Da nossa foz
onde te Incluo
Incólume
fluente caudal
supremo
de vida.

sexta-feira, julho 06, 2018

Três poemas de J.T. Parreira


É TERRÍVEL SER O SENHOR
"E o Verbo se fez carne e habitou entre nós"
Jo. 1,14
É terrível ser o Senhor e estar sentado à mesa
entre os homens, subir a crosta da terra
até ao cume onde já foram contados outros
malfeitores, andar entre leprosos com a carne
diáfana e pura de ser Deus, partilhar
de todas as manhãs como artesão do sol
É terrível ser o Senhor entre cegos
e andar eterno no limite temporal.


A DÚVIDA
O meu corpo aceita todas as dúvidas, o meu sangue
Que foi um tecido líquido que cobriu as minhas feridas
De novo entre vós com o sinal dos cravos, metei o dedo
No lugar onde os pregos entraram até ao âmago
Dos homens, escutai o meu coração
É um botão da flor do meu amor perfeito por vós
Se vos perdesse, doíam mais as minhas feridas
As dores da cruz são agora a minha maior alegria.



EPÍSTOLA AOS ROMANOS
“Miserável homem que eu sou”
Paulo de Tarso

Sei coisas terríveis sobre mim, de antes
Da estrada de Damasco, coisas
Que estão dentro da minha memória
E secariam o meu coração, se não fossem
As costas de Deus, atrás das quais tudo cai
No esquecimento
Sei tantas coisas terríveis a meu respeito
A que mais dói
Ter fechado os ouvidos ao último silêncio
De Estevão, quando as pedras sujavam
O seu sangue dolorido.

terça-feira, junho 19, 2018

Um poema de David Brainerd


Oh! Amarga vergonha tenho agora

Tradução de José Britto Barros

Oh! Amarga vergonha tenho agora,
daquele dia em que, orgulhoso, outrora,
ao Salvador que me quis ajudar,
altivamente, eu pronto respondi:
Quero tudo de mim, nada de ti!...

Procurou-me, porém, com gran ternura
e contemplei da Cruz toda a tortura
entre a qual pelos homens Ele orou...
Assim eu meditei e lhe pedi:
Quero muito de mim, pouco de ti!...

Mas Cristo dia a dia veio me dar
as provas desse amor tão singular
procurando do abismo soerguer-me...
Então bem mais humilde requeri:
Quero pouco de mim, muito de ti!...

Porém, mais alto do que os altos céus,
e mais intenso do que os escarcéus,
Senhor, teu grande amor venceu-me enfim!
Dá-me, eu te peço, e esquece que eu descri:
Quero nada de mim, quero tudo de ti!...

Do livro Inspirações Poéticas do Pastor Britto.

terça-feira, junho 12, 2018

Três poemas de Zenilda Lua


Foto de John Medcraft

Incompleta de vazios

Ando incompleta de vazios.
Em tudo dei de achar graça.
Passei da angústia dolorida para um sentimento docíssimo
que imita o cintilar dos lírios brandos.
Aprendo de azul mais que tudo.
Aprendo também de milagres, de pássaros,
de cânticos e até de miçanga que já fora
semente endurecida e, de repente virou um colar de ternura.
Aprendo de flor, de calêndula e até dos querubins
que fizeram sonata nos campos de Salomão.
Do resto, não sei explicar direito não.
“Meu pranto tornou-se folguedo.
Meu pano de saco foi desatado.
Agora estou cingida de alegrias”.


Aboliu minhas dívidas

Aboliu minhas dívidas
dilui os meus medos
visitou meus cômodos mais secretos
postergou meu degredo.
Escreveu no seu livro o meu nome completo
e calcou no meu cálice vinho demi-seco.
Não falou a palavra crepúsculo,
não me deu um abraço nem sonhos de valsa
só confiou-me os topázios mais alto,
as perobas do campo
e doçuras perpétuas.
“As muitas águas não poderão apagar esse amor
nem os rios mais cheios irão afogá-lo”.


Andava triste e mal amado

Andava sentido, triste e mal amado
sem ter um roçado, um braço de Rio
sem ter uma musa ou penas brilhantes
calei-me bastante e não dei mais um pio
Pra me consolar veio o caboclinho
sabiá, rolinha, bem-te-vi, nambu
canário da terra, cancão e concriz
tiziu, carcará…veio até um tatu.

Trouxeram alento, comida de pronto
e eu feito um tonto tudo rejeitei
foi quando um deles, pediu um instante
me levou prum canto
e eu o escutei:

” Não se vende dois passarinhos por um ceitil?
Sendo que nenhum deles cairá na terra
sem a vontade do nosso Pai”!

“Arrepare e tome tento, oxe!”

De cada um de nós, Deus já fez a conta!
pare de sofrer, se alegre, se esbalde
Já que você vive comece a cantar!
Louve Jesus Cristo, irmão Garibaldi!

Poemas publicados no site Paralelo 10 (Ultimato).
Visite o blog da autora: http://zenildalua-alfazema.blogspot.com/


quarta-feira, junho 06, 2018

Dois poemas de Jénerson Alves


A HISTÓRIA DA IGREJA BATISTA NO BRASIL EM VERSOS DE CORDEL

Eu peço que Deus inspire
Este humilde menestrel,
Que, através da luz divina,
Em um relato fiel
Eu, da Igreja Batista,
Conte a história em cordel.

Quero cumprir meu papel
Com honra e dignidade,
Pra não deixar esquecer,
Mostrando a realidade,
Porque só quem tem história
Constrói a identidade.

Para entender, de verdade,
Eu acho muito importante
Que viajemos no tempo
Para um passado distante,
Quando ocorreu na Alemanha
A Reforma Protestante.

Um movimento marcante
De enormes consequências
Que eclodiu quando Lutero
Publicou com coerências
As noventa e cinco teses
De encontro às indulgências.

Após tais interferências
Que o monge Lutero fez,
Surgiram grupos diversos
Com pujança e altivez,
Mudando a Europa em
Pleno século 16.

Passa o tempo sem talvez
Pra que tudo se renove.
Primeiro grupo batista
John Smith é quem promove
Em Amsterdã, Holanda,
Em mil, seiscentos e nove (1609).

Acho bom que se comprove
Para que não haja engano,
As raízes teológicas
Que os batistas têm no plano
Vêm dos grupos anabatista,
Luterano e anglicano.

Mas, com o nome no pano,
No papel e na fachada,
Em mil, seiscentos e doze (1612)
A igreja edificada
Nos arredores de Londres
Por Thomas Helwys formada.

Contra a igreja criada
Foi feito um combate forte.
Devido à perseguição,
O grupo encontrou suporte
Se dispersando no mundo,
Mas fiel até à morte.

Lá na América do Norte
O trabalho foi fecundo,
Com a obra de dois homens
Que tiveram dom profundo:
O primeiro, Roger Williams,
E foi John Clark o segundo.

Houve um entrave oriundo
Da Guerra de Secessão
(Em que estados do Sul
Mantinham a escravidão,
Ao contrário dos do Norte,
Que queriam abolição).

Com essa sublevação,
Enfrentamento se deu.
Foi no século 19
– Eu lembro o que aconteceu –
Que quem ganhou foi o Norte
E foi o Sul quem perdeu.

Imigração ocorreu
Entre o povo derrotado.
Um grupo do tal aqui
No Brasil foi fixado
Em Santa Bárbara D’Oeste,
Em São Paulo, grande estado.

Este grupo organizado
Foi ganhando voz e vez,
Pastor Richard Ratcliff
Um belo trabalho fez,
Mas a PIB no Brasil
Tinha os cultos em inglês.

A fundação que se fez
Sem problema e sem lundum
No dia 10 de setembro
(Data linda, tão comum),
E foi no ano de mil,
Oitocentos e setenta e um (1871).

Sem preconceito nenhum
Esse trabalho seguia,
Com oração e louvor,
Disciplina, liturgia,
Porque todo crente serve
A Jesus com alegria.

Dez anos depois que havia
O trabalho implementado,
Um casal missionário
Ao Brasil foi enviado
Com a missão de tornar
O povo evangelizado.

Tendo em Campinas chegado
O casal acha bacana
Pois há igrejas batistas
Mostrando a luz soberana
Em Santa Bárbara D’Oeste
E também em Americana.

A mensagem se explana
Pois o Senhor a compôs.
Foi em 15 de outubro
De um, oito, oito, dois (1882),
Fundou-se a PIB Brasil
Na Bahia, que se expôs.

É bom salientar, pois,
Pra não haver confusão:
Os batistas no Brasil
Se inseriram em dupla ação;
Uma pelos imigrantes
E a outra pela missão.

Antes, houve atuação
De uma outra ferramenta:
Pois Thomas Jefferson Bowen
No Brasil se apresenta
Ao trabalho missionário
Em mil, oitocentos e sessenta (1860).

Mas doente, com tormenta,
E sofrendo perseguição,
Só oito meses depois
Deixou a nossa nação
O primeiro missionário
Que pisou em nosso chão.

Mas, voltemos à missão.
Deus, com ação altaneira,
Integrou ao Seu trabalho
O ex-padre Antônio Teixeira
(Primeiro pastor batista
Desta terra brasileira).

O ex-padre Antônio Teixeira
Teve vida abençoada.
Foi sacerdote católico,
Porém mudou de estrada
E se converteu sozinho
Ao ler a Bíblia Sagrada.

Nesta missão empenhada
Na relação se inclua
O casal William Buck
E Anne Luther, que atua
Mais Zacharias Clay Taylor
E Kate, a esposa sua.

O trabalho continua
Lá na PIB da Bahia.
Começou com cinco membros
E Deus do Céu auxilia
Aumentando pouco a pouco
Esta sua membresia.

O trabalho se seguia
Entre flores e pelejas
E em vinte e cinco anos
Há benesses benfazejas
Com mais de 4 mil membros
Em 83 igrejas.

Outras ações benfazejas
Vão ganhando dimensão.
Salomão Luiz Ginzburg
Criou o Cantor Cristão
E ainda deu a ideia
De ser feita a Convenção.

Hoje, os batistas estão
Em diversos continentes.
No Brasil, seus membros são
Quadros muito pertinentes.
É a terceira maior
Denominação de crentes.

Tem princípios consistentes
Que eu digo nos versos meus:
Cristo, a Santa Autoridade;
Bíblia, a Palavra de Deus;
E o Espírito Santo, a voz
Que muda incréus e sandeus.

O homem, imagem de Deus,
Tem valor incalculável,
Com livre arbítrio inerente,
Competente, responsável,
Para o qual a liberdade
É bem inalienável.

Pr’ o cristão é aceitável
Andar na luz e na fé,
Fazendo da vida um culto,
Sem ser chulo nem ralé,
Negando a si e seguindo
A Jesus de Nazaré.

Igreja, de fato, é
Viver em comunidade;
Professar a mesma fé;
Vislumbrar a igualdade;
Mesmo tendo autonomia,
Não perder a unidade.

Tem de ter identidade,
Ter postura coerente,
Recordar do que passou,
Olhar o tempo presente,
Para pensar nas mudanças
E adotá-las mais na frente.

Com fé no Onipoetente
Manter a santa aliança,
Não perder os seus princípios,
Sabendo fazer mudança,
Lembrando que a Parusia
É a maior esperança.

Com Deus, a Igreja avança,
Em nome do bem comum,
Vencendo cada intempérie,
Extirpando zum-zum-zum
E atendendo às demandas
Que há no século 21.

A Bíblia

Quando entro numa igreja,
Fico emocionado
Com o barulho das páginas
De um livro folheado.
Este livro, a Bíblia, é
Regra de prática e fé
De todo e qualquer cristão.
Há luz nos conselhos seus,
É a Palavra de Deus,
Mensagem de salvação.

Foi por iluminação
Do Divino Espírito Santo
Que este livro foi escrito
Com amor, fé e quebranto.
Jesus Cristo é o seu tema,
tem canto, salmo, poema,
Exortação, disciplina,
Livra das coisas mundanas,
Escrito com mãos humanas,
Mas com mensagem divina.

Da Ciência à Medicina
Seu brilho doou requinte.
Honrado por Leibnitz,
Robert Boyle e DaVinci,
Mandel, Pasteur, Galileu.
Isaac Newton o leu
E estudou as profecias,
Mudando a vida dos seres.
A Bíblia possui saberes
Que não são mitologias.

Ela inspira melodias
A vários compositores.
É ensinada por mestres,
Profetas, padres, pastores,
Influencia a cultura,
A arte, a literatura,
Com inefáveis lauréis.
Faz distinções dos extremos,
Perseguida por blasfemos
E seguida por fiéis.

Quem a lê, coloca os pés
Na firme estrada do Bem.
Impactou Lew Wallace
E Antony Flew também.
É sublime o seu estudo!
A quem pensa saber tudo
Ela mostra novo aspecto,
Modifica o ideal,
Eleva sua moral,
Fortalece o intelecto.

Gera fé no circunspecto
Mediante a pregação
E no coração encarna
De quem crê com o coração.
Um grão de fé torna massa,
Ensina a lei pela graça
E o juízo pelo amor,
Mostrando que a vida é bela,
Sua leitura revela
O caráter do Senhor.

Um Anjo ministrador
Instrui a todo o que crê.
Por quem não lê, ela é lida
Na vida de quem a lê.
Possui função terapêutica,
Cristo é a chave hermenêutica
Pra sua compreensão,
Ciência da consciência,
É o mapa da existência,
A bússola do coração.
Mais textos do autor AQUI. Leia matérias sobre o trabalho do autor (como cordelista, dentre outros títulos, publicou A Reforma Protestante em Literatura de Cordel) AQUI e AQUI.

terça-feira, maio 29, 2018

Dois poemas de Esmeralda Campelo



Antigamente

Antigamente,
Sem poluição,
Era possível sentir o cheiro do mato,
O perfume doce das camélias.
Era possível! ah! era possível!
Correr pelas calçadas sem estar fugindo de ladrão.

Ao abrir as janelas e portas de manhã
Entrava o sol, a luz, a vida, o amigo, a irmã,
Para compartilhar, sorrir e até sonhar.
O mundo era grande demais e havia espaço.
Para brincar, correr sem rebentar o laço
Do amor de irmão.
Era legal demais!
Ninguém ficava só, preso ao computador e à televisão.
Faz muito tempo! mas, era assim.
Muita coisa mudou... para melhor? Talvez.
Muita coisa acabou...
E agora o ar condicionado substitui a brisa,
O perfume francês o cheiro do jasmim.
O robô rouba o pão do homem sofredor
E o computador manda mensagem de amor.

Antigamente era legal demais!
Até quando ensinavam tabuada,
Numa cantoria repetida, ritmada.
Dois mais dois? Quatro.
Três mais três? Seis.
Três mais quatro? Sete.
Hoje, coisas assim e outras mais...
São resolvidas secamente pela Internet.

Por isso o melhor mesmo é esperar
que a terra volte à posição inicial,
As geleiras se derretam totalmente,
O clima volte a ser como foi antes,
A vaca e a ursa pastando livremente,
O leão comendo palha com o boi,
O homem puro como um dia foi
E a criança de peito brincando sem receios
Na toca da serpente.
Sei que será bem melhor que antigamente.


O Perdão

É antes de tudo um ato de amor.
Feito de lágrimas, dor e determinação
não é sentimento, nem tão pouco emoção.
É um processo...
Dia após dia, tantas vezes quanto
necessário for.
Nada pede em troca.
Sem cobranças, sem disfarce
ou interesse qualquer
Perdoar é lembrar do fato sem sofrer.
Sem reservas na alma
sempre pronto a ceder.
Como o Senhor Jesus.
Que andou entre os homens
sem qualquer pretensão,
sendo Deus se humilhou
e na cruz proclamou seu eterno perdão,
perdoar é sorrir em soluços de dor
É prever a alvorada
Em meio à escuridão.
É ver o sol além da tempestade
é sentir paz, prazer, felicidade,
por aquilo que virá no amanhecer.
Ser perdoado também é tornar a viver
é voltar a sentir a ternura maior
que só Deus pode dar
porque pode entender
a grandeza do amor.
Setenta vezes sete é a sugestão do Senhor,
ao pai, ao amigo, à mulher, ao irmão
tantas vezes quanto necessário for,
contanto que não se esvazie a taça do amor.
Que o próprio Deus pode encher.
Perdoar ou receber a graça do perdão
é renovar, é crescer é realmente ser Cristão.


quinta-feira, maio 17, 2018

AltoGRAFIA, novo livro de Karla Fernandes para download gratuito


A jovem poeta Karla Fernandes, autora do livro Poesia do Alto e presente no quinto volume da antologia Águas Vivas, que organizamos, acaba de nos presentear com sua segunda obra individual. Em altoGRAFIA, o estilo belo e direto da autora vem confirmar-se em versos afinados, que transitam do devocional ao crítico, do intimista ao evangelístico, sempre portando uma mensagem de impacto.

Para baixar o e-book, CLIQUE AQUI.

Visite também o blog da autora: 
https://altografia.blogspot.com.br/

sábado, maio 12, 2018

Prece no Dia das Mães, poema de José Britto Barros



Prece no Dia das Mães

Ó Deus bendito e eterno, hoje nós te agradecemos
Nos haveres dado aquele ser bondoso
Quão heroico e querido para nos guiar e ajudar
Nas ínvias jornadas do viver terreno, nossa mãe.

Agradecemos, Senhor, o carinho que nos dedicam,
Os sonhos que sonham para nós,
Os trabalhos que laboram para nós,
E os sacrifícios que fazem por nós,
Tudo somente visando fazer de cada um de nós
Uma personalidade perfeita, digna e útil,
Dentro dos teus planos sublimados e grandiosos.

Permite, Senhor, essas guardiãs do lar
Sejam tomadas por ti, possuídas pelo teu poder
Para o exercício grandioso
Do ministério imortal que lhes deste.
Prolonga, Senhor, os seus dias,
E guarda-as em tua proteção e cuidado.

E a nós, Senhor, que filhos somos,
Dá-nos a graça de pelo menos entendermos
O grande amor que nos devotam.
Faze-nos vitoriosos para glória do teu nome
E felicidade de todas as mães.

Nós te rogamos, ó Deus, em nome de Jesus,
O melhor dos filhos, amém!


do livro Inspirações poéticas do Pastor Britto (João Pessoa: Edição do autor, 2017)

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...